Posted in Portuguese

Dores de Nádegas

Tenho uma tradição anual de ir de bicicleta até Cambridge, (a Coimbra de Inglaterra). Este ano, planeei em fazer a minha peregrinação no dia 24 para assistir ao concerto de Richard Thompson (um guitarrista que conjuga música folclórica com o rock) no dia 25. Mas, estando doente, não consegui viajar na sexta, portanto adiei para o sábado, o dia do concerto. Estava ligeiramente preocupado porque Cambridge fica 60-e-tal milhas (100 quilómetros, mais ou menos) do meu bairro e achava que me custaria chegar a horas. Felizmente correu tudo bem, e cheguei à cidade, uma hora antes do concerto. Não me senti muito cansado, mas eh pá, o meu rabo está com tantas dores… Também tenho formigueiros nos dedos por causa da pressão dos meus pulsos no guiador.

Antes de arrancar, lubrifiquei a corrente, o câmbio traseiro, e os manetes de travão, e enchei os pneus para não desperdiçar energia a combater fricção, mas devia ter posto uma almofada no selim também.

Posted in Portuguese

Rrr

Uma vez, passei a noite no palácio do Rei de Rússia, a beber rum. Mas vi um rato a aproximar-se de garrafa e fiquei preocupado caso algo acontecesse que não fosse capaz de descrever.

Posted in Portuguese

Babysitter

Como se diz “babysitter” em português? Não há nada mais fácil: Babysitter.

Também existe “babá” em PT-BR e “ama” em PT-PT

Essa última, “ama”, chamou-me* a atenção porque nós tivemos uma “amah” quando éramos novos em Singapura. Será que as duas palavras estão interligadas? Fica a pergunta. Segundo o dicionário Priberam, a origem é “latim hispânico amma, mãe, dona de casa

Entretanto, o Free Dictionary diz que amah é “a housemaid or children’s nurse, especially in East Asia and Southeast Asia.” Está bem, não me admira, porque encontrei-a em Singapura. Então qual a origem? Se fosse uma palavra chinesa, ficaria surpreendido, mas não seria a maior coincidência de sempre: palavras usadas por bebés têm de ser fáceis, e é muito fácil para os nossos concidadãos desdentados balbuciar o som “amamam”. É mais do que possível que a palavra possa ter-se desenvolvido em simultâneo no Porto e em Pequim.

No fim, soprei o pó do topo do meu dicionário. Acredites ou não, antigamente, os dicionários eram publicados por editoras e tinham páginas feitas dos cadáveres de árvores. E segundo o Chambers English Dicionário…

… a nossa “amah” é oriunda de Portugal. Pergunto-me qual foi o rumo da palavra. Será que percorreu as rotas marítimas para Macau ou Goa e a partir daí espalhou-se para as colónias britânicas na vizinhança? Ou os comerciantes do vinho do Porto adotaram-na e levaram-na diretamente para a Índia? Não faço ideia! Mas é interessante, não é? Mais uma palavra roubada aos tugas!

Uma ama-de-leite é uma mulher que amamenta uma criança alheia (“wet nurse”) e existe uma lenda sobre a invenção da rabanada A rabanada é o que nós chamamos “french toast”, “gypsy toast” ou “eggy bread” mas os portugueses polvilham-nas de açúcar e canela. Em Inglaterra, toda a gente sabe quem inventou este petisco tradicional: a nossa avó. Mas em Portugal, segundo a lenda, foi inventada por uma mulher que, tendo poucos ingredientes doados pelos vizinhos, combinou-os com tanto sucesso que depois conseguiu amamentar as crianças dos outros, como ama-de-leite.

*I originally wrote “agarrou-me a atenção”. I don’t know where I got the idea that was a thing, it is not a thing.

As ever, thanks to Cristina of Say It In Portuguese for the corrections.

