A professora que assume, dia após dia, a tarefa pouco invejável de revisar estes textos (cada um carrega a sua cruz) está de regresso após uns dias de paz e descanso bem merecidos, portanto o nível ainda-mais-baixo-do-que-normal pode voltar a ser apenas tão baixo quanto sempre. Ou seja, os erros gramaticais afastar-se-ão mas os trocadilhos não. Há quem deseje que a situação fosse ao avesso, mas aqui estamos.
O Artista Banksy (em Português “Bancosy”) publicou hoje no seu Instagram uma imagem sua de uma cabra numa parede, como se fosse numa vertente de uma montanha. A parede em questão fica muito perto da minha casa. Para ser sincero, eu preferia uma escultura do Bordalo ii ou um mural do Vhils, mas até que aqueles artistas passarem umas férias em Kew, esta tem de servir para nos divertir.
Faço certos erros tantas vezes que acho que preciso de escrever exemplos cem vezes no quadro negro para enraizar o hábito bom. “Chegar ao país” por exemplo. Em inglês dizemos “Chegar no país”. Mas… em inglês, estás a ver…
Translation Time! I was drawn to this song because it has two words I don’t recognise in the title. They proved to be incredibly hard to translate. If you go directly from what Priberam says, the title means “It makes sparks and a barren wasteland” which obviously makes no sense. I asked around and the answers I got were
Faísca is a light effect and Chavascal a sound effect
Both are synonms for chaos and
A pointer to this page, with the suggestion that definition 5 was the relevant one.
OK, so it’s noisy, chaotic. So… an explosion? Some sort of massive freak-out or general mayhem?
Next question: What the heck tense is it in? Portugal is very sparing with its national pronoun reserves, and it’s not totally clear whether “faz” is third person present (talking about the experience she’s having?) or second person imperative (telling you, the listener what to do). In other words is she saying “It makes sparks…” or “Make sparks!” I think the second, just because some of the lines don’t make sense otherwise. It brings confetti to the garden? How?
So assuming whatever faísca and chavascal mean they’re something that a human is capable of doing, I’ve gone with “Be flashy and make a scene”. I’m sure this is debatable but this seems like it follows a trend line through the available evidence and I hope I’m not too far wrong.
The actual music is a bit odd. The arrangement has a whiplash change of mood, going from sultry club jazz to cringey pop when it hits the chorus, and some of the camera work is quite shonky too, but never mind, here we go!
Portuguese
English
aaaaaahhh acordo a tempo de chegar ensaio o espaço e volto atrás sem ver os tons a mudar ooooohh, aaaaahhh esperei sete ondas para saltar clarões em branco e lilás quem são os teus orixás? pergunto
aaaaahhh I wake up when it’s time to arrive I study the space and turn back Without seeing the tones change Ooooohh, aaaaahhh I wait seven waves before jumping Flashes of white and lilac Who are your idols*? I ask
faz faísca e chavascal got addicted, não tem mal não és tu (não és tu…) traz confettis pro quintal com pitanga é carnaval tudo cru, ooooohhh faz faísca e chavascal faz faísca e chavascal got addicted, não tem mal ooooohhhh
Be flashy and make a scene Got addicted, don’t take it badly It’s not you (it’s not you) Bring confetti to the garden With pitanga** it’s carnival All raw, ooooohhh Be flashy and make a scene Be flashy and make a scene Got addicted, don’t take it badly ooooohhh
água na boca vinho a compensar nada no ombro e nada pra falar dá sempre pra duvidar ou então largar as rosas no mar
Water in the mouth Wine to compensate Nothing on the shoulder And nothing to sat It always makes me doubt Or even leave roses in the sea
faz faísca e chavascal faz faísca e chavascal traz a fruta tropical faz o próprio carnaval
Be flashy and make a scene Be flashy and make a scene Bring the tropical fruit make your own carnival
faz faísca e chavascal got addicted, não tem mal não és tu (não és tu…) traz confettis pro quintal com pitanga é carnaval tudo cru, ooooohhh
Be flashy and make a scene Got addicted, it’s not bad It’s not you (it’s not you) Bring confetti to the garden With pitanga** it’s carnival All raw, ooooohhh
faz faísca e chavascal faz faísca e chavascal got addicted, não tem mal ooooohhhh
Be flashy and make a scene Be flashy and make a scene Got addicted, don’t take it badly ooooohhh
*Specifically, an orixá is a representation of a minor divinity in the Yoruba religion
**Pitanga isn’t really a fruit we have in the UK, and the wiki page gives a few names, but since one of them is just “pitanga”, I’ve left this alone.
