Posted in Portuguese

Um Encontro Imprevisto

True story. I know it sounds made up, but it’s not, I swear. Thanks to Dani for the corrections.

Reece Shearsmith

Eu e a minha filha fomos ao pub ontem para participar no “Quiz” deles (um concurso de perguntas e respostas). Desta vez, convidámos a prima dela, mais uma nativa da Madeira, para participar na nossa equipa. Fomos pelo caminho à beira do rio porque é sempre bonita ao fim da tarde. Ela ia a falar sobre o seu ator preferido, Reece Shearsmith, que está atualmente numa série da Netflix.

Após algum tempo, havia um grupo de pessoas a andar na direção oposta e, atrás delas, duas ciclistas. Parámos para deixar as ciclistas passar, e o homem do grupo, vendo que havia alguém parado na sua frente, levantou a cabeça para dar uma olhada à sua volta. Assim que vi o seu rosto apercebi-me de que era o rosto do Reece Shearsmith.

Pus-me a andar de novo, boquiaberto. Ouvi a Olivia a perguntar “O quê???”.

“Isto aconteceu mesmo?” disse eu

“Aconteceu, sim” respondeu. “Mas porquê?”

E continuámos para o nosso destino, mais velhos e mais sábios*.

Ela contou a história à sua prima e (através do aplicativo Discord) a alguns amigos, mas não quer revelar o encontro nas redes sociais porque ninguém vai acreditar em algo tão rebuscado.

Ganhámos o quiz porque somos génios mas isso foi apenas a segunda coisa mais incrível da noite.

*We went on our way, older and wiser. I like this as a phrase and I enjoyed translating it, but really it’s likely to sound a bit weird in portuguese. It’s a bit self-indulgent to expect quotations to translate frictionlessly from one language to another.

Posted in Portuguese

“O Último Cais” de Helena Marques

Começando este livro, custou-me a entender o primeiro capítulo porque havia tantas personagens em duas linhas de tempo distintas que perdi logo o fio à meada. Desenhei uma árvore genealógica de como as várias pessoas estavam ligadas, que tornou a compreensão mais fácil, e depois fiquei absorvido na história.

O enredo anda à volta de uma família madeirense, principalmente um casal que vive nos finais do século XIX. Há uma narradora que está a contar a história mas ela é quase invisível. Poucas vezes faz referência ao seu próprio ponto de vista, cem anos depois, quando herda uma escrivaninha e vários papéis da sua tia, que também é neta do casal.

Cada capítulo é dedicado a um familiar, principalmente os elementos femininos, e a sua perspetiva. Embora Marcos, o marido do casal, seja central ao enredo, não é o protagonista. A autora está mais interessada na experiência das filhas e irmãs e outras mulheres; na primeira página há uma citação de Herberto Hélder* “Começa o tempo onde a mulher começa”.

Seria muito fácil para um livro que tem lugar numa ilha ser insular ou paroquial, mas a autora deixa uma janela aberta para o mundo lá fora: Marcos participou na luta contra a escravatura em África após a sua abolição na Europa e nos Estados Unidos, e outros capítulos abordam o movimento pelos direitos das mulheres, conhecido por sufragismo, o crescimento do sentimento republicano e até o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica na forma de um cabo telefónico sob o Atlântico. Assim situando o seu elenco num palco mundial, pintando numa tela grande (estou a misturar metáforas mas não me importa), a autora evita um sentido de claustrofobia.

Adorei o livro e estou muito contente que mo tenham recomendado antes das nossas férias na Madeira.

*i originally wrote this as “há uma citação na primeira página de Herberto Hélder” (there’s a quote on one first page from Herberto Hélder) but that is confusing because “a primeira página de Herberto Hélder” makes it sound like HH has pages, and he probably doesn’t.

Posted in Portuguese

“Ideias Concretas Sobre Vagas” de Ricardo Araújo Pereira

Ricardo Araújo Pereira é um dos humoristas mais confiáveis que já li: sempre que abro um livro dele, fico divertido e, às vezes, até aprendo algumas coisinhas. Nunca encontrei um livro dele aborrecido (mas nunca experimentei o que fala de futebol!)

