Antes de começar, tentei juntar várias informações some o livro que irei ler, para me nortear antes desta viagem no meu livro.
Foi publicado em 1846, quando o autor teve 47 anos. Esta época foi caracterizado por um surgimento do liberalismo na esfera política e do romantismo na artística. Foi uma época de grande turbulência na Europa: a revolução francesa tinha irrompido dez anos antes do nascimento de Garrett e as ecoas reverberaram longe depois. Como adolescente, Garrett e a família dele fugiram da guerra peninsular e viveram na ilha terceira nos açores. 4 anos depois, em 1820, já licenciado da universidade de Coimbra, com 21 anos, participou na revolução liberal, após o qual, tinha de se esconder novamente, desta vez em Inglaterra. Trabalhou como poeta, livreiro, jornalista e dramaturgo aqui, em França e no seu próprio país durante os próximos anos mas a luta dos liberais continuou após o retorno de um rei tradicionalista, Dom Miguel, ao trono, e o escritor (novamente em exílio no reino unido) participei num cerco do Porto em 1832-3 (Garrett e os soldados liberais sendo cercados por tropas realistas).
Dois anos após o lançamento do VNMT, chegou o ano apocalíptico de 1848 quando houve revoluções por todo o lado no continente.
Para ilustrar a moda literária da época, na inglaterra na mesma altura (entre 1844 e 1848), foram publicados Jane Eyre, Wuthering Heights, Sybil, Martin Chuzzlewit e Vanity Fair. As primeiras páginas da obra lembraram-me do Three Men in a Boat de Jerome K Jerome mas acho que a semelhança é ilusória e o livro inglês não apareceu até 1889.
Quanto ao movimento romântico nas artes plásticas, o roteiro dá exemplos de quadros da primeira metade do século XIX e aponta o papel da paisagem como contexto da criação dos sentidos e a imaginação do narrador (p4) Ofélia Paiva Monteiro descreve o papel dele na vida cultural do país naquela época como “fundador” por causa da sua influência ideológica e no desenvolvimento do romanticismo em Portugal (Monteiro, 2001, p. 3)
Não sei como mas entre todas estas atividades, teve tempo suficiente para namorar com dezenas de mulheres e casar com 3, entre elas uma de 13 anos (embora tenha esperado até ela foi velhota de 14 antes de eles se casaram)😬
OK; factos interessantes, salpicados de nojo, mas já chega por hoje. Volto á carga amanhã
I’ve already been gently and politely reminded that I need too adopt a more formal tone in forum postings on the university message boards. Not deliberate of course: I’m absolutely seeing conformity to local norms as part of the process of learning about portuguese culture, but informality and brevity are so ingrained in me it’s going to be hard to remember to write Estimado such-and-such before just launching into whatever thought brought me to the forum in the first place!
Após três semanas de ambientação, temos o plano de aprendizagem. A Unidade Curricular Temas de Literatura Portuguesa já está em andamento, As três obras que iremos estudar são as seguintes:
Já temos o primeiro em casa. O segundo, não temos mas é um conto e existe no Audible E também não possuímos aquele de LJ, mas já conheço a obra dela porque já li “A Costa dos Murmúrios” e “Praça de Londres”.
Uau, 270 páginas, 20 páginas, 350 páginas. Uma verdadeira montanha russa* de leitura! Também existem outros itens na bibliografia incluindo 3 franceses! Eh pá, não estou aqui para ler francês!
Ouvi falar deste grande modelo de linguagem nas redes sociais. Foi anunciado pelo primeiro ministro Luís Montenegro no Web Summit em Novembro de 2024 e já está completo. Ou pelo menos a versão base está ao vivo num website. A versão final fica para Junho de 2026. Já era possível falar com o ChaticeGPT em português mas este modelo tem um base especificamente PT-PT e ainda por cima é independente da influência dos superpoderes cujas empresas criaram os modelos mais famosos. O nome é um acrônimo de “Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial”
Amália can’t yet make pictures so I asked ChaticeGPT to make a robot that looked like Amália Rodrigues to illustrate the blog. Looks more like a weird alien warrior from a planet where everyone has a mic stand growing out of their sternum, I’m afraid, but OK. I mean look at it – it’s coming out of her dress. Does AI think Portuguese fadistas traditionally hold a mic steady in their cleavage? Dulce Pontes, maybe, but the rest, no.
