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Hatters Gonna Hat

Este texto está a apodrecer na pasta de rascunhos desde Outubro de 2024 mas aqui estamos na semana gloriosa do chapéu e estou a sacudir o pó dos seus parágrafos e a prepará-lo para a publicação.

Fiquei curioso sobre a identidade deste homem, o Chapeleiro António Joaquim Carneiro.

A vida dele é assunto da maior banda desenhada de sempre. Ou seja, é ilustrada numa série de imagens pintadas em azulejos no museu do azulejo em Lisboa, onde fui após a maratona de Lisboa no ano passado. A história é menos interessante do que imaginei. O tipo não foi um herói nacional mas sim um chapeleiro (uau, à sério??) cuja habilidade e esforço resultaram em lucros impressionantes. Na época na qual o modista viveu (o século XVIII), sucesso ofereceu oportunidade de se juntar à burguesia, e ele mudei de casa da sua aldeia para a cidade onde encomendou o conjunto de azulejos para imortalizar a sua vida. E quem nega a eficácia desta estratégia? Quem teria ouvido do chapeleiro António Joaquim Carneiro em 2025 se não tivesse mandado alguém criar estas obras da arte?

Não existe mais informações, tanto quanto sei, sobre a vida do homem, além delas contidas nas imagens, mas há uma pagina que descreve minuciosamente a forma deste formato: “Painel rectangular. Medalhão oval no centro limitado por grinalda rematada por filactera com as extremidades enroladas.” O que se segue é uma descrição da imagem em si, mas os pormenores do enquadramento fascinaram-me. Não vou gastar energia em memorizar as palavras porque nunca mais as usarei, mas é fixe, não achas?

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Cante Alentejano

Quando escrevi sobre a mudança da marca diacrítica no site do Jazz Café, não tive qualquer plano para lançar uma série, mas olhem, vai continuando a semana dos chapéus. Hoje volto ao tópico do Cante Alentejano.

Desde 2014, este género musical é considerado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Esta honra é compartilhada com mais um género musical português, o fado. Consiste em dois cantores e um coro. O primeiro cantor é o ponto, e o segundo o alto. Mas cuidado, ambas estas palavras tem mais do que um significado. Eu sei menos que nada sobre a teoria da musica portanto fiz uma pesquisa e as definições relevantes do dicionário Priberam são o número 40 de Ponto: “Solista que inicia uma moda* no cante alentejano” e o numero 30 de Alto: “Solista de voz aguda que se segue ao ponto e que antecede a entrada do coro no cante alentejano.”

Portugal, August 2022: Tribute to cante Alentejano, monument in Monsaraz by Lago do Alqueva, Alentejo, Portugal

Se virem este vídeo, verem os dois solistas em ação: O ponto, de barba, na primeira fila, canta a primeira estrofe. Depois, o alto, quase escondido na segunda fila, entoa o primeiro verso da segunda estrofe antes do coro (incluindo ambos os solistas) cantarem o resto em uníssono. Este coro é o mesmo que colaborou com Zambujo no vídeo de ontem, O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento. Neste contexto, um rancho é um grupo folclórico mas a palavra tem mais significados entre os quais “Grupo de pessoas, especialmente em marcha ou em jornada” também descreve o conteúdo deste vídeo!

I think the title of this video is wrong. I believe the song is called “A Moda do Chapéu

Quando ouço o cante alentejano, lembro-me sempre do Male Voice Choir (Coro da voz masculina) tradicional do País de Gales. Ambos têm raízes na cultura céltica, ambos nascem entre gente rural em aldeias marginais, longe do capital e ambos são cantados, tradicionalmente, por homens vestidos de roupa domingueira**. No caso do coro galês, isto aconteceu (tanto quanto sei) por preferência, mas em Portugal, a roupa tradicional foi reforçado pela influência conservador do Estado Novo que queria fomentar o património para os seus próprios motivos, mas basta do Estado Novo, já falei a mais daqueles gajos. Arruínam sempre tudo que eles tocam, e não quero associar o cante com o homem que caiu da cadeira.