Ideias Concretas Sobre Vagas

Neste livro, o ganda Ricardo vira a sua atenção para a pandemia e os transtornos, as parvoíces e todas as mudanças daquela época na história do nosso mundo. Ler o livro é uma espécie de viagem no tempo: é quase possível adivinhar a semana na qual um capítulo foi escrito, analisando o que ele menciona: o confinamento, as medidas contra infeção, como lavagem de entregas, máscaras, o horrível vídeo de estrelas a cantar “Imagine” e por aí fora. E não desilude.

Tanto quanto sei, o título é um trocadilho baseado no duplo significado de “vagas”: como substantivo é um sinónimo de “ondas” e como adjetivo é a forma feminina e plural de “vago” que significa “impreciso”. Portanto pode significar “sobre as vagas do vírus” ou “sobre ideias vagas”.

Posted in Portuguese

“Choupos” de Adília Lopes

Choupos de Adília Lopes
Choupos

Ouvi falar desta autora e, logo no dia seguinte, um livro dela caiu no meu cesto no FNAC. Confesso que o achei um pouco aleatório. Poesia, aforismos, esboços verbais… para mim, há nisto uma certa falta de coerência, mesmo que tenha gostado de várias páginas.

Não sabia o que queria dizer o título. É uma espécie de árvore – a que nós chamamos de “Poplar”.

Posted in Portuguese

“E Agora” de Raquel Sem Interesse

Encontrei este livro enquanto estava à procura de uma outra BD. Li-o logo porque me apetecia mais do que a minha leitura principal (é boa mas… densa!)

E Agora? De Raquel Sem Interesse
E Agora?

O livro é divertido, mas não consigo dizer porque é que o apreciei tanto. Pouco acontece. Ela nasce, cresce, trabalha e no final atinge algum sucesso. Não há grande drama, e talvez tenha sido disto mesmo que gostei: muitos autores querem aumentar o drama das suas vidas, exagerando os seus sofrimentos e ganhando a simpatia do leitor. A Raquel fala, sim, de vários colegas mal dispostos e até (uma vez) de “abuso” mas estes transtornos aparecem como obstáculos a superar e ela nunca assume o papel de vítima. Enfim, isto é inspirador: é uma história quotidiana, mas a protagonista é trabalhadora e aberta às possibilidades da vida. Quando cai num buraco, começa de novo e melhora a situação, por mais difícil que seja.

Há elementos de sorte nisto tudo: ela é inteligente, com bons amigos, um namorado simpático e uma família apoiante, mas a vida dela não é um mar de rosas. Como toda a gente, ela joga as cartas que tem, e pessoalmente, gostei da sua maneira de lidar com os problemas.

Posted in Portuguese

Madeira 12 – Dia de Fazer as Coisas Todas

Agora que escrevo isto, pergunto-me como é que fizemos tanto num só dia, mas fizemos e nem sequer nos sentiamos apressados. último dia, conseguimos tudo que tínhamos planeado: eu corri logo de manhã antes dos outros acordarem. Tomámos o pequeno-almoço no café Penha D’Aguia e visitámos duas igrejas, incluindo a Sé e o Museu de Arte Sacra. Depois, fui buscar o carro ao estacionamento e fomos todos à praia para um breve mergulho, e fomos ainda ao topo do Pico do Areeiro acima das nuvens. A vista era incrível. Quando voltamos para o Funchal, estacionámos o carro num lugar estratégico e fomos comer num restaurante de que tinha gostado quando jantámos lá há uns dias. Experimentei a poncha e a cerveja madeirense, Coral. Deitei-me cedo para estar pronto para o dia seguinte porque temos um voo muito cedo.

Molho frito, batatas Fritas, chouriço, espada, fígado e cebolas

Agora que escrevo isto, pergunto-me como é que fizemos tanto num só dia, mas fizemos e nem sequer nos sentíamos apressados.

