
Aparentemente não estou no pico de forma, porque fitei esta palavra durante quinze segundos antes de ter certeza de que, não, não é um novo tempo verbal mas sim uma gralha muito óbvia que o redactor devia ter apanhado!

Aparentemente não estou no pico de forma, porque fitei esta palavra durante quinze segundos antes de ter certeza de que, não, não é um novo tempo verbal mas sim uma gralha muito óbvia que o redactor devia ter apanhado!
Signing into the Avanti Trains Wi-Fi the other day, I had to enter my personal details, including my title – you know, Mr, Mrs, Miss, etc. As usual, since my phone is in portuguese, the site delivered the portuguese version of the page and this was the list I got.

My first thought was that this was some sort of data quality error – maybe they had included a couple of department names (Perda=lost property? And Recuperação de desastres= Disaster Recovery) in their list of titles and that whoever had been given the job of translating it had just translated them without thinking.
But in reflection, how would that even happen? After a couple of minutes, I realised the original list was OK, it was just a spectacularly terrible bit of AI translation.
So starting from the top:
Senhor/a Deputado/a refer to members of parliament and since that would just be one item in an English list, I assume they started out as “lord” and “lady” or something
Perda is my favourite: Miss. One of the meanings of perda is a miss or a loss.
MS must be Ms. MS does exist in Priberam as the abbreviation for a Brazilian province called Mato Grosso do Sul.
Recuperação de Desastres is the biggest leap, but since there isn’t a “Doutor” in the list, my guess is that this one started out as “Dr”, so the AI read it as “DR” and since DR stands for Disaster Recovery in management speak, it’s translated it as Recuperação de Desastres
Rev isn’t translated. Boring.
Then you’ve got Mr and Mrs and the unpronounceable Mx that a few people were trying to make happen in about 2020, much to the annoyance of everyone else.
I wonder how much the consultant charged them for this load of crap. It’s a brilliant example of what happens if you cut corners!
Acho que este livro precisa de mais redação. Uma leitora no Goodreads queixou-se da falta de um fio condutor entre as histórias, mas para mim, às vezes, faltava um fio condutor entre as vinhetas individuais das crónicas! Achei alguns contos um pouco confusos.
Contos? Não quero dizer “bandas desenhadas”? À primeira vista os contos são bandas desenhadas mas não há balões de diálogo, apenas textos curtos que fazem parte da narração da anedota. O livro trata de uma série de histórias curtas sobre uma personagem ou um evento na história da cidade. Cada uma é ilustrada com um traço caricaturistico, mas não chega a ser uma banda desenhada.
Bem, não estou a resmungar, achei várias histórias na antologia interessantes; aprendi muito e até “roubei” umas ideias para fornecer conteúdos ao meu blogue! Havia personagens bem conhecidas como Carlos do Carmo e Santo António e mais algumas que eu pessoalmente não conhecia, como por exemplo as duas Júlias e Madame Brouillard, Mas o livro não se lê bem, o que é uma pena porque podia ser ainda melhor se os autores tivessem prestado mais atenção aos textos e feito algumas mudanças para reunir os fragmentos como um todo satisfatório.

Fiquei intrigado por esta pequena frase. Se o homem levou um tiro no coração, quem se importa se a roupa também foi queimada?
Mas a expressão significa “muito de perto, ou cara a cara” ou seja, Point blank, como dissemos em inglês.
No mesmo livro, deparei numa nova palavra que também tem a ver com roupas, especificamente com roupões:

Ainda que não tivesse visto esta palavra, não perdi tempo em perceber o significado. Xadrez é o jogo de tabuleiro que nos anglófonos chamam de “Chess”, portanto, um roupão axadrezado é simplesmente um roupão feito de tecido que tem um padrão quadrado. Não têm de ser quadrinhos de preto e branco igual a um tabuleiro de Xadrez como o fato do Benny no jogo Fallout New Vegas…

…O roupão colorido de Arthur Dent também é axadrezado.
Este padrão é também chamado simplesmente de “xadrez”, como, por exemplo, nesta loja online (uma camisa, porque é evidente que não é apenas roupões). A palavra “enxadrezado” também existe mas não encontrei exemplos daquela forma na Internet.
Um sinónimo que pare quem não goste de falar de jogos é “escaqueado” mas acho que esta palavra é rara porque quando pesquisei o Google devolveu montes de páginas sobre pessoas esfaqueadas!
Todos estes particípios têm os seus verbos: axadrezar, enxadrezar, escaquear.
Como já disse, estou a participar numa maratona literária e uma das categorias é “um género que não costumas ler” e eu escolhi uma antologia de poesia de Manuel Alegre. Sendo homem*, não me dou com poesia, mas o dia 21 deste mês era o Dia Mundial da Poesia, portanto decidi engolir o sapo. Li metade do livro, incluindo este verso na página 20:

“Meu amor disse que eu tinha uns** olhos como gaivotas”. Esta metáfora marcou-me não por ser valida*** mas por não fazer sentido. Porque é que o amante compara os olhos da amada a umas gaivotas? As gaivotas fazem muito barulho. Roubam batatas fritas dos turistas na praia. São brancas. É verdade que voam no céu azul, mas quem tem olhos azuis com íris**** brancas? Ou íris azuis com pupilas brancas? A adequação da expressão terá a ver com a distância, o isolamento ou a vigilância de uma gaivota no céu? Não percebi bem. O amante é um marinheiro e talvez tenha uma perspetiva diferente do que a que nós, que passamos a vida em terra firme, temos.
Mas afinal, esta metáfora é uma metáfora mesmo? Costumo pensar em qualquer expressão deste género como uma “metaphor” em inglês, mas sei bem que temos uma outra palavra, menos eufónica, nomeadamente “simile”. Os professores nos anos oitenta adoravam explicar a diferença, mas não sei se ainda existe nos currículos do século XXI.
E os portugueses também fazem esta distinção? Sim! E a palavra “símile” existe e tem o mesmo significado mas regra geral usa-se “comparação”. O site Ciberdúvidas tem vários artigos sobre metáforas mas nem uma única referência à palavra “símile”, dizendo “comparação” no seu lugar. Veja-se, por exemplo*****, este artigo.
Sei bem como explicar em inglês mas vou pedir um empréstimo ao Ciberdúvidas de certas palavras para preencher as lacunas no meu vocabulário!
Uma metáfora (“metaphor” em inglês) é uma aproximação entre dois termos ou dois objetos sem usar uma partícula de comparação. Assim a aproximação é implícita. Por exemplo
O nosso parlamento é uma pocilga.
Uma comparação (“simile” em inglês) é quase igual, mas, neste caso, usamos a partícula para criar distanciamento do objeto da comparação.
O nosso parlamento é como uma pocilga.
Ambas as figuras de linguagem usam-se na poesia, mas é importante em certas situações, saber a diferença.
*This is a silly joke and not meant any more than I’d I’d said “being British, I never ever use grammar” or “like most people born in the nineteenth century, he had never heard of sexual intercourse because it had yet to be invented”
**The grammar checker doesn’t like this and I suspect it might be an example of poetic language not being like normal spoken language
***I lazily write “apta” as in “an apt metaphor”. Whoops! That seems to be a false friend because that’s not really a thing, and apto has more a sense of “capable”. Valido seems better or possibly adequado (which is another of those words that has a similar meaning but a slightly different weight in Português than its equivalent – “adequate” – in English.)
****Íris is the singular and the plural when it’s used in this sense.
*****I keep putting “por exemplo” et the end of the word, regardless of what else is going on in the sentence but that’s not really how it’s done in portuguese. It’s viewed as an adverb so it gravitates toward the verb. Here’s a Ciberdúvidas article about Por exemplo.

