Politicians are often prone to saying wildly inappropriate things in public and Marcelo Rebelo de Sousa is no exception. đŹ
Stories.
O came across this passage and didn’t know quite what to make of it.
“Eu nĂŁo adivinhei nada. E tambĂŠm nĂŁo lhe disse que esta era a sua estĂłria. Disse que era uma estĂłria sua“
What’s the subtle difference between the two italicised phrases?
A sua estĂłria = your story, the story of your life.
Uma estĂłria sua = one of your stories.
Why estĂłria and not histĂłria? I’m european portuguese, it’s a fancy way of saying a (fictional) story. HistĂłria is the normal word for any history or story, whether fictional or not. I’m Brasil, it’s more straightforward: estĂłria is fiction and histĂłria is non-fiction.
“O CĂrculo Virtuoso” de Maria Isabel Barreno
Este Livro de Maria Isabel Barreno Ê uma coleção de contos. Embora não sejam interligados, a autora refere-se à noção de personagens capazes de passar de uma história para outra, e isto, de facto, ocorre. Ficåmos com a impressão deste livro como mais do que uma simples coleção, mas como uma obra completa e coerente.
O Velho do Restelo
O livro que li no fim da semana passada fez referĂŞncia ao “Velho do Restelo”. Achava que tinha ouvido falar desta pessoa. Tinha, sim! Ă uma personagem numa histĂłria chamada “Os LusĂadas” de um escritor, que talvez jĂĄ conheçam, LuĂs Vaz de CamĂľes. Antes da partida das caravelas, o velho lançou um discurso pessimista sobre a vaidade dos exploradores e sobre os perigos que os iriam enfrentar. Lembrou-me da personagem Laoconte numa histĂłria grega, chamada A Odisseia, escrito por, sei lĂĄ, Homero ou um grego qualquer. Ao contrĂĄrio de Laoconte, o velho nĂŁo fica devorado por serpentes. Laoconte teve razĂŁo: avisou os troianos sobre o cavalo de madeira. O velho, ao desabafar dos seus inquietaçþes aos que assistiram Ă embarcação, nĂŁo teve razĂŁo, segundo o CamĂľes. Francisco Lobo Sousa, por outro lado, afirma que o velho “era o Ăşnico sensato, no meio dessas pessoas que aplaudiam os sonhos de impĂŠrio que enfermavam quem partia”
“A VisĂŁo Das Plantas” de Djamilia Pereira de Almeida
A autora deste livrinho foi inspirada por um breve parågrafo num livro de Raul Brandão no qual ele fala duma pirata que, nos finais do sÊculo XIX, participava no tråfego de escravos. O homem tinha abatido dezenas de negros com cal em pó e depois reformou na costa onde cuidava o seu quintal. Ela tem um estilo muito leve. Retrata o protagonista da ponta de vista das plantas dele. Não julgam. Tanto lhe fazem se cuidado por um assassino . à uma obra hipnotizante, e ainda mais poderoso por causa da moderação da autora.
Delfinios Estrangeiros
#uncorrectedportugueseklaxon

Comecei um novo livro: “A VisĂŁo Das Plantas” de Djamilia Almeida Pereira. A imagem na capa ĂŠ uma foto de um homem barbudo, de pĂŠ num jardim, rodeado por plantas com flores azuis na vertical de dois metros de altura (o que nos chamamos de “spikes” de flores mas nĂŁo encontrei uma palavra equivalente em portuguĂŞs). Fiquei curioso sobre estas flores deslumbrantes portanto fiz uma pergunta no subreddit u/whatisthisplant. Ă importante fornecer informaçþes como onde cresce a planta para facilitar a identificação. “Acho que foi tirado em Portugal” disse eu, “porque o livro ĂŠ portuguĂŞs”. A resposta chegou depressa: SĂŁo delfinios. Mas alguĂŠm informou-me que a foto ĂŠ famosa e o fotĂłgrafo, Joel Sternfeld, tirou-a na Alaska em 1984. Ups. A clima da Alaska nĂŁo ĂŠ assim tĂŁo diferente da de Portugal, pois nĂŁo…? đŹ
A Manifestação
Juntei-me ontem com centenas de ciclistas para me manifestar contra a Câmara municipal responsåvel pela ponte de Battersea. Neste curto trecho de estrada, morreram dois ciclistas nos últimos 12 meses. à um dos lugares mais perigosos em Londres para pedalar

Ao contrĂĄrio aos manifestantes da Just Stop Oil, nĂŁo tentĂĄmos impedir a circulação de outros veĂculos durante a hora de ponta. NĂŁo incomodĂĄmos ninguĂŠm. Simplesmente ocupĂĄmos a faixa de rodagem, andĂĄmos de bicicleta pela ponte, fizemos o nosso protesto e depois dirigimo-nos a um parque onde ouvimos um discurso antes de voltar para casa. Nos dias de hoje, grande parte do activismo ocorre nas redes sociais, portanto havia câmaras por todo o lado a filmar a manifestação!
