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Racismo

Os javardolas e criminosos que andam a atacar pessoas na rua e a assaltar os restaurantes, as mesquitas e as lojas estão cada vez mais sem vergonha. Até atacaram dois enfermeiros filipinos. Qual espécie de sacana é que espancaria uma pessoa cujo emprego é salvar vidas, por amor de deus.

O meu irmão e os seus colegas, apesar de não serem imigrantes foram avisados pela polícia de sair do seu escritório antes da hora de partida porque são advogados e têm clientes que pedem cidadania.

Isto é deprimente. Ainda penso no meu país como um sítio acolhedor, mas os últimos anos desde o Brexit têm minado aquele espírito de generosidade.

This picture is obviously a mess drawn by artificial intelligence, but it’s a well-meaning mess, and when we’re dealing with natural stupidity, maybe a bit of artificial intelligence isn’t so bad.
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Casa Trabalho Casa

Oiço este podcast todas as semanas porque as anfitriãs usam muito vocabulário útil no dia-a-dia e na vida profissional. Neste exercício tento fazer notas rápidas enquanto oiço sem perder o fio à meada

O Que Fazer Quando o Nosso Trabalho Não é Valorizado

Sugerido no Instagram

Rute começa: Muitas pessoas identificam-se com o problema – 62%, segundo uma sondagem, por várias razões. Falam sobre certas tendências modernas tipo “Silent Quitting” (o que não tem uma tradução português porque são tão trabalhadores)

Temos de lidar com o problema rapidamente porque não vale continuar com uma tarefa subvalorizada. Ideias

  • Pedir oportunidade de participar num outro papel na empresa
  • Falar com o chefe sobre o seu sentimento
  • Fazer as pessoas repararem em ti porque não conseguem valorizar o que não vêm.
  • Mudar a narrativa interna de ser vítima – temos um sentimento intrínseco do nosso próprio valor
  • Procura projectos que dão mais satisfação
  • Considerar terapia
  • E provavelmente perdi alguns enquanto estava a escrever. Mas se quiseres saber mais, experimenta o podcast!
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Bem-Vinda de Volta!

A professora que assume, dia após dia, a tarefa pouco invejável de revisar estes textos (cada um carrega a sua cruz) está de regresso após uns dias de paz e descanso bem merecidos, portanto o nível ainda-mais-baixo-do-que-normal pode voltar a ser apenas tão baixo quanto sempre. Ou seja, os erros gramaticais afastar-se-ão mas os trocadilhos não. Há quem deseje que a situação fosse ao avesso, mas aqui estamos.

Bem vinda de volta, Cristina!

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A Obra de Arte que é Nossa

O Artista Banksy (em Português “Bancosy”) publicou hoje no seu Instagram uma imagem sua de uma cabra numa parede, como se fosse numa vertente de uma montanha. A parede em questão fica muito perto da minha casa. Para ser sincero, eu preferia uma escultura do Bordalo ii ou um mural do Vhils, mas até que aqueles artistas passarem umas férias em Kew, esta tem de servir para nos divertir.

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A Hundred Lines

Faço certos erros tantas vezes que acho que preciso de escrever exemplos cem vezes no quadro negro para enraizar o hábito bom. “Chegar ao país” por exemplo. Em inglês dizemos “Chegar no país”. Mas… em inglês, estás a ver…

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Faz Faísca e Chavascal

Translation Time! I was drawn to this song because it has two words I don’t recognise in the title. They proved to be incredibly hard to translate. If you go directly from what Priberam says, the title means “It makes sparks and a barren wasteland” which obviously makes no sense. I asked around and the answers I got were

  1. Faísca is a light effect and Chavascal a sound effect
  2. Both are synonms for chaos and
  3. A pointer to this page, with the suggestion that definition 5 was the relevant one.

OK, so it’s noisy, chaotic. So… an explosion? Some sort of massive freak-out or general mayhem?

Next question: What the heck tense is it in? Portugal is very sparing with its national pronoun reserves, and it’s not totally clear whether “faz” is third person present (talking about the experience she’s having?) or second person imperative (telling you, the listener what to do). In other words is she saying “It makes sparks…” or “Make sparks!” I think the second, just because some of the lines don’t make sense otherwise. It brings confetti to the garden? How?

So assuming whatever faísca and chavascal mean they’re something that a human is capable of doing, I’ve gone with “Be flashy and make a scene”. I’m sure this is debatable but this seems like it follows a trend line through the available evidence and I hope I’m not too far wrong.

The actual music is a bit odd. The arrangement has a whiplash change of mood, going from sultry club jazz to cringey pop when it hits the chorus, and some of the camera work is quite shonky too, but never mind, here we go!

