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Fallout 4

O exercício de hoje é ver e anotar este vídeo do grande Ric Fazeres. O Ric é um dos “criadores de conteúdos” mais famosos de Portugal mas geralmente fala de jogos tipo Sims, ou Fifa: jogos simples. Eu sou mais fã da série de jogos Fallout portanto quando soube que tinha feito um vídeo em 2015 sobre a quarta edição da série, não resisti.

Começa por afirmar que não vai descrever o jogo inteiro porque é tão grande e tão complicado. Depois, fala dos itens promocionais que ele recebeu dos distribuidores do jogo.

O diálogo é completamente em inglês mas felizmente o nosso anfitrião entende tudo e narra o que está a acontecer: as opções disponíveis para a cara do protagonista e o seu pequeno mundo antes da terceira guerra mundial e a correria até ao refúgio anti-bombas. De vez em quando diz “Wat da Faque?” Para mim, é interessante ver a sua reação porque já completei este jogo todo 4 ou 5 vezes, e já sei o que se vai passar mas o Ric parece atordoado quando a mulher do protagonista morre, vítima de um tiroteio enquanto ele está preso na câmara criogénica e fica boquiaberto quando o seu filho é raptado pelo mercenário Kellogg. Depois, quando as primeiras criaturas, as baratas gigantes atacam, balbúrdia “ululululu whattafuck meu, fuckin giants meu!” ah ah, coitadinho. Se não gostas disso vais odiar os deathclaws!

Mas não chegamos a encontrar os deathclaws, nem o dogmeat, nem os supermutantes porque o vídeo não passa de uma introdução a este jogo épico cuja história é capaz de fornecer conteúdos a cem vídeos do mesmo tamanho!

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Danúbio de Capicua

I haven’t done a translation for a while. This one is by Capicua, although it has a guest verse by Gisela João, who I think is also the woman in the video, because it sure as heck doesn’t look like Capicua! I’m not quite sure what she’s driving at with this (Actually having been corrected on a couple of things, it’s coming a bit clearer) but she does a good job of building up a sort of menacing atmosphere!

PortuguêsInglês
A seca baixou as águas do Danúbio
E à tona emergem barcos afundados
A perda sustenta as mágoas e o repúdio
E à porta batem monstros do passado
The drought lowered the Danube
And all the sunk boats surfaced
The loss sustained the hurt and rejection
And monsters of the past beat at the door*
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of the 1930s** (in the air)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of thirty years (in the air)
É o bafo do passado que arfa no pescoço
Espetros no encalço, o passo apressa em esforço
É bomba-relógio o ódio pelo outro
O sopro da história ensinou-nos pouco
Nuvens ameaçadoras
É sombra da velha senhora
Fetiche por homens de farda
A guarda está na retaguarda
And the breath of the past that pants in your neck
Ghosts on your trail, pace quickening with the effort
It’s a timebomb, the hatred for another
The winds of history doesn’t teach much
Threatening clouds
It’s the shadow of the old woman
Fetish for uniformed men
The old guard is at the back
Como quem conta um segredo
Que se perdeu no passado
Volta a frota do Mar Negro
Os navios afundados
Com pólvora e dinamite
Prestes a cumprir a ordem
Embrulhámos o presente
Nas folhas do jornal de ontem
Like someone who tells a secret
That gets lost in the past
The black sea fleet returns
The shipwrecks
With gunpowder and dynamite
Ready to follow the order
We wrap the present
In the pages of yesterday’s newspaper
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
Não há quem não sinta (Chegar)
Um cheiro a anos trinta (No ar)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of the 1930s (in the air)
There’s nobody who doesn’t feel (arrive)
The smell of thirty years (in the air)
É tão à direita o centro que isto tomba
De ressentimento é feita a bomba
Na ferrugem das carcaças
Descoberta pela seca
Vemos novas ameaças
Caixa de Pandora aberta
Eis o cais, eis o caos, sente
O passado todo pela frente
This falls so far to the right of centre
The bomb is made of resentment
In the rust of the bones
Discovered by the drought
We see new threats
Pandora’s box, open
Here’s the quay, here’s the chaos, feel it
The past is all ahead of you
Como quem conta um segredo
Que se perdeu no passado
Volta a frota do Mar Negro
Os navios afundados
Com pólvora e dinamite
Prestes a cumprir a ordem
Embrulhámos o presente
Nas folhas do jornal de ontem
Like someone who tells a secret
That gets lost in the past
The black sea fleet returns
The shipwrecks
With gunpowder and dynamite
Ready to follow the order
We wrap the present
In the pages of yesterday’s newspaper
Eis o cais, eis o caos, sente
O passado todo pela frente
Here’s the quay, here’s the chaos, feel it
The past is all ahead of you

*I originally translated this as “thirty years” because i am an idiot. The change really makes the rest of the song come into focus, from a general sense of menace and unrest to a more specific reference to ghosts of Europe’s middle decades…

**I’m aware this usually means “knock at the door” but I translated it this way because… well, they’re monsters. Os monstros não usam delicadamente um batente de latão como se fossem vendedores de enciclopédias. Têm garras e tentáculos e braços compridos e escamosos. Fazem mais barulho!