Thanks to SouUmaMerda for the corrections
CapitĂŁes da Areia de Jorge Amado – OpiniĂŁo
I hope its clear from the review, but in case it isn’t, this is a great book to read, but don’t spend time studying the grammar because it’s a million miles from anything you’ll want to write in a PT-PT exam. See this post for the most glaring example but it’s not the only thing by any means.
Raramente leio livros brasileiros porque portuguĂŞs brasileiro ĂŠ tĂŁo diferente. Ainda por cima, o portuguĂŞs neste livro ĂŠ longe do padrĂŁo de portuguĂŞs brasileiro: hĂĄ montes de calĂŁo, expressĂľes regionais e gramĂĄtica especĂfica Ă regiĂŁo onde a histĂłria tem lugar. Mas apeteceu-me ler porque ouvi tantas coisas boas sobre este autor e esta obra sobretudo. O livro conta a histĂłria dum grupo de jovens e meninos abandonados que moram num trapiche(1). Recordei-me dos âLost Boysâ de JM Barrie (o lĂder ate se chama Pedro, a versĂŁo portuguĂŞs de Peter) ou as carteiristas do Fagin no Oliver Twist de Dickens. Mas o tom do romance ĂŠ mais escuro.
SĂŁo criminosos, temidos pela gente da cidade, mas ao mesmo tempo, sĂŁo crianças que sentem saudades da segurança e da felicidade de um lar e uma famĂlia. SĂŁo sempre Ă procura de uma âmĂŁezinhaâ e querem ir brincar no carrossel. Sem hipĂłtese de viver como crianças, tornaram-se homens, mas nĂŁo sĂł homens: criminosos. Roubam viĂşvas, exploram pessoas simpĂĄticas, lutam com navalhas e punhais. A personagem principal, com quem o autor pretende nos simpatizemos, atĂŠ viola uma rapariga, o que ĂŠ contado de maneira grĂĄfica, e fica surpreendido quando depois ela o pragueja.
Ao longo dos meses, as personagens andam pelos seus percursos â hĂĄ tragĂŠdia e redenção, mas o pano de fundo contra o qual o enredo se desenrola ĂŠ a violĂŞncia e caos na sociedade brasileira nos anos trinta do sĂŠculo XX, e o autor retrata esta sociedade muito nitidamente. Ă um livro virtuosĂstico.
(1) Entendi esta palavra como âarmazĂŠmâ mas ao que parece, tem um outro significado em PT-BR: um cais. Acho que armazĂŠm faz mais sentido neste contexto porque nĂŁo consigo imaginar dezenas de pessoas a dormir num cais! Mas vou ver o filme em breve e espero entender melhor depois.
PĂĄginas Ă Solta
Estou a meio de um livro chamado O CĂrculo Virtuoso. Pertence Ă minha esposa. Infelizmente, ao começar a ler, percebi que a folha de guarda estava solta. Depois, mais pĂĄginas lidas ficaram soltas tambĂŠm, e agora estou a ler com cuidado para nĂŁo danificar o livro com os meus olhos.
Chakras
After looking at that Da Weasel rap the other day, I thought maybe I’d try another so here we are. I returned to this video which I mentioned in passing a year or so ago. I thought the song was called Classe Crua, but Classe Crua is the name of the band, which is composed of Sam the Kid (he’s the white guy) and Beware Jack (tall hair). This song has a “feat” on it – with a guy called Chullage (woolly hat, big beard) (feat is short for “featuring”). Chullage is a form of Chulagem, the quality of being a Chulo: a pimp or a vulgar person.
It’s a challenging translation. It’s got crioula, french, english and street slang all the way through it, mixed together like a big old liguistic stew.
| Portuguese | English |
| MarĂŠs Frias, vento Forte, balançam o meu suporte Mas ganho equilĂbrio na balança! JĂĄ nĂŁo escrevo sĂł reporto fotografias no meu bloco Imagens sĂŁo a melhor referĂŞncia Bad feeling nĂŁo me move SĂł balança o meu suporte O beat entra, o flow cospe O beat entra, o flow cospe O beat entra, o flow cospe | Cold seas, strong wind, shakes the ground I’m standing on But I gain stability from the instability I don’t write, I only report photographs of my block Images are the best reference Bad feeling doesn’t move me Just shakes the ground I’m standing on The beat enters, the flow spits The beat enters, the flow spits The beat enters, the flow spits |
| Velho mar, barcos novos, velhos jogos, novos modos Velho passaporte, novo aviĂŁo, nova escala Velho mapa, novas rotas Dou a volta ganho pernas como centopeias Descansa, tenho o nirvana nas veias Tiro-te as teimas, a cena ĂŠ phat como Baleias Palavras bem usadas sĂŁo uma Uzi, uma arma Calma, a nova expressĂŁo apaga o velho trauma SĂŁo chagas da nossa Aura, mĂĄgoas da nossa alma Chakras do nosso karma NĂŁo hĂĄ vivalma Que fique indiferente e se ficarem indiferentes DĂĄ-me tempo “deixa-me rir” como o Jorge Palma O SociĂłlogo da nova escola, com a velha guarda A criar modas por aĂ a fora Com a velha fĂłrmula na nova montra Keep it real p’ra zona aos que trocam sprints por maratonas | Old sea, new boats, old games, new styles Old passport, new plane, new scale Old map, new routes I go far a walk I get legs like centipedes Chill, I have nirvana in my veins I’ll take away your stubbornness, the scene is phat like whales Well used words, I’m an uzi, a weapon Calm down,the new expression wipes out the old trauma They are wounds on our aura, injuries on our soul Chakras of our karma There’s no living soul That will be indifferent, and if they’re indifferent Give me time, “let me laugh” like Jorge Palma* The sociologist of the new school with the old guard Creating methods out there With the old formula in the new shopfront Keep it real in the sone for people who swap sprints for marathons |
| MarĂŠs Frias, vento Forte, balançam o meu suporte Mas ganho equilĂbrio na balança! JĂĄ nĂŁo escrevo sĂł reporto fotografias no meu bloco Imagens sĂŁo a melhor referĂŞncia Bad feeling nĂŁo me move SĂł balança o meu suporte O beat entra, o flow cospe O beat entra, o flow cospe O beat entra, o flow cospe | Cold seas, strong wind, shakes the ground I’m standing on But I gain stability from the instability I don’t write, I only report photographs of my block Images are the best reference Bad feeling doesn’t move me Just shakes the ground I’m standing on The beat enters, the flow spits The beat enters, the flow spits The beat enters, the flow spits |
| Beware! I wanna be there Onde toda a gente ĂŠ gente, e o que ĂŠ bom ĂŠ freeware Mas buĂŠda** gente âtĂĄ a ver magenta, a follow the lĂder BuĂŠda gente vive Ă tangente A swallow o que houver NhĂŁs*** brodas usam a cabeça sĂł p’ra por new wear E dizem-me “Chullage ĂŠ uma new era” (Chulagi dja bu era) Deixam links, fazem clicks Bebem pink, fazem pics E mandam comments ‘Pa que te piques e o views atinjam peaks Na broda, been there Coolest monkeys in da jungle HM ou Pull And Bear Broda couldnât bear Muita câmara Muito filtro, muito share, muito flair Tanto fait-divers**** Teresa May ou Tony Blair Same old same old, nique sa mere***** Novos governos, mesmo xaxos****** Novos alunos, as mesmas praxes Novos beats, os mesmos baixos Novos mc’s os memo chachos******* Tudo a tentar o encaixe Mas jĂĄ nada sai da caixa Tudo tĂŁo aprumado que parece tudo TĂŁo saĂdo do terceiro Reich Versos controversos ‘Pa poder dar nas views Essa medalha tem reverso Tudo o mesmo point of view BuĂŠda flow mas nĂŁo ĂŠ diverso TrĂĄgico como em Lampedusa Brodas acabam imersos HĂĄ uma festa no terraço Duma casa sem