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Finalmente o Verão

Finalmente o Verão, escrito por Mariko Tamaki e ilustrado por Jillian Tamaki

(Hum, alguém que lesse este título logo depois do de ontem podia ficar com a impressão de que as estações se sucedem repentinamente aqui em Inglaterra, mas não, como vão ver, o texto de hoje é uma opinião sobre um livro)

Finalmente o Verão” é uma banda desenhada canadiana, escrita por Mariko Tamaki e ilustrada por Jillian Tamaki. Comprei. Existe uma tradução portuguesa e comprei-a na loja da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

O livro conta a história de duas meninas que passam sempre as férias do verão numa aldeia perto da praia. Este ano, Rose, a mais velha, chega com a família e vai ter com a mais nova, Windy à casa dela. Exploram os arredores da aldeia, nadam no mar e conversam.

Mas este ano, está tudo subtilmente diferente porque as raparigas estão a aproximar-se da adolescência. Querem alugar e ver filmes de terror (que lhes dão muuuuiiito medo!) e falam com ansiedade de como os seus corpos se vão desenvolver (“Ha ha – peeeeeiiitos! Mamocas! Mamonas! Olha para estes melões tão sexy”). Mas além do humor, há um lado mais sombria: há um grupo de jovens mais crescidos (de 17-20 mais ou menos) que moram lá. Quase não reparam nas meninas mas as meninas veem e ouvem as suas conversas. Uma rapariga ficou grávida mas o (provável) pai do bebé não quer saber. Ainda por cima, a mãe de Rose está muito triste, até deprimida, por razões que nem Rose bem o pai compreendem completamente.

É uma história agridoce de que gostei bastante.

(Foyles sometimes has portuguese copies of popular graphic novel but they seem only to have the english version which is here if you’re curious)

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Updates – Portuguese Graphic Novels and Audiobooks

The Walking Dead Part 6 Esta Triste Vida - Kirkman

I’ve just updated the Graphic Novel and Audiobook Lists with new discoveries in the last few months.

There are only a couple of new additions in the Audiobook page, mainly some new José Milhazes books on Kobo. I’ve read quite a lot of new Bandas Desenhadas though, so the graphic novels page has got about 50% longer, including “Finalmente o Verao”, which I finished today and will probably be reviewing tomorrow, plus a few others I read and reviewed earlier in the year, like Pardalita, Amor de Perdição and Quarentugas.

Remember, the list is sorted in order of how much I like them so you can ave time by starting at the top and stopping when you have reached your threshold if things that don’t seem worth bothering with.

If you’re new to the site, I have five lists: aside from these two, there are some lists with online learning resources, textbooks and language hacks, all of which get updated from time to time. You can access from the menu on the right there (or the bottom if you’re looking at this on a smartphone) but I’ll pin this post for a while to make them easier to find.

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O Jogo das Alterações Climáticas

Today’s text is a review of O Jogo das Alterações Climáticas (the Climate Change Game) which is more of an educational read than a fun read, and I wouldn’t normally recommend it, but here’s the thing: current affairs and social issues are pretty common topics for the produção oral section of the language exams, especially when you start getting into the B1/B2 range, so a book like this is good for learning useful vocabulary in an accessible way, so it’s worth considering if that’s something you think would be useful.

O Jogo das alterações climáticas

Esta BD desavergonhadamente pedagógica tem por objetivo educar o leitor sobre os efeitos do aquecimento global nesta região do globo: a Europa. A estrutura do enredo tem forma duma viagem. Uma portuguesa quer inventar um jogo de tabuleiro baseado na mitigação das alterações climáticas e na adaptação às mesmas. Daí a sua missão: percorrer o continente com o seu irmão, um artista, a aprender como os povos mudaram os seus modos de vida face à crise atual. Os dois entrevistam os habitantes de várias cidades em vários países. Aprendem (e nós, os leitores, aprendemos) as diversas estratégias que se tornam necessárias numa época de alterações climáticas.

O jogo acaba por evoluir para algo fora do normal: cada jogador representa um governo ou uma câmara municipal que tem de se adaptar ao novo normal, mas ao contrário de um jogo típico, não é uma competição em que estão uns contra os outros, têm de agir em cooperação porque em isolamento não é possível ganhar o jogo. É igual ao desafio com o qual nós temos de lidar nos dias de hoje.

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A Sereia de Mongaguá

A Sereia de Mongaguá

Esta BD é uma das mais esquisitas que já li. Não consigo explicar o enredo: um vidente que prevê o futuro nas suas tatuagens, um realizador bêbedo, uma cega, uma atriz que quer tornar-se numa sereia, e uma taxidermista que sabe realizar o sonho dela fazem parte de um nó de histórias interligadas e surreais. O resultado é indescritível. Fiquei boquiaberto. O que é que acabei de ler?

It’s seriously messed up. I think it is Brazilian originally but the version I have is in PT-PT.

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Estes Dias – Bernardo Majer

Estes Dias de Bernardo Majer

Parece-me que não tenho paciência para livros portugueses nesta altura. Ando a ler BD. “Estes Dias” de Bernardo Majer é uma série de retratos de pessoas em transição sem enredos fortes. Em cada um, seguimos a vida do protagonista durante algum tempo e logo a história chega ao fim e começa a próxima. O “ritmo” do diálogo e a lentidão do enredo (na medida que existe) fizeram-me lembrar as BD do Jiro Taniguchi mas falta o foco (e a qualidade dos desenhos) de Taniguchi cujo génio fica nas delongas e no silêncio, que sublinham os pormenores da vida. Ah ah, porque é que estou a fazer esta comparação? Taniguchi é um gigante e quase ninguém chega aos calcanhares dele.  Mas ainda assim, este livro parece estar em busca daquel mesma atmosfera na introspeção das personagens, nas lacunas e nos momentos de reflexão na natureza à sua volta.

