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A Vida de Estudante

Um dos meus objetivos durante este ano é estudar um curso da Universidade Aberta. Já tentei candidatar-me há algum tempo mas não suportei o site dela. Voltei a carga durante a semana passada e por acaso as candidaturas estavam abertas até ao dia 17 de Junho. Ora bem, hoje é o dia 17, e… inscrevi-me num curso chamado “Formação Modular Certificada em Literatura e Cultura Portuguesas”. Sinceramente, preferia a FMC em Literatura e Cultura Portuguesa, o que é igual mas tem “História Cultural e Artística Portuguesa” em vez de “Temas de Literatura Portuguesa” como a terceira unidade do curso. Infelizmente, este curso é ausente do formulário de candidatura e depois de tanto tempo não aguentei mais. Escolhi a segunda opção.

Ah ah, aqui vou eu mais uma vez, a aprender coisas novas (se for capaz!). Mal tenho noção de como funciona o curso mas uma longa viagem começa com um único passo e neste caso o passo em questão consiste em 35 euros e uma hora frustrante de preencher o formulário.

Me and the boys getting ready for our first seminar
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Wales & Portugal – Not As Different as You’d Think!

I’ve been doing Welsh Duolingo for about two months now. I’m not planning to go all the way to fluency, but the company who makes the software that is my bread and butter have recently sold it to a host of Welsh local authorities so I thought it would be useful to try and get familiar with the language in case I end up working with them.

Wow, the AI really smashed it with this one, didn’t it! The Galo de Barcelos should probably be a bit darker, and the dragon a bit redder, but still, it’s an impressive setup!

So far, I haven’t had any real breakthrough moments like I did when I learned Scots Gaelic during lockdown. Back then, I wrote a blog about the surprising parallels between a Gaelic, a celtic language, and Portuguese, a romance language. This time, I’m not having quite the same experience and it’s not as much fun, frankly, as the Scots Gaelic course. But it’s interesting all the same. Time spent learning stuff is never time wasted.

Duolingo is a great tool, which is why it’s such a shame their Portuguese course is so Brazilocentric. I’m making really good progress with Welsh, but the nuances of why I have to pick a word like Ydy instead of Mae or Roedd sometimes eludes me, so in my efforts to get a bit more background about the grammar and logic of the language, I found myself watching this guy’s videos and – oh look! He has one about the celtic influence on portuguese. It’s super-intersting and I’ve found myself getting enthused all over again for Welsh.

Linguistics is a really fascinating subject. I can’t remember if I’ve mentioned it already, but John McWhorter’s lecture series on linguistics really opened my third eye to this stuff and I definitely recommend it if you want to add a new dimension to your studies.

Well, this is a low effort English post. My resolution to write in Portuguese every day didn’t last as long as I’d hoped. Hi ho. I actually have quite a few ideas in my head but it’s just finding time to sit down and write them when we’re still living out of a suitcase. The builders have at least finished now, so we just need to slap some paint on the walls, move all our stuff out of the bedrooms and into their usual resting places and things will get back to normal, more or less.

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Haunting My Insta

Comecei a seguir esta influenciadora recentemente porque achei um vídeo dela engraçado, mas agora, sempre que abro a aplicação, lá está ela com mais um vídeo provocante sobre a sua visão conservadora do mundo e da relação entre os sexos.

Acho esta criadora de conteúdos absurda. Não por causa das suas opiniões (porque duvido que os vídeos reflitam as opiniões dela na realidade) mas por causa da representação das ideias: bebendo chá, lavando a loiça, usando uma bandeira portuguesa como manta… Nada sobre a exposição da sua ideologia bate certo, é só para provocar uma reação, mesmo que seja de desaprovação.

Claro que ela não é a única pessoa na Internet que age assim, mas não estou habituado a ver um influenciador desta espécie, quer da esquerda quer da direita, no meu insta.

Então, vou deixar de seguir a senhora? Não, acho que vou continuar, porque ela fala nitidamente e porque não é assim tão chata que não suporto ouvir as suas opiniões de velha. Não diga a ninguém mas às vezes até concordo!