Eu fiquei muito ansioso para experimentar a sistema. Comecei por avisar o robô da minha língua mãe não ser português. Respondeu por sugerir questões básicos para novatos. Ignorei e fiz uma pergunta mais difícil oriunda de um blogue meu de 2017 sobre a frase “Deus dá crases a quem não tem frases” o que é (na minha opinião) uma pergunta desafiante. Já tinha feito a pergunta aos meus amigos no reddit, porque o eu de 2017 não entendeu e o eu de 2025 também não. Eles oferecerem várias sugestões mas ninguém deu uma resposta cem por cento satisfatória. E a Amália também não (por exemplo, não foi capaz de constatar a origem da frase) mas tanto quanto sei, a IA entendeu muito bem o humor e a intenção do autor.
Depois, esclareceu dois erros (um deliberado e um por engano) na minha gramática. Afinal, estou espantado pelo progresso dos investigadores que criaram este brinq… hum… esta ferramenta em menos de um ano. Estou ligeiramente cético sobre a IA mas acho que é melhor que um país tenha a sua própria IA em vez de seguir as empresas gigantes dos EUA, a China.
O site ainda não está capaz de criar imagens ou de descrever os conteúdos dos mesmos, exceto imagens de texto: consegue extrair texto e transcrevê-lo.
Aqui está a nossa conversa caso queira ver sem participar!
Olá
Olá, Colin! Como posso ajudar hoje? Estou aqui para responder às tuas perguntas e auxiliar no que for preciso.
Q1: Quais são as tuas principais funcionalidades? Q2: Podes dar-me alguns exemplos de perguntas que te posso fazer? Q3: Como posso ter a certeza de que as tuas respostas são fiáveis e atualizadas?
Vou fazer umas perguntas mas sou inglês e português não é a minha língua mãe. Se fizer qualquer erro, por favor corrige-me!
Olá, Colin! Não te preocupes com os erros. Estou aqui para ajudar e farei o meu melhor para te compreender e responder em português de Portugal. Se houver alguma correção a fazer, fá-la-ei de forma subtil e construtiva, focando-me em garantir que a comunicação seja clara e eficaz.
Podes fazer as tuas perguntas à vontade!
Q1: Quais são as melhores formas de praticar o meu português? Q2: Podes explicar-me algumas diferenças entre o português de Portugal e o do Brasil? Q3: Existe algum recurso online que me possas recomendar para aprender português?
Obrigado. Então, poder explicar, por favor, o significado da expressão “deus dá crases a quem não tem frases”? (é uma citação brasileira)
Olá, Colin! Essa é uma expressão bastante interessante e com um toque de humor, embora seja de origem brasileira. Vou explicar-te o seu significado e o contexto em português de Portugal.
Significado da Expressão “Deus dá crases a quem não tem frases”
Esta expressão é uma adaptação de um provérbio mais antigo e conhecido: “Deus dá nozes a quem não tem dentes”. O provérbio original significa que, por vezes, a vida ou o destino concedem certas coisas ou oportunidades a pessoas que não têm a capacidade ou os meios para as aproveitar.
Na versão que mencionaste, “Deus dá crases a quem não tem frases”, a ideia é transposta para o âmbito da escrita e da gramática. “Frases” aqui pode ser interpretado como a capacidade de construir ideias, de ter algo significativo para dizer ou de escrever de forma clara e coerente. “Crase” refere-se ao acento grave (à), que em português indica a contração da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” ou com um pronome demonstrativo. O uso correto da crase é muitas vezes considerado uma das regras mais desafiantes da gramática portuguesa.
Assim, a expressão sugere que pessoas que têm dificuldade em expressar ideias de forma clara e concisa (que “não têm frases”) acabam por usar a crase de forma incorreta ou excessiva, talvez na tentativa de parecerem mais eruditas ou para compensar a falta de conteúdo. É uma crítica bem-humorada àqueles que se preocupam mais com detalhes gramaticais complexos, como a crase, do que com a substância e clareza da sua escrita.
