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A Tempestade e o Aguaceiro

This is a short little text that got marked by both Talures and Dani Morgenstern who both pointed out some interesting mistakes in my sloppy way of talking about the weather, spawning a further post to try and straighten it out:

Amanhã, planeamos em dar um passeio até ao centro da cidade e depois para um parque onde um filme que gostamos foi realizado. Infelizmente amanhã haverá um aguaceiro. ☔

So what’s wrong with this? Well, it probably stems from the fact that I had been thinking of aguaceiro as being equivalent to “downpour”. It’s not. It’s a short, sharp downpour, no more than 30 minutes. The shortness is part of the definition. So weather forecasts usually predict the likelihood of heavy showers (“para amanhã prevê-se aguaceiros”) rather than one specific cats-and-dogs event at a specific time/place. That was the first discordant note. The singularity. But beyond that, there’s the idea that aguaceiros were “storms”. One of the correctors joked that the met office were covering all bases: if it rained a lot, it was a storm, if it didn’t rain much it was just “aquaceiros”.

On top of that, “haverá um aguaceiro” sounds too definite, as if the met office knows for a certainty what the weather will be. Colloquially, “dá aguaceiros para amanhã” tells you that there are likely to be some. Weather is notoriously hard to predict, after all!

So I had to ask for clarification…

Há uns dias, escrevi um texto sobre “um aguaceiro”, mas não entendi os comentários todos (não me admira: regra geral, entendo pouco) Este texto é uma forma de pensar em voz alta sobre os significados de duas palavras. Escrevi-o nos comentários ao texto original mas acho que é comprido o suficiente para ser um texto em si.

……

Tempestade vs aguaceiro
This sort of thing doesn’t exactly help

Está claro que há alguma coisa aqui que não entendi bem. Achava que “um aguaceiro” significava “um período de chuva forte”, portanto “se chover pouco foi um aguaceiro” deixou-me confuso, mas depois de estudar a definição no Priberam com mais atenção, é forte *mas também passageiro*. Então é uma incidência de chuva que começa e termina de forma brusca. Em Inglaterra, não temos uma palavra específica para isso. Existem algumas semelhantes, mas não existe um sinónimo exato.

Então… Depois de ter lido mais, um aguaceiro é uma chatice que encharca a roupa* de alguém que não tem guarda-chuva, mas, se se tratar de uma tempestade, a chuva virá sob a forma de uma chuvada ou pelo menos uma sequência de aguaceiros… e ventos e trovões e granizo do tamanho de ovos de avestruz e a lua a transformar-se em sangue e o anjo da morte a reclamar as vidas dos primogénitos e aí por diante.

É mais ou menos isto?

And yes, yes it is.

* =singular not plural

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A Reunião

Nós, moradores deste prédio, reunimo-nos ontem num hotel para estabelecer uma associação de residentes. Eu preparei a lista de tópicos para a agenda, boletins de votos e papéis com várias informações. Tudo correu bem e ficámos aliviados porque a pessoa sem papas na língua, que quer sempre falar descontroladamente, mas não faz nada de útil não veio portanto conseguimos terminar tudo sem atrasos e voltámos para casa a horas para jantar!

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“Mary John” de Ana Pessoa

This book was the source of a couple of the recent posts about new vocabulary like “as fresh as a lettuce” and “playing for Benfica“. It seems like a straightforward read at B1/B2 level. The grammar isn’t too complex, but it’s light and funny and has plenty of nice idiomatic expressions, including a rare in-the-wild sighting of “tirar o cavalinho da chuva”. Thanks to Cataohract for the corrections

Mary John de Ana Pessoa

O “Mary John” é um livro juvenil que conta a história duma adolescente chamada Maria João. No início do livro, ela tem um fraquinho por um rapaz que mora no mesmo bairro, mas o rapaz, que é ligeiramente mais velho, acaba por namorar com uma “lambisgóia” (nova palavra!) que chega na praceta onde o grupo de amigos passa o tempo. A lambisgóia fuma e tem piercing no umbigo e fala com a protagonista de maneira desrespeitosa por causa da idade dela, principalmente.

