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Sebastião Salgado

Faleceu hoje o fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado, cujas fotografias (sempre a preto e branco) contribuíram para a consciencialização pública da destruição da floresta da Amazónia, e expuseram a injustiça em diversos países onde trabalhou.

Sebastião Salgado (atribuição aqui)
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Livros da Piça

In which, in honour of the new pope, I make a rare mention of Fátima, and try not to get murdered by JD Vance.

CW: Orgãos sexuais masculinos

Entre os diversos podcasts na aplicação do meu telemóvel, existe um chamado “Livros da Piça”. Como é óbvio, é um podcast sobre livros, e os anfitriões são Sergio Duarte e Bruno Henriques, dois humoristas ou satiristas ou sei lá o quê, que também produzem o podcast “Jovem Conservador de Direita”. Só ouvi poucos episódios porque alguns deles durem mais do que duas ou até três horas, mas o último é um bom exemplo da espécie de livro sobre qual gostam de discursar: “As Aparições de Fátima e o Fenómeno OVNI” de Fina d’Armada e Joaquim Fernandes. Para quem não entenda este título, Fátima é uma cidade em Portugal onde a Nossa Senhora apareceu em 1917 e falou com três putos de lá por motivos que são opacos para nós seres humanos. É um dos lugares mais sagrados no mundo católico, tipo Lourdes em França, Mejugorje na Bosnia ou Craggy Island na Irlanda. E um OVNI? Então perdeste este texto? Por favor, presta mais atenção ao meu blogue.

Segundo o autor do livro, os milagres testemunhados pelos Pastorinhos de Fátima não foram exemplos do poder de Deus, claro que não, que noção rebuscada. Não, foram evidência de alienígenas. Como disse um dos humoristas, isto é um raro exemplo de uma teoria de conspiração com extraterrestres que chega a ser mais credível do que a alternativa. Mas ainda assim, é bastante estúpida.

De vez em vez, publicam um episódio sob a rúbrica “Livros do Caralho”, no qual os dois conversam sobre um livro de que gostam, como interlúdios no seu fluxo interminável de leituras execráveis. A diferença entre Livros do Caralho ou da Piça interessou-me muito. Obviamente, Caralho e Piça significam a mesma coisa: O orgão sexual masculino. Então, porque é que um Livro da Piça é péssimo mas um Livro do Caralho é ótimo? Pela mesma razão que “It’s shit” significa o oposto de “it’s the shit”, ou “absolute bollocks” não é igual a “the dog’s bollocks”. O calão de qualquer idioma é infindavelmente flexível e quase impossível de explicar.

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Deslocado

Tradicionalmente, faço uma tradução da canção portuguesa antes do Festival Eurovisão de Canção mas perdi a oportunidade desta vez. Eis as letras dois dias depois. Peço humildemente a vossa desculpa pelo atraso.

E afinal, vale a pena? Para mim, é bom, mas não é nada de especial. Não há nada que me chama a atenção; parece-me uma faixa assim-assim de um álbum que provavelmente abandonaria antes de chegar ao fim. Mas a letra fala de estar longe de casa e das saudades da terra. Apeteceu-me ouvir mais minuciosamente para entender a mensagem.

🇵🇹🇬🇧
Conto os dias para mim
Com a mala arrumada
Já quase não cabia
A saudade acumulada
do azul, vejo o jardim
Mesmo por trás da asa
Mãe olha à janela
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
I count the days for myself
With my bag packed
There’s hardly enough room
For the weight of my sorrow
From the blue, I see the garden
Right behind the wing
Mum, look out the window
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home
Porque eu vim de longe
Eu vim do meio do mar
Do coração do oceano
Eu tenho a minha vida inteira
O meu caminho eu faço a pensar em regressar
À minha casa, é ilha, paz, Madeira
Se eu te explicar, palavra a palavra
Nunca vais entender a dor que me cala
A solidão que assombra a hora da partida
Carrego o sossego de poder voltar
Mãe olha à janela que eu ‘tou a chegar
Because I came a long way
I came from the middle of the sea
From the heart of the ocean
I have my whole life
I make my way, thinking of returning
My home is an island, peace, Madeira*
If I explain to you, word by word
You’ll never understand the pain that quiets me
The solitude overshadowing the departure time
I bear the comfort of being able to go home
Mum, look out the window, I’m coming
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Não me convo’ ah ah ah ah ah ahh uh uh uh
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
Doesn’t invite…
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home

* Ah, right, I hadn’t realised they were Mrs L’s homeboys!

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D’Hondt Panic!