Thanks to Cristina for correcting a few errors (including my use of english, which was a bit embarrassing) and also to Margarette in the comments section who was first to highlight my silly mistake over “thirty years” and “the 1930s”

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O Ratinho

Hoje, durante uma reunião online, eu disse “desculpem, preciso de fazer uma pausa” e desliguei. Porquê? Tinha acabado de vislumbrar um “inimigo de quatro patas” – um ratinho – a caminhar, despreocupadamente em direção ao quarto da minha filha. Ela está na Escócia e o quarto dela está sobrelotado de caixas, sacos de farinha e de arroz, e de lentilhas, e existem milhares de esconderijos. Não me admira nada que um roedor o ache perfeito para estabelecer um lar. Acho que se instalou am nossa casa durante a nossa ausência, e claro que amanhã pretendo fazer um grande esforço para perturbar a sua despreocupada e farta vida.

Entretanto… pois, moramos no segundo andar. Sem dúvida haverá outros apartamentos com hóspedes minúsculos*. Avisei os vizinhos para estarem à espera de sinais de vida na cozinha!

I swear the AI introduced the spelling mistakes!

*Minúsculo: I originally wrote “diminutivo”, which is a word that exists but seems to be a false friend. Diminuto is equivalent to diminutive. Diminutivo has a slightly different meaning.

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A Vida de Estudante

Um dos meus objetivos durante este ano é estudar um curso da Universidade Aberta. Já tentei candidatar-me há algum tempo mas não suportei o site dela. Voltei a carga durante a semana passada e por acaso as candidaturas estavam abertas até ao dia 17 de Junho. Ora bem, hoje é o dia 17, e… inscrevi-me num curso chamado “Formação Modular Certificada em Literatura e Cultura Portuguesas”. Sinceramente, preferia a FMC em Literatura e Cultura Portuguesa, o que é igual mas tem “História Cultural e Artística Portuguesa” em vez de “Temas de Literatura Portuguesa” como a terceira unidade do curso. Infelizmente, este curso é ausente do formulário de candidatura e depois de tanto tempo não aguentei mais. Escolhi a segunda opção.

Ah ah, aqui vou eu mais uma vez, a aprender coisas novas (se for capaz!). Mal tenho noção de como funciona o curso mas uma longa viagem começa com um único passo e neste caso o passo em questão consiste em 35 euros e uma hora frustrante de preencher o formulário.

Me and the boys getting ready for our first seminar
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Haunting My Insta

Comecei a seguir esta influenciadora recentemente porque achei um vídeo dela engraçado, mas agora, sempre que abro a aplicação, lá está ela com mais um vídeo provocante sobre a sua visão conservadora do mundo e da relação entre os sexos.

Acho esta criadora de conteúdos absurda. Não por causa das suas opiniões (porque duvido que os vídeos reflitam as opiniões dela na realidade) mas por causa da representação das ideias: bebendo chá, lavando a loiça, usando uma bandeira portuguesa como manta… Nada sobre a exposição da sua ideologia bate certo, é só para provocar uma reação, mesmo que seja de desaprovação.

Claro que ela não é a única pessoa na Internet que age assim, mas não estou habituado a ver um influenciador desta espécie, quer da esquerda quer da direita, no meu insta.

Então, vou deixar de seguir a senhora? Não, acho que vou continuar, porque ela fala nitidamente e porque não é assim tão chata que não suporto ouvir as suas opiniões de velha. Não diga a ninguém mas às vezes até concordo!

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Serial Non-Finisher

Mais uma vez, participei numa maratona. A Maratona de Edimburgo, que decorreu ontem, é igual à de Lisboa relativamente ao terreno: a maioria do percurso fica à beira-mar. Os escoceses são um povo acolhedor e permaneceram na rua a apoiar os corredores ao longo do caminho, até ao fim, enquanto o tempo mudou de sol para vento para chova para granizo e de volta ao sol.

O meu objectivo nesta corrida não passou do mais básico: correr 42,2 quilómetros sem caminhar. Mas não consegui. Ainda por cima, o meu desempenho foi ainda pior do que em Lisboa. A minha reserva de energia ficou esgotada aos 20k da meta. Que frustração. Mas foi culpa minha: não me preparei o suficiente antes da prova. Também comecei demasiado rapidamente por pura alegria de estar a correr num belo dia em Edimburgo com milhares de pessoas a aplaudir, e uma canção motivadora a tocar nos meus auscultadores. É essencial, numa corrida deste tamanho, manter uma reserva de força. Se a primeira metade for rapidíssima, podes apostar que a segunda será uma desgraça. No fim, caminhei 7 milhas e acabei por chegar 6 horas e um minuto após o arranque.

Estou desiludido comigo mesmo por ser incapaz de cumprir o meu objectivo mas estou cada vez mais determinado em me esforçar cada vez mais.

