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Madeira 10 – As Pessoas que Moram na Colina

Antes de a família acordar, saí de casa e corri pelas ruas da cidade, desfrutando do ar fresco e das calçadas vazias.

Mais tarde, fomos todos à estação do teleférico e viajámos até aos jardins da Quinta “Monte Palace”. Almoçámos e demos uma voltinha de pé. Numa parte do jardim havia um grupo de fotógrafos à espera de duas pessoas: um homem e a namorada. Ele fizera planos para a pedir em casamento. Ficámos por perto e, a julgar pelos gritos, ela aceitou e já está a sua noiva!

Tobogan
We passed right by the tobogan place but nobody wanted to do it with me – miserable gits! It didn’t seem like it’d be much fun on my own. Well, you can see from the look on this bloke’s face. His wife and daughter wouldn’t go with him either. I feel his pain.

Às 4 horas e meia, a madrinha da Catarina chegou à entrada dos jardins botânicos. Ela e o marido levaram-nos a sua casa onde passámos três horas agradáveis. Moram numa casa que construíram do princípio numa colina. É bonita e a vista da varanda é incrível. Comemos uma fatia de bolo caseiro e bebemos um copinho de ginjinha, também caseira*, e uma chávena de chá. A Catarina e a madrinha falaram das suas vidas e de pessoas conhecidas de** ambas. Eu tentei falar com o marido mas além de ele ter o sotaque madeirense tinha tido um acidente vascular. Portanto era difícil entendermo-nos, mas eu disse algumas coisinhas sobre a nossa vida, e até consegui fazer umas piadas. A Olivia ficou tão entediada que ocorreu*** um milagre: ela estava incentivada a falar português, o que basicamente nunca acontece. Com as poucas palavras que ela tem, e o francês da escola (a madrinha tinha sido professora de francês antes de se reformar), ela conseguiu comunicar. A madrinha é muito simpática e a família também. Segundo a Wikipedia, o papel dos padrinhos é serem “pais espirituais” e “no batismo, têm a obrigação de**** auxiliar os pais da criança na sua educação religiosa”. A Catarina é casada, não só com um ateu, mas um ateu protestante, mas se a madrinha dela estava desiludida com a sua afilhada, escondeu bem a desaprovação! Sou introvertido e regra geral fico desconfortável com desconhecidos mas não houve problema porque foram tão acolhedores.

Depois, o casal deu-nos uma boleia para a cidade e nós jantámos na varanda dum restaurante ótimo, olhando os transeuntes em baixo.

Foi um dia muito agradável.

*I wrote “caseiro”, which would have been right if she’d made the glass but as you’ve probably guessed, it was only the drink she’d made! Adjective endings can change the actual meaning if a sentence!

**Wow, unexpected preposition here: “known of both”, not “known to both”

*** I used “passar-se” instead of “ocorrer” but it doesn’t work on its own like that: it means “freak out”

****I the original it says “têm como obrigação auxiliar” but I lost the “como” and didn’t change the test of the sentence to compensate. Bad paraphrasing.

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Madeira 9 – Cafés e Cartazes

Living in the moment
Living in the moment (the moment is 1879, but I keep being reminded of 2023)

Começámos por tomar o pequeno-almoço no café Brunch Club. Como provavelmente já adivinharam, este café não é um autêntico café madeirense. Não, é uma armadilha para influenciadores. Depois, explorámos mais lugares da juventude da minha esposa, e andámos à vontade. Embarcámos num barco turístico às três horas e passámos 3 horas no mar entre o Funchal e as ilhas Desertas*. Vimos dois grupos de baleias-piloto, que me chatearem muito porque senti-me obrigado a largar o meu livro para vê-las. Mas consegui ler dois capítulos apesar da distração.

À noite, comemos sopa com pão de casa** e manteiga.

Por falar em “Armadilhas de influenciadores”, o que mais me chamo a atenção no Nono Dia das férias foram os cartazes colados a várias paredes que deploram a presença de tantos turistas na ilha. “Não sou turista, eu vivo aqui. A cultura da Madeira tem que*** voltar a ser a cultura da Madeira – QM Antifascismo”

Eu Vivo na Madeira

Pois é. Também vivo numa ilha onde temos turistas e imigrantes, incluindo madeirenses (sou casado com uma!), mas este ponto de vista: “há estrangeiros a mais, temos de preservar a nossa cultura” não é chamado “Antifascismo” por cá. Quase o oposto. É estranho como a política tem formas diferentes em lugares diferentes. Mas é um verdadeiro problema: em qualquer parte, temos de estabelecer um equilíbrio entre uma sociedade com as suas próprias tradições e a vontade das pessoas de viajar, migrar e trabalhar onde quiserem. Por causa do globalismo, esta tensão vai aumentar cada ano mais e não é nada fácil de resolver.

Tirei fotos dos cartazes como nós turistas costumamos fazer.

*The name of the island, not just deserted islands

**This isn’t just a way of saying “homemade bread” it’s an actual type of bread. Recipe here.

***Grammatically, it’s more correct to say “tem de” but that’s how it appears in the poster.

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Madeira 8 – Ensaio Sobre o Fim da Cegueira

Liguei ao oculista logo de manhã. Disse que os meus óculos já chegaram. Ótimo! Apanhei o autocarro para os recolher. Depois fui ter com a minha família a um café chamado A Penha da Aguila onde comemos bolos e sandes.

Passámos a tarde a andar a pé* pelas ruas. A Catarina mostrou-nos a sua escola primária (que é mil vezes mais bonita do que o edifício quadrado dos anos sessenta onde passei a minha infância entre os 5 e os 10 anos) e secundária (o Castelo de sonho da Barbie) e vários lugares da juventude dela. Também visitámos duas livrarias: uma Bertrand e a Livraria Esperança, que é uma loja vasta com três andares onde se vendem livros em** segunda mão, que ficam seguros*** por clipes e pendurados de ganchos nas paredes. As senhoras foram fazer manicura num salão e voltaram com as unhas pintadas de azul-turquesa e de verde brilhante.

O Castelo de Sonhos da Barbie Moniz

A Madeira é uma ilha onde as plantas crescem em toda a parte: há sol e chuva suficiente que qualquer espécie de planta pode florescer. E a cidade capital não é exceção: olhe onde olhar, há hortênsias, aloe veras, estrelícias (também conhecidas por “aves-do-paraíso”), azáleas e até bananeiras por todo lado, com as montanhas ou o oceano como pano de fundo. É uma festa de beleza. O governo proibiu a cor cinzenta há 30 anos mas ninguém reparou, porque já não existia.

*A couple of times in these accounts I’ve said “andar de pé” but de pé means standing. I should be “andar a pé”.

** em segunda mão, not de segunda mão.

***seguros not segurados. The past participle of segurar is segurado, but if they’re held there, we want the adjective form, seguro.

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Os ricos são foleiros

I came across this quotation by Adília Lopes in a video discussion between Bruno Nogueira, Miguel Esteves Cardoso And Rita Blanco (respectively, a comedian, a journalist/writer and an actress). It’s from a book called Bandolim and I’m not sure but I think it might be a whole poem. “Os ricos são foleiros”. I didn’t recognise the word “foleiro”, which is why I started looking at it more closely. A foleiro is someone who makes or sells “foles”. What is a fole? A leather bag, a device for squeezing air into an organ, a bellows, the bag part of a bagpipe (“gaita-de-foles”) or the interior of an accordion… You get the idea. It’s windy. But foleiro, informally, can also mean ordinary, bad quality, shabby, corny… that kind of thing. It’s the fourth definition in priberam.

Adília Lopes
Adília Lopes

So the general gist of the ‘poem’ is that the rich are corny, uninteresting and not really worthy of admiration; they just know about money. Well, I can’t argue. Like all extremely true things, it isn’t true, or at least not always but it feels like a good, satisfying, sweeping generalisation and if you’ve ever spent any time reading the twitter feeds of certain silicon valley gazillionaires you’ll know what she’s driving at.

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Madeira 7 – O Longo Caminho

Saímos do alojamento no Porto Moniz e mudámos de casa para um apartamento no Funchal. Parámos duas vezes durante a viagem: em Santana, para ver as casas Típicas e comer os melhores pregos de sempre, e depois perto do cume* do Pico Ruivo, onde fomos montanha acima a pé. Doía-nos a barriga por causa de termos comido os pregos ótimos. Havia nuvens de ambos os lados do trilho, e sentíamo-nos como se estivéssemos a caminhar pelo céu. Era tão dramático! Estamos no Funchal agora. O estacionamento não é nada fácil e as ruas são muito caóticas, mas precisamos menos do carro. Sei lá, talvez possa ficar no parque de estacionamento até ao fim da semana ou até ser devolvido à empresa de aluguer. O apartamento é aconchegante. É há uma máquina de café que não usa aquelas cápsulas das quais os portugueses gostam tanto por qualquer razão!

