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Mais Um Meio-Falso Amigo

Today’s post is a callback to a previous one – the one about the word “Colaborador“. While writing it, I noticed another interesting phrase that stimulated some detective work. Thanks to ITeachPTPT, also known as Aprender PT-PT on Facebook. If you’re looking for a teacher, go and have a look!

Enquanto estava a reescrever um texto de há uns dias sobre a palavra “colaborador”, deparei-me com este tweet. Queria averiguar se entendia bem a expressão “Não é modernidade, é exploração” porque não batia certo para mim como anglófono e suspeitava que fosse um erro de digitação.

Se não me engano, isto não tem nada a ver com a exploração que fez Vasco da Gama. (inglês “exploration”) mas trata-se de… Hum… Abusar a diferença de poder ou de conhecimento entre duas pessoas, como, neste caso concreto, uma empresa e o seu empregado (inglês “exploitation”).

Abri o priberam e lá estava a sexta definição de exploração: basicamente tem os dois significados.

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Colaboradores e Trabalhadores

Trabalhadores e colaboradores

Here’s an interesting thing I saw on Instagram and thought would be a good topic to talk about. It’s about the subtle difference of meaning between the portuguese word “colaborador” and the English equivalent “collaborator”. Thanks to Talures for the help with this one.

Uma amiga publicou uma foto da sua lapela com um distintivo que dizia

Colaborador Trabalhador.

Não percebi o significado, porque o cognato inglês de “colaborador” é usado geralmente para traidores que colaboram* com os invasores que ocuparam o seu país nativo. Mas ela explicou e eu li uma página sobre o assunto. Colaborador é uma espécie de jargão corporativo. Algumas empresas nomeiam os empregados de colaboradores, porque trabalhador tem uma conotação de trabalho manual nas fábricas e nas quintas.

Mas há quem não goste da palavra, porque disfarça a relação entre empregador e empregado. Como a minha amiga disse “para fazer passar a ideia que os trabalhadores também são parte da empresa”.

Não é comigo, porque não trabalho numa empresa portuguesa, mas de forma geral, ainda que não goste destas gírias que crescem como um fungo nas reuniões de negócios, não acho assim tão problemático trabalhadores se sentirem parte da empresa – até certo ponto. Desde que a empresa não seja má.

*The corrector suggested changing this to past tense to match the verb later in the sentence but although I can see that’d normally be the right call, I don’t think I agree on this specific case. For example you could imagine a Ukrainian collaborating (present tense) with Russians who invaded (past tense) the country. As she pointed out, it’s probably better to avoid the ambiguity by making it simpler and eliminating the extra verb: “Pessoas que colaboram com os agressores do seu país” or something like that.

I don’t have the image I was talking about but this gives you a flavour of the controversy!
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Pastéis

Há uns dias, escrevi um texto sobre uma receita portuguesa mas uma amiga informou-me que a receita era uma tradução e que faltava autenticidade. Para restabelecer a minha reputação, comprei estes pastéis autênticos que encontrei no supermercado perto do nosso covil.

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Coroação

Penny Mordaunt and her nighty weapon
Penny Mordaunt on her way to cut my cake

Faço anos no dia 6 de Maio mas ninguém quer saber porque um gajo irá receber um novo chapéu cintilante naquele dia. Não é nada justo.

By the way, someone turned up to the celebrations with an old, monarchist flag. You can see it at the bottom of this pic.

Para mim, a bandeira da República é melhor. O vermelho e o verde a rodear o brasão de armas combinam para dar um efeito marcante. A monárquica não é nada mal, mas prefiro as cores mais fortes.

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O Dia Mundial da Língua Portuguesa

Hoje é o dia mundial da língua portuguesa, durante o qual as nações da CPLP celebram o idioma que as une. Teria preferido fazer algo fora do comum para celebrar (por exemplo usar uma vírgula corretamente) mas estava a trabalhar portanto acabei por fazer a rotina habitual e mais nada.

Thanks Ferp99 for the corrections

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Triângualho

Chegou uma nova planta ao nosso lote de terra na horta comunitária. Tem flores delicadas e brancas. O tronco tem três lados planos, na forma de um triângulo. É muito parecido às várias flores como, por exemplo, whitebells (não sei o nome em português mas é uma espécie de jacinto), snowdrops (galanthus) ou lírio-do-vale. Fiquei curioso e perguntei a um outro subreddit: será que alguém conhece esta flor? A sua resposta surpreendeu-me. A planta é uma espécie invasiva que veio da Europa. A flor, cujo nome é “Allium Triquetrum” (“alho de três cantos”, ou, na Austrália, cebola daninha), é membro da mesma família do alho e do alho francês. É muito saborosa mas, logo que se estabelece num sítio, as sementes e as raízes espalham-se por todo o lado e, em breve, deslocam as plantas nativas. Por isso, é ilegal plantar em lugares selvagens neste país. Mas de onde veio esta planta na margem da lote? Dei uma volta pela horta. Do lado de fora da cerca existem centenas de flores brancas. No canto da rua, perto da escola, há mais umas dezenas. E, ligeiramente mais distante, à beira do Rio Tamisa há uma fila destas flores a acenar às ondas.

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A Vida Louca Do Meu Avô

I’ve written about my grandpa’s memoirs before but I’ve been digging some more and decided to do a longer post about some of his career highlights. Thanks to Dani for the help.

