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O Efeito Streisand

Mais uma vez, os memes nas redes sociais chamaram-me a atenção. Por que raios é que toda a gente fala da humorista Joana Marques sendo processado por anjos? Após uma pesquisa rigorosa, acabei por constatar que os anjos em questão não são os servos de Deus mas sim uma banda, composto por dois homens que cantam num estilo… não sei descrever… Acho que acreditam que o único método de estimular as emoções dos seus ouvintes é torturar cada nota. É uma parodia dos cantores “soul” does estados unidos.

Joana Marques, a anfitriã do programa “Extremamente Desagradável”, cuja profissão é ridicularizar famosos, políticos, influenciadores ou seja quem for, publicou um vídeo dos rapazes a cantar o hino, “Heróis do Mar” num evento no dia 25 de Abril 2022. Ela tinha entrecortado o video com cenas dos jurados no programa “Ídolos” (dos quais Marques era uma), fitando, boquiabertos de choque e confusão.

Bem, a piada funciona e na minha opinião não é assim tão má, mas os anjos dizem que perderam contratos como resultado do vídeo e pedem uma indemnização de um milhão de Euros. Que tolice! Infelizmente o “efeito Streisand” começa a funcionar logo que um famoso tenta processar um humorista por fazer uma piada. Querem silenciar os risos mas agora todo o mundo viu o vídeo e todo o mundo acha que os anjos são burros e riem-se ainda mais.

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Fallout 4

O exercício de hoje é ver e anotar este vídeo do grande Ric Fazeres. O Ric é um dos “criadores de conteúdos” mais famosos de Portugal mas geralmente fala de jogos tipo Sims, ou Fifa: jogos simples. Eu sou mais fã da série de jogos Fallout portanto quando soube que tinha feito um vídeo em 2015 sobre a quarta edição da série, não resisti.

Começa por afirmar que não vai descrever o jogo inteiro porque é tão grande e tão complicado. Depois, fala dos itens promocionais que ele recebeu dos distribuidores do jogo.

O diálogo é completamente em inglês mas felizmente o nosso anfitrião entende tudo e narra o que está a acontecer: as opções disponíveis para a cara do protagonista e o seu pequeno mundo antes da terceira guerra mundial e a correria até ao refúgio anti-bombas. De vez em quando diz “Wat da Faque?” Para mim, é interessante ver a sua reação porque já completei este jogo todo 4 ou 5 vezes, e já sei o que se vai passar mas o Ric parece atordoado quando a mulher do protagonista morre, vítima de um tiroteio enquanto ele está preso na câmara criogénica e fica boquiaberto quando o seu filho é raptado pelo mercenário Kellogg. Depois, quando as primeiras criaturas, as baratas gigantes atacam, balbúrdia “ululululu whattafuck meu, fuckin giants meu!” ah ah, coitadinho. Se não gostas disso vais odiar os deathclaws!

Mas não chegamos a encontrar os deathclaws, nem o dogmeat, nem os supermutantes porque o vídeo não passa de uma introdução a este jogo épico cuja história é capaz de fornecer conteúdos a cem vídeos do mesmo tamanho!

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Danúbio de Capicua

I haven’t done a translation for a while. This one is by Capicua, although it has a guest verse by Gisela João, who I think is also the woman in the video, because it sure as heck doesn’t look like Capicua! I’m not quite sure what she’s driving at with this (Actually having been corrected on a couple of things, it’s coming a bit clearer) but she does a good job of building up a sort of menacing atmosphere!