Já não falei sobre as legislativas (as eleições para a Assembleia da República Portuguesa) de 2025 mas hoje é o Dia D. Convém lembrar de que o preço da liberdade é a eterna vigilância (e a votação de vez em quando), portanto eis um vídeo da Mathsgurl que explica, de forma singela, como funciona a sistema de contar votos e porque é que a democracia importa tanto.

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Guiana Brasileira

Surgiu há umas semanas um meme no qual vários tipos de sotaque carioca falaram de “Guiana Brasileira”. Isso enraiveceu os influenciadores portugueses tanto que não resisti investigar as origens da tendência.

Tanto quanto consigo constatar, o meme tem origem num vídeo da plataforma TikTok. Os brasileiros, percebendo que existem uma “Guiana Francesa”, uma “Guiana Britânica” (ou simplesmente “Guiana”) e uma “Guiana Holandesa” (o atual Suriname) na sua fronteira norte, pensaram “Oi galera, se estes gringos europeus têm Guianas no nosso continente, nós também devíamos obter uma Guiana no seu”.

E daí nasceu o meme: Portugal é a Guiana Brasileira, o 28° Estado daquele país e o único fora da América do Sul.

Para continuar a sua campanha de provocação, também atribuíram nomes a este novo estado, entre os quais o meu favorito é “Pernambuco em Pé”, porque o estado de Pernambuco tem a mesma forma de Portugal mas é horizontal em vez de vertical.

Como eu já disse, muitos portugueses ficaram indignados ao ouvirem deste fenómono mas o linguista Marco Neves, grande explicador de tudo sobre a língua de Camões (e não só essa língua), também gravou um vídeo sobre a Guiana Brasileira. O tom do seu vídeo é mais irónico, e acho que, nestas situações, a melhor estratégia é empregar a ironia em vez de raiva.

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Serial Non-Attender

Olá! Lembras-te de mim? Entrei num learning slump e por isso peço imensa desculpa pela falta de conteúdos neste blogue. Mas apeteceu-me escrever sobre alguns tópicos. Portanto, aqui vou eu com o primeiro. Calma Colin, sem pressão, um texto hoje, mais um amanhã e quem sabe, talvez o “mojo” volte em breve…

Matar Aulas… Mas não são aulas, são espectáculos.

Adquiri o hábito de desperdiçar bilhetes. Já perdi a oportunidade de assistir aos espetáculos de vários comediantes por vários motivos, apesar de ter um bilhete. No domingo passado, não tive tempo suficiente para ouvir os Capitão Fausto porque andava a esvaziar o nosso apartamento antes da chegada dum mestre-de-obras que está a fazer várias mudanças no nosso lar. E ontem, por pura preguiça, eu e a minha esposa decidimos ficar em casa em vez de irmos ao teatro onde se grava a série “Have I Got News For You?”

Bem, a preguiça não é assim tão má mas, uma vez que eu esteja preguiçoso, por que raios é que insisto em gastar dinheiro em bilhetes???

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O Dia 25 de Abril

Olá!

Já esqueceste deste blogue? Eu também? Sei lá porque. A vida não é assim tão atarefada hoje em dia. Ou seja na verdade, ando com um bico-de-obra, mas passei por tempos piores. Consigo escrever mais, mas falto-me a motivação.

Mas hoje o meu insta está cheio de fotos de manifestações contra o fascismo e celebrações da democracia portuguesa que, com 51 anos, é mais nova do que eu.

Para comemorar este aniversário da liberdade, tentei ler o livro “Quanta Liberdade” de Rui Garcia e Gabriel Lagarto mas não me chamou a atenção. Provavelmente escolhi mal: encontrei o livro numa loja de segunda mão em Setúbal mas ele nem sequer existe no Goodreads, o que significa que poucos portugueses já leram! Tratam-se de um conjunto de textos e de desenhos rabiscados, montados num formato remanescente de uma pasta, usando a tipografia daquela época e com os carimbos e o lápis azul do Estado Novo. Tem bom aspecto mas infelizmente, achei os conteúdos fracos e incoerente.

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Égide

Quina keeps throwing out obscure words that I would never come across in the normal run of things. This one doesn’t even look like a Portuguese word, and in a way it isn’t, because it’s is adopted from Greek – it’s equivalent to Aegis. In other words, it’s the Greek word for shield, imported into modern usage, but only in very specific and niche contexts. “Sob a égide de…” is exactly equivalent to our “under the Aegis of”, meaning under the protection of, or within the sphere of influence of. I used that exact expression at work a couple of weeks ago. In English, not Portuguese, obviously, but it might as well have been in Portuguese because the person I was talking to had no idea what I meant and had never heard the word before. What are they teaching at school these days? O tempora! O mores!