Dw i’n hoffi y cerddoriaeth ma ond mae cerddoriaeth portugaleg ym well (I hope I didn’t screw that up too badly – I’m only about 6 months into the duolingo course)

Apesar das semelhanças superficiais, existem diferenças marcantes. Os galeses harmonizam mais. Não têm os dois solistas e não cantam de chapéu num supermercado. Segundo a Wikipédia, as origens do cante incluem elementos da tradição grega e dos colonizadores árabe.

A página da Wiki fala no seu último paragrafo, da estagnação do cante desde a segunda guerra mundial quando a mecanização da agricultura causou um declínio da tradição de cantar na lavoura. Como resultado o género sobrevive em grupos tradicionais como uma curiosidade ou uma atração turística. Não sou especialista, claro, mas parece-me que a forma não tem tenta flexibilidade como o fado, nem hipótese de se dinamizar por hibridação com outros estilos como aconteceu com o fado nas últimas décadas. E não importa assim tanto. Não precisamos de cante alentejano com um rapper a fazer beats entre as estrofes. Às vezes, podemos deixar a tradição em paz, perfeito no seu próprio nicho.

* AI meu deus, não quero sobrecarregar o texto de definições mas nota bem que “moda” também tem um sentido diferente neste contexto. É uma cantiga!

**Not a word I had come across. It means “relative to Sunday”. So roupa domingueira is your Sunday best! Not that anyone has Sunday best now, it was a dying concept even when I was young but I recognise it as something people had in books and comics written by the generation before!

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Os Chapéus dos Outros Cantores

Translation time!

I mentioned António Zambujo’s recently acquired brazilian hat yesterday, and it reminded me of this video where he’s singing with this choir of practitioners of Cante Alentejano, who wear traditional dress, including a very distinctive hat. Why Cante and not Canto? It’s just a regionalism. I’ve been meaning to do a proper post about Cante Alantejano for a while now and I must get around to that. Anyway, here we go…

PortuguêsInglês
Trago Alentejo na voz
Do cantar da minha gente
Ai rios de todos nós
Que te perdes na corrente
Ai rios de todos nós
Que te perdes na corrente
I carry Alentejo in my voice
From the song of my people
Oh the rivers that belong to us all
You can lose yourself in the current
Oh the rivers that belong to us all
You can lose yourself in the current
Ai planícies sonhadas
Ai sentir de olivais
Ai ventos na madrugada
Que me transcendem demais
Aí ventos na madrugada
Que me transcendem demais
Oh, plains of my dreams
Oh the feel of the olive groves
Oh the winds at dawn
That are too overwhelming
Oh the winds at dawn
That are too overwhelming
Amigos, amigos
Papoilas no trigo*
Só lá eu as tenho
E de braço dado contigo a meu lado
É de lá que eu venho
E de braço dado
Cantando ao amor
Guardamos o gado, papoilas em flor
Que o vento num brado
Refresca o calor
E de braço dado, contigo a meu lado
Cantamos o amor
Friends, friends
Poppies in the wheat
Only there do I have them
And arm in arm with you at my side
It’s there that I come from
And arm in arm
Singing of love

We tend the cattle, poppies in bloom
The wind in a howl
Cools the heat
And arm in arm, with you at my side
We sing of love
Ai rebanhos de saudades
Que deixei naqueles montes
Ai pastores de ansiedade
Bebendo água nas fontes
Ai pastores de ansiedades
Bebendo água nas fontes
Oh flocks of longing
That I left in those mountains
Oh shepherds of unease**
Drinking water in the springs
Oh shepherds of unease
Drinking water in the springs
Ai sede das tardes quentes
Ai lembrança que me alcança
Ai terra prenhe de gente
Nos olhos duma criança
Ai terra prenha de gente
Nos olhos duma criança
Oh place of warm afternoons
Oh the memories that come over me
Oh land, giving birth to a people
In the eyes of a child
Oh land, giving birth to a people
In the eyes of a child

*Adoro esta rima

**O que mais me surpreendeu é que achei “ansiedade” uma palavra mais “intraduzível” neste contexto do que a famosa “saudade”. Consigo imaginar a emoção de uma pessoa longe da sua terra: homesickness, sorrow, sadness, longing, não há problema com saudade. Mas “ansiedade” é cognata com a nossa “anxiety” o que é completamente fora da questão. Que mais? Linguee oferece vários alternativos, tipo “stress”, “trepidation”, “angst”. “Anticipation” é uma tradução muito comum: já ouvi montes de booktubers a falar da sua ansiedade por ler o novo livro numa série qualquer. A palavra serviria se o narrador fosse a caminho de casa mas não é. Optei por “unease” mas não estou cem por cento satisfeito!