Posted in Portuguese

Salsichas, Ovos e Batatas Fritas Se Faz Favor

Esta frase foi uma das primeiras que aprendi quando fiz os meus passos iniciais no caminho para a fluência. É uma tradução de uma piada de Eddie Izzard, quando aquele comediante ainda tinha graça. Faz referência à tendência dos anglófonos para se fazerem surdos às outras línguas e culturas do mundo. “Chegamos ao Afeganistão” disse ele, “e dizemos ‘sausage egg and chips please'” 

Lembrei-me disto hoje porque encontrei esta loja online onde se vendem camisas de ciclismo que acho muito giras. Pois, custam os olhos da cara, mas são lindíssimas!

Mas… Espera lá… A loja fica no Porto, e usa materiais de fábricas locais mas… O site não tem uma versão portuguesa? Que raios? Buuu, hipsters, Buuuuuu!

(thanks to Cristina for spotting the horrible mistakes in the first version of this)

Posted in Portuguese

Expressions of Expiration

Após ter escrito um blogue sobre expressões para descrever a morte em inglês, decidi voltar ao assunto com um resumo das expressões equivalentes em português. Roubei-as todas de um podcast mas vou parafrasear as definições para fazer um treino mental! A maioria são eufemismos, mas também existe a palavra “disfemismo” que é o oposto, e provavelmente existe em inglês mas nunca se usa, portanto é quase desconhecida, mas quer dizer uma expressão propositadamente irónica ou crua para distrair da realidade da morte quando perdemos alguém.

On of my subscribers reading today’s blog

Então, vamos a isto!

A hora dela tinha chegado – temos esta expressão em inglês também. Significa que a hora da morte da pessoa já chegou

Estar com os pés para a cova – estar quase a morrer

Abotoar o paletó – uma expressão brasileira. Um paletó é uma espécie de casaco largo com bolsos que se usa por cima de outra roupa. Podemos imaginar um cadaver vestido de “fato domingueiro.***

Dormir o sono eterno – esta não precisa de mais explicação, acho eu

Morar para a companhia dos pés juntos – uma expressão militar: uma companhia é um grupo de soldados

Bater as botas – Ainda que já conhecesse esta expressão, eu não sabia que tinha raízes na vida militar: bater as botas é o ato de bater com os calcanhares quando um soldado sai da presença de um superior.

Bater a caçoleta – provavelmente é oriundo da mesma fonte: uma caçoleta é uma arma de fogo.

A última morada – o cemitério, obviamente!

Estar nas Malvas e Jardim das Tabuletas – também se referem ao cemitério. O primeiro enfatiza a presença de uma flor chamada malva (o que nós ingleses chamamos “mallow“) enquanto a segunda faz referência às peças de madeira ou de pedra (lápides), entalhadas com os nomes dos falecidos.

Entregar a alma ao Criador – Uma expressão religiosa, clara

O catolicismo também nos deu Ir desta para melhor e Ir para a terra da verdade* – ambas razoavelmente compreensíveis sem explicação

Esticar o pernil – Este disfemismo faz referência à matança de um porco(!) que, na hora da sua morte, dá um coice reflexivo.

Dar o peido-mestre – é uma versão disfemístico do mais certo “Dar o último suspiro” o que será familiar entre os leitores anglófonos!

Fazer Tijolo(s) – o autor do texto deixou o melhor para o fim: após o grande terramoto de lisboa, os portugueses daquela época precisaram de barro para fazer tijolos. Incluído nesta busca de materiais foi um campo de terra argilosa onde os colonialistas** muçulmanos enterraram os seus mortos antes da reconquista. Os ossos deles (que naquela altura tinham à volta de quinhentos anos!) fizeram parte dos tijolos, e a expressão faz referência a essa profanação.

* This one came up in a previous blog post when I was trying to learn poems by heart. I was studying Rustica by Florbela Espanca and I was confused by her direction of travel. The line was Quando descer à “terra da verdade”… and I mused “I’m not sure what the land of truth means here(…). If it’s heaven, why is she descending and not ascending? I’ve read the bible and spent a lot of time in church but this makes no sense to me I’m afraid.”

**I originally wrote “colonistas” but note that this word doesn’t seem to mean the same as colonist in English. It’s a near synonym of colonialista. I changed it to the more common version, although I think colonizador is probably the word I should have used…?

***Not in the original text, but priberam also has “vestir o paletó de madeira” which is probably what I should have used in place of my earlier blog title “sobretudos de madeira” and might be an explanation of “abotoar o paletó” as well, instead of the one I’ve given in the text (which I found online somewhere…)

If you’d like to know more about this, the original podcast episode is here

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for correcting this text.

Posted in Portuguese

Regras de Isolamento

Já li três romances desta autora mas este livro é um diário no qual ela fala do seu confinamento em casa e dos seus pensamentos e leituras durante a época mais escura da nossa história recente. Gostei menos deste do que da sua ficção (principalmente “A Visão das Plantas” que foi um dos meus livros favoritos do ano 2023) e, com o conjunto de fotos aborrecidas tiradas pelo conjuge dela, a preto e branco, senti-me ligeiramente deprimido quando virei a última página.

Para ser justo, não estou no melhor estado do espírito, atualmente, para digerir ensaios sobre assuntos pesados, e talvez o tenha julgado mais severamente do que era preciso, mas sinto o que sinto, e não gostei deste livro como dos outros…

Posted in English

The Last Day: Wrath, Ruin and Reason in the Great Lisbon Earthquake of 1755 by Nicholas Shrady.

Lazy Post, reviewing an audiobook I finished recently, about the Lisbon Earthquake.

The Last Day by Nicholas Shrady

As the name suggests, the book is organised around the event that literally shook Lisbon and figuratively shook its empire in the middle of the eighteenth century. The day itself is described well, albeit undramatically, and the Marquês de Pombal’s life and legacy gets laid out, including the grizzly bits. Smashing people’s arms and legs with hammers, burning them alive. Oh, and rebuilding the city in line with modern techniques. He’s… Well, to borrow another term from the young folk, “morally grey”.

Anyway, so far so good, but it could have been more focused. I guess his thinking was that a lot of readers wouldn’t know the background so he gives us a tour of the main points of Portuguese history but he doesn’t section it off, he just sort of rambles back in the middle of the book. Maybe the general history stuff would have been better as an optional preamble to the main book. That way, he could have really drilled down both in the horror and chaos of the day itself and on the technical details of how they recovered. I want details, dammit!

My favourite aspect was his summary of how the different groups explained the event. We sometimes think our age is uniquely divided and that the two sides in our political disputes operate with different worldviews and different sets of facts, but in 1755 we have catholics fulminating about how God sent the earthquake for allowing the protestant heretics into Portugal and meanwhile in England, at memorials services for lost Port wine merchants, the vicars are telling their flocks it’s no wonder Portugal was ruined when it is full of dreadful popish idolatry.

Some things never change.

The audiobook reader gets a solid 8/10 for trying with the pronunciation. He obviously doesn’t speak portuguese, but he’s put the effort in to learn the ground rules of portuguese pronunciation and it shows. Instead of just saying all the names like they were Mexican drug lords in Breaking Bad, he pushes in the right direction. He gets a lot wrong, but he’s tried and I appreciate that.

Posted in English

Birth Order

This will probably come in handy again one day so might as well make a note of it…. how to describe oldest and youngest siblings

Filho primogénito – the oldest son

Irmão do meio – the middle brother

Irmão mais novo – the youngest brother

O benjamim is the youngest but can also mean the favourite son, or the favourite in a group, apparently. Ugh! Why would the youngest be your favourite? The first born is clearly the best. Oh and caçula just means youngest, not favourite.

Posted in English

False Friend of the Day

Catching up on some corrections from previous lessons. I have used the word “implicar” as a substitute for “imply” and although that meaning does exist (it’s definition 5 in Priberam), it’s more usually a much more aggressive word, meaning impede, cause something to happen or just generally stir things up. Used reflexively it means to feel confused. Insinuar seems to be the better choice if you want to say something like “I don’t mean to imply…” which is what I was trying to say.