Ouviste falar da nova rede social para leitores? O Storygraph é um substituto e um concorrente do Goodreads, um site velho e gasto que pertence à Amazon. O novo site é mil vezes melhor no que diz respeito ao funcionamento. Infelizmente, ainda não tem tantos livros quanto o site mais estabelecido. Faltam sobretudo os livros publicados noutras línguas, mas não é difícil acrescentar mais. Estou a pensar em migrar para este site novo para me afastar do Bezosfera.
Category: Portuguese
Uh-oh…

Personality
Gosto de ver os vídeos deste “criador de conteúdos digitais” (como dizem os jovens) porque é linguista e tem uma perspectiva académica que ilumina aspectos da minha própria experiência como estudante da língua portuguesa. Este vídeo alimentou os meus pensamentos (ainda que não concorde com tudo)
Neste vídeo, o doutor fala da questão da mudança da personalidade que alguns poliglotas e influenciadores afirmam que têm enquanto falam outras línguas.
À primeira vista, esta ideia parece-me pouco provável: não assumimos as características nacionais dum país só porque falamos a sua língua. Não ficamos mais… O quê? Mais eficientes só porque famalmos alemão, mais desdenhosos quando falamos francês, ou mais inclinados a esticarmo-nos na praia sem protetor solar só por causa de ter dito “hello”. Noutras palavras, as línguas não alteram os nossos cérebros. Se os alterassem eu seria um futebolista melhor do que realmente sou.
Mas até certo ponto é quase inevitável que sejamos pessoas diferentes em línguas estrangeiras. Eu, por exemplo, sou introvertido e não gosto de falar, mas quando estou a falar português, tenho de estar num estado de espírito mais gregário, quer por acaso quer por fazer um esforço porque caso contrário Não diria coisa nenhuma.
E paradoxalmente não é mais fácil fazer o mínimo possível, no nosso próprio idioma. Em inglês, se a resposta for “sim” dizemos “mm-hm”. Em português o famoso “pois é” existe mas os estudantes, sobretudo os caloiros, geralmente não conhecem, ou não se sentem confortáveis com estes atalhos linguísticos, portanto dizemos algo mais formal e com mais sílabas.
Finalmente, chegamos ao humor: fazer piadas numa outra língua é dificilíssimo, portanto uma pessoa conhecida por divertir a gente parece mais constrangida em português, a não ser que o seu domínio da língua tenha atingido níveis muito elevados.
Estas tendências vêm de uma falta de confiança, mas também sei que existe uma estratégia de adotar uma nova personalidade de propósito para superar o constrangimento do estudante: ou seja, em vez de falar português com a voz do dia-a-dia, imitar um falante nativo: talvez um amigo ou um famoso. Assim, quebramos os nossos hábitos vocais e temos mais liberdade a falar com o sotaque daquela pessoa.
É uma estratégia interessante e eu quero testar esta suposição durante 2025 para melhorar a minha pronúncia.
Resistência à (Pagar por) Leitura
Sigo Regina Duarte no LinkedIn. Comecei muito cedo, por causa dos exames CAPLE, quando ela era funcionária no Instituto Camões, no Consulado Português em Londres. Hoje em dia é diretora do Plano Nacional de Leitura (também conhecido por “LER+”)
Queria let o artigo dela “Resistência à Leitura”, escrito em Dezembro do ano passado mas não tendo tempo, marquei-o para ler mais tarde. Ora bem, hoje é mais tarde, mas bati com o nariz na porta. A imagem do artigo no LinkedIn está cortada. Fiz uma pesquisa no site Expresso mas não sou subscritor e a minha curiosidade não chega aos €2.49 e dois minutos de preencher formulários online!
Dai, posso avaliar a minha resistência à leitura em termos financeiros. O que é que isso significa, um homem educado que não quer pagar umas poucas moedinhas para apoiar a indústria jornalística? Sinceramente, não faço ideia.

Curaçau & Papiamento
Confesso que não sabia nada da ilha de Curaçau, mas achava que, tendo uma cedilha no seu nome, seria um vizinho do Brasil e uma ex-colónia do império português. Mas apareceu no app Worldle há dois dias e… Uau, que surpresa linguística!

“Mi país, mi orguyo” cheira a espanhol, ainda que não seja: os espanhóis escrevem “orgulho” como “orgullo”, porque odeiam o “H”. E… Kòrsou??? O ò nem sequer existe no teclado português!!!
Pedi ajuda ao professor Wikipedia. A ilha fica perto da Venezuela e os aruaques nativos viram* a passagem assistiram às idas e vindas** de todos os impérios europeus ao longo dos anos. Os portugueses baptizaram-na*** como Curaçao (de “curar”**** porque os marinheiros doentes foram deixados na ilha para recuperar) mas os espanhóis também a visitaram a caminho de quem sabe onde. Mais tarde, a ilha mudou de mão entre os neerlandeses, os britânicos e os franceses. Hoje em dia, a influência mais forte é a dos Países Baixos, e a língua falada lá e nas ilhas vizinhas (Aruba e Bonaire, daí a designação “Ilhas ABC”) é um crioulo chamado Papiamento, de base luso-espanhol com muitas palavras neerlandesas.
*messed this one the first time. I would sincerely like to travel back in time, find the man (it must have been a man, and I bet he had a beard) who invented the conjugations of ver and vir, and nail him to a tree.
**even with the corrected error, the crossed-out passage still isn’t great so this bold text was suggested as an improvement.
***one of those words I know when reading but seldom remember when writing or speaking: batizar in place of “dar nome a” or “nomear”, is more common in Portuguese than baptise is in English, maybe because of differing religious histories or maybe just because it sounds better.
****Don’t read too much into this though. Is there actually a word “Curaçau” or perhaps in more modern orthography “Curação” meaning an act or effect of healing? No. No, these is not: that would be “Cura”. “Curaçãu” does exist as a word in Priberam, but it only refers to the orange liqueur of that name, which comes from the island.
Fado Toninho
Estou a perceber, cada dia mais, que existem muitas coisas na língua portuguesa que ando a ignorar. Geralmente esta tendência vem do hábito de ouvir música e podcasts, à espera de entender, espontaneamente, os significados. O texto de ontem fez-me lembrar uma canção dos Deolinda chamado Fado Toninho. Porquê? Porque contem o verbo “escarrar”
De peito feito ele ginga o passo
Arregaça as mangas e escarra pra o lado.
Adoro os Deolinda, e ouvi esta canção centenas de vezes, mas é tão familiar que nem percebi que não fazia a mínima ideia do que significa “Toninho”. Fico com uma noção vaga de que tem a ver com “tom” (uma nota musical pequena?) mas o que é que significa, especificamente? Fiz uma pesquisa no Priberam.
nome masculino
[Zoologia] O mesmo que toninha.
“Toninho”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/Toninho.
E depois?
nome feminino
1. [Zoologia] Designação comum a vários mamíferos cetáceos da família dos focenídeos, mais pequenos que os golfinhos, de focinho curto, corpo fusiforme e barbatana dorsal triangular. = PORCO-DO-MAR, PORCO-MARINHO
(…)
Origem etimológica: latim thunnus, -i, atum + -inha, feminino de -inho.
“toninha”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/toninha.
O quê??? É o Fado dum golfinho pequeno? Whalesong?
Fiz mais uma pesquisa de “Toninho Tom” para constatar se existissem uma versão diminutivo da palavra “tom” e encontrei este video:
O cantor é um brasileiro chamado Toninho Horta e a sua canção, “De Ton Para Tom” é uma homenagem a Tom Jobim. Pois, mas isso não me ajuda. Ou… Será que existe uma pista aqui? Toninho é um nome diminutivo não é? O nome próprio dele é António. Então, Fado Toninho é o Fado do pequeno António?
….
OK, I wrote this earlier and I’ve asked around. Nobody seems to know why this would be. My wife doesn’t, Reddit doesn’t. Someone pointed out that Tony, as a name, is sometimes used to indicate a person is a bit saloio (a word that historically applied yokels living in the country around Lisboa, but more generally applies to anyone who is a bit of a chav, so this guy might be a young Tony who “ginga o passo” (walks with a sort of swagger) and “escarra ao lado” (flobs to the side) and she fancies him ons pote of that?
I don’t really have any better ideas so I’m just going to publish this anyway and hope I’m not too far off the mark.
Adding to this as new theories come in: u/joaommx suggests that it might be a diminutive of toino/tonho, synonyms of parvo. That certainly sounds like it could work but then why isn’t it spelled toininho or tonhinho?
Next vote was back in favour of a diminutive of Antonio, emphasising the general worthlessness of the person, rather than his chavvy aspect (and, thinking about it, this is more in keeping with Deolinda’s ethos: they aren’t big on mocking the poor).
Anyway, the fact that nobody else seems sure what the word means certainly makes me feel better about not understanding it either.
I said Escarrar was a synonym of cuspir but it isn’t quite. Linda Smith once summarised the difference between spitting and gobbing as the difference between “ugh, there’s something in my mouth” and “ugh, there’s something in my head”. Escarrar is gobbing. What we would call a spittoon is called an escarrador in Portuguese. May you never need to use this word on real life.
Apparently the phrase “Escarrar ao lado” can be a set phrase, meaning to talk shit about someone behind their back instead of approaching a subject head on. Hm… I’m not sure how it’s being used here. Certainly, in the live version, when she sings this line she integrates a hawking sound into the song, so I think the guy is just spitting and being disgusting.
Thanks to the good citizens of Reddit, to M’wife for trying, and especially to Cristina for her extensive notes on this post.
Hawktuaguês
Lendo o subreddit r/português esta manhã, encontrei a frase “Cuspido e Escarrado” numa conversa sobre como dizer “they resemble one another” em português. A pessoa que proferiu a sugestão é brasileira mas acho que a frase existe em Portugal também. Já a conheci, mas não tinha pensado de onde vinha. A frase é muito esquisito, não é? Literalmente falando, “cuspido e escarrado” significa “expelido pela boca”, assim….