Posted in Portuguese

Madeira 11 – ao longo da costa

Hoje, fomos de carro ao longo da costa para visitar vários sítios : o Centro da Banana da Madeira, um restaurante em Porto do Sol, a Câmara de Lobos, Cabo Girão, a Igreja de São Mateus, e uma livraria num bairro nos arredores do Funchal onde há muitos hotéis e prédios altos modernos. Parece um trecho de terra a beira do rio Tamisa! Chegámos a casa às 8 horas da noite e jantámos pão, manteiga, queijo e chouriço.

Câmara de Lobos
Câmara de Lobos, decked out in its reclaimed-plastic finery. The name doesn’t refer to actual wolves. There’s a section of rock that forms a kind of chamber (câmara) and when it was discovered, the sailors saw a bunch of fur seals (Lobos Marinhos) chillin’ out there.

Amanhã será o último dia das férias e estamos ansiosos para não desperdiçar o tempo restante. Planeamos em nadar mais uma vez, em visitar um museu, e em comer e beber várias coisas que ainda não experimentámos. Ainda não tive a prazer de provar esta ‘poncha’ com a qual toda a gente está tão entusiasmada. A tragédia de ser o único condutor!

Posted in Portuguese

Madeira 10 – As Pessoas que Moram na Colina

Antes de a família acordar, saí de casa e corri pelas ruas da cidade, desfrutando do ar fresco e das calçadas vazias.

Mais tarde, fomos todos à estação do teleférico e viajámos até aos jardins da Quinta “Monte Palace”. Almoçámos e demos uma voltinha de pé. Numa parte do jardim havia um grupo de fotógrafos à espera de duas pessoas: um homem e a namorada. Ele fizera planos para a pedir em casamento. Ficámos por perto e, a julgar pelos gritos, ela aceitou e já está a sua noiva!

Tobogan
We passed right by the tobogan place but nobody wanted to do it with me – miserable gits! It didn’t seem like it’d be much fun on my own. Well, you can see from the look on this bloke’s face. His wife and daughter wouldn’t go with him either. I feel his pain.

Às 4 horas e meia, a madrinha da Catarina chegou à entrada dos jardins botânicos. Ela e o marido levaram-nos a sua casa onde passámos três horas agradáveis. Moram numa casa que construíram do princípio numa colina. É bonita e a vista da varanda é incrível. Comemos uma fatia de bolo caseiro e bebemos um copinho de ginjinha, também caseira*, e uma chávena de chá. A Catarina e a madrinha falaram das suas vidas e de pessoas conhecidas de** ambas. Eu tentei falar com o marido mas além de ele ter o sotaque madeirense tinha tido um acidente vascular. Portanto era difícil entendermo-nos, mas eu disse algumas coisinhas sobre a nossa vida, e até consegui fazer umas piadas. A Olivia ficou tão entediada que ocorreu*** um milagre: ela estava incentivada a falar português, o que basicamente nunca acontece. Com as poucas palavras que ela tem, e o francês da escola (a madrinha tinha sido professora de francês antes de se reformar), ela conseguiu comunicar. A madrinha é muito simpática e a família também. Segundo a Wikipedia, o papel dos padrinhos é serem “pais espirituais” e “no batismo, têm a obrigação de**** auxiliar os pais da criança na sua educação religiosa”. A Catarina é casada, não só com um ateu, mas um ateu protestante, mas se a madrinha dela estava desiludida com a sua afilhada, escondeu bem a desaprovação! Sou introvertido e regra geral fico desconfortável com desconhecidos mas não houve problema porque foram tão acolhedores.

Depois, o casal deu-nos uma boleia para a cidade e nós jantámos na varanda dum restaurante ótimo, olhando os transeuntes em baixo.

Foi um dia muito agradável.

*I wrote “caseiro”, which would have been right if she’d made the glass but as you’ve probably guessed, it was only the drink she’d made! Adjective endings can change the actual meaning if a sentence!

**Wow, unexpected preposition here: “known of both”, not “known to both”

*** I used “passar-se” instead of “ocorrer” but it doesn’t work on its own like that: it means “freak out”

****I the original it says “têm como obrigação auxiliar” but I lost the “como” and didn’t change the test of the sentence to compensate. Bad paraphrasing.