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Witches!

(Scroll down for an english translation of this one)

Este post no Insta chamou-me a atenção há uma semana. É mesmo ótimo como obra de arte mas confesso que me deixou insatisfeito porque não explica bem as lendas e eu, como estrangeiro que não sei nada de nada, queria saber mais.

Um bloguista com dois dedos de testa teria lançado um blogue ou uma série de blogues na semana antes do dia das bru… Hum… Antes do Pão Por Deus mas a minha testa não passa de um dedo e aqui estou eu no dia depois a escrever o primeiro texto numa série… Olha, para resumir uma história longa, fiz um compromisso num outro lugar escrever um texto por semana durante as próximas seis semanas sobre bruxas. Não me faça mais perguntas, tá bem? OK, vamos a isto! Hoje abordamos a primeira região na obra da Lola Ramos.

Segundo a Stôra* Google, Melgaço é a vila mais setentrional (ou seja o mais ao norte) do país, perto da fronteira com Galiza. A região é rica com lendas, entre as quais se encontra o mito das “meigas**”, ou “Feiticeiras Raianas”. Há quem achasse que eram seres sobrenaturais sem alma, capazes de se transformarem em mulheres ou em animais como por exemplo serpentes e que desejavam roubar a vida ou a alma das vítimas delas. Mas também existem pessoas com imaginações mais prosaicas que creem que as bruxas eram mulheres normais que praticavam a medicina pré-científica da tradição pagã e como resultado encontraram-se sob o olhar da igreja católica, que praticava as suas próprias rituais pré-científicas!

A Wikipédia acrescenta mais pistas prosaicas ao nosso pano de fundo: O rio naquela zona é perigoso por causa das rápidas a e a falta de um ponte, portanto não raras vezes viajantes acabaram mortos, afogados no rio e os habitantes na região responsabilizaram as bruxas em vez da natureza e do comportamento imprudente do recém-falecido!

A lenda aparece raramente nos estudos etnográficos sobre os portugueses, mas é mais comum entre os galegos. Os dois povos concordam que a melhor estratégia para quem queira atravessar o rio perto de Melgaço ou a sua aldeia vizinha, Arbo, em Galiza, é colocar um seixinho ou uma moeda na boca. Assim, a viajante não se esquece de manter a boca fechada ao se deparar nas feiticeiras.

*If this is the first time you’re seeing this word, here’s some background.

**Weird one this: Wikipedia implies it’s an old word, and maybe it is – maybe it’s related to maga in some way… but meigo/meiga means gentle and very little about their reputation sounds gentle! Priberam offers no clue so I’m not really sure what to make of it!

🇬🇧 English Version (with a bit of help from GTranslate)

Just in case somebody from “the other place” wants to come and check I did my homework…

This Instagram post caught my attention a week ago. It’s really great as a work of art, but I confess it left me unsatisfied because it doesn’t explain the legends well, and I, as a foreigner who knows absolutely nothing, wanted to know more.

A blogger with two fingers of forehead [portuguese expression meaning “with a bit of basic common sense”] would have launched a blog or a series of blogs the week before Hallowe… Umm… Before Pão Por Deus (Portuguese All Saints Day tradition which is gradually getting crowded out by American Halloween), but my forehead is barely a finger’s width, and here I am the day after, writing the first text in a series… Look, to cut a long story short, I made a commitment in another place to write one text about witches per week for the next six weeks. Don’t ask me any more questions, okay? OK, let’s do this! Today we’ll cover the first region in Lola Ramos’ work.

According to Professor Google, Melgaço is the northernmost town in the country, near the border with Galicia (a part of north-west Spain where they speak a language very similar to portuguese). The region is rich in legends, among which is the myth of the “meigas,” or “Border Witches.” Some believed they were soulless supernatural beings, capable of transforming into women or animals such as snakes, and that they wished to steal the lives or souls of their victims. But there are also people with more prosaic imaginations who believe that witches were normal women who practiced the pre-scientific medicine of pagan tradition and, as a result, found themselves under the scrutiny of the Catholic Church, which practiced its own pre-scientific rituals!