PortugueseEnglish
aaaaaahhh
acordo a tempo de chegar
ensaio o espaço e volto atrás
sem ver os tons a mudar
ooooohh, aaaaahhh
esperei sete ondas para saltar
clarões em branco e lilás
quem são os teus orixás?
pergunto
aaaaahhh
I wake up when it’s time to arrive
I study the space and turn back
Without seeing the tones change
Ooooohh, aaaaahhh
I wait seven waves before jumping
Flashes of white and lilac
Who are your idols*?
I ask
faz faísca e chavascal
got addicted, não tem mal
não és tu (não és tu…)
traz confettis pro quintal
com pitanga é carnaval
tudo cru, ooooohhh
faz faísca e chavascal
faz faísca e chavascal
got addicted, não tem mal
ooooohhhh
Be flashy and make a scene
Got addicted, don’t take it badly
It’s not you (it’s not you)
Bring confetti to the garden
With pitanga** it’s carnival
All raw, ooooohhh
Be flashy and make a scene
Be flashy and make a scene
Got addicted, don’t take it badly
ooooohhh
água na boca
vinho a compensar
nada no ombro
e nada pra falar
dá sempre pra duvidar
ou então largar as rosas no mar
Water in the mouth
Wine to compensate
Nothing on the shoulder
And nothing to sat
It always makes me doubt
Or even leave roses in the sea
faz faísca e chavascal
faz faísca e chavascal
traz a fruta tropical
faz o próprio carnaval
Be flashy and make a scene
Be flashy and make a scene
Bring the tropical fruit
make your own carnival
faz faísca e chavascal
got addicted, não tem mal
não és tu (não és tu…)
traz confettis pro quintal
com pitanga é carnaval
tudo cru, ooooohhh
Be flashy and make a scene
Got addicted, it’s not bad
It’s not you (it’s not you)
Bring confetti to the garden
With pitanga** it’s carnival
All raw, ooooohhh
faz faísca e chavascal
faz faísca e chavascal
got addicted, não tem mal
ooooohhhh
Be flashy and make a scene
Be flashy and make a scene
Got addicted, don’t take it badly
ooooohhh

*Specifically, an orixá is a representation of a minor divinity in the Yoruba religion

**Pitanga isn’t really a fruit we have in the UK, and the wiki page gives a few names, but since one of them is just “pitanga”, I’ve left this alone.

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Rockroses and Wine Merchants

Sou membro de um grupo online chamado “O que é esta planta?”. O propósito do site é bastante óbvio: identificar plantas, folhas e flores encontrados no dia-a-dia. Na semana passada, alguém compartilhou esta foto, perguntando qual é a flor na imagem, sem saber que a resposta está escrita na garrafa. “Esteva” é o nome da flor. Em latim, diz-se Cistus Ladinifer, e em inglês é “rockrose”, e é muito bonita, não é?

Mas, sendo um estudante da cultura portuguesa, eu fiquei curioso sobre a marca: Casa Ferreirinha.

Segundo a Wikipédia, “Ferreirinha” refere-se à empresária D Antónia Adelaide Ferreira, uma cultivadora de vinho do Porto que viveu no século XIX. Casou-se com um primo (estes ricos são uns esquisitos, não é?) mas ficou viúva com 33 anos, e ainda bem porque o primo-marido (primarido?) era extravagante e esbanjou grande parte do seu dinheiro.

Na viuvez, a empresária foi alargando as suas terras. Comprou quintas nos lugares mais soalheiros, meteu-se na política, preocupou-se com as famílias nas suas terras e adegas, e como resultado era vista com carrinho. Casou-se pela segunda vez com o administrador da empresa. Fiquei interessado por ver que se deslocou para Inglaterra à procura dos meios mais modernos para combater a filoxera. Nós não temos uma história de cultivo de vinhas, mas temos um jardim botânico logo ao pé de mim, portanto perguntei-me se ela passou algum tempo aqui em Kew.

Todavia, a empresa, atualmente conhecida por Casa Ferreirinha não é a sua. A história é contraditória: Segundo o site Sogrape, a marca tem “mais de 250 anos de história”, ou seja, é mais antiga do que ela, mas segundo a Wikipédia, o seu segundo dono nasceu em 1913. Eu não sei, mas ao que parece o nome é apenas uma homenagem a ela.

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Fulano

Mencionei ontem a palavra “Fulano”. Tenho a ouvido várias vezes e adivinhei que queria dizer alguma coisa como “idiota” (provavelmente um falso amigo: soa como “fool”) mas confesso que não prestei muito atenção à palavra principalmente porque apenas a ouvi na fala de brasileiros portanto achava que era um brasileirismo.

Oh leitor, enganei-me duas vezes. Esta palavra é oriundo da Arábia. Fulân significa “alguém” em árabe, portanto Fulano refere-se a uma pessoa indeterminada, ou que não se quer nomear, ou o que nós chamamos “John Doe” em inglês. Existe nas línguas castelhana e Galega.

Se houver mais de uma pessoa, pode-se usar a expressão “Fulano, Sicrano e Beltrano” que é igual à nossa “Tom, Dick and Harry