… Mas não é ofensiva. Usa-se para descrever alguém que tem uma semelhança muito forte com um outro. Priberam dá um exemplo de um filho: “Ele é a cara do pai cuspida e escarrada”.
Ora bem, nós ingleses temos uma frase muito semelhante: “Spit and image”* (cuspo e imagem) que se usa igualmente “He’s the spit and image of his father”. É uma coincidência incrível que os dois idiomas tenham expressões tão semelhantes não é?
O mistério aprofunda-se ainda mais quando consideramos que “spit and image” é uma corrupção de “spirit and image” (alma e imagem). Ou seja, esta pessoa é muito parecido fisicamente e também tem um modo de estar igual ao da outra. Mas “cuspido” não soa como “alma”, portanto de onde vem esta expressão estranha?
Segundo o Professor Google, a expressão “surgiu do uso indevido da expressão esculpido e encarnado” (aqui). Uau. Mas a sério, ua-mesmo-au. Ambas as línguas têm uma locução que nasceu de uma afirmação da semelhança física entre duas pessoas que mudou, ao longo do tempo, para uma expressão idiomática tendo a ver com expulsão de saliva. Isto é uma coincidência linguística que me deixa boquiaberta. E boquivazia**.
*ou, mais recentemente, “spitting image”, na sequência da série televisiva dos anos oitenta daquele nome (and if you’re a fan of that, you might enjoy Contra Informação, the RTP rip-off of the same idea)
** Espero que seja óbvio que isto é um trocadilho. Boquivazia não existe. É invenção minha.
A Universidade Aberta
Há algum tempo falei sobre os meus objectivos para o ano 2025. Um deles é inscrever-me num curso do ensino superior da Universidade Aberta. Ufa, custa-me muito. O site é pouco consistente. Existem muitos níveis de curso no site, mas cada um tem o seu próprio “rumo” na página inicial para o formulário de candidatura.
Algumas “Micorocredenciais” têm bom aspecto mas não estão disponíveis para candidatos fora do país. Graças ao financiamento do PRR, são oferecidas gratuitamente para os habitantes do país, mas infelizmente não sou. Este curso sobre transformação digitais seria perfeito para mim mas segundo o guia de curso quase todos os livros foram escritos num idioma chamado “inglês” (eu também não faço ideia; nunca ouvi falar da língua), Na verdade, muitos cursos técnicos usam livros ingleses mas este tem ainda mais e eu não quero ler inglês durante este projecto. As licenciaturas incluem um leque de oportunidades educativas mas o calendário letivo é rígido e já perdi as datas de candidatura. Igualmente, perdi a hipótese de me cadastrar neste curso de Português. Pois, não é o meu curso perfeito mas pode ser interessante, sendo um curso de língua avançada para nativos. Talvez no próximo semestre…
Amanhã*, tenho de ir a Preston de carro. Queria escolher um curso antes de me deitar mas acabei desamparado. Não faz mal, vou voltar à carga na próxima semana. Provavelmente conseguirei constatar a melhor época para me inscrever para o próximo semestre. Abandonei o plano de estudar programação pelos motivos já mencionados. Estatísticas é relevante mas com mais conteúdos portugueses. Por outro lado, apetece-me fazer algo fora da minha zona de conforto como por exemplo Geografia Humana, História ou Estudos Literários.
*Well, this was true when I first wrote this but the post has been parked for a few days now and I’ve been back for a while.
Érro na Televição

A Vergonha de um Leitor
Deixei uma opinião muito negativa no Goodreads, na página de uma banda desenhada que odiei. A autora acaba de botar um Like* na opinião e agora sinto-me culpado por tê-la ofendido.
*This seems a bit iffy but I have heard this said on YouTube videos (the last few seconds of this one for example) so it must work for super-informal contexts. You know, as opposed to those extremely formal social media contexts!