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O Poeta E O Social

O Poeta E O Social

Ao contrário da opinião anterior, não tenho muita coisa para dizer sobre este livrinho. Consiste em 40 teses mas realmente são 20 pares de epigramas mordazes, que comparam o papel do poeta com o do crítico da sociedade (ou pelo menos acho que é isso que ele quer dizer com “o social”).

Por exemplo:

Se o social chegou à fase adulta, o poeta ficou na infância.

Se o social não passou da infância, o poeta tornou-se adulto.

Parece que têm métodos e modos de viver que são diametralmente opostos mas sabendo algo sobre a carreira do autor, duvido que ele quer insinuar que um é melhor do que o outro ou que um deles não vale nada.

Nas últimas páginas há um “exercício” que é claramente uma piada e que dá para entender que o livrinho é uma espécie de brincadeira, o que não está nada mal. Confesso que me faltava de alguma coisa fácil depôs do último conto d’A Inaudita Guerra da Blábláblá.

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Discurso Sobre o Filho-da-Puta

Discurso Sobre o Filho-da-Puta de Alberto Pimenta

Este livrinho de Alberto Pimenta retrata uma espécie de pessoa na nossa sociedade. Todos nós conhecemos pelo menos um exemplo: pessoas que não querem deixar os outros em paz. O discurso é breve (50 páginas) mas aborda todas as dúvidas que o leitor possa ter.  Aborda a questão de como definir um filho-da-puta; de quais são as suas subcategorias e especializações; de se um filho-da-puta já nasce filho-da-puta ou se faz. O seu estilo de escrita é muito proprio: ao longo do argumento repetem-se várias frases e palavras (como “filhos-da-puta especializados em fazer e filhos-da-puta especializados em não deixar fazer”). Não percebo precisamente porquê. Talvez seja uma espécie de piada: o pedantismo do autor a espelhar o pedantismo do seu assunto. Sobretudo, nas últimas páginas (uma elegia dum fdp que tinha atingido o alvo de todos os fdps: morrer) o estilo literário torna-se ainda mais repetitivo, mas inclui uma frase que curti imenso: “São homens destes que fazem com que o amanhã seja uma ponte para ontem”.