“7 Senhoras” de Margarida Madeira é mais uma banda desenhada mas tem um ritmo mais lento do que o do Astérix. Retrata as vidas de sete mulheres que a autora conhecia na juventude. Temos, por exemplo, uma bisavó, uma professora e uma senhora que faz parte da vizinhança, mas cujo nome a autora nem sequer sabe. Não há enredo nenhum, apenas uma vista microscópica destas vidas únicas, algumas ternas, outras absurdas, mas cada uma desperta a atenção da menina que um dia tornaria artista e autora. É uma homenagem às vidas escondidas que nos influenciam ao longo do caminho, cada uma à sua própria maneira.
Look at this mess! I hadn’t even started it and already I’d done this. This is why we can’t have nice things.
Coloquei este livro no cesto enquanto estava a a buscar um livro de que precisava. Fiquei desiludido. Gostei da arte, mas não tem uma história. Quanta história é que um criador é capaz de contar em 16 páginas? Ela está sozinha em casa com saudades de alguém? Pois, acontece, mas não há mais nada e o álbum deixou-me insatisfeito.
Recebi esta BD como presente de uma amiga e comecei a ler quase de imediato.
Conta a história de uma rapariga que vive com o seu cão robô numa cidade quase vazia. A única outra pessoa que ela encontra no seu dia-a-dia é uma empregada do supermercado onde ela faz as compras. A autora faz com que a cidade inteira exista só para ela.
Há pouco diálogo mas a arte é incrível, e adoro como ela usa variações no estilo artístico para sinalizar as emoções da protagonista ou o “tom” da cena. Por exemplo, à volta da página 70, temos uma série de imagens embaciadas em preto e branco, uma que parece um desenho de um livro infantil, e uma muito realista, que espelha os sentimentos de pânico, isolamento e revelação quando ela vai à procura do cão e acaba por encontrar o cinema ao ar livre.
Adorei este álbum e irei procurar mais livros desta autora durante a minha próxima estadia em Portugal.
Acabo de ler o décimo nono episódio da banda desenhada The Walking Dead. O primeiro foi um dos primeiros livros portugueses que li por completo, e achei-o um método genial para aprender português idiomático. Ainda recomendo que novos leitores experimentem BDs antes de enfrentar um romance.
Infelizmente, a editora Devir deixou de publicar a série após o volume 14 e depois nós leitores tivemos de mudar para a versão brasileira. Confesso que acho um chatice ler tanto calão brasileiro e tenho saudades do meu mundo perdido: Os EUA pós-apocalipticos à portuguesa!
Mas não desesperes! Há uma luz na escuridão! Segundo o site bandasdesenhadas.com, a editora voltará a publicar novos livros. Esperam completar o conjunto em 2025. Fico muito feliz e antecipo ler os próximos volumes em breve.
Even if you don’t know any portuguese, you can pretty much guess what they’re saying here and none of it is about flowers or kittens.
Entretanto, o Rick carioca não deixa de ser interessante. Este episódio conta a história da aliança entre as três colónias*: Hilltop, O Reino e… A outra cujo nome me escapa… Juntam-se para entrar em guerra contra o grupo de Negan. Ouvi dizer que o Negan se torna um aliado do Rick na série mas é quase inacreditável porque na BD é praticamente o diabo! De qualquer maneira, a ação neste livro é incrível, com poucas páginas perdidas em coisas de telenovela. Acho que é o melhor da série até agora.
Li este livro no app Kobo no meu telemóvel mas não recomendo, porque fiquei com dores na vista. Antes, experimenta o Wook e começa no início!
*I originally wrote “povoação” which I think would normally be used for population, as in “the population of the UK is increasing by 1% per year due to net immigration” but can also sometimes mean a village or settlement (the actual word I was trying to translate) according to Priberam, but it seems povoado is a more natural word, but apparently in the TV series they are referred to as colónias – eg here (but it’s Brazilian so uses a circunflexo)
Just a quick interlude to discuss this book. It’s one of three i bought by the same author and, unlike the others, it’s mainly in English, but it’s a bilingual edition with portuguese dialogue in notes at the bottom of the grid.
It’s quite a hard read though. The main character is a paedophile who’s trying to get through his life without harming anyone. It’s… An original idea for a book, but if you like your protagonists to be sympathetic people you can relate to you won’t find that here!
