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Errant Preposition Hearts Club Band

Corrections from Português Outra Vez

Frustrating that there isn’t a preposition that sounds more like “George”. Oh well.

Ele entrou na igreja, aproximou-se dum ícone, beijou-o, persignou-se e saiu, balbuciando algo. I wrote “aproximou-se a”. Also, persignar-se (genuflected) was a new word for me!

Vocês vão para o Egito?! Só podem estar a entrar connosco (I hadn’t the faintest idea what this was even meant to be saying so took a total guess on both the verb and the preposition)

Se quisesses ser menos obeso, obedecerias às prescrições do doutor Nunes. (I used the imperative tense, but that doesn’t make sense following in from the imperfect subjunctive)

Em 2003, eu formei-me em Filologia Eslava pela Universidade de Bratislava. (i used “na” as the second preposition)

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O Mangusto

Who knew I’d have two posts mentioning mongooses less than a week apart? Well, here we are!

“O Mangusto” é uma banda desenhada sobre uma jardineira que está atormentada por um mangusto que destrui as plantas da* sua horta. O Mangusto nunca aparece na história e ao que parece não existe – ela está a passar por uma crise pessoal e acho que esta ideia fixa é um método de transferir os seus sentimentos para algo fora de si.

O livro foi escrito e desenhado por Joana Mosi (conhecida por “Mosi” no Goodreads mas sei lá eu por quê!) Embora seja mais simples (em termos de estilo artístico) do que um outro livro para o qual ela contribuiu – “O Outro Lado de Z” – este é muito melhor. Colaborou naquele livro com um escritor que, francamente, não tem o talento que ela tem. Neste livro, foi ela que criou tudo, e o produto tem ar de ser uma obra completa, realizada por alguém que sabia o que queria fazer.

*of her garden not in her garden – I make this kind of mistake all the time through thinking too englishly.

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Uma Família Madeirense – João França

Here’s a review of the book that’s been doing my head in for a while. Not recommended for beginners, but very interesting if you’ve got the spoons to stick with it to the end. Special bonus, to encourage you to read the footnotes, there is a free book giveaway in one of them today. Oooh! Exciting!

Uma Família Madeirense

Uau, este livro surpreendeu-me! Mais sinceramente, deu-me água pela barba: havia tantas palavras desconhecidas, tantos regionalismos e tantas personagens que me senti desesperado. Quase desisti, mas com ajuda do dicionário… e um mapa e uma árvore genealógica e a Wikipédia… consegui, por fim*, entender tudo.

A história desenrola-se entre duas épocas: 1936, durante a Revolta do Leite, um protesto popular sobre um decreto-lei que estabeleceu um monopólio na produção de laticínios nos primeiros anos do Estado Novo e 1975, durante o assim chamado “Verão Quente” que se seguiu à revolução e à queda do governo** de Marcelo Caetano. Como é óbvio, os protagonistas são os membros de uma família, encabeçada pelo Comendador Bonifácio de Oliveira, um homem conservador, monarquista e, acima de tudo, teimoso, que rejeita o seu amigo*** por não concordar consigo sobre a implantação da República.

O livro é curto, tendo pouco mais de 130 páginas, mas o autor consegue incluir**** grande parte da história do país: a transição da monarquia para a República que depressa tornou-se ditadura, e a restauração da liberdade por um golpe de estado, que parecia prestes a dar lugar a mais uma ditadura. Entretanto, os inimigos do estado desaparecem, emigram ou são presos, e a hipocrisia e o conservadorismo da burguesia madeirense são colocados em foco, destacados pelos acontecimentos no palco nacional, mas até eles têm de mudar ao longo das gerações.

Adorei o desenlace. Pareceu-me a conclusão perfeita para esta telenovela literária.

*I wrote “afinal” here and was challenged to explain why that was wrong but my brain is broken so I’ll make that the subject of a future blog post. Anyway, the TL;DR is – that’s wrong!

**I originally wrote “que seguiu a revolução e a queda do governo” thinking like an english speaker, thinking yeah, transitive verb, “it followed the revolution”, but no, in portuguese it follows itself to the revolution. This is one of those grammatical structures that I think if only I understood why it seems natural to put words in that order I’d be a lot closer to thinking like a native.

***The name of the friend (and of the friend’s son who also plays an important role) is Meireles, so it’s sort of spooky that in between drafting this review and publishing it I got an email from another Meireles, Devin Meireles, who has just finished writing his own book about Madeira. Quite a coincidence! Anyway, I don’t know if this Meireles holds unacceptable views on the implantation of the republic like his namesake, whether he is in fact a “jacobino sem vergonha”, but what I do know is that his book, Finding Madeira, is available free on Amazon this week (17-21 December). So if that sounds like something you’d be interested in, have a look and if you like it, drop him a review on Goodreads.

****I used capturar here but that’s too much of an english expression.

Thanks again to Cristina of Say it in Portuguese for her very helpful corrections which I am too addled to understand fully right now but will hopefully make more sense in the morning.

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Mangas-de-Alpaca

I spotted this phrase in a book I’m reading, referring to “uma comissão de oficiais técnicos”. The speaker starts his rant by exclaiming “Baboseiras!” which I took as being related to “babar” (to drool) which it is, and so he obviously doesn’t have a high opinion of these people. OK, so I’m not expecting anything good, but what does it actually mean?

