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O Complexo do Pombo Xadrezista

A minha esposa perguntou-me “Ouviste falar da expressão ‘Pombo Enxadrista’?” Não conhecia, mas a pergunta deu uma boa oportunidade para aprender.

Antes de mais, porque é que a expressão na pergunta da minha esposa não é igual à no título deste blogue? Ela estava a ouvir um Podcast inglês que mencionou esta expressão portuguesa como sinónimo de “Troll”: alguém que não se comporta bem online. Mas não é uma expressão portuguesa de Portugal, mas sim do Brasil. A equivalente em português europeu seria “Pombo Xadrezista”. Xadrezista (PT-PT) e Enxadrista (PT-BR) significam “alguém que joga Xadrez”.

Segundo a Wikipedia, tem origem numa comparação:

Discutir com Fulano é o mesmo que jogar xadrez com um pombo: ele defeca no tabuleiro, derruba as peças e sai voando cantando vitória.[5]

Todos nós encontrámos pessoas deste género na Internet, não é?

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As Minhas Histórias Nas Tuas Mãos

Listening Exercise: this seems like a good example audio to use as practice for the compreensão oral section of DUPLE because the sound quality is terrible, just like a real exam. There’s background muttering, the first half minute or so are presented by a guy whose mic is disastrously bad, the speakers are nervous and the lad on the left has an accent (is he even portuguese? I’m picking up a bit of a spanish sound there, and he’s also saying his Ts in what seems like a very brazilian way, but I’m not really familiar with regional accents so who knows?) I actually cheated and slowed the recording down in a few places and still had a few guesses and gaps. Anyway, no shade on the students. It’s a well-constructed presentation, they are doing a great job, and it’s not their fault I am struggling to understand them! I especially like when they bounce off each other, with each picking up the last word the previous speaker has said and using it to start their own sentence. It’s a shame that (as far as I can see) the mini-empresa isn’t around any more, but twelve years is an eternity in internet time, and I’m sure whatever these kids ended up doing as adults was a great success.

(This has been corrected since being publiched – I have signaled the non-trivial changes pretty clearly for transparency. Thanks Cristina for the pointers)

Anfitrião A equipa Tedx Cascais ajudou uma equipa de alunos do secundário a desenvolver apresentar a sua ideia de negócio. É um projecto que vai ser apresentado pelos três alunos. Não estava no programa. Enfim, colocámos, e o projecto chama-se Historyou. É um projecto, portanto, definido no âmbito da Junior Achievement com o aopoio que foi do governo de Portugal e com apoio da professora Cristina da escola secundária de Mem Martins. Eles são um bocadinho nervosos, mas eles vão apresentar isto quer eles queiram* quer não. Portanto é deles o projecto** da equipa Historyou

(aplauso)

Rapariga 1 (corte)…idas entre os dezoito e os dezanove anos e participámos no projecto de Junior Achievement. Esse projecto consiste na criação de uma mini-empresa, e a nossa mini-empresa é a Historyou. E a historyou tem o seguinte lema: “As minhas histórias nas tuas mãos”- Somos um grupo de jovens empreendedores com um projecto inovador

Rapariga 2 E o nosso projecto consiste na criação de uma mini-empresa que tem como objectivo lançamentos de autores anónimos e os seus histórias nas novas plataformas digitais a um preço reduzido

Rapaz Acreditamos assim. Que lançarmos livros nas novas plataformas digitais*** não é a mesma coisa que os livros clássicos e assim uma outra narrativa para lançarmos os novos autores

Rapariga 2 E o que é a Historyou? A Historyou é um ideal, é uma partilha de histórias e de experiências. É uma ambição

Rapariga 1 Uma ambição pois queremos promover estes autores anónimos e promover as nossas plataformas digitais. É uma tendência

Rapaz É uma tendência, que cada vez mais utilizam as nossas plataformas digitais. É uma equipa.

Rapariga 1 É uma equipa de jovens empreendedores que acreditam na inovação. É uma oportunidade

Rapariga 2 Temos a oportunidade participar no projecto Junior Achievement, criar uma mini-empresa e diminuir a nossa pegada ecológica. É um objectivo.