Sou membro de um grupo online chamado “O que é esta planta?”. O propósito do site é bastante óbvio: identificar plantas, folhas e flores encontrados no dia-a-dia. Na semana passada, alguém compartilhou esta foto, perguntando qual é a flor na imagem, sem saber que a resposta está escrita na garrafa. “Esteva” é o nome da flor. Em latim, diz-se Cistus Ladinifer, e em inglês é “rockrose”, e é muito bonita, não é?
Mas, sendo um estudante da cultura portuguesa, eu fiquei curioso sobre a marca: Casa Ferreirinha.
Segundo a Wikipédia, “Ferreirinha” refere-se à empresária D Antónia Adelaide Ferreira, uma cultivadora de vinho do Porto que viveu no século XIX. Casou-se com um primo (estes ricos são uns esquisitos, não é?) mas ficou viúva com 33 anos, e ainda bem porque o primo-marido (primarido?) era extravagante e esbanjou grande parte do seu dinheiro.
Na viuvez, a empresária foi alargando as suas terras. Comprou quintas nos lugares mais soalheiros, meteu-se na política, preocupou-se com as famílias nas suas terras e adegas, e como resultado era vista com carrinho. Casou-se pela segunda vez com o administrador da empresa. Fiquei interessado por ver que se deslocou para Inglaterra à procura dos meios mais modernos para combater a filoxera. Nós não temos uma história de cultivo de vinhas, mas temos um jardim botânico logo ao pé de mim, portanto perguntei-me se ela passou algum tempo aqui em Kew.
Todavia, a empresa, atualmente conhecida por Casa Ferreirinha não é a sua. A história é contraditória: Segundo o site Sogrape, a marca tem “mais de 250 anos de história”, ou seja, é mais antiga do que ela, mas segundo a Wikipédia, o seu segundo dono nasceu em 1913. Eu não sei, mas ao que parece o nome é apenas uma homenagem a ela.
Mencionei ontem a palavra “Fulano”. Tenho a ouvido várias vezes e adivinhei que queria dizer alguma coisa como “idiota” (provavelmente um falso amigo: soa como “fool”) mas confesso que não prestei muito atenção à palavra principalmente porque apenas a ouvi na fala de brasileiros portanto achava que era um brasileirismo.
Oh leitor, enganei-me duas vezes. Esta palavra é oriundo da Arábia. Fulân significa “alguém” em árabe, portanto Fulano refere-se a uma pessoa indeterminada, ou que não se quer nomear, ou o que nós chamamos “John Doe” em inglês. Existe nas línguas castelhana e Galega.
Se houver mais de uma pessoa, pode-se usar a expressão “Fulano, Sicrano e Beltrano” que é igual à nossa “Tom, Dick and Harry
A minha esposa perguntou-me “Ouviste falar da expressão ‘Pombo Enxadrista’?” Não conhecia, mas a pergunta deu uma boa oportunidade para aprender.
Antes de mais, porque é que a expressão na pergunta da minha esposa não é igual à no título deste blogue? Ela estava a ouvir um Podcast inglês que mencionou esta expressão portuguesa como sinónimo de “Troll”: alguém que não se comporta bem online. Mas não é uma expressão portuguesa de Portugal, mas sim do Brasil. A equivalente em português europeu seria “Pombo Xadrezista”. Xadrezista (PT-PT) e Enxadrista (PT-BR) significam “alguém que joga Xadrez”.