É uma forma irónica de dizer que a complexidade gramatical é, por vezes, mal aplicada por quem não domina os fundamentos da escrita.
Q1: Quais são as regras básicas para usar a crase corretamente em português de Portugal? Q2: Existem outras expressões idiomáticas portuguesas que usam o humor para criticar algo? Q3: Como posso evitar os erros mais comuns na escrita em português?
Uau! Ótimo! Fiz esta pergunta no Reddit mas a explicação das pessoas naquele rede social não foi nitida
Fico muito contente por saber que a minha explicação foi clara e útil para ti, Colin! O meu objetivo é precisamente esse: fornecer respostas rigorosas e fáceis de compreender, especialmente em tópicos que podem ser um pouco complexos ou que geram dúvidas, como a gramática e as expressões idiomáticas.
É um prazer poder ajudar a esclarecer essas questões. Se tiveres mais alguma pergunta, seja sobre expressões, gramática ou qualquer outro assunto, não hesites em perguntar. Estou aqui para te ajudar a navegar pela riqueza da língua portuguesa!
Q1: Existe alguma diferença no uso do acento grave entre o português de Portugal e o do Brasil? Q2: Quais são os erros gramaticais mais comuns que os falantes não nativos de português costumam cometer? Q3: Que outras expressões idiomáticas portuguesas achas que me seriam úteis para aprender?
Percebeste qualquer erro na minha gramática na nossa conversa até já?
Sim, Colin, reparei em alguns pequenos detalhes que posso ajudar a aperfeiçoar, o que é perfeitamente normal quando se está a aprender uma nova língua! O teu português é muito bom e a comunicação é sempre clara, mas aqui ficam algumas sugestões para te ajudar a soar ainda mais natural:
Na tua pergunta sobre a expressão, escreveste: “Então, poder explicar, por favor, o significado da expressão…”
A forma mais natural e correta seria conjugar o verbo “poder”. Poderias ter dito: “Então, podes explicar, por favor…” (usando o “tu”) ou “Então, poderias explicar, por favor…” (uma forma mais polida, no condicional).
Sugestão: “Então, podes explicar, por favor, o significado da expressão…?”
Na tua última mensagem, disseste: “…mas a explicação das pessoas naquele rede social não foi nitida.”
Aqui, há dois pontos:
“rede social” é um nome feminino, por isso o demonstrativo que o acompanha deve ser feminino também. Em vez de “naquele” (masculino), deveria ser “naquela“.
A palavra “nítida” leva acento agudo no “i”.
Sugestão: “…mas a explicação das pessoas naquela rede social não foi nítida.”
Estes são pormenores que, com a prática, se tornam mais fáceis de identificar. O mais importante é que te expressas muito bem e eu consigo perceber tudo o que dizes. Continua assim!
Q1: Qual é a melhor forma de memorizar as regras de género dos nomes em português? Q2: Podes dar-me mais exemplos de palavras que mudam de significado com ou sem acento, como “nitida” e “nítida”? Q3: Existe alguma regra geral para saber quando usar o “tu” ou “você” em Portugal?
Muito obrigado! Confesso que escrevi “poder explicar” só para ver se foste capaz de corrigir mas o outro foi por engano!
Ah, Colin, percebo perfeitamente! Fico contente por teres testado as minhas capacidades de correção. É uma excelente forma de veres como funciono e de perceberes que estou atenta aos pormenores. E não te preocupes com o engano; é precisamente para isso que estou aqui – para te ajudar a identificar e corrigir esses pequenos deslizes que fazem parte do processo de aprendizagem de uma língua.
É ótimo ver o teu empenho em aperfeiçoar o português! Continua a fazer perguntas e a testar-me, se quiseres. Estou sempre disponível para ajudar.
Q1: Quais são as principais diferenças entre o uso do “tu” e “você” em Portugal? Q2: Existem outros erros comuns que os falantes de inglês costumam cometer ao aprender português? Q3: Poderias dar-me algumas dicas para melhorar a minha escrita em português de forma mais rápida?