Após algum tempo a mãe da protagonista informa-a de que os dois têm de mudar de casa para uma outra cidade. Lá, no novo lugar, ela conhece um rapaz e os dois apaixonam-se.

Não há mais nada: é uma história quotidiana, sem reviravoltas, sem grandes revelações. Mas é doce: o diálogo entre as amigas na escola é engraçado e os conselhos da mãe e da avó dela sobre amor e sobre rapazes fazem todo o sentido sem serem demasiado “pedagógicos”. Ela cresce durante o percurso do livro e passa a uma nova fase da sua vida.

O aspeto mais esquisito do livro é a estrutura dele: é contado como se fosse uma carta ao rapaz original da praceta. Não entendo porquê. Explica-lhe quão diferente é a vida dela 4 meses depois de mudar de casa. Talvez ela queira escrever a versão mais nova de si próprio mas não tenho certeza. De qualquer modo, espero que ela não envie ao coitado de moço! Além de conter informações que ele não quereria saber, tem 180 páginas!

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A Seguindo O Rio

Here’s a little traveller’s tale, with thanks to Talures for corrections

O projeto mais recente da minha filha foi dar um passeio no Chess Valley Walk* (Caminho do Vale do Rio… Hum… Xadrez? Não, estou a brincar, o nome do rio é o Chess). Viu-o no Instagram e ficou obcecada. Sendo relativamente desocupado no meu trabalho, aceitei o seu convite para ir com ela.

Antes de mais, não trouxemos água suficiente. O caminho tem 16 quilómetros, mas faz-se devagar por causa do terreno acidentado: entre 4 e 6 horas. Entretanto, o tempo estava quente, mesmo muito quente pelas padrões ingleses. Assumimos que haveria um pub ou um loja por o caminho, pois este passa por várias aldeias. Haveria, de certeza, oportunidade de comprar mais água, não é?

Não houve. Portanto as nossas reservas ficaram esgotadas depois de três horas. Além disso, a coitadinha** da minha filha não está acostumada a andar tanto. Ela já fiz caminhadas com esta distância , hum, duas vezes? Ela arrastou-se e disse muitas vezes “pai, não acho que consiga!” mas não perdeu a esperança por completo. Prosseguimos com a marcha e chegámos finalmente ao nosso destino: um Pub chamado The Queen’s Head em Chesham, onde bebemos água e cerveja e comemos um caril tailendês. Sabia como a comida dos deuses. Sem dúvida, a fome é o melhor tempero.

O caminho é lindo (tirando a parte que passa perto da autoestrada M25!) e apesar da minha filha ter dores nas pernas e ter estado esfomeada e sequiosa durante duas horas, já sabe que és capaz de tal esforço heróico! Mas da próxima vez, vale a pena levar mais água na mochila!

*I wrote this as-is: “We took a walk on the Chess Valley Walk” but as the corrector rightly pointed out, although that’s what that means, it’s a bit repetitive and I probably should have written “fazer o caminho de Chess Valley”

**coitadinha “tem o seu quê de sarcastico”

Tal pai tal filha: full sized picture of us getting our tootsies wet along the way!
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O Pub Quiz

A true story, with corrections by Cataphract (thank you!)

Agora que tem 18 anos, a minha filha arrastou-me ao bar para participarmos num “pub quiz”, ou seja uma série de perguntas e respostas organizada num bar perto do nosso prédio.

Havia cinco equipas. Nós éramos apenas dois mas a maior tinha 5 jogadores. Apesar desta desvantagem, conseguimos segundo lugar e ganhámos um prémio: uma garrafa de vinho tinto. Ficámos muito orgulhosos mas ainda não abrimos a garrafa.

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As Fresh as a Lettuce.

This sentence, from Mary John, a no by Ana Pessoa, is one of those idiomatic ways of saying something that doesn’t make sense unless you know. The “que nem” is just doing the same job as the word “como”. It’s used in compairons of the kind that in English would be rendered as “As strong as an ox” or “as fit as a fiddle”

“Eu estava fresca que nem uma alface”. They think she’s dead but she’s “as fresh as a lettuce.