Rapaz É um objectivo que queremos ser a referência para novos autores lançarem os seus livros. E como vamos fazer isso?****

Rapariga 2 Para além deste objectivo, temos o objectivo de concretizar sonhos

Rapariga 1 A promoção das novas plataformas digitais

Rapaz Vamos promover a leitura

Rapariga 2 Alcançar diversos públicos

Rapaz Vamos afirmar a cultura, e partilhar conhecimento e experiências.

Rapariga 1 Como? Lançando desafios aos novos autores e promovendo as novas plataformas digitais.

Rapaz E assim, vamos apoiar novos autores lançar os seus livros: a revisão final, design, usabilidade, marketing

(From here on, the powerpoint slides and the script are out of synch, which gets a bit confusing!)

Rapariga 1 Vantagens para o leitor

Rapaz A possibilidade desses autores lançarem as suas obras através da Historyou e assim, esses se os autores vão ter a possibilidade de ter seus direitos de autores. Para a Editora

Rapariga 2 Para a editora, nós não temos problemas de falarmos com a produção, com os custos de produção nem com os estoques e como já tinha referido, a nossa pegada ecológica é reduzida. Para o Leitor

Rapariga 1 Para o leitor, poderá assim: usufruir estas novas plataformas a qualquer hora e em qualquer lugar

Rapariga 2 A nossa empresa tem um plano a curto prazo, a médio prazo e a longo prazo. A curto prazo

Rapaz A curto prazo é lançar as nossas obras na ibookstore e outras. E em médio prazo

Rapariga 2 Médio prazo é criar aplicações específicas. E a longo prazo

Rapariga 1 Queremos desenvolver a nossa própria plataforma

Rapaz A primeira fase é lançar as nossas obras no ibookstore daí (…) daí Twitter. Para já daqui a alguns dias vai ‘tar disponível duas obras nossas na ibookstore. A nossa segunda fase.

Rapariga 2 A nossa segunda fase é ter disponível um ícon, seja no Mac, seja no iPad, mas neste momento, nós temos um pequeno problema, é que nenhum de nós tem nem Mac nem iPad e queremos….

(aplausos, risadas)

…e precisamos de pessoas que sejam assim um bocadinho boazinhas e que nos possam oferecer tanto um como outro que nos possibilitam a continuidade do projecto. E a nossa terceira fase

Rapariga 1 É nós podemos desenvolver tanto a nível de software como à nivel de hardware

Rapariga 2 Para já para já também já temos disponível o nosso site oficial. Podem-se encontrar em www.historyou.org (it no longer exists, I’m afraid and I’m sorry to do that to you). Também temos uma página official no Facebook (same). Podem passar por lá, deixar um like, muitos likes e partilhar com os vossos amigos, familiares, também o site tem lá as nossas informações, podem nos contactar através de lá e… e mais nada, basta a minha parte

Rapariga 1 Queria agradecer à nossa professora, Cristina Garcia, e à nossa voluntária e a sua equipa por nos ter apoiada até aqui, porque sem eles, este projecto não poderia ter continuidade

Rapaz E obrigado. Encontramo-nos à Bertrand(?) e à ibookstore

*???

** This doesn’t make sense either. It’s the closest I can get to decyphering the syllables emanating from his face hole, but I wish he would speak more clearly. Gah! Infuriating.

***Here and elsewhere, to my ear it sounds like they say “na nova plataforma digitais” but that isn’t grammatical and since the last word is clearest I assume the vanishing s in the other words is just me not tuning onto their way of speaking

****I’m not sure but I think maybe this is out of order and he should have said it after the next speaker.

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E O Céu Mudou de Cor – Israel Campos

Neste romance angolano, vemos o mundo do ponto de vista de um jovem que mora num país opressivo, que é ficcional mas é uma versão (se não me engano) da Angola atual. Embora o narrador seja o protagonista, o personagem mais interessante (para mim) é o seu primo, Mateus. Idealista e lutador, este jovem enfrenta a corrupção quotidiana e recusa aceitar os comportamentos e as cunhas que estão a enfraquecer o seu país. Na perseguição deste objetivo, o Mateus, o narrador e um amigo deles, encontram o Sr. Zé que quer levar a cabo uma mudança social. O narrador é mais novo do que o Mateus e não entende perfeitamente o que está a acontecer ao seu redor.

Com humor e emoção, o autor lança uma crítica contra vários aspectos do sistema social. Claro que não conheço o seu país suficientemente para julgar quão exato seja esta crítica, e é muito provável que tenha perdido algumas coisas, mas foi interessante vislumbrar o mundo pelos olhos do seu protagonista.