Pico Ruivo in a brief moment of relatively little cloud

Fiquei encantado com os lagartos que vemos por todo o lado. Fez-me perguntar à minha esposa se havia ratos e ratazanas na ilha, porque achava que a população seria menor se houvesse roedores para os comer. Ela só respondeu “Jesus!”, que levei como “sim, temos.”**

*I wrote “pináculo” originally, but although that can mean the pinnacle of a mountain its primary meaning is as the high pint of a building. Cume seems to be better.

**The following day, I started seeing signs around the place saying “Perigo! Zona em Desratização” Danger – area in de-ratification, warning people about poison having been laid out.

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Madeira 6 – Carrancas

Domingo começou devagar. Ficámos em casa até à hora de almoço, li, vi uns programas televisivas e relaxámos. De tarde, fomos à praia, mas depois de sentarmo-nos na areia preta durante 20 minutos, as nuvens esconderam o sol e logo depois começou a chuva. As ruelas do* Seixal estavam completamente engarrafadas, portanto ficámos presos no carro durante uma meia hora com motoristas a fazer carranca, uns aos outros até que alguém teve bom senso suficiente para usar a marcha-atrás. Jantámos num restaurante, e bebemos coquetéis. Queria ir ver o Toy que alegrou uma festa organizada pelo PSD perto do Funchal mas não havia horas para o início do concerto e não nos apetecia passar tanto tempo a caminho de Chão da Lagoa sem saber quando devíamos chegar.

*Well I’ll be gosh-jiggered! Seixal, like Funchal, takes an article because Seixal is an area where there are lots of seixos (pebbles)!

Crazy how quickly the clouds moved in. It had been like a furnace just a few minutes earlier

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Madeira 5 – Pneus* Like Jagger

Sábado!

Estávamos mais bem dispostos do que no dia anterior.

Demos uma voltinha de carro ao longo da costa, fazendo pausas nalguns miradouros e sítios interessantes. O carro andava devagarinho e as vezes abanou um pouco, o que percebemos, enfim, ter sido resultado dum prego no pneu dianteiro esquerdo. Uma chatice, mas não causou grande transtorno porque o ar saiu devagarinho até chegámos a um estação de serviço onde um mecânico conseguiu consertá-lo.

Almoçámos num restaurante à beira do mar na** Calheta e depois…. Adivinhaste? Certo: subimos montanha acima para a Eira do Serrado. A minha filha tirou-me uma foto na qual pareço o Keanu Reeves num dia bom. A sério, sem exagerar, estava tão fixe. O CR7 teria chorado ao ver a minha lindeza… Até que reparámos num problema: a minha braguilha*** estava aberta. Que vergonha. Graças a Deus, existem aplicações de editar fotos.

Descemos para a altitude onde seres humanos conseguem viver sem garrafas de oxigénio e voltámos para o alojamento. Jantámos num restaurante onde os empregados tinham sotaque espanhol**** e comemos bolo do caco com manteiga e alho. Havia outras coisas também mas o BDCCMA foi o destaque.

Um lagarto contempla suicídio na Eira do Serrado

*autocorrect changed this word, and I came within a split second of publishing it on reddit as “Penis Like Jagger”, which, considering Reddit doesn’t allow you to change titles, would have meant having to change my name and move to Argentina. Yeah, the zip was open but it wasn’t that open.

**Calheta takes an article because a Calheta is a kind of bay, usually between cliffs.

*** Braguilha =trouser zip/button – ie the fly

**** They had a Spanish accent, not they had Spanish accents.

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Madeira 4 – It’s the Fanal Countdown

Na sexta-feira, subimos montanha acima (estas palavras podem iniciar qualquer história que tem lugar nesta ilha) novamente. Há lá uma floresta com um trilho de caminhada com vistas incríveis. Gostei imenso mas a adolescente tinha-se esquecido de tomar o pequeno-almoço (ai ai*) e acabámos por desistir da caminhada após 4 quilómetros e tal.

Almoçámos em casa e depois fomos à piscina. Nadámos e lemos até comecei a chuva. Lemos mais em casa até à hora de jantar.

Estávamos todos maldispostos. Portanto deitámo-nos cedo para estarmos de melhor humor no próximo dia.

This is also where we saw the tentilhões I mentioned, by the way.

* I originally wrote “Suspiro” for ‘sigh’ but that’s just not a thing in portuguese.

Thanks to LuisFGCosta for the corrections.