Falo de tempo em tempo sobre as minhas aventuras em sapatilhas de corrida, e ainda mais raramente sobre o remo, mas em Setembro, comecei um novo desporto. Há um ginásio de artes marciais aqui perto que tem um novo classe de Jiu Jitsu Brasileiro (BJJ) para pessoas com mais de 50 anos. Não sou muito forte nem violento mas achei que precisava de algo novo na minha vida, e um curso tão fora da minha zona de conforto seria perfeito. Inscrevi-me e já fiz três das aulas semanais. Ainda não sei se irei continuar após o fim do curso. Vamos ver. Mas já comprei o “gi” – o kimono associado com este desporto, que eu chamo de “pijama da violência”.
O desporto foi inventado pela família Gracie. Carlos Gracie apreendeu a técnica Japonesa de Jiu Jitsu em 1917 e depois ensinou-a aos seus irmãos. Hélio Gracie é que geralmente é creditado por ter aperfeiçoado o estilo de luta especificamente brasileira que hoje em dia é ainda mais popular do que o original.
Carlos Gracie 1951
Os Gracie de hoje tendem a ter nomes começando com R: Rener, Royler, Rolls, Royce (a sério – Rolls e Royce!) Relson, Ryron, Rickson… como se fossem batizados todos por Scooby Doo! Mas espera lá: Uma família brasileira nomeada Gracie? Gracie é mesmo um nome português? Por incrível que seja, são descendentes de imigrantes escoceses, segundo a biografia de Rickson Gracie, o filho do Hélio, os seus ancestrais chegaram no Brasil de Paisley! Se não tivessem mudado de país, a arte seria Jiu-Renfrew ou talvez McJitsu e os seus irmãos chamariam-se Raggis, Rortbread, Rimmy, Rean Ronnery e o lutador mais rápido de sempre Ruckfast. Que mundo pequeno: Escoceses no Brasil que ensinam uma versão de uma arte marcial japonesa nos Estados Unidos.
Os meus irmãos ridiculizaram-me quando ouviram que estou a participar em BJJ. Referindo à forma da arena das Artes Marciais Mistas, chamam-me “o octogenário do octógono”. Pois, é justo, mas ainda assim, é mais interessante do que assistir ao futebol e eu não tenho vergonha nenhuma.
Uma das contas mais novas no meu Insta é a de uma drag queen que tem o pseudónimo Sincera Mente. O homem anónimo* atrás da Dona Mente explica numa entrevista no Jornal Público que experimentou com vários nomes artísticos antes de desenvolver a personalidade que hoje é tão bem conhecida. O trocadilho da sua nome é uma chave que destranca a personalidade dela “Ela é sincera mas mente quando precisa”.
O vídeos consiste em clipes da personagem a visitar uma cidade, vestida de moda ultrajante: por exemplo, neste vídeo é disfarçada como o galo de Barcelos, mas também tem fantasias de azulejo, um estudante de traje da Universidade de Coimbra, ou “uma sereiona: metade homem, metade matrafona**”. Assim disfarçado, Sincera Mente interage com os nativos, faz piadas, tira fotos, e amima a gente à sua volta.
*Well, he was anonymous in April when the interview was published. I haven’t done any sleuthing to see if he’s revealed his true identity since
**Uau, assumi que uma matrafona seria uma espécie de bicho aquático mas não é. Segundo o Priberam, pode ser uma “mulher desajeitada”, uma “boneca de trapos” ou um “Homem que, geralmente no Carnaval, se veste e se mascara de mulher de forma espalhafatosa, desajeitada ou trapalhona” ou seja, uma versão de drag que não é igual à versão americana. Obviamente é esta terceira definição que se aplica neste caso. Encontrei um vídeo no Youtube onde se vê exemplos das matrafonas no Carnaval de Torres Vedras.
I came across this odd bit of history on Insta and I think since they are both wearing hats we can allow them into the blog this week. It’s not just a one-off either. Bruá Podcasts has a stable of mini audio series. I subscribed to what seems to be the main one, Sapiens and it seems to have followed the lead of The Rest is History, with a series of little subseries, one of which is called Portugal Negro: A História Silenciada, which seemed worth a listen especially since Hat Week this year happens to coincide with Black History Month. I started listening to the first episode, about a man called José de Magalhães who got involved in the pan-african movement started by WEB Du Bois, and I’ll probably report back on it in a few days when I have done the whole lot.