alicerces Fuck’em Fecho a matraca******** E alinho os chakras Escrevo linhas sacras Cansado de tantos wankers Galinhas e bĂĄcoras Meu pensamento entra no train A curtir Coltrane E mando rimas sĂł por treino Giants steps A love supreme Estou fora do frame Ponho os fones, subo o gain, expulso o pain E mando um grito Tenho buĂŠda fantasmas e por eles nĂŁo tenho escrito Tens buĂŠda fantasmas daqueles que te tĂŞm escrito EstĂĄs tipo Mc’Donalds JĂĄ vens da AmĂŠrica feito Aqui sĂł foste frito Digo o que sinto Novo ou proscrito E nĂŁo preciso de ser seguido nem subscrito JĂĄ nĂŁo rappo SĂł vomito Nunca omito Meu commitment Quando debito Foda-se Sam granda beat Foda-se Beware obrigado pelo convite! | Beware I wanna be there Where everybody is us and what’s good is freeware But a lot of people are seeing magenta to follow the leader A lot of people live at a tangent And swallow whatever there is And the brothers only use their heads to put on new wear And they tell me, “Chullage, it’s a new era” (Chulagi dja bu era) They post links, they make clicks They drink pink, they take pics Why do you bite, and your views hit peaks No brother, been there Coolest monkey in the jungle H+M or Pull and Bear Brother couldn’t bear Lots of camera Lots of filters, lots of shares, lots of flair Lots of other stuff Teresa May and Tony Blair Same old same old. fuck their mother New governments, same assholes New students, same hazing rituals New bears, same baselines New MCs, same guys Everything trying to fit in But now nothing gets outside the box Everything is so polished it all seems To have come from the Third Reich Controversial verses To be able to get views This medal has another side All from the same point of view Lots of flow, but it isn’t diverse Tragic like in Lampedusa Brothers end up immersed There’s a party on the terrace Of a house with no foundations Fuck ’em I’m shutting my mouth And aligning my chakras I write sacred lines Tired of so many wankers Chickens and piglets My thought gets on the train Enjoying Coltrane And rap some rhymes just for practice Giant Steps A Love Supreme I’m outside the frame I put on my headphones, turn up the gain, expel the pain And I let out a scream I have so many ghosts and because of them, I haven’t written You have so many ghosts the kind that write you You’re like McDonalds You came from America, ready made You were fried here I say what I feel New or forbidden And I don’t need to be followed or subscribed I don’t rap I just vomit I don’t omit Mu commitment When I debit Fuck it, Sam, great beat Fuck it, Beware, thanks for the invitation |
| [RefrĂŁo: Beware Jack] MarĂŠs Frias, vento Forte, balançam o meu suporte Mas ganho equilĂbrio na balança! JĂĄ nĂŁo escrevo sĂł reporto fotografias no meu bloco Imagens sĂŁo a melhor referĂŞncia Bad feeling nĂŁo me move SĂł balança o meu suporte O beat entra, o flow cospe O beat entra, o flow cospe O beat entra, o flow cospe | [Refrain by Beware jack] Cold seas, strong wind, shakes the ground I’m standing on But I gain stability from the instability I don’t write, I only report photographs of my block Images are the best reference Bad feeling doesn’t move me Just shakes the ground I’m standing on The beat enters, the flow spits The beat enters, the flow spits The beat enters, the flow spits |
* Reference to this song
** Lots of english in this verb, but lots of slang too. BuĂŠda gente seems to be “buĂŠ da gente. BuĂŠ is slang derived from africa. I think it’s maybe not that new. I think buĂŠ fixe (“very cool” dates back a while, but buĂŠ is generally a reinforcer so it indicates a lot of something or very much something
***Crioulo Cabo Verdiano – short for minhas/meus
**** Dammit, this is french!!!
***** Dammit, so is this!
******Not sure abot this one but basing it on this.
********Seems to be short for the spanish word “muchachos”
********This word can have a lot of meanings. I’m assuming he’s talking about his mouth since none of the other options make much sense.


