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A Mathematical Interlude

I saw a maths puzzle today that seemed like it doubled as a good language lesson

Se tenho 5 gatos vendo 4 gatos e ganho mais 5 gatos, com quantos gatos fico?

(a) 5 (b) 6 (c) 14 (d) 10

My answer was (b) but I was wrong, the answer is (d), he ends up with 10.

He’s playing a little trick because you read it as him staring with 5, selling 4 and getting another 5. And if it had a comma after the first “5 gatos” that would be right, but it doesn’t. So reading it as it is, that “vendo” is not the first person singular present tense of vender it’s the gerundio of Ver. He has five cats but he can only see four of them when he gets the other five and now he has ten.

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Olisipografia

Olisipografia é mencionada nas Crónicas de Lisboa das quais escrevi há umas semanas. Apesar de não gostar assim tanto, o livro contém muitos bons bocados suculentos para o caçador de novas histórias e palavras.

Olisipografia é uma espécie de arte definida não pelo modo de criação, mas sim pelo assunto dela: a cidade de Lisboa! Mas por quê “Olisipografia” em vez de “Lisboagrafia”? A palavra tem raiz no nome romano da cidade, “Olissipo“. Etimologia é muitas vezes um jogo de palpites, mas tanto quanto consegui constatar, deriva de “Allis Ubo” ou seja “Porto Seguro”. Daí, Olis(s)ipo-grafia é a arte que tem como inspiração a capital de Portugal. Embora artistas tivessem feito obras de arte inspiradas por Lisboa durante séculos, aceita-se que o inventor da olisipografia foi Júlio de Castilho, cujo “Lisboa Antiga: Bairro Alto” retratou aquela zona histórica. Desde então, uma olisipografia é um estudo ou um conjunto de estudos sobre Lisboa, de qualquer forma: literatura, arte plástica, música.

O nome Olissipo/Olisipo ainda vive nos logotipos das empresas de Lisboa moderna: nos primeiros resultados do Google, encontram-se um hotel, uma agência de profissionais da informática, um projeto da biologia computacional, uma sauna de luxo*, uma marca do vinho, um exportador de café e até um cabo submarino.

*quase caí na armadilha de usar um falso amigo: Luxury (inglês “luxo”) = luxúria. Uma vez que a sauna faz parte da cena gay na cidade, isso teria parecido vergonhosamente mal-educado** da minha parte – ainda bem que percebi o meu erro antes de publicar!

**Footnotes within footontes! OK, so obviously luxúria means lust, so it’s definitely a false friend to avoid, but it was weirdly difficult to pin down a adjective to describe how it would come across if I called it a Sauna of Lust (great name for a band, by the way). I originally wanted to say it would come across as “santimonial” (Sanctimonious) but that seems to be very unusual in portuguese . So I went in another direction and said “bruto”, which I thought meant rude, but that appares to be more like coarseness than rudeness, so I changed it again. Hopefully this covers it.

I could play it safe and say “Ofensivo” of course but the problem isn’t in the fact that it causes offense, but in it being just rude on its own merits if you see what I mean. Something is wrong because it’s wrong, not because other people think it’s wrong. There are always people who think things are wrong, but what matters is are they actually right? And in this case I think they would be. Julgador (“Judgemental”) would be an option, but I get the feeling that it isn’t really used in the same sense, and anyway, I don’t think judgements are bad per se. Bad judgements are bad. God, this is long-winded isn’t it? Sorry. Why am I having an existential crisis over an adjective?

Thanks as ever to Cristina of Say It In Portuguese for the corrections but of course she is not responsible for the adjectival meltdown.

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Por Que Carga de Água?

Gostei desta expressão no Almanaque da Língua Portuguesa: “Por que carga de água?’

O significado é bastante óbvio do contexto: o autor está a falar sobre a arbitrariedade de uma árvore ser feminina e um arbusto masculino, mas caso haja qualquer dúvida, aqui está a definição dada pelo Priberam

[Informal] Usa-se para questionar qual a singular ou estranha casualidade, razão de algo.

“Por que carga de água”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/Por%20que%20carga%20de%20%C3%A1gua.

A origem é desconhecida mas não me importa. Adoro!

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Desilusão

Fiquei tão entusiasmado quando vi a palavra do dia no site do Priberam. Mas imaginem a minha desilusão quando li a definição… eh pá… não se trata de uma tromba de uma elefantasma?

Não há beleza nenhuma neste mundo enfadonho?