Este texto está a apodrecer na pasta de rascunhos desde Outubro de 2024 mas aqui estamos na semana gloriosa do chapéu e estou a sacudir o pó dos seus parágrafos e a prepará-lo para a publicação.
Fiquei curioso sobre a identidade deste homem, o Chapeleiro António Joaquim Carneiro.
A vida dele é assunto da maior banda desenhada de sempre. Ou seja, é ilustrada numa série de imagens pintadas em azulejos no museu do azulejo em Lisboa, onde fui após a maratona de Lisboa no ano passado. A história é menos interessante do que imaginei. O tipo não foi um herói nacional mas sim um chapeleiro (uau, à sério??) cuja habilidade e esforço resultaram em lucros impressionantes. Na época na qual o modista viveu (o século XVIII), sucesso ofereceu oportunidade de se juntar à burguesia, e ele mudei de casa da sua aldeia para a cidade onde encomendou o conjunto de azulejos para imortalizar a sua vida. E quem nega a eficácia desta estratégia? Quem teria ouvido do chapeleiro António Joaquim Carneiro em 2025 se não tivesse mandado alguém criar estas obras da arte?
Não existe mais informações, tanto quanto sei, sobre a vida do homem, além delas contidas nas imagens, mas há uma pagina que descreve minuciosamente a forma deste formato: “Painel rectangular. Medalhão oval no centro limitado por grinalda rematada por filactera com as extremidades enroladas.” O que se segue é uma descrição da imagem em si, mas os pormenores do enquadramento fascinaram-me. Não vou gastar energia em memorizar as palavras porque nunca mais as usarei, mas é fixe, não achas?
Quando escrevi sobre a mudança da marca diacrítica no site do Jazz Café, não tive qualquer plano para lançar uma série, mas olhem, vai continuando a semana dos chapéus. Hoje volto ao tópico do Cante Alentejano.
Desde 2014, este género musical é considerado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Esta honra é compartilhada com mais um género musical português, o fado. Consiste em dois cantores e um coro. O primeiro cantor é o ponto, e o segundo o alto. Mas cuidado, ambas estas palavras tem mais do que um significado. Eu sei menos que nada sobre a teoria da musica portanto fiz uma pesquisa e as definições relevantes do dicionário Priberam são o número 40 de Ponto: “Solista que inicia uma moda* no cante alentejano” e o numero 30 de Alto: “Solista de voz aguda que se segue ao ponto e que antecede a entrada do coro no cante alentejano.”
Portugal, August 2022: Tribute to cante Alentejano, monument in Monsaraz by Lago do Alqueva, Alentejo, Portugal
Se virem este vídeo, verem os dois solistas em ação: O ponto, de barba, na primeira fila, canta a primeira estrofe. Depois, o alto, quase escondido na segunda fila, entoa o primeiro verso da segunda estrofe antes do coro (incluindo ambos os solistas) cantarem o resto em uníssono. Este coro é o mesmo que colaborou com Zambujo no vídeo de ontem, O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento. Neste contexto, um rancho é um grupo folclórico mas a palavra tem mais significados entre os quais “Grupo de pessoas, especialmente em marcha ou em jornada” também descreve o conteúdo deste vídeo!
I think the title of this video is wrong. I believe the song is called “A Moda do Chapéu“
Quando ouço o cante alentejano, lembro-me sempre do Male Voice Choir (Coro da voz masculina) tradicional do País de Gales. Ambos têm raízes na cultura céltica, ambos nascem entre gente rural em aldeias marginais, longe do capital e ambos são cantados, tradicionalmente, por homens vestidos de roupa domingueira**. No caso do coro galês, isto aconteceu (tanto quanto sei) por preferência, mas em Portugal, a roupa tradicional foi reforçado pela influência conservador do Estado Novo que queria fomentar o património para os seus próprios motivos, mas basta do Estado Novo, já falei a mais daqueles gajos. Arruínam sempre tudo que eles tocam, e não quero associar o cante com o homem que caiu da cadeira.
Dw i’n hoffi y cerddoriaeth ma ond mae cerddoriaeth portugaleg ym well (I hope I didn’t screw that up too badly – I’m only about 6 months into the duolingo course)
Apesar das semelhanças superficiais, existem diferenças marcantes. Os galeses harmonizam mais. Não têm os dois solistas e não cantam de chapéu num supermercado. Segundo a Wikipédia, as origens do cante incluem elementos da tradição grega e dos colonizadores árabe.
