Estou cada vez mais impressionado com esta série de livrinhos. Uma Aventura nas Férias de Páscoa conta a história dos nossos heróis a resgatar a Custódia de Belém, que foi roubada durante um nevão que aconteceu, inesperadamente, perto da Páscoa.
As autoras têm um feitio didático, portanto usam o romance para educar os leitores sobre as histórias da Custódia de Belém e o seu criador, os moinhos de maré no concelho de Seixal (na margem sul do rio Tejo) e não sei mais o quê.
Logo que terminei, abri a página do Kobo para comprar Uma Aventura na Ilha de Madeira.
Fui à Igreja de São Paulo (também conhecido por “a Igreja dos Atores“) para assistir a um concerto organizado pela Anglo-Portuguese Society.
O Coral Divo Canto
O concerto faz parte das celebrações do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas e segundo a publicidade, o título foi “Camões’ Poetry: A Harmony of Traditional Portuguese Language and Music” mas quando começaram a primeira canção, fiquei com uma pulga atrás da orelha. “Já conheço esta música, certo?”
E sim, foi a canção dos irmãos Sobral que ganhou a Eurovisão há 5 ou 6 anos. Na verdade houve apenas um poema do poeta zarolho. Também cantaram três fados, várias canções tradicionais e um quarteto de canções de Zeca Afonso (por causa do aniversário da Revolução, claro!)
The programme. I’m pretty sure the word “emalar” should have a b in it.
Há uma missa solene amanhã (Domingo) também mas não irei porque não sou católica.
Ando a ler 872 livros em simultâneo mas comecei ontem “O Que Dizer Das Flores” de Maria Isaac que tem uma capa bonita. Existe um vídeo no YouTube no qual a autora lê o seu primeiro capítulo. Confesso que não entendi tudo apesar de ouvir três vezes, mas não fiquei desencorajado. Li o capítulo com os meus olhos, segundo a vontade de Deus. Gostei imenso, e li-o mais uma vez, sublinhando as palavras desconhecidas e as palavras que conheço mas que não fazem parte do meu vocabulário falado.
Tenho muita vontade de ler este livro. Além de ser interessante (até agora!) é desafiante. Acho que me vai desafiar, mas não é tão difícil que me vá chatear a cabeça.
Eis um resumo do capítulo que usa o maior número possível de palavras que me chamaram a atenção.
O capítulo apresenta um padre chamado Elias Froes, que vive em Monte-o-Ver, um vilarejo pequeno e parado, povoado por “ilustres atrapalhadas” e enjeitados incluindo os membros do seu rebanho. Apesar de estarem ocupados com cochichos e pequenos dramas, mantém-se otimistas. Por exemplo, um tal cantoneiro tenta fazer o melhor com o que lhe sobra nesta esquina esquecida do país. Esmera-se no seu trabalho e acaricia as árvores. Como pano de fundo, a autora descreve uma paisagem montanhosa, com campos de arroz alagados e canaviais.
O padre, um homem bondoso, desloca-se para a igreja. Enquanto anda pelo caminho uma aura de pó embranquece a bainha da batina.
Cruza-se com uma criança empoleirada num murro. Debaixo da aba do seu chapéu de palha, cumprimenta-a como Catalina. Ela está resguardada pela folhagem do castanheiro e olha para o padre de soslaio. Tem o pato de estimação ao pé dela.
O padre pisa nos paralelos* da praça do município na hora de fechar**. Os lojistas saúdam-no enquanto rodam a sinalética nos vidros. Devolve-lhes os cumprimentos. A única exceção é o dono do Café Central, Jorge Mondego, um homem pouco simpático, nascido entre as barracas dos baldios longe do canavial, que levanta a mão num gesto ambíguo, ao qual o padre responde à cautela para não o incomodar.
Mas o padre tem um segredo. Irá morrer. Claro que todos nós esticamos o pernil no final de contas mas o padre tem os pés para a cova: leva no bolso um parecer médico que oficializa o destino.
“O rodar de sinalética” confused me but I’m pretty sure it means this. The rotation of signage. Everyone is busy shutting up shop and turning their signs round.
*The word paralelepípedo means cuboid, like the shape of a brick, and an individual brick is called a paralelos, so this just means he’s set foot on the pavement which is made of these rectangular bricks.
**I originally put “hora de fechamento” and that seems fine in Brazil but not in Portugal.
“O Que Dizer Das Flores” is a standalone, but I’m told a earlier book, “Onde Cantam os Grilos” has some of the same characters, and so does a later work, Quantos Ventos na Terra, so if you are the sort of person who likes everything to be part of a trilogy, be aware that this is the middle book, and you don’t want to start here!
Foram mencionados no meu livro o mocho e a coruja. Em inglês nós chamamos estas aves de rapina noturna owl e owl. Mas espera lá, existe mais uma palavra: bufo, que significa Owl.
Então são sinónimos? Nem por isso, mas a diferença não é assim tão claro. Uma coruja tem olhos pretos, um mocho, amarelos e um bufo, laranja.
Se quiser saber mais, aqui está uma página sobre as sete species nativas a Portugal.
So I think I mentioned I’ve been doing map and flag quizzes in portuguese to try and boost both my knowledge of geography and to familiarise myself with the names of countries in portuguese. One of them is Worldle, which has one daily map for users to guess, and then asks follow-up questions about language, flag, capital etc. Today’s happened to be a country that looked familiar.
I have questions though.
First of all, have the Açores and Madeira drifted a lot since I last checked? What are they doing just off the coast there? Could you swim from Coimbra to Funchal?
But the language round was even weirder. The first language is easy enough, obviously, but the second?
As you can see from the screenshot, I tried Galego and Mirandês as the two other native languages. Actually I think I might have wrong to choose Galego because I think it’s spoken on the Spanish side of the border, but Mirandês has a proper linguistic community in the North-East of Portugal and I think has a claim to be the second language of Portugal. The other two languages given on Wikipedia are Barranquenho and Minderico, neither of which I’d even heard of.
As for non-native languages, I’d probably have guessed English, French or Spanish. There’s been an upsurge in refugees recently (eg from Ukraine – roughly 60000) and economic migrants (probably mainly from other lusophone countries like Brasil and Angola) but I’m pretty sure if you added together the British immig… er sorry “expats” (50000), Americans (10000) and people from various other anglophone countries, plus the fact that the portuguese education system seems to be doing an amazing job of teaching English as a second language, English must be pretty high on the list. Then there are quite a few Italian, French and Spanish migrants, and a few years ago there was a massive uptick of venezuelans, descendents of Portuguese migrants, returning home to escape the benefits of that socialist utopia, so I ended up guessing Spanish as my third and final option.
The answer they give is Estonês. I was estonêsed… er… I mean astonished, but I didn’t want to write it off so I did a bit of research to see if there really was a huge Estonian diaspora in Portugal.
Nope. Estonians are 86th on the list of immigrants by country according to the chart on this page. So what’s going on?
My first guess was that the person who made the pages picked from a list of languages and espanhol and estonês were just next to each other alphabetically, so maybe he just clicked on the wrong one. However, my brother does the same quiz in English and he was surprised to see Estonian pop up as the second language of Portugal too. Estonian and Spanish definitely aren’t next to each other in an alphabetical list of English language place names, so my theory looked shaky.
Digging further, languageknowledge.eu reckons 1.89 percent of the population of Portugal speak Estonian, which is the same percentage as the quiz gives. Does 1.89% sound plausible? The population of Portugal is about ten million and Estonia less than one and a half million, so for this to be true you’d need about fifteen percent of the population of Estonia to emigrate to Portugal and there would be about 3 or 4 times as many of them as there are brits. Hmmm… 🤔
Global Estonian, which bills itself as a global forum for Estonians around the world, gives the figure as 77 Estonians lifting in Portugal. That seems awfully precise, but I’d bet the true number is a hell of a lot closer to 77 than 190,000.
So how did they arrive at such a huge number? Maybe at some point it was 190, and some data entry clerk entered that in a database, not noticing that it said “population in thousands”, and that single insignificant error got picked up by other sites and eventually incorporated into the model answers for the quiz.
I think the lesson here is that sloppy data seeps out and pollutes everything downstream of where it’s keyed in. This isn’t quite as catastrophic in its effects as it could have been, but it’s an interesting little lesson in data pollution. Imagine a similar error creeping into some database used for planning or making policy. You could end up with serious miscalculation rather than just an annoyed quiz contestant.
This is a corrected version of the text from some Instagram posts from Friday
“Matei aulas*” para assistir aos primeiros dois discursos da Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa que teve lugar na sede do Facebook em Londres. Foi um evento muito descontraído, e gostei muito de ouvir as suas experiências como escritores lusófonos, muitos dos quais vivem aqui no Reino Unido. Falei com muitos convidados: escritores de… hum… quatro países, e um inglês casado com uma brasileira que também fala português.