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A seca baixou as águas do Danúbio
E à tona emergem barcos afundados
A perda sustenta as mágoas e o repúdio
E à porta batem monstros do passado
The drought lowered the Danube
And all the sunk boats surfaced
The loss sustained the hurt and rejection
And monsters of the past beat at the door*
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of the 1930s** (in the air)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of thirty years (in the air)
É o bafo do passado que arfa no pescoço
Espetros no encalço, o passo apressa em esforço
É bomba-relógio o ódio pelo outro
O sopro da história ensinou-nos pouco
Nuvens ameaçadoras
É sombra da velha senhora
Fetiche por homens de farda
A guarda está na retaguarda
And the breath of the past that pants in your neck
Ghosts on your trail, pace quickening with the effort
It’s a timebomb, the hatred for another
The winds of history doesn’t teach much
Threatening clouds
It’s the shadow of the old woman
Fetish for uniformed men
The old guard is at the back
Como quem conta um segredo
Que se perdeu no passado
Volta a frota do Mar Negro
Os navios afundados
Com pólvora e dinamite
Prestes a cumprir a ordem
Embrulhámos o presente
Nas folhas do jornal de ontem
Like someone who tells a secret
That gets lost in the past
The black sea fleet returns
The shipwrecks
With gunpowder and dynamite
Ready to follow the order
We wrap the present
In the pages of yesterday’s newspaper
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of the 1930s (in the air)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of thirty years (in the air)
É tão à direita o centro que isto tomba
De ressentimento é feita a bomba
Na ferrugem das carcaças
Descoberta pela seca
Vemos novas ameaças
Caixa de Pandora aberta
Eis o cais, eis o caos, sente
O passado todo pela frente
This falls so far to the right of centre
The bomb is made of resentment
In the rust of the bones
Discovered by the drought
We see new threats
Pandora’s box, open
Here’s the quay, here’s the chaos, feel it
The past is all ahead of you
Como quem conta um segredo
Que se perdeu no passado
Volta a frota do Mar Negro
Os navios afundados
Com pólvora e dinamite
Prestes a cumprir a ordem
Embrulhámos o presente
Nas folhas do jornal de ontem
Like someone who tells a secret
That gets lost in the past
The black sea fleet returns
The shipwrecks
With gunpowder and dynamite
Ready to follow the order
We wrap the present
In the pages of yesterday’s newspaper
Eis o cais, eis o caos, sente
O passado todo pela frente
Here’s the quay, here’s the chaos, feel it
The past is all ahead of you

*I originally translated this as “thirty years” because i am an idiot. The change really makes the rest of the song come into focus, from a general sense of menace and unrest to a more specific reference to ghosts of Europe’s middle decades…

**I’m aware this usually means “knock at the door” but I translated it this way because… well, they’re monsters. Os monstros não usam delicadamente um batente de latão como se fossem vendedores de enciclopédias. Têm garras e tentáculos e braços compridos e escamosos. Fazem mais barulho!

Thanks to Cristina for correcting a few errors (including my use of english, which was a bit embarrassing) and also to Margarette in the comments section who was first to highlight my silly mistake over “thirty years” and “the 1930s”

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O Ratinho

Hoje, durante uma reunião online, eu disse “desculpem, preciso de fazer uma pausa” e desliguei. Porquê? Tinha acabado de vislumbrar um “inimigo de quatro patas” – um ratinho – a caminhar, despreocupadamente em direção ao quarto da minha filha. Ela está na Escócia e o quarto dela está sobrelotado de caixas, sacos de farinha e de arroz, e de lentilhas, e existem milhares de esconderijos. Não me admira nada que um roedor o ache perfeito para estabelecer um lar. Acho que se instalou am nossa casa durante a nossa ausência, e claro que amanhã pretendo fazer um grande esforço para perturbar a sua despreocupada e farta vida.

Entretanto… pois, moramos no segundo andar. Sem dúvida haverá outros apartamentos com hóspedes minúsculos*. Avisei os vizinhos para estarem à espera de sinais de vida na cozinha!

I swear the AI introduced the spelling mistakes!

*Minúsculo: I originally wrote “diminutivo”, which is a word that exists but seems to be a false friend. Diminuto is equivalent to diminutive. Diminutivo has a slightly different meaning.

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A Vida de Estudante

Um dos meus objetivos durante este ano é estudar um curso da Universidade Aberta. Já tentei candidatar-me há algum tempo mas não suportei o site dela. Voltei a carga durante a semana passada e por acaso as candidaturas estavam abertas até ao dia 17 de Junho. Ora bem, hoje é o dia 17, e… inscrevi-me num curso chamado “Formação Modular Certificada em Literatura e Cultura Portuguesas”. Sinceramente, preferia a FMC em Literatura e Cultura Portuguesa, o que é igual mas tem “História Cultural e Artística Portuguesa” em vez de “Temas de Literatura Portuguesa” como a terceira unidade do curso. Infelizmente, este curso é ausente do formulário de candidatura e depois de tanto tempo não aguentei mais. Escolhi a segunda opção.

Ah ah, aqui vou eu mais uma vez, a aprender coisas novas (se for capaz!). Mal tenho noção de como funciona o curso mas uma longa viagem começa com um único passo e neste caso o passo em questão consiste em 35 euros e uma hora frustrante de preencher o formulário.

Me and the boys getting ready for our first seminar
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Wales & Portugal – Not As Different as You’d Think!

I’ve been doing Welsh Duolingo for about two months now. I’m not planning to go all the way to fluency, but the company who makes the software that is my bread and butter have recently sold it to a host of Welsh local authorities so I thought it would be useful to try and get familiar with the language in case I end up working with them.