A página da Wiki fala no seu último paragrafo, da estagnação do cante desde a segunda guerra mundial quando a mecanização da agricultura causou um declínio da tradição de cantar na lavoura. Como resultado o género sobrevive em grupos tradicionais como uma curiosidade ou uma atração turística. Não sou especialista, claro, mas parece-me que a forma não tem tenta flexibilidade como o fado, nem hipótese de se dinamizar por hibridação com outros estilos como aconteceu com o fado nas últimas décadas. E não importa assim tanto. Não precisamos de cante alentejano com um rapper a fazer beats entre as estrofes. Às vezes, podemos deixar a tradição em paz, perfeito no seu próprio nicho.
* AI meu deus, não quero sobrecarregar o texto de definições mas nota bem que “moda” também tem um sentido diferente neste contexto. É uma cantiga!
**Not a word I had come across. It means “relative to Sunday”. So roupa domingueira is your Sunday best! Not that anyone has Sunday best now, it was a dying concept even when I was young but I recognise it as something people had in books and comics written by the generation before!
I mentioned António Zambujo’s recently acquired brazilian hat yesterday, and it reminded me of this video where he’s singing with this choir of practitioners of Cante Alentejano, who wear traditional dress, including a very distinctive hat. Why Cante and not Canto? It’s just a regionalism. I’ve been meaning to do a proper post about Cante Alantejano for a while now and I must get around to that. Anyway, here we go…
Português
Inglês
Trago Alentejo na voz Do cantar da minha gente Ai rios de todos nós Que te perdes na corrente Ai rios de todos nós Que te perdes na corrente
I carry Alentejo in my voice From the song of my people Oh the rivers that belong to us all You can lose yourself in the current Oh the rivers that belong to us all You can lose yourself in the current
Ai planícies sonhadas Ai sentir de olivais Ai ventos na madrugada Que me transcendem demais Aí ventos na madrugada Que me transcendem demais
Oh, plains of my dreams Oh the feel of the olive groves Oh the winds at dawn That are too overwhelming Oh the winds at dawn That are too overwhelming
Amigos, amigos Papoilas no trigo* Só lá eu as tenho E de braço dado contigo a meu lado É de lá que eu venho E de braço dado Cantando ao amor Guardamos o gado, papoilas em flor Que o vento num brado Refresca o calor E de braço dado, contigo a meu lado Cantamos o amor
Friends, friends Poppies in the wheat Only there do I have them And arm in arm with you at my side It’s there that I come from And arm in arm Singing of love We tend the cattle, poppies in bloom The wind in a howl Cools the heat And arm in arm, with you at my side We sing of love
Ai rebanhos de saudades Que deixei naqueles montes Ai pastores de ansiedade Bebendo água nas fontes Ai pastores de ansiedades Bebendo água nas fontes
Oh flocks of longing That I left in those mountains Oh shepherds of unease** Drinking water in the springs Oh shepherds of unease Drinking water in the springs
Ai sede das tardes quentes Ai lembrança que me alcança Ai terra prenhe de gente Nos olhos duma criança Ai terra prenha de gente Nos olhos duma criança
Oh place of warm afternoons Oh the memories that come over me Oh land, giving birth to a people In the eyes of a child Oh land, giving birth to a people In the eyes of a child
*Adoro esta rima
**O que mais me surpreendeu é que achei “ansiedade” uma palavra mais “intraduzível” neste contexto do que a famosa “saudade”. Consigo imaginar a emoção de uma pessoa longe da sua terra: homesickness, sorrow, sadness, longing, não há problema com saudade. Mas “ansiedade” é cognata com a nossa “anxiety” o que é completamente fora da questão. Que mais? Linguee oferece vários alternativos, tipo “stress”, “trepidation”, “angst”. “Anticipation” é uma tradução muito comum: já ouvi montes de booktubers a falar da sua ansiedade por ler o novo livro numa série qualquer. A palavra serviria se o narrador fosse a caminho de casa mas não é. Optei por “unease” mas não estou cem por cento satisfeito!