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A Brief, and Not Very Coherent Rant About Language and Racism

Sorry, it’s in English today.

A man waving a Portuguese flag and awkwardly balancing a Brazilian one. For some reason est understood by AI, his head is in backwards.
I hope the boffins can sort out AI soon. I don’t want to be in my sixties, going in for a hip replacement and the robot doctor decides I am in urgent need of a head reversal procedure at the same time.

After writing yesterday’s blog, I looked at some more posts by the same Instagram account. The guy’s missus, who is Brazilian, has a video here in which she talks about a shitty, racist flyer that was being handed out in downtown Lisboa. She makes a lot of good points, but she seems to have caught some negative attention from social media bottom-feeders, as you can see from the follow-up post here.

In some cases, the critics have dressed up their nonsense as a complaint about non-standard Portuguese, but obviously, the underlying problem here is just straight-up xenophobia. There are racists in every country, of course. This is as true in Portugal as it is anywhere else, and weirdly Portuguese racism even extends to Brazilians, which is surprising when you consider that Brazilians are not natives of a former colonised country, they are largely the descendents of Portuguese settlers (and their slaves). Brazil, as a state, only exists because the territory now known as Brazil was colonised by the Portuguese. In short, they are you, lads! They’ve been away longer than your sobrinha who moved to Luxembourg last year, but it’s the same principle, just with a bigger time lag.

Now, I’m not saying there shouldn’t be an immigration policy that works for the country as a whole, but it has to be one that treats people as people. The minute people get into this kind of hatred, they’re on the road to a very, very bad place.

This is all by way of getting to my main point, which is that I’ve made cracks about Brazilian Portuguese on here a few times and I’ve even shared the odd meme (here for example). But I hope it’s clear that it’s not meant to be hostile. As you know, I mostly try to stick to European Portuguese as much as possible so as not to get confused, so some of the gags are about that desire to keep the other dialect at bay. But there’s also some friendly intercontinental rivalry between Europe and America, which is, at root, born of the inferiority complex of smaller less powerful countries seeing their former colonies doing more business and having more fun than us. Taking the piss out of our erstwhile cousins’ spelling and accent helps us cope with the shame of being efete and irrelevant on the world stage.

Anyway, I thought I’d better get that clear in case anyone thought I was like these pamphlet yahoos. This is a European Portuguese blog, but we love our transatlantic friends too, despite the occasional bit of teasing.

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Patuá Macaense

A minha esposa enviou-me este vídeo interessante sobre o crioulo que surgiu em Macau. Para quem não saiba, Macau é uma ex-colónia portuguesa na costa da China perto da Hong Kong e tendo o mesmo estado de “Região Administrativa Especial” no sistema politico daquele país.

O crioulo está quase extinto nos dias que correm, com a grande maioria dos seus falantes idosos e/ou bilingues. Noutras palavras, tem um número de utilizadores aproximadamente igual ao da Língua Corniça. O vídeo é ótimo e inclui exemplos de nativos de Macau a falar o idioma.

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Hipopotomonstrosesquipedaliofobia

Encontrei um artigo sobre a palavra que mais mete medo aos falantes da língua portuguesa. Devia adivinhado a resposta antes de abrir a página mas engoli a isca e fiquei enganchado pelo anzol. hipopotomonstrosesquipedaliofobia existe em inglês também mas a nossa palavra contém mais uma letra (“ph” em vez do “f” só).

I suppose there are good reasons why AI doesn’t transcribe exactly what we tell it to write, but it’s mildly annoying, all the same.

Mas o que é que significa esta palavra gigantesca? Ironicamente, é o medo irracional das palavras compridas ou complicadas. Existem poucas pessoas que sofrem da condição e a profissão de psiquiatria não reconhece a existência dela. A palavra é basicamente uma piada: descreve uma condição que aterroriza os doentes que sofrem da mesma!

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Amizade Colorida: Well, That’s a New One on Me

Não ouvi esta expressão antes. Quando a mulher no vídeo disse a frase eu achava que teria a ver com a palavra “cor”, servindo como uma versão abreviada de “coração” na expressão “saber de cor” (vê por exemplo as notas de rodapé deste blog se não conheces este sentido daquela palavra) mas nada disso. Ah ah, que surpresa!

E ela tem razão, a expressão realmente existe. Até há uma página da Wikipedia que descreve o fenómeno.

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Geopolítica

Vejo de vez em quando os vídeos dum ex-militar americano chamado Ryan McBeth, que fala sobre a  política, a guerra e a espionagem. Acho que ele tem um ponto de vista política muito diferente do que o meu mas acredita no sistema democrático dos Estados Unidos e não acredita nas fantasias e os bitaites do seu presidente e por isso acho a sua perspectiva interessante.

Recentemente tem falado muito sobre a falta de confiança por parte dos aliados do país no atual governo dos Estados Unidos, e efeito desta rutura de camaradagem na segurança da aliança ocidental. Hoje citou o exemplo de Portugal que (segundo uma revista técnica) cancelou uma encomenda de aviões de combate por motivos tendo a ver com a falta de lealdade do país de origem.

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Sobre Aquela Ordem que Já Mencionei….