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O Chefe de Cozinha Está de Volta.

A segunda tentativa de fazer chanfana correu mil vezes melhor do que a primeira. A cozinha não acabou em chamas, ninguém morreu e enfim a carne era suculenta e deliciosa. Arroz de couve-flor não é o acompanhamento tradicional deste prato, mas não me importa: era preciso comer a couve-flor antes de ela ficar podre.

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Não Há Estrelas No Céu – Rui Veloso

Translation time! I quite like this one, and it has some good expressions in it. It’s about how hard it is to be young. I checked, and in case you’re wondering he released it in 1990 when he was 33, so we’ll let it pass.

PortuguaêsInglês
Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho
Por mais amigos que tenha, sinto-me sempre sozinho
De que vale ter a chave de casa para entrar?
Ter uma nota no bolso p’ra cigarros e bilhar?
There are no stars in the sky gilding my path
No matter how many friends I have I always feel alone
What’s the point of a housekey to get in?
Or a note in my pocket for cigarettes and billiards?
A primavera da vida é bonita de viver
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover
Para mim hoje é janeiro, está um frio de rachar
Parece que o mundo inteiro se uniu p’ra me tramar
It’s beautiful to live in the springtime of life
As soon as the sun shines, straight away it rains
For me today is January, freezing cold
It seems like the whole world is conspiring against me
Passo horas no café sem saber para onde ir
Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir
Vejo-me à noite ao espelho, o corpo sempre a mudar
De manhã ouço o conselho que o velho tem p’ra me dar
I spend hours in the café, not knowing where to go
Everything around is so ugly I just feel like escaping
I see myself in the mirror at night, my body’s always changing
In the morning I hear the advice the old man has for me
A primavera da vida é bonita de viver
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover
Para mim hoje é janeiro, está um frio de rachar
Parece que o mundo inteiro se uniu p’ra me tramar
It’s beautiful to live in the springtime of life
As soon as the sun shines, straight away it rains
For me today is January, freezing cold
It seems like the whole world is conspiring against me
Vou por aí às escondidas a espreitar às janelas
Perdido nas avenidas e achado nas vielas
Mãe, o meu primeiro amor foi um trapézio sem rede
Sai da frente, por favor, estou entre a espada e a parede
I’m going over there, secretly, to look in at the windows
Lost in the avenues and found in the alleys
Mother, my first love was a trapeze with no net
Get out of the way please, I’m between the sword and the wall*
Não vês como isto é duro, ser jovem não é um posto
Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto
Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim
Se não fosse o Rock and Roll, o que seria de mim?
You don’t see how hard it is, being young isn’t easy**
You have to face the future with a spotty face
Why is everything uncertain, it can’t always be like this
If it wasn’t for Rock and Roll, what wojuld become of me?
A primavera da vida é bonita de viver
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover
Para mim hoje é janeiro, está um frio de rachar
Parece que o mundo inteiro se uniu p’ra me tramar
It’s beautiful to live in the springtime of life
As soon as the sun shines, straight away it rains
For me today is January, freezing cold
It seems like the whole world is conspiring against me
Não há estrelas no céu (não, não, não, não há)
Estrelas no céu (não, não, não, não há)
Estrelas no céu (não, não, não, não há)
Estrelas no céu (não, não, não, não há)
Estrelas no céu (não, não, não, não há)
Estrelas no céu…
There are no stars in the sky (no, no, no there aren’t)
Stars in the sky (no, no, no there aren’t)
Stars in the sky (no, no, no there aren’t)
Stars in the sky (no, no, no there aren’t)
Stars in the sky (no, no, no there aren’t)
Stars in the sky…

*Nice expression! Obviously an equivalent of “between a rock and a hard place”

**The translation is simplified, I think: as far as I can tell, “ser x não é um posto” is a way of saying it isn’t just an easy job that comes naturally, implying you really have to be worthy, or to work hard for it. See here for example, or here.

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She’s a Pun Goldmine

Toda a gente terá ouvido falar disto, claro, não é nada novo, mas o Partido Democrata nos EUA já disse adeus ao seu candidato presidencial e está num processo de escolher um novo candidato para perder a eleição em Novembro*

A candidata mais provável tem um nome, Kamala, que dá (pelo menos) duas hipóteses de trocadilhos. O mais comum é “com mala”, mas acho que este vídeo sugere mais uma alternativa.