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Serial Non-Finisher

Mais uma vez, participei numa maratona. A Maratona de Edimburgo, que decorreu ontem, é igual à de Lisboa relativamente ao terreno: a maioria do percurso fica à beira-mar. Os escoceses são um povo acolhedor e permaneceram na rua a apoiar os corredores ao longo do caminho, até ao fim, enquanto o tempo mudou de sol para vento para chova para granizo e de volta ao sol.

O meu objectivo nesta corrida não passou do mais básico: correr 42,2 quilómetros sem caminhar. Mas não consegui. Ainda por cima, o meu desempenho foi ainda pior do que em Lisboa. A minha reserva de energia ficou esgotada aos 20k da meta. Que frustração. Mas foi culpa minha: não me preparei o suficiente antes da prova. Também comecei demasiado rapidamente por pura alegria de estar a correr num belo dia em Edimburgo com milhares de pessoas a aplaudir, e uma canção motivadora a tocar nos meus auscultadores. É essencial, numa corrida deste tamanho, manter uma reserva de força. Se a primeira metade for rapidíssima, podes apostar que a segunda será uma desgraça. No fim, caminhei 7 milhas e acabei por chegar 6 horas e um minuto após o arranque.

Estou desiludido comigo mesmo por ser incapaz de cumprir o meu objectivo mas estou cada vez mais determinado em me esforçar cada vez mais.

No autocarro de volta para Edimburgo uma velha mulher (de… Sei lá.. 60 ou 65 anos?) felicitou-me e disse que ela também correu numa maratona recentemente – a Maratona de Londres em Abril, mas estava ferida e atingiu o seu “pior desempenho de sempre”: 5 horas, uma hora menos do que o meu tempo. Ah pois, está bem, sua gabarola de merda.

Ah ah, estou a brincar, ela fez um grande esforço e não desistiu, face às dores nas pernas. Vou seguir o seu exemplo.

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Sebastião Salgado

Faleceu hoje o fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado, cujas fotografias (sempre a preto e branco) contribuíram para a consciencialização pública da destruição da floresta da Amazónia, e expuseram a injustiça em diversos países onde trabalhou.

Sebastião Salgado (atribuição aqui)
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Livros da Piça

In which, in honour of the new pope, I make a rare mention of Fátima, and try not to get murdered by JD Vance.

CW: Orgãos sexuais masculinos

Entre os diversos podcasts na aplicação do meu telemóvel, existe um chamado “Livros da Piça”. Como é óbvio, é um podcast sobre livros, e os anfitriões são Sergio Duarte e Bruno Henriques, dois humoristas ou satiristas ou sei lá o quê, que também produzem o podcast “Jovem Conservador de Direita”. Só ouvi poucos episódios porque alguns deles durem mais do que duas ou até três horas, mas o último é um bom exemplo da espécie de livro sobre qual gostam de discursar: “As Aparições de Fátima e o Fenómeno OVNI” de Fina d’Armada e Joaquim Fernandes. Para quem não entenda este título, Fátima é uma cidade em Portugal onde a Nossa Senhora apareceu em 1917 e falou com três putos de lá por motivos que são opacos para nós seres humanos. É um dos lugares mais sagrados no mundo católico, tipo Lourdes em França, Mejugorje na Bosnia ou Craggy Island na Irlanda. E um OVNI? Então perdeste este texto? Por favor, presta mais atenção ao meu blogue.

Segundo o autor do livro, os milagres testemunhados pelos Pastorinhos de Fátima não foram exemplos do poder de Deus, claro que não, que noção rebuscada. Não, foram evidência de alienígenas. Como disse um dos humoristas, isto é um raro exemplo de uma teoria de conspiração com extraterrestres que chega a ser mais credível do que a alternativa. Mas ainda assim, é bastante estúpida.

De vez em vez, publicam um episódio sob a rúbrica “Livros do Caralho”, no qual os dois conversam sobre um livro de que gostam, como interlúdios no seu fluxo interminável de leituras execráveis. A diferença entre Livros do Caralho ou da Piça interessou-me muito. Obviamente, Caralho e Piça significam a mesma coisa: O orgão sexual masculino. Então, porque é que um Livro da Piça é péssimo mas um Livro do Caralho é ótimo? Pela mesma razão que “It’s shit” significa o oposto de “it’s the shit”, ou “absolute bollocks” não é igual a “the dog’s bollocks”. O calão de qualquer idioma é infindavelmente flexível e quase impossível de explicar.