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O Chapéu do Cantor

O Instagram mostrou-me este anúncio sobre um concerto de Maria Luisa Jobim, a filha do Tom Jobim, que é quase um deus no mundo musical. Ela também canta muito bem, como podem ouvir neste vídeo, e compõe música e toca varios instrumentos.

O seu convidado é o cantor português António Zambujo, cujo nome tem a grafia certa no anúncio, mas nota-se que no site do Jazz Café, tem um chapéu brasileiro em vez do acento agudo português.

Pergunto-me como ocorreu este erro. Será que o realizador dos concertos é brasileiro e não sabe como se escreve em Portugal? Ou os donos da sala de concertos em Londres assumiram que o nome dele se escreve da mesma maneira como Antônio Jobim?

Mas não importa, o concerto deve estar divertido.

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Como Correu a Corrida?

Ainda estou com dores nas pernas mas aqui vem o resumo da Maratona de Loch Ness.

Acordei às cinco e meia e fui à procura de um pequeno almoço saudável. O dono do hotel tinha colocado umas caixas de bananas, garrafas de aqua e bolachas de Aveia na entrada, para os corredores levarem para a prova. Logo atualizei a minha opinião do hotel de três  estrelas para cinco.

Após o pequeno almoço e 78 visitas à casa de banho, deixei o hotel em direção ao centro desportivo. Daí, fomos todos de autocarro para o topo de uma montanha perto do Lago Ness. Saindo dos autocarros, toda a gente dirigiu-se sem demora para a floresta para mijar ainda mais.

A corrida começou às dez de manhã, com a música de uma banda de gaitas de foles. Corremos ao longo da rua, com vistas lindíssimas em ambos os lados. O tempo acrescentou ainda mais beleza, com luz nas folhas e um arco íris por cima da superfície da água.

I mean, nobody’s looking their best, 20 yards from the end of a marathon, are they? But they always send you these pages full of hideous caricatures of yourself in various stages of mental and physical collapse and expect you to pay for copies you can share with your friends.

Não consegui aguentar a distância toda, andei um pouco nas subidas após 20 milhas, mas corri mais do que qualquer outra maratona na qual já participei, e terminei a corrida com a cabeça erguida.

Não vi o monstro. Não me admira, é tímido.

Além da linha de chegada, havia uma feira com barracas de comida, massagem, e uma tenda com sopa gratuita, graças ao patrocínio da empresa Baxters. Comprei um gorro azul e laranja.

No final das contas, gostei imenso do dia inteiro! Uma maratona não é nada fácil mas estes desafios lembram-nos que estamos vivos!

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A Welcome in the Hillsides

Após 15 milhas da maratona de Loch Ness, deparei-me com esta placa. Dei uma espreitadela aos outros corredores à minha volta mas ninguém ria. Bolas, era eu o único lusófono.

Percorremos Dores e chegámos à proxima vila escocesa, Naspernas.

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O Modelo Pedagógico da Universidade Aberta

This document I’m reading is boring so I am summarising it to make myself pay attention. If you religiously devour every blog I ever post, a word to the wise: this might be a good day to break the habit and go and do something else instead.

Segundo os materiais letivos, a universidade tem, como norteadores, quatro princípios:

  • Aprendizagem centrada no estudante
  • Flexibilidade
  • Interação
  • Inclusão digital

Ao nível prático, a universidade agrupa os estudantes de cada disciplina em turmas cujos estudos são guiados por um docente. Entretanto os estudantes da disciplina, não obstante da turma tem acompanhamento de um professor que organiza os materiais e o trabalho dos estudantes todos.

No site, existem (pelo menos) dois espaços virtuais: um para coordenação do curso e uma secretária onde os alunos conseguem contactar os funcionários da universidade e fazer questões sobre assuntos administrativos.