Wow, the AI really smashed it with this one, didn’t it! The Galo de Barcelos should probably be a bit darker, and the dragon a bit redder, but still, it’s an impressive setup!

So far, I haven’t had any real breakthrough moments like I did when I learned Scots Gaelic during lockdown. Back then, I wrote a blog about the surprising parallels between a Gaelic, a celtic language, and Portuguese, a romance language. This time, I’m not having quite the same experience and it’s not as much fun, frankly, as the Scots Gaelic course. But it’s interesting all the same. Time spent learning stuff is never time wasted.

Duolingo is a great tool, which is why it’s such a shame their Portuguese course is so Brazilocentric. I’m making really good progress with Welsh, but the nuances of why I have to pick a word like Ydy instead of Mae or Roedd sometimes eludes me, so in my efforts to get a bit more background about the grammar and logic of the language, I found myself watching this guy’s videos and – oh look! He has one about the celtic influence on portuguese. It’s super-intersting and I’ve found myself getting enthused all over again for Welsh.

Linguistics is a really fascinating subject. I can’t remember if I’ve mentioned it already, but John McWhorter’s lecture series on linguistics really opened my third eye to this stuff and I definitely recommend it if you want to add a new dimension to your studies.

Well, this is a low effort English post. My resolution to write in Portuguese every day didn’t last as long as I’d hoped. Hi ho. I actually have quite a few ideas in my head but it’s just finding time to sit down and write them when we’re still living out of a suitcase. The builders have at least finished now, so we just need to slap some paint on the walls, move all our stuff out of the bedrooms and into their usual resting places and things will get back to normal, more or less.

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Haunting My Insta

Comecei a seguir esta influenciadora recentemente porque achei um vídeo dela engraçado, mas agora, sempre que abro a aplicação, lá está ela com mais um vídeo provocante sobre a sua visão conservadora do mundo e da relação entre os sexos.

Acho esta criadora de conteúdos absurda. Não por causa das suas opiniões (porque duvido que os vídeos reflitam as opiniões dela na realidade) mas por causa da representação das ideias: bebendo chá, lavando a loiça, usando uma bandeira portuguesa como manta… Nada sobre a exposição da sua ideologia bate certo, é só para provocar uma reação, mesmo que seja de desaprovação.

Claro que ela não é a única pessoa na Internet que age assim, mas não estou habituado a ver um influenciador desta espécie, quer da esquerda quer da direita, no meu insta.

Então, vou deixar de seguir a senhora? Não, acho que vou continuar, porque ela fala nitidamente e porque não é assim tão chata que não suporto ouvir as suas opiniões de velha. Não diga a ninguém mas às vezes até concordo!

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Serial Non-Finisher

Mais uma vez, participei numa maratona. A Maratona de Edimburgo, que decorreu ontem, é igual à de Lisboa relativamente ao terreno: a maioria do percurso fica à beira-mar. Os escoceses são um povo acolhedor e permaneceram na rua a apoiar os corredores ao longo do caminho, até ao fim, enquanto o tempo mudou de sol para vento para chova para granizo e de volta ao sol.

O meu objectivo nesta corrida não passou do mais básico: correr 42,2 quilómetros sem caminhar. Mas não consegui. Ainda por cima, o meu desempenho foi ainda pior do que em Lisboa. A minha reserva de energia ficou esgotada aos 20k da meta. Que frustração. Mas foi culpa minha: não me preparei o suficiente antes da prova. Também comecei demasiado rapidamente por pura alegria de estar a correr num belo dia em Edimburgo com milhares de pessoas a aplaudir, e uma canção motivadora a tocar nos meus auscultadores. É essencial, numa corrida deste tamanho, manter uma reserva de força. Se a primeira metade for rapidíssima, podes apostar que a segunda será uma desgraça. No fim, caminhei 7 milhas e acabei por chegar 6 horas e um minuto após o arranque.

Estou desiludido comigo mesmo por ser incapaz de cumprir o meu objectivo mas estou cada vez mais determinado em me esforçar cada vez mais.

No autocarro de volta para Edimburgo uma velha mulher (de… Sei lá.. 60 ou 65 anos?) felicitou-me e disse que ela também correu numa maratona recentemente – a Maratona de Londres em Abril, mas estava ferida e atingiu o seu “pior desempenho de sempre”: 5 horas, uma hora menos do que o meu tempo. Ah pois, está bem, sua gabarola de merda.

Ah ah, estou a brincar, ela fez um grande esforço e não desistiu, face às dores nas pernas. Vou seguir o seu exemplo.