Wikipedia adds more prosaic clues by way of background: The river in that area is dangerous because of the rapids and the lack of a bridge, therefore travellers often ended up dead, drowned in the river, and the inhabitants of the region blamed the witches instead of nature and the reckless behaviour of the recently deceased!

The legend rarely appears in ethnographic studies about the Portuguese, but it is more common among the Galicians. Both groups agree that the best strategy for anyone wanting to cross the river near Melgaço or its neighboring village, Arbo, in Galicia, is to place a pebble or a coin in their mouth. That way, the traveler won’t forget to keep their mouth closed when encountering the witches.

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FLiPpancy

Estou perplexo com o comportamento do corretor ortográfico FLiP. Escrevo a Expresso “De vez em quando” hum… quando me apetece, mas o corretor o odeia. Perguntei à boa gente do Reddit mas responderam que não é nada surpreendente porque o corretor não sabe a quem ou por quê escrevo, portanto dá conselho sobre o tom da minha escrita. Mas… É inconsistente. No seguinte texto, por exemplo, usei muita calão e informalidade, contudo a única frase sublinhada é “de vez em quando”!

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Weird Subjunctive

Lazily recycling a question I asked in another place and turning it into a blog post to help me remember

Xavier de Maistre, author of “Voyage autour de ma chambre” approves of this blog post

Logo na primeira página do meu livro (Viagens Na Minha Terra de Almeida Garrett) o autor coloca a seguinte frase.
Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até o quintal
Graças ao Google, já sei o que é murta* e quem foi Xavier de Maistre mas ainda não faço ideia de porque o autor escolheu o imperfeito do conjuntivo neste contexto. Podes explicar sff?

Segundo os portugueses (e um brasileiro) que responderam, Garrett está a construir uma situação hipotética. “Que”, neste contexto, está a funcionar como “se” ou “caso”, portanto precisamos do conjuntivo.

Noutras palavras, Embora Xavier de Maistre tivesse escrito o seu livro dentro do quarto, se estivesse em Lisboa nos dias do Garrett, iria ao quintal dar uma vista de olhos à beleza das laranjeiras e a murta a florescer nos campos**.

*It’s a plant – a kind of myrtle – if you want to know.

**Thanks to u/yangruoang for paraphrasing the sentence: I have paraphrased his/her paraphrase as an exercise for myself, and if I have introduced any errors, they’re my own, but basically rewriting it helped me understand the whole thing a lot better

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Zé Povinho

Ora bem, já falámos da loja e depois da tradição do Pão Por Deus, Viremo-nos agora ao outro aspeto da cultura portuguesa que surgiu naquele texto; a personagem de Zé Povinho.

É uma caricatura do povo português, criado por Rafael Boradalo Pinheiro. Para evitar qualquer confusão, este Bordalo não é o avô do atual Boradalo II, isso foi Artur Real Chaves Bordalo da Silva. Existe um lei que manda que todos os artistas no país têm de mudar de nome para Bordalo?

A figura de Zé Povinho apareceu pela primeira vez na revista “A Lanterna Mágica” em 1875: A sua personalidade e de um rústico de chapéu, com barba, com a boca aberta. É ignorante dos problemas da sua própria sociedade, aceitando com resmungão os impostos e as indignidades que ele sofre. Segundo o artigo, “caricatur[ou] o povo português na sua característica de eterna revolta perante o abandono e esquecimento da classe política, embora pouco ou nada fazendo para alterar a situação.”

O boneco impresso na t-shirt da loja é uma foto de uma escultura em barro da mesma personagem feito pela Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. Está a gesticular e tem a palavra “Toma!” no seu cinto.