O nome do seu oponente, Trump, significa “Peido” em inglês (EN-GB), portanto fico feliz por ver que os democratas também têm um candidato cujo nome é uma fonte de risadas juvenis.

Boa sorte, Kamala (se for candidata mesmo), seja com ou sem mala, espero que venças aquele palhaço cor de laranja.

*I know this sounds negative, but if I’m pessimistic now it’ll be less of a shock later when the inevitable happens. We are, as they say on Dad’s Army, doomed.

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“Aquilo É Estado”

Mais uma expressão encontrada no meu romance angolano, “E O Céu Mudou de Cor”. Durante uma conversa entre a tia e o irmão do narrador e o filho dela, ela anda a repetir a expressão “aquilo é Estado”, com letra maiúscula na última palavra. Fiquei ligeiramente confuso porque não entendi o que significa Estado neste contexto, mas após ter perguntado à minha professora, e depois pedido conselho aos sábios do Reddit, parece-me óbvio, e mal acredito que o achei difícil.

A tia é um funcionário num serviço na administração pública (o governo, o estado) e por isso é pouco trabalhadora. Há quem ache que todos os funcionários no setor público têm esta atitude e sem dúvida existem também funcionários que realmente têm. A falta de responsabilidade por parte de uma pessoa cujo emprego é garantido, e a falta de financiamento disponível para desembolsar bens ao público dá num serviço que realmente não serve para nada. Os funcionários fazem orelhas moucas aos clientes.

Ou isso acontece mesmo ou um cliente que foi recusado por um funcionário culpa a preguiça e a arrogância dos funcionários. Mas é claro que, neste livro, a tia do protagonista é assim: uma funcionária que não funciona, um exemplo de corrupção do baixo nível.

Um membro angolano da comunidade r/Portugal confirmou que a frase e o sentimento são comuns em Angola.

Mas claro que Angola não é o único país que tem estes problemas. Existem por todo o lado, mas acho que o escritor pretende criticá-los na sua própria terra. Mais tarde na mesma história, o irmão diz que ele vai procurar trabalho e a tia responde com mais um exemplo de injustiça: “Não te preocupes(…) Nem vais ter que te dar ao trabalho de procurar por emprego nenhum. Já tenho uma cunha montada para ti (…) Já tá tudo acertado (…) podes até começar já amanhã se quiseres, o meu chefe não se importa”. A oferta é rejeitada porque o seu sobrinho não quer ficar metido num compromisso injusto: “Os tempos mudam e vão mudar, tia!”

Esta palavra “Cunha” já é conhecida porque surgiu no diálogo do “As Crónicas dos Bons Malandros” sobre o qual escrevi há 3 anos. Significa uma oferta de ajuda, emprego, ou outra bem, feita por uma pessoa influente, e é mais um exemplo de corrupção.

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Chanfana

A única vez na minha vida que comi carne de cabra foi em Coimbra, num restaurante perto do centro comercial. O prato é chamado chanfana, e é uma receita tradicional à base de carneiro ou de cabra.

Chanfana

Se a carne for velha, não importa, porque será assada até se tornar tenra e por isso esta receita é vista como boa opção para carne dura de animais mais maduros. Tradicionalmente, a carne é assada numa caçoila de barro preto com vinho tinto, alho, pimenta e folhas de louro.

A receita é muito antiga mas existem diversas histórias sobre a origem. Como resultado, há duas regiões que disputam a coroa da terra da chanfana. O concelho de Miranda do Corvo é conhecido por ser a Capital de Chanfana. Entretanto, Vila Nova de Poiares é a Capital Universal da Chanfana e tem uma marca registada para demonstrar a sua supremacia no mundo da carne assada.

Quando estudas português durante anos e finalmente chegas na secção C-H-A-N-F no dicionário.

É muito importante não confundir “chanfana” com “chanfrado” porque ninguém quer pedir um prato de carne assada e receber um guru de auto-ajuda, mesmo se for bem passado com umas boas mãos cheias de alho.

I actually made chanfana the day after writing this. It was so bad it almost caused a diplomatic incident between Portugal and Britain. Halved the ingredients but didn’t reduce the cooking time enough and it was very, very dry.