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Quarentugas

Quarentugas
Quarentugas de André Oliveira e Pedro Carvalho

Acabo de ler o “Quarentugas” que é uma coleção de histórias aos quadradinhos* que tiveram a sua origem no Instagram durante os primeiros meses da pandemia e que conta histórias de indivíduos e famílias em pleno isolamento durante os dias mais negros do nosso passado recente. Apesar do estilo da banda desenhada ser simplíssimo, tive a impressão de os escritores gostarem de palavras mais elegantes porque o nível de vocabulário é ligeiramente mais elevado do que normal.

As histórias são divertidas, ainda que às vezes o humor seja cru, e as ilustrações são bem executadas. Gosto muito e lamento que não tenha ouvido falar da conta antes. Teria sido uma boa diversão durante o ano 2020.

* Using Histórias aos Quadradinhos and Bandas Desenhadas in the same text is a bit odd. You’d usually stick to one or t’other. In Brazil, a BD is often referred to as an HQ apparently (Lord knows why – those two letters sound pretty clunky in Portuguese), but there it stands for Histórias em Quadrinhos (note the shand of spelling from “quadradinhos” (PT) to “quadrinhos” (BR) as well as the pronoun shift…. Banda Desenhada is definitely the better expression so it’s probably safest to ignore the other completely rather than remember the variants.

As usual, thanks to Dani for correcting this text.

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Amor de Perdição

Really reading a lot of graphic novels and comics at the moment. I tried to listen to the audio of this a while ago but it’s much easier in this format! Thanks to Dani for the corrections.

Amor de Perdição

Decidi ler um clássico da literatura portuguesa, nomeadamente o Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, porque sou um intelectual, mas escolhi a versão banda desenhada porque ser intelectual é difícil. A história é uma tragédia de amor, parecida com o Romeu e Julieta. Dois jovens, membros de famílias rivais, apaixonam-se. O homem tem sangue quente – é igualmente raivoso e orgulhoso e mete-se em apuros a cada cinco minutos. Até mata um empregado do pai da rapariga, o que complica tudo ainda mais. Não quero dar spoilers mas não há um final feliz o desenlace é igual ao da peça de Shakespeare, mais ou menos. A banda desenhada conta a mesma história de um modo mais acessível e a arte é bastante boa.

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Rugas – Paco Roca

Rugas de Paco Roca
Rugas

Li mais uma banda desenhada logo depois d’O Segredo de Coimbra. Rugas foi escrito em espanhol, se não me engano, mas já vi vários leitores portugueses a ler e a curtir a versão traduzida. A história tem muito em comum com o enredo do filme “Voando Sobre Um Ninho de Cucos*” mas é mais pacata. O protagonista é um banqueiro reformado que chega a um lar de** idosos. Receia a possibilidade de ficar perdido por causa da sua doença mental. Um outro internado, (que corresponde ao papel desempenhado por Jack Nicholson no filme) tenta ajudar os menos sortudos a manter a sua independência, mas ao mesmo tempo não hesita em tirar partido da sua inocência. É uma personagem interessante: caótico mas com coração de ouro. Os quadrinhos são bem desenhados e a história bem contada. Li com muito prazer.

*One Flew Over the Cuckoo’s Nest has a Brazilian and a Portuguese translation. In Brazil it’s “Um Estranho No Ninho”

**A home of old people, not a home for old people!

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O Segredo De Coimbra

First of a series of reviews of books I’ve read recently. Thanks to Dani for the corrections.

O Segredo De Coimbra
O Segredo De Coimbra

Esta banda desenhada serve principalmente como veículo duma exposição dos vários tesouros científicos armazenados na universidade: aparelhos experimentais fabricados durante a infância do nosso conhecimento do mundo físico. Um pesquisador  obcecado com espelhos e a “anamorfose” agenda uma reunião com um professor do Gabinete de Física. Os dois falam-se e o historiador conta a história de um príncipe, preso numa ilha. O príncipe está a ser enganado pelo seu conselheiro, que usa as mesmas ilusões óticas usadas nos aparelhos científicos que aparecem nos quadrinhos. Acima de tudo, é óbvio que o autor do livro estava fascinado pelo espírito de inquérito daquela época.

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The Cats of the Louvre

Já leram uma manga*? Está palavra significa Banda Desenhada em japonês. Acabo de ler uma chamada Os Gatos do Museu do Louvre. Os desenhos típicos deste género de livro cabem bem num pano de fundo de desenhos mais realistas do museu e dos seus arredores.

* I’ve been spelling it “mangá” up to now, but apparently that is Brazilian. Aside from this meaning of the word, manga can also mean “sleeve”, “mango” or “a crowd of people”. Confusing. For further whining about words with double meanings, see the footnotes of this text.

The Cats of the Louvre

I don’t often review books in English here, but if you’re interested, it’s called The Cats of The Louvre. Thanks to Butt_Roidholds for the corrections.