No autocarro de volta para Edimburgo uma velha mulher (de… Sei lá.. 60 ou 65 anos?) felicitou-me e disse que ela também correu numa maratona recentemente – a Maratona de Londres em Abril, mas estava ferida e atingiu o seu “pior desempenho de sempre”: 5 horas, uma hora menos do que o meu tempo. Ah pois, está bem, sua gabarola de merda.

Ah ah, estou a brincar, ela fez um grande esforço e não desistiu, face às dores nas pernas. Vou seguir o seu exemplo.

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Sebastião Salgado

Faleceu hoje o fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado, cujas fotografias (sempre a preto e branco) contribuíram para a consciencialização pública da destruição da floresta da Amazónia, e expuseram a injustiça em diversos países onde trabalhou.

Sebastião Salgado (atribuição aqui)
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Livros da Piça

In which, in honour of the new pope, I make a rare mention of Fátima, and try not to get murdered by JD Vance.

CW: Orgãos sexuais masculinos

Entre os diversos podcasts na aplicação do meu telemóvel, existe um chamado “Livros da Piça”. Como é óbvio, é um podcast sobre livros, e os anfitriões são Sergio Duarte e Bruno Henriques, dois humoristas ou satiristas ou sei lá o quê, que também produzem o podcast “Jovem Conservador de Direita”. Só ouvi poucos episódios porque alguns deles durem mais do que duas ou até três horas, mas o último é um bom exemplo da espécie de livro sobre qual gostam de discursar: “As Aparições de Fátima e o Fenómeno OVNI” de Fina d’Armada e Joaquim Fernandes. Para quem não entenda este título, Fátima é uma cidade em Portugal onde a Nossa Senhora apareceu em 1917 e falou com três putos de lá por motivos que são opacos para nós seres humanos. É um dos lugares mais sagrados no mundo católico, tipo Lourdes em França, Mejugorje na Bosnia ou Craggy Island na Irlanda. E um OVNI? Então perdeste este texto? Por favor, presta mais atenção ao meu blogue.

Segundo o autor do livro, os milagres testemunhados pelos Pastorinhos de Fátima não foram exemplos do poder de Deus, claro que não, que noção rebuscada. Não, foram evidência de alienígenas. Como disse um dos humoristas, isto é um raro exemplo de uma teoria de conspiração com extraterrestres que chega a ser mais credível do que a alternativa. Mas ainda assim, é bastante estúpida.

De vez em vez, publicam um episódio sob a rúbrica “Livros do Caralho”, no qual os dois conversam sobre um livro de que gostam, como interlúdios no seu fluxo interminável de leituras execráveis. A diferença entre Livros do Caralho ou da Piça interessou-me muito. Obviamente, Caralho e Piça significam a mesma coisa: O orgão sexual masculino. Então, porque é que um Livro da Piça é péssimo mas um Livro do Caralho é ótimo? Pela mesma razão que “It’s shit” significa o oposto de “it’s the shit”, ou “absolute bollocks” não é igual a “the dog’s bollocks”. O calão de qualquer idioma é infindavelmente flexível e quase impossível de explicar.

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Deslocado

Tradicionalmente, faço uma tradução da canção portuguesa antes do Festival Eurovisão de Canção mas perdi a oportunidade desta vez. Eis as letras dois dias depois. Peço humildemente a vossa desculpa pelo atraso.

E afinal, vale a pena? Para mim, é bom, mas não é nada de especial. Não há nada que me chama a atenção; parece-me uma faixa assim-assim de um álbum que provavelmente abandonaria antes de chegar ao fim. Mas a letra fala de estar longe de casa e das saudades da terra. Apeteceu-me ouvir mais minuciosamente para entender a mensagem.

🇵🇹🇬🇧
Conto os dias para mim
Com a mala arrumada
Já quase não cabia
A saudade acumulada
do azul, vejo o jardim
Mesmo por trás da asa
Mãe olha à janela
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
I count the days for myself
With my bag packed
There’s hardly enough room
For the weight of my sorrow
From the blue, I see the garden
Right behind the wing
Mum, look out the window
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home
Porque eu vim de longe
Eu vim do meio do mar
Do coração do oceano
Eu tenho a minha vida inteira
O meu caminho eu faço a pensar em regressar
À minha casa, é ilha, paz, Madeira
Se eu te explicar, palavra a palavra
Nunca vais entender a dor que me cala
A solidão que assombra a hora da partida
Carrego o sossego de poder voltar
Mãe olha à janela que eu ‘tou a chegar
Because I came a long way
I came from the middle of the sea
From the heart of the ocean
I have my whole life
I make my way, thinking of returning
My home is an island, peace, Madeira*
If I explain to you, word by word
You’ll never understand the pain that quiets me
The solitude overshadowing the departure time
I bear the comfort of being able to go home
Mum, look out the window, I’m coming
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Não me convo’ ah ah ah ah ah ahh uh uh uh
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
Doesn’t invite…
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home

* Ah, right, I hadn’t realised they were Mrs L’s homeboys!