Listening Exercise: this seems like a good example audio to use as practice for the compreensão oral section of DUPLE because the sound quality is terrible, just like a real exam. There’s background muttering, the first half minute or so are presented by a guy whose mic is disastrously bad, the speakers are nervous and the lad on the left has an accent (is he even portuguese? I’m picking up a bit of a spanish sound there, and he’s also saying his Ts in what seems like a very brazilian way, but I’m not really familiar with regional accents so who knows?) I actually cheated and slowed the recording down in a few places and still had a few guesses and gaps. Anyway, no shade on the students. It’s a well-constructed presentation, they are doing a great job, and it’s not their fault I am struggling to understand them! I especially like when they bounce off each other, with each picking up the last word the previous speaker has said and using it to start their own sentence. It’s a shame that (as far as I can see) the mini-empresa isn’t around any more, but twelve years is an eternity in internet time, and I’m sure whatever these kids ended up doing as adults was a great success.
(This has been corrected since being publiched – I have signaled the non-trivial changes pretty clearly for transparency. Thanks Cristina for the pointers)
Anfitrião A equipa Tedx Cascais ajudou uma equipa de alunos do secundário a desenvolver apresentar a sua ideia de negócio. É um projecto que vai ser apresentado pelos três alunos. Não estava no programa. Enfim, colocámos, e o projecto chama-se Historyou. É um projecto, portanto, definido no âmbito da Junior Achievement com o aopoio que foi do governo de Portugal e com apoio da professora Cristina da escola secundária de Mem Martins. Eles são um bocadinho nervosos, mas eles vão apresentar isto quer eles queiram* quer não. Portanto é deles o projecto** da equipa Historyou
(aplauso)
Rapariga 1 (corte)…idas entre os dezoito e os dezanove anos e participámos no projecto de Junior Achievement. Esse projecto consiste na criação de uma mini-empresa, e a nossa mini-empresa é a Historyou. E a historyou tem o seguinte lema: “As minhas histórias nas tuas mãos”- Somos um grupo de jovens empreendedores com um projecto inovador
Rapariga 2 E o nosso projecto consiste na criação de uma mini-empresa que tem como objectivo lançamentos de autores anónimos e os seus histórias nas novas plataformas digitais a um preço reduzido
Rapaz Acreditamos assim. Que lançarmos livros nas novas plataformas digitais*** não é a mesma coisa que os livros clássicos e assim uma outra narrativa para lançarmos os novos autores
Rapariga 2 E o que é a Historyou? A Historyou é um ideal, é uma partilha de histórias e de experiências. É uma ambição
Rapariga 1 Uma ambição pois queremos promover estes autores anónimos e promover as nossas plataformas digitais. É uma tendência
Rapaz É uma tendência, que cada vez mais utilizam as nossas plataformas digitais. É uma equipa.
Rapariga 1 É uma equipa de jovens empreendedores que acreditam na inovação. É uma oportunidade
Rapariga 2 Temos a oportunidade participar no projecto Junior Achievement, criar uma mini-empresa e diminuir a nossa pegada ecológica. É um objectivo.
Rapaz É um objectivo que queremos ser a referência para novos autores lançarem os seus livros. E como vamos fazer isso?****
Rapariga 2 Para além deste objectivo, temos o objectivo de concretizar sonhos
Rapariga 1 A promoção das novas plataformas digitais
Rapaz Vamos promover a leitura
Rapariga 2 Alcançar diversos públicos
Rapaz Vamos afirmar a cultura, e partilhar conhecimento e experiências.
Rapariga 1 Como? Lançando desafios aos novos autores e promovendo as novas plataformas digitais.
Rapaz E assim, vamos apoiar novos autores lançar os seus livros: a revisão final, design, usabilidade, marketing
(From here on, the powerpoint slides and the script are out of synch, which gets a bit confusing!)