Dado isto tudo, e por mais que adoro a imagem, acho que não vou comprar a t-shirt. Porquê? Custa-me explicar… acho que há uma grande diferença entre usar uma caricatura da minha própria nacionalidade e uma alheia. Com a minha própria cultura, entendo a realidade, portanto é óbvio que entendo precisamente como a caricatura se aplica e como não. Se usar uma imagem de uma outra nacionalidade, ou raça ou etnicidade, pode ser por causa da minha falta de educação (por não saber a origem), ou pode até ser interpretado como falta da outra espécie de educação; em ridiculizar um outro povo – nada mais, nada menos do que o povo da minha esposa!

Sou woke demais? Ah ah, talvez, mas imagino se a Catarina comprasse uma imagem de um inglês escaldado na praia, ou um “gammon” a queixar sobre imigrantes ou algo do género… acho que eu estaria um pouco chato apesar de tudo, e portanto mais vale fazer uma nova escolha.

EDIT – I bought a Haja Paciência hoodie in the end

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Pão Por Deus

This one is inspired by yesterday’s post in which I was initially suspicious of the loja online because it mentions Halloween, in English. Hallowe’en (“dia das bruxas”) is an old celtic tradition but its best-known manifestation, with pumpkins and vampires and slutty nurses is all American cultural hegemony. I’ve been seeing posts talking about Portuguese traditions and I thought it might be fun to talk about this one…

O vídeo (infra) foi feito por mais uma loja online, Madeirense Puro, que tem, como foco, outros portugueses. Já escrevi sobre o livro dele e acho que existe uma sequela mas ainda não tenho. No vídeo, os empregados fingem estar numa manifestação contra o Halloween (“abaixo as aboboras!”) e a favor do Pão Por Deus. Segundo a página da Wikipédia, Pão Por Deus é uma tradição religiosa que tem laços ao festival que domina esta estação do ano mas tem lugar no próximo dia, o dia de todos os santos e portanto coloca a ênfase no lado santo da estação em vez do lado do caos e terror!

A tradição tem raízes na noção de alimentar os defuntos e de pedir esmola em tempos de fome. Especificamente, a tradição de ir de porta em porta a pedir pão “por deus” é associada com a época do terramoto, que também aconteceu no dia de todos os santos. Hum… se não me engano, este facto piorou a situação ainda mais porque as velas acesas nas igrejas causaram incêndios, acima dos danos do terramoto em si. Mas seja como for, continua como tradição até aos dias de hoje. Contudo, como podem ver neste segundo vídeo (narrado em português brasileiro – desculpa!) a sombra dos estados unidos cai através a tradição. Vemos crianças a usar cornos do diabo, chapéus de bruxa e até fantasias de abóboras. Porém, têm também sacos decorados, e a procissão decorre durante as aulas em vez da noite, com os pais.

O Podcast preferido de todos os novatos na aprendizagem de português é o Practice Portuguese, e o Rui fez um vídeo com uma amiga sobre as tradições regionais do Pão Por Deus e o dia das bruxas. Falam também dos bolos tradicionais (receita aqui). Como sempre, falam nitidamente e num sotaque deste lado do Atlántico, que é sempre bem vindo.

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Shirtvestigation

Sou um anglófono e um lusófilo, e a minha “presença online” mistura as duas línguas, o emoji da bandeira portuguesa e várias pistas sobre os meus gostos. Por isso, de vez em quando, o algoritmo que governa as nossas vidas todas monta uma campanha mercadológica* que tem como alvo um outro grupo demográfico: americanos cujas raízes, segundo o Ancestry.com, incluem 6% de ADN ibérico. “Kiss me, I’m Portuguese” e “Don’t talk to me until I’ve had my Pastel de Nata” e blablabla

Recentemente um novo vendedor aparece no meu insta todos os dias: “Home of Saudade”. As suas peças parecem-me acima da média e realmente não sei se os donos são portugueses autênticos ou simplesmente um tipo chamado Josh que chegou em Lisboa de Ohio em 2024 e percebeu a oportunidade de ganhar bem por vender símbolos portugueses aos seus compatriotas. Vamos considerar os factos:

Antes de mais, não vejo a opção de ler o site em português. Há um Halloween Sale em andamento, onde se vendem t-shirts e hoodies com frases bem conhecidas a quem segue influenciadores como por exemplo aquele tal Diogo Brehm no Insta. Alguns misturam inglês e português, por exemplo “Teimosa but cute” ou “You’re the canela in my nata“, outros têm versões de marcas famosas como o “Super Avô“, visível na imagem lá em cima.

Existem t-shirts no site que, garanto-vos, não foram compradas por um único português. Se vires alguém a usar “Coolest Portuguese Mom Ever“, podes apostar que se chama Nancy e mora em Upstate New York.

Sem sombra**… Os Nancies do mundo também merecem t-shirts!

Mas por outro lado, há montes de desenhos que fazem crescer água na boca:

Foi aquele terceiro desenho, acima de tudo, que me convenceu que a loja é mesmo portuguesa. Será que o Josh, recentemente chegado de Cleveland, sabe quem é Zé Povinho? Duvido. Ainda não acreditas? Então olha: não há nem um Galo de Barcelos no site inteiro***. Se fosse um site exclusivamente para turistas e pessoas sem noção****, haveria galos por todo o lado. E o rosto de Fernando Pessoa também. É ou não é?

Fui ver a página principal da loja no insta para confirmar. E não errei. Segundo este vídeo, o fundador, César é um açoriano que tem amigos e familiares no estrangeiro, e teve a ideia de criar uma loja com os seus próprios desenhos para vender aos emigrantes que têm saudades da sua terra.

Agora que constatei que a loja realmente é genuína (assumindo que o César não é uma IA, nem um ator contratado pelo mesmo Josh… ai Josh, és tão enganador!) acho que vou comprar alguma coisa.

*actually I think “campanha de marketing” is probably the term that would be used but I am not in board with this

**Not a real expression as far as I know, I am just messing about and translating “no shade” literally. I am really not a nancyphobe, I swear!

***Oh hang on, actually, I found one….. but it is only one, according to the site search! https://homeofsaudade.com/products/galo-de-barcelos-mug?_pos=1&_sid=dd586e89b&_ss=r

****I was looking for a synonym of “Poser” which is another word that actually exists in Portuguese but again it seems like a cop-out to use it

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Niche Vocabulary

I’m noting down lots of new words in the book I’m reading but some seem too niche even to include. Like I’ve just come across “a ré” which can be a defender in a trial (feminine form of réu) but in the context I found it, it means “Espaço que se estende da popa até ao terço médio do navio” (https://dicionario.priberam.org/R%C3%A9) OK, well i know popa is the poop deck, but I couldn’t find Ré on any diagrams of ships. Anyway, after a lot of effort I found it corresponded roughly to what a British seaman would call the aft deck. Well, forgive me if I don’t spend much time committing that one to memory!

And then there’s “a cernelha”, the part at the back of a quadruped where the shoulder blades meet. I actually know the word for this in English because my daughter went through a horse phase. It’s caled the withers. Yeah, again, it seems unlikely I’ll need to know that one!

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As Personagens do Livro Viagens Na Minha Terra

A Terra

Há uma mapa que estende da contracapa para a capa do livro. Na verdade, a viagem é curta. É possível caminhar aquela distância dentro de um dia

Além do território em si, a história enxertado pelo autor em VNMT, como já disse ontem, tem cinco personagens, entre elas três que merecem inclusão no Dicionário de Personagens da Ficção Português*. Nestes resumos daqueles resumos (por assim dizer), irei omitir os pormenores da história e concentrar no caráter de cada um.

Carlos (aqui)

Carlos é o herói da conta. O autor concretiza nele as ideais da revolução: singeleza, honestidade, generosidade. Na sua cara, them uma “boca desdenhosa, não por soberba mas por consciência de ‘uma superioridade inquestionável'” o que reflete, acho eu, a intenção por parte do autor que nós nos identificam com esta protagonista admirável. O conflito no seu peito entre a sua lealdade à Georgiana e o seu amor para Joaninha é motivo de ânsia, precisamente por causa das boas qualidades dele. O autor justifica-nos “rousseaunianamente” esta paixão.