The other books I bought by him are Cartas Inglesas, which I reviewed a few days ago and Gente Remota, which I just finished today. I’ll be posting that review in a couple of days from now but spoiler alert) it’s definitely the pick of the crop!
Este livro é uma versão BD de um filme que não veio a ser realizado. A qualidade dos desenhos é básica e o diálogo é parecido com o estilo das sitcoms britânicos dos anos setenta: cru e sem sofisticação. Não sendo incrível, deu-me duas boas horas de sorriso sem rir em voz alta.
Encontrei este livro enquanto estava à procura de uma outra BD. Li-o logo porque me apetecia mais do que a minha leitura principal (é boa mas… densa!)
E Agora?
O livro é divertido, mas não consigo dizer porque é que o apreciei tanto. Pouco acontece. Ela nasce, cresce, trabalha e no final atinge algum sucesso. Não há grande drama, e talvez tenha sido disto mesmo que gostei: muitos autores querem aumentar o drama das suas vidas, exagerando os seus sofrimentos e ganhando a simpatia do leitor. A Raquel fala, sim, de vários colegas mal dispostos e até (uma vez) de “abuso” mas estes transtornos aparecem como obstáculos a superar e ela nunca assume o papel de vítima. Enfim, isto é inspirador: é uma história quotidiana, mas a protagonista é trabalhadora e aberta às possibilidades da vida. Quando cai num buraco, começa de novo e melhora a situação, por mais difícil que seja.
Há elementos de sorte nisto tudo: ela é inteligente, com bons amigos, um namorado simpático e uma família apoiante, mas a vida dela não é um mar de rosas. Como toda a gente, ela joga as cartas que tem, e pessoalmente, gostei da sua maneira de lidar com os problemas.
Por que raios comprei este livro? Já sabia antes de comprar o primeiro tomo (lançado em 2007) que aina não existe a segunda parte, portanto eu provavelmente nunca saberia como se desenrola a história, mas ouvi falar do livro numa lista do “Top 15” de BD* portuguesas (https://vinheta2020.blogspot.com/2020/10/top-15-as-melhores-bds-portuguesas-de.html?m=1) o BRK vinha em segundo lugar, antes das aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy e depois d’A Balada para Sophie. Então, vale a pena? Não vale. Os desenhos têm graça mas não são consistentes**. A história não faz sentido. Há buracos no enredo do tamanho do Poço Iniciático. Precisa de mais esforço para concretizar a história como deve ser e depois, desenhar o resto da saga!
* Acronyms don’t get pluralised. One BD, Two BD
** This correction surprised me, I suppose because i think of two things being consistent together as a single system, if you see what i mean, so I didn’t see the adjective as needing to be pluralised. Anglophone thinking.
I had been putting together a list of Portuguese Graphic Novels for a while and it’s not quite finished yet but someone just asked a question about it so I’ve gone ahead and published it in draft form along with the other resources. If you’re looking at this on a computer it’ll probably be over on the right, and if you’re on a phone screen, you’ll probably need to scroll down a bit. Or just click here.
The plot thickens though because after I published it I saw a reply from another Redditor (is that what you call them?) with this link to a list of the supposed fifteen best. Some are on my list too, and some I don’t know. I’ve no idea why they have Caos e Ordem on there. I liked the look of that too but it’s a huge disappointment.
Esta BD foi lançado para comemorar o centenário da CUF, uma empresa que (nas suas próprias palavras) trouxe a revolução industrial para Portugal on 1908. A história é contada do ponto de vista de uma mulher de 2008, que é a bisneta dum engenheiro francês, um empregado da empresa. Até certo ponto, esta decisão, faz todo o sentido porque o leitor pode ver as ligações entre o mundo de hoje e os eventos do passado. Mas… Para mim, os autores focam demais na protagonista (que é jovem, bonita, mais fácil no olho do que o bisavô dela!) e por isso não temos um entendimento nítido do crescimento da empresa, o impacto dela na vida do país, os raízes dos problemas laborais (tal como a greve), e a evolução da empresa desde o século XX até agora (acredito que se trata de um rede de hospitais hoje em dia não é?) Ainda por cima o arte não é assim tão incrivel. Meh. Interessante mas não passa de ser um panfleto de publicidade. 3 estrelas.