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for the help with this text. Quite a lot of mistakes crept into the first version. I’m sort of surprised it wasn’t even worse, though, because it’s always hard describing complicated aspects of Portuguese in portuguese.
Here’s a translation of a relatively upbeat, but very traditional Lisbon Fado written by Ricardo Borges de Sousa in the early years of the twentieth century and sung here by Maria Teresa de Noronha. It is well-enough regarded to be the subject of a whole episode of “A Trilogia do Fado” on RTP, but it isn’t the only version of the song; there seem to be lots of variants each with their own set of lyrics.
| 🇵🇹 | 🇬🇧 |
|---|---|
| Quem me dera que voltasse O doce tempo de além Sentada junto à lareira A ouvir cantar minha mãe | If only you would came back The sweet, far-off time Seated together at the fireside Listening to my mother sing |
| Ó tempo, tempo ditoso Da vida eterno sorriso Que tornas em paraíso Um mundo tão enganoso Quando à minha mãe, choroso Após um beijo na face Lhe pedia que cantasse Uma trova de bonança Esse tempo de criança Quem me dera que voltasse | Oh time, happy time Eternal smile of life That turns in paradise Into such a deceptive world When my mother, tearful, After a kiss on the face was asked to sing A soothing song** That time of childhood If only it would come back |
| Tempos que não voltam mais Da nossa infância ridente Em que eu vivia contente Correndo atrás dos pardais Das paredes dos casais Que a nossa aldeia contém Branquinhas como a cecém Mudas como a gratidão E recordam com paixão O doce tempo de além | Times that will never come again Of our laughing childhood When I lived happily Chasing sparrows From the walls of couples That lived in our village White as lillies Mute with gratitude And they remember with live The sweet far-off time |
*I really struggled to make sense of the first four lines when I was following the lyrics on letras.com because it has the word “ternas” in place of “tornas”, and fair enough, it does sound like that, but I couldn’t make it make sense. Why is it feminine and plural? is he talking about herself and her friends? But how does that follow on with the line before and after? It was definitely fishy but it could make sense if she was talking about that idyllic scene turning into a deceptive world, so maybe “torna-se”, but that would have the “se” in front of the verb because it’s after que. Tornasse? But why would it be subjunctive? I had a look around but most online sources seem to have screen-scraped letras.com so they had the same word. Then I found a site that used “terras”. I hate that less, but I still don’t buy it. And then finally I came across this site that uses “tornas” and I am absolutely ready to believe that!
**I wasn’t sure about this one, but when you look up trova and bonança, it makes sense. I tried the whole line in gtranslate and it said “a thunderous bonanza” which doesn’t really fit the mood.
Annoyed to find I got about a third of these wrong. Even after two more attempts at guesses I was still two short of a full house. Maddening! How can prepositions be so completely hatstand? So I’m putting the whole exercise up here and writing up the reason for each one in a way that will probably make the whole thing illegible but hopefully should pound the message into my brain. The original text is from Visão, I think, but it doesn’t seem to be online so I can’t link to the original – it’s cited in Português em Foco.

Green is for the prepositions themselves
Pink is for the explanations
Cresce a moda dos treinadores que vão a (I put à, but they’re visiting clients “at home”, not “at the house”) casa, mas só para (straightforward “for”) quem pode pagar‑lhes e detesta ginásios!
Duas da (“de tarde” would be in the afternoon, but adding the article indicates something like “the afternoon in question”) tarde. Equipada a (I used “com” which Linguee seemed to think was the most likely option but equipada a rigor seems to be a set phrase for “in your gym kit”) rigor, Maria João recebe o treinador que, durante uma hora, lhe puxará pelo (puxar pelo físico is another expression and it just means “work out”. I had no idea and just guessed some old rubbish) físico, sem (straightforward “without”) sair de casa. Os ensaios no Teatro Infantil de Lisboa não roubam à (extremely counter-intuitive for english-speakers, but “roubar a” means “steal from”) atriz, de (straightforward “of” – because she is 40 years old) 40 anos, as duas ou três horas semanais de treino com o Paulo, responsável pela (responsável por / responsible for) sua boa forma. Maria João explica a opção doméstica: a sua profissão é muito exigente e a deslocação a (“deslocar(-se) a” means to go to relocate – or just go somewhere, really) um ginásio é tempo perdido. Além de (além de just means “aswell as”) que as aulas em (straightforward “in”) grupo raramente correspondem às (straightforward “to the”) necessidades particulares de (straightforward “of”) cada um.
Paulo, o treinador privado, diz dominar uma técnica especial. Os exercícios dele exploram a funcionalidade do corpo humano, o que quer dizer que obrigam a pessoa a (straightforward “to” – which you need after “obrigar”) trabalhar os músculos da (unexpected use of “of the same way” where in english we would say “in the same way”) mesma forma que os usa no dia a dia. Um colchão, uma bola suíça, uma bola medicinal, bandas elásticas com pegas e uma plataforma instável destinada a (straightforward “to”) treinar o equilíbrio do aluno são os apetrechos que leva consigo para as casas dos clientes. De (De is used to indicate “wearing a…”) camisola preta, com (striaghtforward “with”) Treinador Pessoal escrito a (counter-intuitive use of “a” where translating literally from english would make you want to write “em” because it’s written in white) branco nas costas, ele incentiva Maria João a (a-infinitive = “contracting”) contrair os abdominais, a (a-infinitive = “relaxing”) relaxar os braços, a (a-infinitive = “lifting”) levantar a perna esquerda e a (a-infinitive = “offering”) oferecer resistência ao movimento do elástico.
Os treinos individuais ao (straightforward “at the”) domicílio custam entre (straightforward “between”) 30 e 70 euros por (straightforward “per”) sessão e duram de (straightforward “from”) 60 a (straightforward “to”) 90 minutos.
Embora as condições em casa não tenham comparação com (straightforward “with”) os equipamentos, os estúdios ou as piscinas dos ginásios, há vantagens na (straightforward “in the”) opção doméstica, sobretudo para (straightforward “for”) figuras públicas que querem fugir de (I put “aos” and then changed it to “a” and actually I don’t think I was on the wrong track. “fugir a” and “fugir de” both mean to escape from, as opposed to “fugir para” which is escape to”) olhares alheios, em recintos sobrelotados.
Maria Duarte, de (…she was 30 years old…) 30 anos, gestora, outra cliente de Paulo, só vê benefícios no treino caseiro. Além de (além de again: aswell as) ter dois filhos pequenos, já andava desmotivada por (straightforward “from” or “by” or “as a result of”) ir ao ginásio, porque durante um ano não conseguiu obter os resultados que pretendia. Agora dá‑se por (According to the invaluable Guia Prático, “dar-se por” means “julgar-se”, “considerar-se”, “sentir-se”) satisfeita. As duas horas que perdia no (straightforward “in the”) ginásio a fazer máquinas equivalem a (straightforward “to”) 30 minutos de exercício em casa, com os equipamentos que o Paulo traz.
O professor alerta para (straightforward “for” although I went for “a” and I think it feels like a more direction-y “to” than I would intuitively expect because even when it told me I was wrong I tried “de” and “com” and this ended up being one of the two that I were still wrong at the end) os esforços exagerados que poderão ocorrer nos ginásios. É preciso dividir o nosso corpo em partes e trabalhar uma de (um(a) de cada vez just means “one at a time”) cada vez, em sessões diferentes.
Deve‑se dar descanso ao (straightforward “to the”) físico e manter uma alimentação saudável prescrita pelo (straightforward “by the”) dietista. Paulo aconselha, no (counter-intuitive use of “no” when a literal translation would push me towards “ao” for “at least”) mínimo, três meses de trabalho para (straightforward “for” in the sense of “in order to”) se obter resultados concretos. O negócio parece correr‑lhe de (de feição is an expression meaning “de forma favorável ou propícia”) feição!