Mangas de Alpaca

Mangas-de-alpaca were sleeves worn by clerks on their lower arms to protect their clothes from getting scratched and ink-stained during service. By extension, the term can be used pejoratively to describe a bureaucrat or a pen-pusher in general.

Whether or not you use hyphens is usually important and the AO tends to be quite prescriptive. I’ve used hyphens here because that’s how Priberam spells it but neither Wikipedia or the book use hyphens, so I’m not really sure who’s correct!

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A Cancão de Lisboa

A Cancão de Lisboa com Vasco Santana

A Canção de Lisboa” é o primeiro filme feito por portugueses segundo o cartaz e o segundo, depois d’”A Severa”, segundo a Wikipédia. O realizador foi José Cottinelli Telmo, um arquiteto, artista e cineasta que colaborou com o Estado Novo em vários projectos, incluindo a Exposição do Mundo Português e as escadas monumentais de acesso à Universidade de Coimbra (o pior crime de sempre, na opinião da minha filha).

O filme conta a história de Vasco Leitão (protagonizado por Vasco Santana) que é inexplicavelmente sortudo: tem uma namorada linda e atrai a atenção de outras raparigas, apesar de ser pobre, gordo e pouco jeitoso.

Mas a sério, canta bem e é encantador, que provavelmente ajuda-o a engatar as raparigas. Ainda por cima, do ponto de vista dos espectadores, tem qualidades tipicamente portuguesas que permitem uma audiência nacional identificar-se com o protagonista.

Há, sem dúvida, muitas cenas engraçadas no filme (a minha favorita é quando o Vasco se arma em veterinário no jardim zoológico para ganhar dinheiro), mas não é o mais fácil de entender. Os sotaques daquela época soam diferentes (assim como os filmes ingleses dos anos 40 do século passado) e a qualidade da gravação antiga estraga os tons mais altos e torna mais incompreensível o diálogo. Portanto, ainda que o filme seja um dos mais populares de sempre, não é muito acessível para nós estrangeiros. Talvez tivesse sido mais fácil entender a remake* de 2016, mas este blogue tem os seus princípios. Não suportamos remakes nenhumas. O que será a próxima? Se tolerarmos uma versão da Canção de Lisboa com César Mourão, teremos de aceitar uma versão do Ghostbusters com elenco feminino? Nunca!

*Wikipedia says refilmagem but our survey says (*uh erghhhh*). Might be a Brazilian thing?

Thanks as ever to Cristina of Say It In Portuguese for the helpful corrections

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De Volta ao Português Em Foco

Hm, I’m not sure why I’ve written this in portuguese. I’ll write up the book in english on the study guides page too, for anyone who finds that easier.

Escrevi há algum tempo sobre um livro interativo chamado “Português em Foco”. Antes de mais: cuidado, Português em Foco não deve ser confundido com “Português em Foca”, que explica como pedir peixes, bater palmas e jogar bolas com no nariz na língua de Camões.

Português em foco está disponível em vários formatos mas eu comprei a versão interativa. Esta decisão tornou-se fonte de alguma confusão porque, dependendo de como se acede ao livro digital, partes do curso não estavam acessíveis. Falei disto neste blogue.

No entanto, persisti. Acabei por constatar que o livro funciona melhor num portátil ou num computador. As páginas abrem-se e revelam ícones dos capítulos relevantes do livro digital e as atividades interativas correspondentes. Depois vem o caderno de exercícios com ainda mais atividades interativas.

O melhor método é começar com o primeiro ícone (claro!). Lê e ouve o texto mas quando chegar a hora de fazer os exercícios, em vez de voltar ao ícone na página inicial, clica no botão ao lado do exercício no livro digital.

Os exercícios interativos abrem-se logo e permitem-te fazeres os exercícios. Geralmente, depois de completares cada um, a resposta aparece para que saibas quão bem compreendeste os conteúdos.

Mas existem exceções: nalguns casos, a tarefa é escrever um texto ou gravar áudio. Claro que estes exercícios não têm respostas certas. O sistema possibilita a intervenção de um professor que pode corrigir estes exercícios, mas um estudante a trabalhar sozinho achará a experiência um pouco limitada.

Mas seja como for, acho que o livro vale mesmo a pena. 24 capítulos com uma média de 15 páginas de exercícios (escritos e orais) cada, por 39€ é, na minha opinião, uma pechincha!

Thanks again to Cristina from Say it in Portuguese for sparing me from another typo-filled, grammar-challenged mess of a blog post!

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Sopinha de Massa

New favourite expression just dropped. I was talking about a song from the eighties called “There’s No-one Quite Like Grandma”. If you’ve never heard of it, rush to listen, because it kept “Stop the Cavalry” by Jonah Lewie off the top slot in 1980, and you’re probably hearing that a lot in the run-up to Christmas, so you’ll want to know what you’re missing. Anyway, the expression, used to describe the soloist was “sopinha-de-massa” – Noodle soup. It just means someone who lisps and can’t pronounce their etheth… I mean their esses properly. As about 80% of all british comedians have pointed out, Lisp has always been a terrible word since people who have one can’t even say it. How much harder is it to say “Thopinha-de-matha?

If you’re curious, the more proper term for a lisp, used by speech therapists (this lady, for example), is “Sigmatismo” which isn’t much better!