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Oh No He Didn’t…

Politicians are often prone to saying wildly inappropriate things in public and Marcelo Rebelo de Sousa is no exception. 😬

Oof, That’ll Cost You At Least One Vote At The Next Election

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Stories.

O came across this passage and didn’t know quite what to make of it.

“Eu nĂŁo adivinhei nada. E tambĂŠm nĂŁo lhe disse que esta era a sua estĂłria. Disse que era uma estĂłria sua“

What’s the subtle difference between the two italicised phrases?

A sua estĂłria = your story, the story of your life.

Uma estĂłria sua = one of your stories.

Why estĂłria and not histĂłria? I’m european portuguese, it’s a fancy way of saying a (fictional) story. HistĂłria is the normal word for any history or story, whether fictional or not. I’m Brasil, it’s more straightforward: estĂłria is fiction and histĂłria is non-fiction.

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O Velho do Restelo

O livro que li no fim da semana passada fez referĂŞncia ao “Velho do Restelo”. Achava que tinha ouvido falar desta pessoa. Tinha, sim! É uma personagem numa histĂłria chamada “Os LusĂ­adas” de um escritor, que talvez jĂĄ conheçam, LuĂ­s Vaz de CamĂľes. Antes da partida das caravelas, o velho lançou um discurso pessimista sobre a vaidade dos exploradores e sobre os perigos que os iriam enfrentar. Lembrou-me da personagem Laoconte numa histĂłria grega, chamada A Odisseia, escrito por, sei lĂĄ, Homero ou um grego qualquer. Ao contrĂĄrio de Laoconte, o velho nĂŁo fica devorado por serpentes. Laoconte teve razĂŁo: avisou os troianos sobre o cavalo de madeira. O velho, ao desabafar dos seus inquietaçþes aos que assistiram Ă  embarcação, nĂŁo teve razĂŁo, segundo o CamĂľes. Francisco Lobo Sousa, por outro lado, afirma que o velho “era o Ăşnico sensato, no meio dessas pessoas que aplaudiam os sonhos de impĂŠrio que enfermavam quem partia”

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“A VisĂŁo Das Plantas” de Djamilia Pereira de Almeida

A VisĂŁo Das Plantas

A autora deste livrinho foi inspirada por um breve parágrafo num livro de Raul Brandão no qual ele fala duma pirata que, nos finais do século XIX, participava no tráfego de escravos. O homem tinha abatido dezenas de negros com cal em pó e depois reformou na costa onde cuidava o seu quintal. Ela tem um estilo muito leve. Retrata o protagonista da ponta de vista das plantas dele. Não julgam. Tanto lhe fazem se cuidado por um assassino . É uma obra hipnotizante, e ainda mais poderoso por causa da moderação da autora.

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Delfinios Estrangeiros

#uncorrectedportugueseklaxon

Comecei um novo livro: “A VisĂŁo Das Plantas” de Djamilia Almeida Pereira. A imagem na capa ĂŠ uma foto de um homem barbudo, de pĂŠ num jardim, rodeado por plantas com flores azuis na vertical de dois metros de altura (o que nos chamamos de “spikes” de flores mas nĂŁo encontrei uma palavra equivalente em portuguĂŞs). Fiquei curioso sobre estas flores deslumbrantes portanto fiz uma pergunta no subreddit u/whatisthisplant. É importante fornecer informaçþes como onde cresce a planta para facilitar a identificação. “Acho que foi tirado em Portugal” disse eu, “porque o livro ĂŠ portuguĂŞs”. A resposta chegou depressa: SĂŁo delfinios. Mas alguĂŠm informou-me que a foto ĂŠ famosa e o fotĂłgrafo, Joel Sternfeld, tirou-a na Alaska em 1984. Ups. A clima da Alaska nĂŁo ĂŠ assim tĂŁo diferente da de Portugal, pois nĂŁo…? 😬

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A Manifestação

Juntei-me ontem com centenas de ciclistas para me manifestar contra a Câmara municipal responsável pela ponte de Battersea. Neste curto trecho de estrada, morreram dois ciclistas nos últimos 12 meses. É um dos lugares mais perigosos em Londres para pedalar