Esta imagem faz parte da mesma BD de há uns dias. É mais um retrato autêntico de um evento na crónica de Lisboa que tem a ver com um festival da canção, mas neste caso, não é o Festival Eurovisão da Canção que tem lugar anualmente. Este é uma publicidade* a uma revista, ou seja, um espetáculo de variedades.
Existe um vídeo a preto e branco desta revista no site da RTP. Segundo o autor da vinheta**, o espetáculo foi renomeado depois da revolução porque deixou de ser necessário calar na época da liberdade de expressão.
PS – Um dos atores, Henrique Santana, é filho da estrela do filme “A Canção de Lisboa“, Vasco Santana
*Publicidade for an event, anúncio for a product
** a vinheta is a single square in a BD. I’d heard “quadrinho” for the same thing
Thanks to Cristina of Say it in Portuguese for pointing out the various errors and temporal paradoxes
O Pequeno Livro dos Medos é um livro infantil que está disponível como Audiolivro na livraria Wook. O autor fala, sob a perspetiva de uma criança, sobre o significado da palavra e como nós sentimos esta emoção tão constrangedora. O terceiro capítulo é um conto, lido ao narrador pelo avô dele que foi originalmente escrito para o seu filho (ou seja para o pai do narrador quando era jovem… eh pá, esta frase precisa de uma árvore geneológica para ilustrar estes relacionamentos, não é?).
Sendo um livro infantil, a linguagem é muito fácil em termos da gramática, mas o seu estilo* não é tão simples que se torne aborrecido para leitores mais crescidos. Recomendo para quem nunca tenha lido** um Audiolivro em português, mas queria experimentar.
*I wrote “estilo de escrever” but it sounds redundant since estilo is more specific than “style” (definition 6 here)
**Nesta casa, não aceitamos que ouvir um audiolivro “não conte” como leitura!
Thanks to Cristina of Say it in Portuguese for unfudging this box of chocolates
Uma daquelas coisas que uma madeirense envia ao seu marido estrangeiro para o confundir…