Rapariga 1 Vantagens para o leitor
Rapaz A possibilidade desses autores lançarem as suas obras através da Historyou e assim, esses se os autores vão ter a possibilidade de ter seus direitos de autores. Para a Editora
Rapariga 2 Para a editora, nós não temos problemas de falarmos com a produção, com os custos de produção nem com os estoques e como já tinha referido, a nossa pegada ecológica é reduzida. Para o Leitor
Rapariga 1 Para o leitor, poderá assim: usufruir estas novas plataformas a qualquer hora e em qualquer lugar
Rapariga 2 A nossa empresa tem um plano a curto prazo, a médio prazo e a longo prazo. A curto prazo
Rapaz A curto prazo é lançar as nossas obras na ibookstore e outras. E em médio prazo
Rapariga 2 Médio prazo é criar aplicações específicas. E a longo prazo
Rapariga 1 Queremos desenvolver a nossa própria plataforma
Rapaz A primeira fase é lançar as nossas obras no ibookstore daí (…) daí Twitter. Para já daqui a alguns dias vai ‘tar disponível duas obras nossas na ibookstore. A nossa segunda fase.
Rapariga 2 A nossa segunda fase é ter disponível um ícon, seja no Mac, seja no iPad, mas neste momento, nós temos um pequeno problema, é que nenhum de nós tem nem Mac nem iPad e queremos….
(aplausos, risadas)
…e precisamos de pessoas que sejam assim um bocadinho boazinhas e que nos possam oferecer tanto um como outro que nos possibilitam a continuidade do projecto. E a nossa terceira fase
Rapariga 1 É nós podemos desenvolver tanto a nível de software como à nivel de hardware
Rapariga 2 Para já para já também já temos disponível o nosso site oficial. Podem-se encontrar em www.historyou.org (it no longer exists, I’m afraid and I’m sorry to do that to you). Também temos uma página official no Facebook (same). Podem passar por lá, deixar um like, muitos likes e partilhar com os vossos amigos, familiares, também já o site já tem lá as nossas informações, podem nos contactar através de lá e… e mais nada, basta a minha parte
Rapariga 1 Queria agradecer à nossa professora, Cristina Garcia, e à nossa voluntária e a sua equipa por nos ter apoiada até aqui, porque sem eles, este projecto não poderia ter continuidade
Rapaz E obrigado. Encontramo-nos à Bertrand(?) e à ibookstore
*???
** This doesn’t make sense either. It’s the closest I can get to decyphering the syllables emanating from his face hole, but I wish he would speak more clearly. Gah! Infuriating.
***Here and elsewhere, to my ear it sounds like they say “na nova plataforma digitais” but that isn’t grammatical and since the last word is clearest I assume the vanishing s in the other words is just me not tuning onto their way of speaking
****I’m not sure but I think maybe this is out of order and he should have said it after the next speaker.
Neste romance angolano, vemos o mundo do ponto de vista de um jovem que mora num país opressivo, que é ficcional mas é uma versão (se não me engano) da Angola atual. Embora o narrador seja o protagonista, o personagem mais interessante (para mim) é o seu primo, Mateus. Idealista e lutador, este jovem enfrenta a corrupção quotidiana e recusa aceitar os comportamentos e as cunhas que estão a enfraquecer o seu país. Na perseguição deste objetivo, o Mateus, o narrador e um amigo deles, encontram o Sr. Zé que quer levar a cabo uma mudança social. O narrador é mais novo do que o Mateus e não entende perfeitamente o que está a acontecer ao seu redor.
Com humor e emoção, o autor lança uma crítica contra vários aspectos do sistema social. Claro que não conheço o seu país suficientemente para julgar quão exato seja esta crítica, e é muito provável que tenha perdido algumas coisas, mas foi interessante vislumbrar o mundo pelos olhos do seu protagonista.