Enquanto estava a arrumar a casa de banho, a tampa do lavatório ficou presa no buraco. É uma dessas que não tem corrente. É perfeitamente lisa. Não consegui agarrá-la com os dedos. Experimentei vários métodos com facas e chaves de parafuso mas não tive sucesso nenhum. Retirei-me para o sofá para ler um livro. Uma horas depois, voltei para o quarto-de-banho . De repente, fez-se luz*: se calhar o vácuo do desentupidor funcionará! A tampa saiu à segunda tentativa. Estava tão feliz. Finalmente as aulas de física deram frutos!
Passei o dia a argumentar sobre cascas de ovos no reddit. Porquê? Disse que as cascas de ovos não apodrecem na compostagem porque são compostas (isto não é um trocadilho) de carbonato de cálcio. Há quem não esteja pronto para ouvir tal heresia.
Today’s post is about Pão de Ló – specifically, Pão de Ló de Ovar, which I recently saw on a list of best cakes from all over the world. Since the cake isn’t very well-known here, I’ll put an English version of the recipe down at the bottom for anyone who wants to try it at home but can’t follow the instructions in portuguese.
Part 1 – My Interest Is Piqued (Thanks to Talures for the corrections)
Segundo um meme que já vi online, um dos melhores bolos de sempre é o pão de ló – especificamente o pão de ló de Ovar. Vi um vídeo dum homem a fazer o bolo e concordo que tem bom aspeto mas usa-se tantas gemas. O que é que fazem com as claras*? Merengues?**
Part 2 – Making It (Thanks to O_pragmatico for the corrections)
Falei há uns dias duma lista de melhores bolos no mundo. Acabo de fazer a minha primeira tentativa de Pão de Ló de Ovar (eu sei, o nome do bolo não leva letras maiúsculas mas este merece).
Liguei o forno um bocadinho quente demais, que fez o topo mais escuro do que o ideal, mas sabe bem.
Segui uma receita da Internet mas quaaaaase fiz alguns erros básicos. Principalmente, li a lista de ingredientes e vi “fermento” mas entendi mal. Ao que parece, fermento é uma coisa e fermento vivo é outra coisa (em inglês, temos palavras distintas para os dois). Estava quase a usar fermento vivo em pó (“dried yeast”) em vez de fermento em pó (baking powder). Felizmente escapei-me daquela asneira! ***
*in the end, I made a massive egg-white omelette
**In the original I write “fazer merengues”, repeating the same verb as in the previous sentence. Why? I think I was mentally translating in my head “What do they DO with the whites? MAKE meringues?” And because both “do” and “make” can be translated as “fazer” I ended up repeating the word in a way that sounds odd in portuguese. It’s a good example of how letting go of translation and embracing thinking-in-portuguese can make all the difference. (Deep philosophical postscript: The fact that fazer is used in both seems to foreclose some possibilities. In English, “what do they do” implies that in addition to making a different dish, they could use it as a glaze. Or compost it. Or flush it down the toilet. Or a host of other things, whereas in portuguese, you can just answer “meringues”, implying that the original meaning of fazer was always “make”. I don’t think that’s really what’s happening though. I could have replied “derrubam-no sobre a cabeça do carteiro” or “fazem merengues”, but because fazer can mean both do and make, we have the option of dispensing with the verb in the answer.)
*** it seems like I’m not the only person who was tripped up by this as you can see from this online shop listing.
Part 3 – The recipe for Pão de Ló de Ovar (in English!)
Heat the oven to 180°C
Grease and line a cake tin – about 22cm diameter
Grab the ingredients
80g of self-raising flour
A level teaspoon of baking powder
11 egg yolks. Yes, 11. If you like egg-white omelettes, maybe time it so you have that for lunch on the day you make it!
2 whole eggs
Pinch of salt
200g of sugar
Mix the eggs, yolks, sugar and salt. Whisk them with an electric whisk at full speed for a full 15 minutes or until your hand goes numb, whichever is longer.
Mix the flour and baking powder then carefully fold them into the mix using a spatula. Don’t use the mixer for this bit. It’s probably best to add it a bit at a time, otherwise it all sinks to the bottom and it’s hard to retrieve.
Pour the mixture into the tin and out it in the oven for about 35 minutes. It’ll probably need less time if your cake tin is larger than 22cm because the whole thing will be thinner.
Here’s what mine looked like. Nothing like the picture, as you can see. I think I had the oven too high. I always do that; it is my be setting sin. Tastes great though – and I have seen other people’s Pão de Ló looking the same so I’m not ashamed of it or anything!
O meu novo cliente (uma câmara municipal) insiste que faça algumas formações sobre a sua política relativamente ao racismo, os incêndios, saúde e segurança e vários outros tópicos. Estou chateado porque não trabalho na sede deles. Não há o mínimo risco dum problema de segurança lá, muito menos dum incêndio. Que burrocracia do caraças .
A corrected review of O Enigma da Atlântida by Edgar P Jacobs with corrections by Talures, who kindly rewrote a whole sentence because it was so convoluted. I write like I talk sometimes and that’s not a good thing.
