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Riquerolices

Today’s text is a bit of an odd one, following a train of thought from the last one. Thanks to Butt_roidholds for the corrections. I made a lot of silly mistakes in this text but there are some notes about the non-silly ones at the bottom.

O amor não nos é desconhecido*
Conheces as regras e eu também
Um compromisso completo é aquilo de que estou à procura
Não receberias isto de outro gajo qualquer

So quero explicar-te como me sinto
Tenho de te fazer entender

Nunca vou desistir de ti
Nunca te vou desiludir
Nunca vou andar às voltas e abandonar-te
Nunca te vou fazer chorrar
Nunca me vou despedir**
Nunca vou mentir e magoar-te

*=”We’re no strangers to love” just doesn’t work in Portuguese. “Love isn’t unknown to us” is better.

**=nunca vou dizer adeus Would have been more idiomatic (and literal) but this is a verb I keep forgetting about so I wanted to crowbar it in.

Posted in English, Portuguese

Piadas de Tiozão

Apparently piadas de tiozão (“big uncle jokes) are what Brazilians call dad jokes. Older subscribers who have endured three or more years of this blog (I raise a glass of Licor de Beirão in your honour) may remember that the European equivalent is “Piada Seca

I inflicted two in the world today.

Como se chama um cantor que tem muita sede?

Justin Beber

Como se chama um cantor que tem um leque e um tambor?

Justin Tamborleque

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Uma Dádiva de Células da Medula Óssea

This text was written about a news story. Actually I can see I got some details wrong but hey ho, I’m learning Portuguese, not writing a column in the Telegraph, so my fact checking department is limited. Dani Morgenstern corrected it (thanks!) and gave me some good tips which I have added as footnotes at the bottom

Escrevi uma anedota* ontem sobre a minha dádiva de sangue (uma operação fácil que praticamente não doi de todo) mas hoje ouvi uma notícia de alguém que fez um sacrifício heróico.

O Sam Astley é um adepto da seleção inglesa que se tinha registado no rol de voluntários que oferecem células da Medula Óssea para quem precise de tratamento contra a leucemia. No dia antes do jogo o serviço nacional de saúde contactou o senhor Astley para informá-lo de que havia alguém com o mesmo tipo de tecidos, portanto ele deveria ir ao hospital para doar células naquele mesmo dia e entrar em cirurgia porque senão o doente morreria.

Ficou ligeiramente chateado pela coincidência de datas, claro, mas não havia hipótese** de recusar. Aceitou sem hesitação.

O Sam e a sua namorada foram entrevistada na televisão. A namorada disse que ela o admirava e o considerava um herói por causa do seu sacrifício. O apresentador concordou e eu também. Mas o Sam não se quis vangloriar. Respondeu que “Não sou eu o herói. Eu fiz isto num dia só, mas a minha namorada é enfermeira. Ela salva vidas dia após dia.”

E eu pensei “OMG 😭” ou seja, como se diz em português “OMD 😭”

O casal recebeu*** dois**** bilhetes para a final da competição. Merecem.

We're no strangers to love
You know the rules and so do I
Need a bone marrow transplant? Nobody with this surname is going to give you up or let you down.

*=I’m stubbornly resisting correction on this one. It was s suggested I change it to “piada” (joke) but I feel like the text I wrote about the blood donation was more of an anecdote and the Portuguese word has roughly the same meaning in Portuguese (“Pequena narração ou dito que provoca ou pretende provocar o riso” – Priberam) although I notice that piada is given as a synonym for anedota so maybe the two concepts aren’t as distinct in PT… Hm… Maybe time for a follow-up question. Watch this space.

**=I put “não havia questão” but I don’t think that sense of question works in Portuguese. Não havia hipótese seems to be the right option

***=recebeu (received) sounds a bit off in English, but the English equivalent “they were given” (foi dados) doesn’t work in Portuguese, so recebeu it is.

****= I used “um par” (a pair) but this isn’t commonly used in place of English words like couple, pair. If you mean two, say two!

Posted in English

Portuguese Graphic Novels

I had been putting together a list of Portuguese Graphic Novels for a while and it’s not quite finished yet but someone just asked a question about it so I’ve gone ahead and published it in draft form along with the other resources. If you’re looking at this on a computer it’ll probably be over on the right, and if you’re on a phone screen, you’ll probably need to scroll down a bit. Or just click here.

The plot thickens though because after I published it I saw a reply from another Redditor (is that what you call them?) with this link to a list of the supposed fifteen best. Some are on my list too, and some I don’t know. I’ve no idea why they have Caos e Ordem on there. I liked the look of that too but it’s a huge disappointment.

Posted in Portuguese

Uma Dádiva de Sangue

This text about blood donation and the football has now been corrected by ThisCatIsConfused (thank you!)

Fui ontem a um centro de dádivas de sangue. Eu fiz o agendamento anteontem, e fiquei surpreendido porque normalmente não se pode agendar uma consulta sem 2 ou 3 semanas de antecedência. Hm.. Que estranho. Porque é que há tantas vagas no calendário do centro?
Ora bem, tornou-se óbvio depois do enfermeiro me ter furado o braço*

“Então… O senhor vai ver o jogo de Inglaterra hoje à noite?” disse ele
“Provavelmente” respondi.
“Boa. Mas não te esquece que não se pode beber álcool durante as próximas 24 horas”
Aaahhhh! É por isso que ninguém quer doar sangue hoje!

Acho que sou a primeira pessoa na história do mundo que disse a seguinte frase:
“Não se rale. Não vou beber. Sou escocês.”

*=i really stretched myself with the grammar of this sentence and although I didn’t get it all right, it was close enough.

Posted in English, Portuguese

Rústica – Florbela Espanca.

I mentioned a few days ago that I was trying to memorise poems in both English and Portuguese. Well, today’s is a Portuguese one: Rústica by Florbela Espanca. As with so many of these poems, reading it through once a couple of years ago, I was my usual poetry-reading self: “Yes yes, very poetic. Next!” But now that I’m immersing myself in them, I’m starting to get the point of poetry. Here is the original:

Rústica

Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho…
– Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho…

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”…

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Rústica, Florbela Espanca, from Charneca Em Flor

Florbela Espanca

There are a few unfamiliar words in it so I’ll have a go at translating it:

Rustic

To be the prettiest girl in the village
To walk contentedly on the same trail
To see descending on the cosy home*
The blessings of the Lord on every child 

A calico** dress, well-washed
Smelling of lavender*** and thyme 
With the moonshine quenching the thirst of the cattle****
Giving the doves the sun in a grain of corn

To be pure as the water in the cistern
To believe in a life eternal 
When I go down to the land of truth*****

God, give me this calm, the poverty
I’ll give them my princess throne
And all my kingdoms of anxiety

*=The word used in the original is “ninho” which means nest, but I think in this context its just a folksy way of saying home.

**=my paper dictionary says chintz, but I think chintz is made of calico (?) and that calico goes more with the vibe of the poem. But I’m not an expert in cloth, so I could easily be wrong.

***=I’ve been saying “lavandas” for lavender but I think that might be a brazilism because according to the wiki this is the word used in Portugal.

****=matar a sede means kill the thirst, literally, but quench seems better. And it’s not “a sede do gado” (the thirst of the cattle) but ao gado (to the cattle) , another example of Portuguese speakers using prepositions in a way that are just a little different to what an english speaker would expect.

*****=Descer in this sentence is the future subjunctive, not the infinitive, and I believe its “when I go down” not “when he/she/it goes down” but I can only get that from context since there no way of telling grammatically! I’m not sure what the land of truth means here either. If it’s heaven, why is she descending and not ascending? I’ve read the bible and spent a lot of time in church but this makes no sense to me I’m afraid.

Here’s an analysis I wrote of the poem, in Portuguese, for today’s writing challenge (thanks to Dani Morgenstern for the help)

O Poema de hoje é Rústica de Florbela Espanca. O poema fala do anseio da poeta por uma vida mais bucólica, numa aldeia onde ela seja “a moça mais linda” e o ar seja perfumado de ervas e flores.
Este desejo, esta saudade duma vida sem ansiedade e sem problemas é, no entanto, pouco realista porque a vida numa aldeia tem as suas próprias ansiedades e nem todas as moças podem ser a mais linda. Mas isso não contraria a mensagem do poema nem a vontade que todos nós temos de afastar-nos da vida moderna.
O poema tem quatro versos: dois de quatro linhas e dois de três, e tanto quanto sei, este padrão é muito comum na obra desta poeta. Usa imagens da natureza (o que é pouco surpreendente neste caso!) e temas religiosos. Aliás, a religião não é apenas um tema: a saudade da religião faz parte da saudade da vida simples. É como se Deus não tivesse poder nenhum na cidade e só soubesse tocar o coração de quem vive nalguma quinta.

Posted in Portuguese

O Que Raios se Passa com o Clima?

Thanks to Butt Roidholds for the corrections

Tenho amigos canadianos e americanos do noroeste que se queixam por causa do calor neste verão. Às vezes a temperatura atinge níveis acima de 45 graus. Só pensar naquela temperatura põe-me a cabeça a roda. Entretanto em Inglaterra tem estado frio com céu nublado e muito chuva nas últimas duas semanas. Em Julho.

Olhai, Deus, imploro-vos, mandai os vossos anjos mexer esta caldeirada para igualar os tempos dos vários países!

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O Verso Alcançando o Infinito

*groan*

So ages ago, I heard Jose Jorge Letria (a poet who wrote, among other things,”Era Uma Vez Um Cravo”) read a poem called O Dia Mundial da Poesia. I mean, I thought it was called that. I thought he’d written it for world poetry day and he’d called it that because it was about poetry itself, where it comes from and how it’s made. And I spent ages looking for a printed copy because I liked it so much even though my listening skills were terrible and I could only make out about one line in five.

The poem is born of an impulse [… