A corrected review of O Enigma da Atlântida by Edgar P Jacobs with corrections by Talures, who kindly rewrote a whole sentence because it was so convoluted. I write like I talk sometimes and that’s not a good thing.
Geralmente, gosto de bandas desenhadas, mas achei este livro aborrecido. Já falei da história há uns dias. Gostei da ideia dos Açores serem os últimos vestígios da Atlântida, mas perdi a curiosidade muito depressa e tive de fazer um esforço para continuar a leitura. O cenário não faz o mínimo sentido: nem a história nem a sobrevivência durante séculos da cidade numa caverna sob o oceano, apesar da população disparar armas nessa caverna, de 5 em 5 minutos, provocando explosões e desabamentos. Não me agarrou tanto quanto uma BD do Tintim.
Corrected text about a visit to the theatre. I’d be a terrible critic because I always want to joke about the bad aspects of the thing I’m describing because it’s funnier than earnestly gushing about how good it was. So yeah, I know I say “she’s just a Karen”, and although that’s true in a sense, there’s more to it than that of course. It’s really, really good. I was properly transfixed.
Phaedra
A minha mulher fez anos ontem. Fomos assistir a uma peça de teatro em Londres. O título é “Phaedra” (Fedra) e é baseada numa peça de Eurípides. Fala duma mulher (uma princesa na peça original e uma ministra na versão moderna) que se apaixona pelo filho dum ex-amante e acaba por causar a morte do filho e depois suicida-se. O escritor introduziu um elemento de colonialismo: a mulher é branca, rica e betinha, enquanto a vítima é um refugiado marroquino. Isto faz o enredo mais aceitável a um público moderno: o motivo deixa de ser o ciúme e a luxúria e torna a ser privilégio social e “branquice*”. No fim de contas, ela não passa de ser uma Karen.
O elenco fez milagres. Apesar do tema trágico, houve também muito riso e a peça no seu conjunto foi hipnotizante. Os atores passavam da farsa à tragédia facilmente e mudavam idiomas como se nada fosse**. A maior parte do diálogo, nos últimos vinte minutos, fez-se numa mistura de francês e árabe com poucas frases inglesas, mas os atores conseguiram lidar com a transição entre línguas sem qualquer problema. Havia legendas projetadas abaixo do*** palco para quem conseguisse ler, que infelizmente não me incluiu… Consegui seguir o desfecho, mais ou menos, mas depois a minha esposa e a minha filha tiveram de me explicar alguns pormenores!
*”whiteness” exists in portuguese but it’s a new word coined to keep up with the racial discourse seeping out of America, not really used in common parlance. I’m using it with my tongue in my cheek too.
**I wrote “como se fosse nada” but it was changed to this – interesting one!
***I put “ao pé do palco” but of course that means “near the stage” not literally “at the foot of the stage”
Como já disse há uns dias, Quentin Tarantino não é a praia (nem a bebida quente) de toda a gente. Deixem-me fornecer um exemplo.
Havia um rapaz na minha escola chamado Krishnun Guru-Murthy que era (e, tanto quanto sei, ainda é) um ano mais novo do que eu. Quando acabou a escola, foi contratado como apresentador televisivo. Leu as notícias e, mais tarde, entrevistou políticos e outras pessoas no centro das atenções. Em 2012, falou com o realizador sobre o seu então novo filme “Django Libertado*” no programa “Channel 4 News” e durante a conversa, fez uma pergunta sobre a violência nos filmes. Tarantino barafustou contra a linha de questões. O enorme queixo dele estremeceu de raiva. “Não quero falar disso. Este é um anúncio publicitário ao meu filme, não se engane”.
O apresentador continuou mas tornou-se muito óbvio que o realizador não estava acostumado ao estilo agressivo dos entrevistadores ingleses. Assumem uma postura adversária em vez de lamber o cu dos famosos. “Estou a encerrar o seu cu”** bradou (Hum, para ser sincero, esta frase não se traduz bem) “Não sou o seu escravo”. Que burrice.
Seriously, look at the size of that thing.
*According to Wikipedia this is the name on Portugal and its Django Livre in Brazil, but I’m told its more common to just use the original, English name.
**Obviously “I’m shutting your ass down” isn’t really a portuguese expression.
Vi este filme de Quentin Tarantino hoje à tarde enquanto a aplicação que estava a utilizar no meu trabalho pulverizava os arquivos e borrifava-os dentro da base de dados.
Tarantino não é a praia de toda a gente* mas o filme é muito bom. É simultaneamente uma homenagem de Era Dourada** de Hollywood e um reconto ficcionalizado dos eventos de Agosto 1969, quando a “família” de Charles Manson assassinou Sharom Tate e alguns amigos dela.
Look, look, another blog post
* You don’t say “he’s not everyone’s cup of tea” (chave a de chá) you say “he’s not everyone’s beach” (praia)
** It’s era dourada for a golden age, but Idade do Ferro for the iron age. Yes, the capitalization matters.
Sendo um leitor ávido*, subscrevo a vários canais que pertencem às editoras portuguesas nas redes sociais. Há editoras que fazem capas incríveis. Adoro as capas da Tinta de China e da Relógio d’Água. Mas além dessas, vejo muitas capas de livros ingleses que têm melhor aspeto na versão traduzida.
*My only mistake in this was leaving out an adjective, and, it sounds “um pouco coxa” – literally “a bit lame” – without one.
Eu e a minha filha vamos a pé para o centro de Londres amanhã. Há uma ligação por comboio mas preferimos levar “o pónei de Shanks” (Shanks’s pony = as nossas pernas) como dizemos em Inglaterra.
I love a story with a happy ending
2
Deixámos mais de 30 mil pegadas ao longo do caminho que segue o rio Tamisa. Chegámos na livraria à tarde e voltámos para casa com as malas cheias de livros.
O livro que estou a ler foi escrito por um belga. Pesquisei o seu nome e encontrei muitas imagens dele a chupar as ponteiras dos seus óculos . Este comportamento parece-me muito insólito. Não têm sabor nenhum; permanecem atrás das orelhas que é um lugar pouco limpo; ele não faria a mesma coisa com, por exemplo, um relógio de pulso ou um pente. Porque é que alguém acha esta postura transmite um ar pensativo? Isso é mais um mistério da vida.
“O Mar de Gelo” conta a história dum casal boémio que mora numa cave em Londres. Clive é um dramaturgo que começa todas as peças bem mas a quem falta a paciência para concluir a obra da* mesma maneira. Katie é uma atriz igualmente mal sucedida.
Durante uma época de escasso emprego, os dois fazem um plano de que Katie passará o Inverno com um escritor que ela conhece. É mais conhecido e mais rico mas ao que parece não se lembra dela de todo. Ela arranja uma série de encontros “inesperados” para renovar o seu conhecimento e acaba por passar algum tempo no seu castelo arruinado.
Senti-me sem ligação nenhuma aos protagonistas e ainda por cima não achei que houvesse química nenhuma entre eles. Citam frases literárias um ao outro, mas será que Clive ama Katie? Sei lá. Katie ama Tom? Estou a encolher os ombros. A única combinação que a autora não experimenta é Tom x Clive. Talvez isso seja a grande paixão escondida neste livro. Toma nota, Ana, se pensares em escrever uma sequela.
*Surprising prepositions #8,912 – He lacks the patience to conclude the book of the same way, not in the same way. This is like the example on yesterday’s text so I should probably try and practise this one.
Acabo de defender um homem bengali que perguntou no r/Portugal se era* possível obter cidadania portuguesa, tenda um filho nascido em Portugal.
Havia outras pessoas a insultá-lo** de*** uma maneira pouca educada, portanto dei uma resposta mais animadora.
Mas depois constatei que o gajo era um troll e agora estou amargurado por ter desperdicido tanto esforço e tanta bondade com**** um idiota. Devia ter passado o tempo a fazer algo mais útil.
1969
Nasci em 1969. Nesse ano, os seres humanos pisaram a superfície da lua. Eu também queria ser astronauta mas acabei por ser consultor de informática que é a segunda melhor coisa*****.
*I wrote “fosse” but of course the question “can I obtain citizenship this way” is a question of fact, not a speculation, so it doesn’t take the subjunctive.
**I tried to be down with the kids by using the verb xingar, but it’s too Brazilian
***Surprising preposition use: of a way, not in a way.
****Another one: I wasted my effort with an idiot, not on an idiot.
*****Googling how to say “second best thing” I was told “melhor coisa seguinte” but this turns out to be wrong.
An account of recent afflictions with thanks to o_pragmatico for the correction. O Jacinto means hyacinth, by the way.
The Other Hyacinth
A febre dos fenos é uma espécie de rinite provocada por pólen. Basicamente, é uma alergia. Antigamente não tinha tais problemas, até durante a Primavera,* mas recentemente fico cada vez mais um mártir… OK, estou a exagerar mas sinto uma coça no meu nariz de vez em quando, se o ar estiver cheia de pólen. Há 4 dias que estou com uma constipação**. Achava que era por causa dum vírus qualquer mas apercebi-me que os sintomas desaparecem quando estou na cama ou fora da casa e entendi que a origem da doença era o jacinto no vaso perto da televisão!
(two days later)
Ainda não deitei fora aquele jacinto. Gosto mais de flores do que respirar.
*I’m a bit slapdash in my use of commas, even in English, but I often get picked up on them in my Portuguese texts and I suspect this is something you’d be judged for in written portuguese, much more more than you would in English.
**This will never not be confusing to me but in case you don’t already know, constipação usually means a blocked nose in Portuguese. It can mean the other kind of constipation too of course but not usually.