Geralmente, gosto de bandas desenhadas, mas achei este livro aborrecido. Já falei da história há uns dias. Gostei da ideia dos Açores serem os últimos vestígios da Atlântida, mas perdi a curiosidade muito depressa e tive de fazer um esforço para continuar a leitura. O cenário não faz o mínimo sentido: nem a história nem a sobrevivência durante séculos da cidade numa caverna sob o oceano, apesar da população disparar armas nessa caverna, de 5 em 5 minutos, provocando explosões e desabamentos. Não me agarrou tanto quanto uma BD do Tintim.
Corrected text about a visit to the theatre. I’d be a terrible critic because I always want to joke about the bad aspects of the thing I’m describing because it’s funnier than earnestly gushing about how good it was. So yeah, I know I say “she’s just a Karen”, and although that’s true in a sense, there’s more to it than that of course. It’s really, really good. I was properly transfixed.
Phaedra
A minha mulher fez anos ontem. Fomos assistir a uma peça de teatro em Londres. O título é “Phaedra” (Fedra) e é baseada numa peça de Eurípides. Fala duma mulher (uma princesa na peça original e uma ministra na versão moderna) que se apaixona pelo filho dum ex-amante e acaba por causar a morte do filho e depois suicida-se. O escritor introduziu um elemento de colonialismo: a mulher é branca, rica e betinha, enquanto a vítima é um refugiado marroquino. Isto faz o enredo mais aceitável a um público moderno: o motivo deixa de ser o ciúme e a luxúria e torna a ser privilégio social e “branquice*”. No fim de contas, ela não passa de ser uma Karen.
O elenco fez milagres. Apesar do tema trágico, houve também muito riso e a peça no seu conjunto foi hipnotizante. Os atores passavam da farsa à tragédia facilmente e mudavam idiomas como se nada fosse**. A maior parte do diálogo, nos últimos vinte minutos, fez-se numa mistura de francês e árabe com poucas frases inglesas, mas os atores conseguiram lidar com a transição entre línguas sem qualquer problema. Havia legendas projetadas abaixo do*** palco para quem conseguisse ler, que infelizmente não me incluiu… Consegui seguir o desfecho, mais ou menos, mas depois a minha esposa e a minha filha tiveram de me explicar alguns pormenores!
*”whiteness” exists in portuguese but it’s a new word coined to keep up with the racial discourse seeping out of America, not really used in common parlance. I’m using it with my tongue in my cheek too.
**I wrote “como se fosse nada” but it was changed to this – interesting one!
***I put “ao pé do palco” but of course that means “near the stage” not literally “at the foot of the stage”
Como já disse há uns dias, Quentin Tarantino não é a praia (nem a bebida quente) de toda a gente. Deixem-me fornecer um exemplo.
Havia um rapaz na minha escola chamado Krishnun Guru-Murthy que era (e, tanto quanto sei, ainda é) um ano mais novo do que eu. Quando acabou a escola, foi contratado como apresentador televisivo. Leu as notícias e, mais tarde, entrevistou políticos e outras pessoas no centro das atenções. Em 2012, falou com o realizador sobre o seu então novo filme “Django Libertado*” no programa “Channel 4 News” e durante a conversa, fez uma pergunta sobre a violência nos filmes. Tarantino barafustou contra a linha de questões. O enorme queixo dele estremeceu de raiva. “Não quero falar disso. Este é um anúncio publicitário ao meu filme, não se engane”.
O apresentador continuou mas tornou-se muito óbvio que o realizador não estava acostumado ao estilo agressivo dos entrevistadores ingleses. Assumem uma postura adversária em vez de lamber o cu dos famosos. “Estou a encerrar o seu cu”** bradou (Hum, para ser sincero, esta frase não se traduz bem) “Não sou o seu escravo”. Que burrice.
Seriously, look at the size of that thing.
*According to Wikipedia this is the name on Portugal and its Django Livre in Brazil, but I’m told its more common to just use the original, English name.
**Obviously “I’m shutting your ass down” isn’t really a portuguese expression.
Vi este filme de Quentin Tarantino hoje à tarde enquanto a aplicação que estava a utilizar no meu trabalho pulverizava os arquivos e borrifava-os dentro da base de dados.
Tarantino não é a praia de toda a gente* mas o filme é muito bom. É simultaneamente uma homenagem de Era Dourada** de Hollywood e um reconto ficcionalizado dos eventos de Agosto 1969, quando a “família” de Charles Manson assassinou Sharom Tate e alguns amigos dela.
Look, look, another blog post
* You don’t say “he’s not everyone’s cup of tea” (chave a de chá) you say “he’s not everyone’s beach” (praia)
** It’s era dourada for a golden age, but Idade do Ferro for the iron age. Yes, the capitalization matters.
Sendo um leitor ávido*, subscrevo a vários canais que pertencem às editoras portuguesas nas redes sociais. Há editoras que fazem capas incríveis. Adoro as capas da Tinta de China e da Relógio d’Água. Mas além dessas, vejo muitas capas de livros ingleses que têm melhor aspeto na versão traduzida.
*My only mistake in this was leaving out an adjective, and, it sounds “um pouco coxa” – literally “a bit lame” – without one.