A reação dele á aparência do frade mostra o sangue quente do homem, mas não «e fora do controlo, como dizemos quando deixa de atacar e em vez de cometer parricídio, junta-se ao exército liberal. Mais tarde, Carlos, após algum tempo em exílio onde “flirtara” com três irmãs britânicas a fio, “adquiriu facetas dândis”, mas ainda era capaz de tomar ação decisiva para romper os laços de amor. Também fala do amor da sua pátria, e a veemência do seu liberalismo, que dá origem ao desejo se tornar deputado. Como resultado, perde algo do seu espirito aventureiro e engorda nas vésperas da sua vida.

O artigo conclui com o seguinte parágrafo imelhorável

É bem um “herói” romântico, Carlos. De íntimo ferido no confronto da sua pureza primitiva com a poluição do grande mal e da sociedade dispersora, ganha configuração ficcional pela representação de um mundo subjetivo intenso, fragmentado, complexo, posto em relevo pela contraposição a várias personagens e pela articulação com um tempo histórico em devir, também exemplificativo do descambar fatal dos ideais.

Joaninha (aqui)

O escritor do retrato dedica um parágrafo inteiro á aparência física da Joaninha. Não é bela mas tem “Um vulto airoso” e blabla, voz doce, olhos como esmeraldas, voz puro, árvores e espiritualidade e tal. Mas além disso tudo, ela “afasta-se, pois, dos estereótipos românticos da mulher-anjo ou da mulher-sílfide” e vive no vale que nunca abandonou, rodeado de rouxinóis e outras criaturas. É corajosa e ama sem reserva o seu primo.

Enlouquece quando ouve de como Carlos “caíra em fragmentação interior e “morte” moral no ceticismo, tornando-se incapaz de amar a inocente que poderia revocá-lo do abismo”

Explicando o lugar da mulher dos rouxinóis nesta história, Ofélia Paiva Monteiro diz o seguinte:

Joaninha, sem deixar de ter alguma consistência física e psicológica, “vale” sobretudo como poética representação da inteireza natural, irrecuperável para os que perderam, como Carlos, a unidade e a transparência nativas.

Frei Dínis (aqui)

O frade é uma figura “seca, alta e um tanto curvada” da aparência, e “austero” com “crenças rígidas” e “lógica inflexível”. A sua natureza não é completamente sem simpatia mas afinal o frade representa o clericalismo do regime antigo mas também é o pai do herói romântico que tem de se submeter á raiva do filho, naquela cena miserável quando a verdade é descortinada. A consciência por parte de Frei Dinis do seu pecado imperdoável assombra a sua aparência física e as vezes até o faz tremer.

*Annoyingly, the first time I clicked on this it failed to load because there’s a problem with its security certificate, so I had to go into the security settings and tell it to ignore problems on this specific site. Doesn’t seem to happen in Edge, only Chrome.

**I had to squint at this for a bit. It’s an adverb meaning “in the manner of Jean-Jacques Rousseau”. There you go, try dropping that into your next conversation!

Termos usados nos textos que podem ser úteis no contexto académico

Oitecentista: que viveu no século XIX – os millennials daquela época

Metadiegética: Palavra não encontrada no Priberam, mas segundo este fio redditético, existem mais palavras na mesma família: um narrador extradiegético é o narrador do livro que o leitor tem nas mãos. Um narrador intradiegético é um narrador de uma historia dentro do livro que conta as aventuras de um terceiro (o redditor dá o exemplo da Sherazade nos “Mil e Um Noites”) e um narrador metadiegético é um narrador da hístoria contado pelo próprio narrador intradiegético, como por exemplo Simbad, o navegador e o protagonista d’O Marujo. Todos escrevem na terceira pessoa mas existem em níveis diferentes na contagem das histórias dentro da história principal! Uau! Nunca antes ouvi falar deste concepto!