Apenas uma pessoa falou comigo em inglês mas houve várias que se ofereceram, antes de eu ter explicado que sou dinamarquês e não falo uma única palavra daquele idioma.
Sendo pai de uma escritora novata, estava disposto a comprar livros de outros escritores independentes e auto-publicados. E sendo estudante de português, também me senti disposto a comprar qualquer coisa de alguém que elogiasse o meu domínio da língua 😉 Consequentemente, gastei muito dinheiro em livros novos. A minha pobre TBR.
Saí do prédio antes de publicar esta série de fotos porque receei ser preso pela polícia Zuckerberguista por ter divulgado a palavra-passe da sua rede Wi-Fi
Balanço do dia
Estou muito curioso sobre “E O Céu Mudou de Cor” de Israel Campos (🇦🇴) porque o resumo na contracapa soa interessante, e depois de comprar, assisti a um painel em que o autor participava com mais 3 escritores e escritoras e pareceu-me muito simpático.
Penina L Baltrusch (🇧🇷) é uma autora de políciais. Comprei o “Herança de Sangue” (o seu primeiro, se não me engano). Tem o Big Ben na capa porque tem Londres como cenário. ‘tá bem, estou aqui com as pipocas.
Lorena Portela (🇧🇷) estava a vender o seu romance de estreia, “Primeiro eu Tive que Morrer”, que é «um inventário da autodescoberta de uma mulher». Acho que não faço parte do mercado-alvo deste livro, mas não me importa, apetecia-me e não preciso de mais razões!
“Phobos” de Cláudia Matosa (🇵🇹) é o único livro em inglês e… Eh pá, acabo de dar uma espreitadela à primeira página: é contado na segunda pessoa! Um modo muito incomum (a não ser que o autor seja o Mohsin Hamid) Não estava à procura de livros ingleses mas gostei da capa 🤷🏼
E o último livro é o “Livre de ser Preso” de Alcino G. Francisco (🇵🇹). Segundo a sua biografia na contracapa, este autor está muito ativo no intercâmbio cultural entre os nossos países, e este livro foi lançado no 50° aniversário do 25 de Abril e conta a história do tráfico de livros proibidos durante a época de Salazar.
Além destes cinco livros, também falei com a autora Isabel Mateus (🇵🇹), cujo leque de publicações inclui um relato de uma viagem seguindo os passos de Miguel Torga, entre vários outros. Não tinha livros para vender mas após a feira encomendei um livro sobre um Lince Ibérico e uma antologia de contos rurais. Achei que ambos seriam interessantes e também fariam parte dos meus estudos porque a conservação de animais selvagens, e as tradições do país fornecem conteúdos dos exames da língua portuguesa.
*Leaving this in even though it’s brazilian. I just like it. Weirdly, the person who taught it to me was very hostile not only to brazilian portuguese but to all brazilians, so you could have knocked me down with a feather when I heard she’d taught me a brazilian expression. Oh well, people are weird sometimes.
Mais uma vez, virei a última página de um livro e pensei “Quem me dera ter desenhado uma árvore genealógica daquelas personagens” porque confesso que perdi o fio à meada muitas vezes e por isso não gostei da leitura tanto quanto os portugueses que lhe deram 4 ou cinco estrelas no Goodreads.
Alice Vieira escreve muito bem, e geralmente os livros dela são muito acessíveis. Talvez fosse por causa disso que não comecei com a devida cautela! Geralmente com tantos protagonistas eu pego num lápis e faço um diagrama das ligações entre eles*.
“Se Perguntarem Por Mim Digam Que Voei” conta a história de várias mulheres que moram numa aldeia provinciana, que têm os seus próprios sonhos mas que vivem num ambiente opressivo. Existem alguns homens, mas assumem um papel menor. Também há um cheiro a bruxaria mas fiquei tão confuso que nem sequer tenho certeza de se magia existe no mundo do livro ou se era apenas uma expressão da imaginação delas. Eu sei, sou idiota.
Enfim, não faz mal. Talvez volte a lê-lo um dia.
*I originally made this feminine: tantas … elas, because the true protagonists of this are all wammens, but I suppose since it’s talking about books in general, and most books will have da mens in it, I ought to make it masculine again
… Some of the words it comes up with are a bit iffy. This, for example, took several minutes of just trying random combinations of letters in the two spaces I had left. It just means “hurrah”, apparently, but would you call “hurrah” a word? Hm.. 🧐
Yes I always start with Farto because I’m childish