Falei recentemente sobre a Preston Guild (a Ordem de Preston) e logo depois o algoritmo que governa as vidas de toda a gente colocou no ecrã inicial do meu telemóvel uma história que fala da mesma ordem. E… Fiquei preocupado…

O brasão de Preston. Diz-se que as letras PP significam Proud Preston (Preston Orgulhosa) mas na realidade, é Princeps Pacis (o príncipe da paz, em latim), refletindo a origem de Preston como Priest Town (a cidade dos padres)

A ordem em questão existe há 900 anos, desde o reinado do nosso Henry II. Desde 1378, a ordem celebra, de vinte em vinte anos, um festival, também chamado “The Preston Guild”, (não faço a mínima ideia porque é que não é o “Guild Festival” ou algo do género, mas é assim!) Hoje em dia é organizado pela câmara municipal (“Preston City Council”). Não é o festival mais incrível de sempre (vê, por exemplo, as fotos nesta página), mas é uma tradição antiga e uma fonte de orgulho para os habitantes. Nativos da cidade vêm dos quatro cantos da terra para participar!

Mas o atual governo nacional, liderado pelo partido trabalhador propôs um programa de reorganização dos governos regionais no noroeste da Inglaterra e é provável que a Câmara Municipal de Preston deixe de existir daqui a poucos anos.

Como resultado, a câmara já começou as preparações para o próximo Preston Guild que decorrerá em 2032, após a data proposta para a abolição da câmara. O relatório no site da BBC explica o que a Câmara está a fazer para assegurar a continuação do festival naquele ano e no futuro. Ainda que já não more na cidade, estou ligeiramente triste por pensar que o festival pode desaparecer após oito séculos de tradição.

I’ve got a bit forgetful with my thanks lately, but thanks go to Cristina of Say it in Portuguese for correcting this and other recent posts in this blog, including yesterday’s which was a real dog’s breakfast when I first published it!

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Bad Observational Comedy

Alguém me enviou este meme. É bastante foleiro. O segredo da comédia observacional é a semente da verdade que contém mas neste caso, tirando a linha sobre o espanhol e a sobre abrindo e fechando interruptores, o meme não passa de ser uma lista de características que qualquer pessoa de qualquer país pode reconhecer. É tipo um horóscopo. Taurus: gostas de comida, falas muito alto e gostas de ser do teu país. Pff. Dei uma espreitadela à conta do Insta e todos os Memes são iguais: de baixa qualidade. Não a seguirei

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Mais um Texto Sobre a Minha Terra

Estou em Preston a tratar das* coisas na casa dos meus pais: cortando as flores secas das hortênsias do ano passado, esfregando as paredes da cozinha, antes de as pintar, e organizando a tralha deles.

No sábado, acordei cedo para participar numa corrida, a famosa “park run” que decorre em muitas cidades do mundo todos os sábados. A de Preston tem lugar num parque perto do rio Ribble, que tem uma inclinação muito íngreme, o que torna o percurso muito desafiante, mas não faz mal, o objectivo é divertir-se e eu diverti-me muito.

Depois, quis alugar uma bicicleta para fazer mais um desafio, o Guild Wheel (hum… A Roda da Ordem**) um caminho de 34 quilómetros que rodeia a cidade. Infelizmente, a loja onde se alugam as bicicletas encerrou definitivemente. Ainda assim, não me apetecia abandonar o plano portanto decidi comprar uma bicicleta de segunda mão! Encontrei uma loja com várias, escolhi uma, um pouco enferrujada mas baratinha e com pneus bem inflados, e em breve arranquei!

O dia estava bonito, e aproveitei as vistas e a experiência de circumnavegar um território tão familiar mas ao mesmo tempo desconhecido. Fiquei com uma impressão mais positiva da cidade onde passei a minha juventude. Recentemente, tenho visto a cidade como quase moribunda. Porquê? Costumo de entrar pela estação de comboios e passar pelo centro comercial, que é um fantasma do Preston** dos anos oitenta (e um fantasma do fantasma do Preston da revolução industrial, quando era uma das cidades mais avançadas do mundo e foi visitada por Charles Dickens e Karl Marx por causa do desenvolvimento da sua indústria e das greves e as manifestações da classe operária). O centro comercial é deprimente com muitas lojas vazias e pessoas sem abrigo na rua. Mas durante esta estadia, eu vi outras zonas da cidade, perto da universidade e, durante o passeio de bicieta, também vi os arredores e percorri os caminhos que interligam os bairros que nasceram desde a minha saída, onde havia casas novas rodeadas de verdura, com pessoas a dar voltinhas sorrindo e desfrutando o sol. Supermercados novos, ruas novas, uma reserva ambiental em funcionamento com centenas de visitantes…

Então, apesar dos edifícios abandonados na rua principal da cidade, Preston ainda está viva, ainda que a sua vivência esteja espalhada por uma área mais alargada.

E agora tenho uma bicicleta a mais. Será que a queres comprar?

*I went for desenrascar but it seems not to be the best way to say what I really was going for: straightening things out, disentangling things, as a general catch-all for all the activities listed, but that’s not really how it’s used. I’ve noticed often I have a weird way of expressing things in my own language and it sounds even weirder when retracted through a literal translation.

**I started off with “Corporação” but it’s not an easy thing to translate. A guild would normally be an ordem if you’re talking about the guild of stonemasons. Sindicato (union) probably isn’t far off either. Preston Guild is just a weird Preston thing, but historically it was more like a craftsman’s guild so ok, it’ll do.

***one of the few situations where you use the definite article in front of the name of a town! (rules here)

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Vogatolário

Este texto não é nada profundo mas vi uma imagem com esta lenda interessante. É um exemplo ótimo de uma palavra desconhecida que é muito fácil desvendar pelo contexto: segundo a Wikipedia, Nepeta Catarina, que nós Anglo fomos descrevemos como Catnip em inglês é conhecida pelos nomes “erva-gateira, erva-dos-gatos, gatária ou nêveda-dos-gatos“. O dicionário Priberam recomenda erva dos gatos. A imagem é oriunda de um site brasileiro e pelos vistos não usam lá o artigo definido.