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Learning From My Mistakes

So I wrote this silly post a few days ago and Marco Neves himself popped by to comment on it, which was nice. And then a couple of days later I realised I’d made a ridiculous typo in it and written “patroa” in place of “pátria”

*facepalm*

But it’s OK, because an eagle-eyed reader who spotted the mistake told me it still worked because patroa, the feminine form of “patrão” can also mean “wife“, just as in english you might hear blokey blokes refer to “the boss” or “she who must be obeyed” or whatever. And I’m married to someone who speaks a língua portuguesa, albeit with an accent the mainlanders sometimes affect not to understand, so I’ll just point to the publication date, 1 Abril, and pass it off as a joke. Yes, I am clever and funny and I never, ever make typos.

And I learned a new thing!

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Pais de April

Pais de Abril

Este livro surpreendeu-me, porque, pelo título, tinha assumido que fosse uma homenagem à revolução que decorreu em Abril de 1974, mas não é! O poema que deu o seu nome à antologia foi escrito em 1965! Mas o poeta teve um papel ativo na luta contra a ditadura, portanto aquele espírito revolucionário permeia a sua obra, quer durante aqueles anos escuros, quer nos poemas escritos após o estabelecimento da democracia. Portanto, eu não estava assim tão longe da verdade!

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for the help here.

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Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento (Marina Colasanti)

Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento

Este livro é uma coleção de contos que têm a atmosfera de contos de fadas: as personagens são reis, princesas e feiticeiras, entre outras. Mas apesar destas histórias curtas terem o mesmo tom dos contos infantis, há algo mais escuro nos temas das narrativas. E a estrutura da linguagem e a escolha das palavras dão um ar muito mais “adulto” à coleção.

A autora é uma brasileira muito premiada, mas o meu exemplar foi publicado pela editora Tinta de China para leitores portugueses. Como sempre, o livro, como objeto físico, é muito bonito, com capa dura cantos redondos e folhas grossas. Até cheira bem.

Thanks to Cristina for the corrections

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Lágrimas Da Terra?

Antes do nascimento da nossa filha, eu e a minha mulher fomos de férias para o Algarve com os meus pais e passámos um dia na praia numa cidade chamada Olhos de Água. Naquela altura nem sequer tinha tido uma única aula de português mas ainda assim, era óbvio o que queria dizer aquele nome.

Mas assumi que “eyes of water” significasse “lágrimas” ou algo do género, e talvez houvesse uma história de uma grande tragédia no passado desta pequena povoação, mas não tínhamos smartphones em dois mil e fosse-quando-fosse, portanto não havia método de verificar a minha teoria. Não pensei mais nisto, até anteontem, quando li a seguinte frase num livro: “E em cada quieto olho-d’água se defronta com uma nova imagem, sem que nenhuma seja aquela que mais deseja.” Desloquei-me para a estante onde vive o meu dicionário.

Olho-d'água

Um olho-d’água é uma fonte, ou seja uma nascente de água. Então, o nome da localidade tem origem na presença da várias fontes de água doce perto da praia. Está bem, isso faz todo o sentido.

Aliás, vi a página da Wikipédia e… Uau, há tantos hotéis em volta da cidade nos dias de hoje. Não me lembro de haver tantos edifícios grandes quando lá estivemos lá, 20 anos atrás.

Thanks to Cristina for the error-checking

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Nossa!

Porque é que estou a queixar-me agora?

É que… Peguei neste livro porque apeteceu-me ler algo fácil, mas embora seja um conjunto de contos infantis, com 94 páginas e muitas ilustrações, está cheio de palavras desconhecidas e gramática emaranhada.

Ora bem, segundo todos os livros que já estudei, a frase “Levasse a irmã” não deve* existir, mas olha, lá está na página. Que raios? Pensei muito e acho que percebo. A autora está a “reciclar” a gramática da frase anterior: “pediu-lhe que atendesse (…) o último (…) pedido” e depois, esclarecendo a ação implicada, podia ter dito “ou seja, pediu-lhe que levasse a irmã” mas ela não queria repetir as primeiras palavras, portanto limitou-se a acrescentar as palavras reveladoras.

Dito isso, acho que seria melhor se a frase fosse separado da frase anterior com uma vírgula em vez de um ponto final, mas não sou o rei da gramática e talvez esteja completamente errado!

*I originally wrote “deve não existir”, trying to imitate a sort of modern, affected way of emphasising the strength of feeling in english by shifting the “not” to another part of the sentence: “It needs to not exist” instead of “it doesn’t need to exist”. This seems not to be a thing in portuguese. Oh well, it was worth a try.