When you’re so busy trying to frame the shot that you forget to make a pouty duck face

Ao contrårio aos manifestantes da Just Stop Oil, não tentåmos impedir a circulação de outros veículos durante a hora de ponta. Não incomodåmos ninguÊm. Simplesmente ocupåmos a faixa de rodagem, andåmos de bicicleta pela ponte, fizemos o nosso protesto e depois dirigimo-nos a um parque onde ouvimos um discurso antes de voltar para casa. Nos dias de hoje, grande parte do activismo ocorre nas redes sociais, portanto havia câmaras por todo o lado a filmar a manifestação!

Thanks to SouUmaMerda for the corrections

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CapitĂŁes da Areia de Jorge Amado – OpiniĂŁo

I hope its clear from the review, but in case it isn’t, this is a great book to read, but don’t spend time studying the grammar because it’s a million miles from anything you’ll want to write in a PT-PT exam. See this post for the most glaring example but it’s not the only thing by any means.

CapitĂŁes da Areia

Raramente leio livros brasileiros porque português brasileiro é tão diferente. Ainda por cima, o português neste livro é longe do padrão de português brasileiro: há montes de calão, expressões regionais e gramática específica à região onde a história tem lugar. Mas apeteceu-me ler porque ouvi tantas coisas boas sobre este autor e esta obra sobretudo. O livro conta a história dum grupo de jovens e meninos abandonados que moram num trapiche(1). Recordei-me dos “Lost Boys” de JM Barrie (o líder ate se chama Pedro, a versão português de Peter) ou as carteiristas do Fagin no Oliver Twist de Dickens. Mas o tom do romance é mais escuro.

São criminosos, temidos pela gente da cidade, mas ao mesmo tempo, são crianças que sentem saudades da segurança e da felicidade de um lar e uma família. São sempre à procura de uma “mãezinha” e querem ir brincar no carrossel. Sem hipótese de viver como crianças, tornaram-se homens, mas não só homens: criminosos. Roubam viúvas, exploram pessoas simpáticas, lutam com navalhas e punhais. A personagem principal, com quem o autor pretende nos simpatizemos, até viola uma rapariga, o que é contado de maneira gráfica, e fica surpreendido quando depois ela o pragueja.

Ao longo dos meses, as personagens andam pelos seus percursos – há tragédia e redenção, mas o pano de fundo contra o qual o enredo se desenrola é a violência e caos na sociedade brasileira nos anos trinta do século XX, e o autor retrata esta sociedade muito nitidamente. É um livro virtuosístico.

(1) Entendi esta palavra como “armazém” mas ao que parece, tem um outro significado em PT-BR: um cais. Acho que armazém faz mais sentido neste contexto porque não consigo imaginar dezenas de pessoas a dormir num cais! Mas vou ver o filme em breve e espero entender melhor depois.

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Chakras

After looking at that Da Weasel rap the other day, I thought maybe I’d try another so here we are. I returned to this video which I mentioned in passing a year or so ago. I thought the song was called Classe Crua, but Classe Crua is the name of the band, which is composed of Sam the Kid (he’s the white guy) and Beware Jack (tall hair). This song has a “feat” on it – with a guy called Chullage (woolly hat, big beard) (feat is short for “featuring”). Chullage is a form of Chulagem, the quality of being a Chulo: a pimp or a vulgar person.

It’s a challenging translation. It’s got crioula, french, english and street slang all the way through it, mixed together like a big old liguistic stew.

PortugueseEnglish
MarÊs Frias, vento Forte, balançam o meu suporte
Mas ganho equilíbrio na balança!
JĂĄ nĂŁo escrevo sĂł reporto fotografias no meu bloco
Imagens sĂŁo a melhor referĂŞncia
Bad feeling nĂŁo me move
Só balança o meu suporte
O beat entra, o flow cospe
O beat entra, o flow cospe
O beat entra, o flow cospe
Cold seas, strong wind, shakes the ground I’m standing on
But I gain stability from the instability
I don’t write, I only report photographs of my block
Images are the best reference
Bad feeling doesn’t move me
Just shakes the ground I’m standing on
The beat enters, the flow spits
The beat enters, the flow spits
The beat enters, the flow spits
Velho mar, barcos novos, velhos jogos, novos modos
Velho passaporte, novo aviĂŁo, nova escala
Velho mapa, novas rotas
Dou a volta ganho pernas como centopeias
Descansa, tenho o nirvana nas veias
Tiro-te as teimas, a cena ĂŠ phat como Baleias
Palavras bem usadas sĂŁo uma Uzi, uma arma
Calma, a nova expressĂŁo apaga o velho trauma
SĂŁo chagas da nossa Aura, mĂĄgoas da nossa alma
Chakras do nosso karma
NĂŁo hĂĄ vivalma
Que fique indiferente e se ficarem indiferentes
DĂĄ-me tempo “deixa-me rir” como o Jorge Palma
O SociĂłlogo da nova escola, com a velha guarda
A criar modas por aĂ­ a fora
Com a velha fĂłrmula na nova montra
Keep it real p’ra zona aos que trocam sprints por maratonas
Old sea, new boats, old games, new styles
Old passport, new plane, new scale
Old map, new routes
I go far a walk I get legs like centipedes
Chill, I have nirvana in my veins
I’ll take away your stubbornness, the scene is phat like whales
Well used words, I’m an uzi, a weapon
Calm down,the new expression wipes out the old trauma
They are wounds on our aura, injuries on our soul
Chakras of our karma
There’s no living soul
That will be indifferent, and if they’re indifferent
Give me time, “let me laugh” like Jorge Palma*
The sociologist of the new school with the old guard
Creating methods out there
With the old formula in the new shopfront
Keep it real in the sone for people who swap sprints for marathons
MarÊs Frias, vento Forte, balançam o meu suporte
Mas ganho equilíbrio na balança!
JĂĄ nĂŁo escrevo sĂł reporto fotografias no meu bloco
Imagens sĂŁo a melhor referĂŞncia
Bad feeling nĂŁo me move
Só balança o meu suporte
O beat entra, o flow cospe
O beat entra, o flow cospe
O beat entra, o flow cospe
Cold seas, strong wind, shakes the ground I’m standing on
But I gain stability from the instability
I don’t write, I only report photographs of my block
Images are the best reference
Bad feeling doesn’t move me
Just shakes the ground I’m standing on
The beat enters, the flow spits
The beat enters, the flow spits
The beat enters, the flow spits
Beware!
I wanna be there
Onde toda a gente ĂŠ gente, e o que ĂŠ bom ĂŠ freeware
Mas buéda** gente ’tá a ver magenta, a follow the líder
BuĂŠda gente vive Ă  tangente
A swallow o que houver
NhĂŁs*** brodas usam a cabeça sĂł p’ra por new wear
E dizem-me “Chullage ĂŠ uma new era” (Chulagi dja bu era)
Deixam links, fazem clicks
Bebem pink, fazem pics
E mandam comments
‘Pa que te piques e o views atinjam peaks
Na broda, been there
Coolest monkeys in da jungle
HM ou Pull And Bear
Broda couldn’t bear
Muita câmara
Muito filtro, muito share, muito flair
Tanto fait-divers****
Teresa May ou Tony Blair
Same old same old, nique sa mere*****
Novos governos, mesmo xaxos******
Novos alunos, as mesmas praxes
Novos beats, os mesmos baixos
Novos mc’s os memo chachos*******
Tudo a tentar o encaixe
Mas jĂĄ nada sai da caixa
Tudo tĂŁo aprumado que parece tudo
TĂŁo saĂ­do do terceiro Reich
Versos controversos
‘Pa poder dar nas views
Essa medalha tem reverso
Tudo o mesmo point of view
BuĂŠda flow mas nĂŁo ĂŠ diverso
TrĂĄgico como em Lampedusa
Brodas acabam imersos
Hå uma festa no terraço
Duma casa sem alicerces
Fuck’em
Fecho a matraca********
E alinho os chakras
Escrevo linhas sacras
Cansado de tantos wankers
Galinhas e bĂĄcoras
Meu pensamento entra no train
A curtir Coltrane
E mando rimas sĂł por treino
Giants steps
A love supreme
Estou fora do frame
Ponho os fones, subo o gain, expulso o pain
E mando um grito
Tenho buĂŠda fantasmas e por eles nĂŁo tenho escrito
Tens buĂŠda fantasmas daqueles que te tĂŞm escrito
EstĂĄs tipo Mc’Donalds
JĂĄ vens da AmĂŠrica feito
Aqui sĂł foste frito
Digo o que sinto
Novo ou proscrito
E nĂŁo preciso de ser seguido nem subscrito
JĂĄ nĂŁo rappo
SĂł vomito
Nunca omito
Meu commitment
Quando debito
Foda-se Sam granda beat
Foda-se Beware obrigado pelo convite!
Beware
I wanna be there
Where everybody is us and what’s good is freeware
But a lot of people are seeing magenta to follow the leader
A lot of people live at a tangent
And swallow whatever there is
And the brothers only use their heads to put on new wear
And they tell me, “Chullage, it’s a new era” (Chulagi dja bu era)
They post links, they make clicks
They drink pink, they take pics
Why do you bite, and your views hit peaks
No brother, been there
Coolest monkey in the jungle
H+M or Pull and Bear
Brother couldn’t bear
Lots of camera
Lots of filters, lots of shares, lots of flair
Lots of other stuff
Teresa May and Tony Blair
Same old same old. fuck their mother
New governments, same assholes
New students, same hazing rituals
New bears, same baselines
New MCs, same guys
Everything trying to fit in
But now nothing gets outside the box
Everything is so polished it all seems
To have come from the Third Reich
Controversial verses
To be able to get views
This medal has another side
All from the same point of view
Lots of flow, but it isn’t diverse
Tragic like in Lampedusa
Brothers end up immersed
There’s a party on the terrace
Of a house with no foundations
Fuck ’em
I’m shutting my mouth
And aligning my chakras
I write sacred lines
Tired of so many wankers
Chickens and piglets
My thought gets on the train
Enjoying Coltrane
And rap some rhymes just for practice
Giant Steps
A Love Supreme
I’m outside the frame
I put on my headphones, turn up the gain, expel the pain
And I let out a scream
I have so many ghosts and because of them, I haven’t written
You have so many ghosts the kind that write you
You’re like McDonalds
You came from America, ready made
You were fried here
I say what I feel
New or forbidden
And I don’t need to be followed or subscribed
I don’t rap
I just vomit
I don’t omit
Mu commitment
When I debit
Fuck it, Sam, great beat
Fuck it, Beware, thanks for the invitation
[RefrĂŁo: Beware Jack]
MarÊs Frias, vento Forte, balançam o meu suporte
Mas ganho equilíbrio na balança!
JĂĄ nĂŁo escrevo sĂł reporto fotografias no meu bloco
Imagens sĂŁo a melhor referĂŞncia
Bad feeling nĂŁo me move
Só balança o meu suporte
O beat entra, o flow cospe
O beat entra, o flow cospe
O beat entra, o flow cospe
[Refrain by Beware jack]
Cold seas, strong wind, shakes the ground I’m standing on
But I gain stability from the instability
I don’t write, I only report photographs of my block
Images are the best reference
Bad feeling doesn’t move me
Just shakes the ground I’m standing on
The beat enters, the flow spits
The beat enters, the flow spits
The beat enters, the flow spits

* Reference to this song

** Lots of english in this verb, but lots of slang too. BuĂŠda gente seems to be “buĂŠ da gente. BuĂŠ is slang derived from africa. I think it’s maybe not that new. I think buĂŠ fixe (“very cool” dates back a while, but buĂŠ is generally a reinforcer so it indicates a lot of something or very much something

***Crioulo Cabo Verdiano – short for minhas/meus

**** Dammit, this is french!!!

***** Dammit, so is this!

******Not sure abot this one but basing it on this.

********Seems to be short for the spanish word “muchachos”

********This word can have a lot of meanings. I’m assuming he’s talking about his mouth since none of the other options make much sense.