Os materiais consiste em três “dispositivos pedagógicos estruturantes”*

  • o Plano da Unidade Curricular é um resumo pormenorizado dos recursos, atividades, temas, competências etcetera de cada unidade.
  • Finalmente, o Plano de Atividades Formativas é um plano mais pormenorizado das atividades planeadas pelo professor. Sendo uma sala de aulas virtual, as atividades decorrem em modo assíncrono. Lembra-se aqueles princípios entre os quais temos “flexibilidade”. Mas o professor tem opção de organizar atividades específicos, até síncronas, se for necessário para apoiar o desenvolvimento das competências dos estudantes.
  • o Cartão da Aprendizagem é um cartão virtual online onde o progresso do estudante pela unidade curricular e os documentos que fazem parte da avaliação continua. Segundo o documento, um estudante que não consegue completar os exercícios necessários durante o semestre tem hipótese de fazer um exame final em vez de juntar pontos ao longo do tempo mas não preciso disso e ainda bem porque não entendo o fluxograma fornecido no documento!

*Ah ah, a UA inglês também usa jargão desta espécie.

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Um Estudante Novamente

O curso universitário do qual falei há umas meses acaba de começar e eu sou, mais uma vez, um estudante! Estamos metidos na primeira fase do curso, a aprender os básicos da interação online antes de começar o curso em si, “Formação Modular Certificada em Literatura e Cultura Portuguesas“. Eu tenho uma vantagem: a minha segunda licenciatura foi através de uma universidade virtual, a Open University (Universidade Aberta britânica), mas claro que também tenho certas desvantagens em termos da* minha língua-mãe não ser português e de não ter raízes profundas na cultura portuguesa.

Acho que o meu “mojo” português está a acordar porque tenho um objectivo e sempre preciso de alguma motivação. Esta nova fase da minha aprendizagem há de ser interessante. Um grande desafio, um pouco intimidante até, mas interessante, sem dúvida!

*I’m misusing the expression “In terms of…” here, aren’t i? Lazy habits carrying over from english

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Incêndios

Oh lord, I just found this in my drafts folder. I think I meant to send it back in August but must have got distracted by a shiny object. Oh well, old news now, but here we go anyway….

Falei na terça feira sobre (entre outras coisas) um vulcão extinto chamado Arthur’s Seat, perto da capital escocesa, Edimburgo. Ora bem, este vulcão renasceu momentaneamente na semana passada quando a urze pegou fogo (provavelmente uma falta de atenção por parte de um fumador qualquer, mas quem sabe?) e ardeu durante quase um dia inteiro.

Este género de fogo espontâneo é cada vez mais frequente nos dias que correm. E se é possível num país húmido como a Escócia, não é nada surpreendente que haja mais incêndios, de maior tamanho, em Portugal. Ano após ano, vemos chamas nas florestas e nos campos e até nos arredores das cidades de Portugal. Não raras vezes, pessoas ficam rodeadas por chamas e perdem a vida.

Artwork by Bordalo ii

Portugal não é o único país sob o flagelo dos incêndios florestais; o planeta está a aquecer. Ainda assim, os políticos de cada país precisam de assumir a responsabilidade política pelas decisões (ou falta das mesmas) que deixaram crescer o perigo. Por esta razão, há quem culpem o primeiro ministro Luís Montenegro por estar no Algarve enquanto o país está a arder. Confesso que não sei quanta justiça tem esta reclamação. Na verdade, o primeiro ministro não é um bombeiro e não consegue extinguir os fogos, mas a gente quer ter certeza de que os seus líderes têm o problema sob controlo ou pelo menos que estão a tentar.

E por falar em líderes que sabem liderar, a minha esposa enviou-me este vídeo do General Ramalho Eanes, outrora* presidente da República a lutar pessoalmente contra um incêndio florestal em 1980. Deu um exemplo de Liderança.

Além de ser um conforto para o povo e (quem sabe) além de levar mais recursos aos heróis que usam o fardo de bombeiro, este tipo de ação pode aumentar o poder do político. Como? É obvio: todo o mundo ama os bombeiros, e quase todo o mundo odeia os políticos. Se eu fosse um político pouco amado, eu tiraria a gravata e passaria um dia na floresta com os bombeiros. Acho que valeria mais de 5% na próxima votação!

*Cristina kindly pointed out that I’d made some errors in this and I think I’ve got them all now. It annoys me that this adjective is always feminine (I wrote “outroro”), but that’s because it’s not an adjective at all, it’s an adverb. Nota bem.