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Deslocado

Tradicionalmente, faço uma tradução da canção portuguesa antes do Festival Eurovisão de Canção mas perdi a oportunidade desta vez. Eis as letras dois dias depois. Peço humildemente a vossa desculpa pelo atraso.

E afinal, vale a pena? Para mim, é bom, mas não é nada de especial. Não há nada que me chama a atenção; parece-me uma faixa assim-assim de um álbum que provavelmente abandonaria antes de chegar ao fim. Mas a letra fala de estar longe de casa e das saudades da terra. Apeteceu-me ouvir mais minuciosamente para entender a mensagem.

🇵🇹🇬🇧
Conto os dias para mim
Com a mala arrumada
Já quase não cabia
A saudade acumulada
do azul, vejo o jardim
Mesmo por trás da asa
Mãe olha à janela
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
I count the days for myself
With my bag packed
There’s hardly enough room
For the weight of my sorrow
From the blue, I see the garden
Right behind the wing
Mum, look out the window
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home
Porque eu vim de longe
Eu vim do meio do mar
Do coração do oceano
Eu tenho a minha vida inteira
O meu caminho eu faço a pensar em regressar
À minha casa, é ilha, paz, Madeira
Se eu te explicar, palavra a palavra
Nunca vais entender a dor que me cala
A solidão que assombra a hora da partida
Carrego o sossego de poder voltar
Mãe olha à janela que eu ‘tou a chegar
Because I came a long way
I came from the middle of the sea
From the heart of the ocean
I have my whole life
I make my way, thinking of returning
My home is an island, peace, Madeira*
If I explain to you, word by word
You’ll never understand the pain that quiets me
The solitude overshadowing the departure time
I bear the comfort of being able to go home
Mum, look out the window, I’m coming
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Não me convo’ ah ah ah ah ah ahh uh uh uh
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
Doesn’t invite…
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home

* Ah, right, I hadn’t realised they were Mrs L’s homeboys!

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D’Hondt Panic!

Já não falei sobre as legislativas (as eleições para a Assembleia da República Portuguesa) de 2025 mas hoje é o Dia D. Convém lembrar de que o preço da liberdade é a eterna vigilância (e a votação de vez em quando), portanto eis um vídeo da Mathsgurl que explica, de forma singela, como funciona a sistema de contar votos e porque é que a democracia importa tanto.

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Guiana Brasileira

Surgiu há umas semanas um meme no qual vários tipos de sotaque carioca falaram de “Guiana Brasileira”. Isso enraiveceu os influenciadores portugueses tanto que não resisti investigar as origens da tendência.

Tanto quanto consigo constatar, o meme tem origem num vídeo da plataforma TikTok. Os brasileiros, percebendo que existem uma “Guiana Francesa”, uma “Guiana Britânica” (ou simplesmente “Guiana”) e uma “Guiana Holandesa” (o atual Suriname) na sua fronteira norte, pensaram “Oi galera, se estes gringos europeus têm Guianas no nosso continente, nós também devíamos obter uma Guiana no seu”.

E daí nasceu o meme: Portugal é a Guiana Brasileira, o 28° Estado daquele país e o único fora da América do Sul.

Para continuar a sua campanha de provocação, também atribuíram nomes a este novo estado, entre os quais o meu favorito é “Pernambuco em Pé”, porque o estado de Pernambuco tem a mesma forma de Portugal mas é horizontal em vez de vertical.

Como eu já disse, muitos portugueses ficaram indignados ao ouvirem deste fenómono mas o linguista Marco Neves, grande explicador de tudo sobre a língua de Camões (e não só essa língua), também gravou um vídeo sobre a Guiana Brasileira. O tom do seu vídeo é mais irónico, e acho que, nestas situações, a melhor estratégia é empregar a ironia em vez de raiva.