Passei algum tempo no arquivo nacional hoje. Durante a estadia, reli algumas páginas das memórias do meu avô. Meu Deus. Lembro-me dele como um idoso que não dizia muito de interessante ou fora do comum.

Nasceu na Irlanda (que, àquela altura era unida e fazia parte do Reino Unido). Assistiu ao lançamento do navio “Titanic” em 1911 com 8 anos de idade. Depois, a maior parte da Irlanda tornou-se independente mas ele vivia num dos condados que permaneceram no RU. O meu avô costumou ir ter com os habitantes da aldeia durante a noite enquanto eles treinavam como membros dum grupo paramilitar. Erguia uma lanterna para que eles tivessem luz o suficiente. Tinha nove anos. Nove. Estavam constantemente à espera duma emboscada dos católicos. Um dia um navio trouxe um carragemento de armas oriundas da Alemanha para abastecer os paramilitares protestantes. Porquê? Acho que tem algo a ver com a Grande Guerra que teria lugar dois anos depois: os protestantes não queriam lutar com França (católica) contra os alemães (protestante) portanto seria vantajoso para a Alemanha se os protestantes ganhassem mais poder no país.

Muitos anos após a divisão* da Irlanda, o meu avô trabalhava num hospital na Birmânia quando os japoneses invadiram. Era responsável por muitos doentes de cólera e permaneceu até ao último minuto, muito depois da maioria dos ingleses se terem ido embora. Antes de sair, explodiu os carros abandonados para não dar aos invasores oportunidade de usá-los. Ganhou uma medalha por destruir carros. Hoje em dia há quem destrua carros sem incentivo mas, sei lá, ele tinha um talento.

Participou na guerra como médico militar.

O irmão dele, que também vivia na Birmânia, bazou na mesma altura, mas voltou ao país no ano seguinte com as forças especiais para cometer atos de sabotagem. Foi atingido por uma bala, foi preso e morreu numa prisão japonesa em 1943.

Após a guerra, o meu avô também regressou à Birmânia. Trabalhava no hospital de Rangoon em 1948 e ajudou a mãe do cantor Nick Drake quando ela deu à luz.

E estes são apenas os fatos que já sei da sua vida intensa!

*I wrote “partição” (partition) but that was changed. That sense of the word does exist but seems not to be the narural one to use in this context.

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Açorda à Alentejana… Or is it?

Soup nazi
No Açorda for You.

Here’s a recipe I made the other day. I’m told what I made was not a soup but “um crime”. Well, everyone’s a critic… But the trouble is, I’ve seen so many pictures of it, each different from the other, that it was inevitable I was going to fall foul of someone’s judgement. I think maybe it should have been more bread-sauce like but that’s not what my recipe said. Anyway, after some back and forth, it turns out it wasn’t even a proper portuguese recipe because the site I ended up using was an American site, interpreting it their own way, and translated back into portuguese, probably using gtranslate or something. And the title of the recipe was “portuguese bread soup”, not even the fancier name. It was all a bit of a mess really. Oh well, with that caveat, here we go. Thanks to Dani as usual for the corrections and for not reporting me to the PSP for crimes against cooking.

Fiz uma sopa portuguesa ontem. O nome do prato é Açorda à Alentejana. Tínhamos pão com fartura* em casa e não queria desperdiçá-lo. A receita é fácil mas há variações. O método que usei é basicamente o seguinte: pisar(1) uns dentes de alho, uns ramos de coentros e um pouco de sal grosso num almofariz até está tudo amassado

Açorda à alentejana

Entretanto, cozer um ovo.

Colocar as papas de coentros e alho numa tigela. Depois, regar com caldo de frango (a maior parte das receitas usam água de bacalhau ou simplesmente água a ferver mas o caldo parece-me mais saboroso)
Adicionar as fatias de pão e finalmente o ovo.

O meu verdicto? 3/10, mas irei experimentar novamente em breve quando tivermos pão mais duro, como pão caseiro. E planeio usar mais sal. Adicionei com moderação para ser mais saudável e ainda acho que “uma colher de sopa bem cheia” como diz a receita é muito mas há de haver uma posição intermédia!

Mas não digam à Alentejana que inventou esta receita.

(1) já conhecia este verbo mas nunca vi antes neste contexto!

*I originally wrote “pão farto” following the recipe, but as I said, it’s a translation so that’s probably not a real expression.

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A Revolução dos Cravos

Hoje, lembramo-nos dos membros das forças armadas que derrubaram o governo salazarista, devolvendo a Portugal a sua liberdade. Logo depois, as guerras em África terminaram*. Foi um processo penoso mas durante os anos que se seguiram, aquele ato de coragem por parte dos militares melhorou as vidas de milhões de pessoas e foi realizado quase sem derramamento de sangue – apesar de elementos da DGS terem aberto fogo sobre a população a porta da sede da PIDE. Quem me dera que mais revoluções fossem assim tão pacíficas e eficazes.

A propósito, durante os meses iniciais de aprender português, ouvi esta frase num podcast mas percebi “A Revolução de Escravos” que faz sentido até certo ponto. Já sei que “de escravos” não seria gramaticalmente correto mas para mim, um jovem de quarenta-e-tal anos, sem experiência neste mundo confuso de gramática portuguesa, nem sabia melhor.

*i wrote “foram levadas ao fim”, trying for “brought to an end” but I think it has more a sense of “carried to their end”, which is pretty much the opposite of what I was aiming for!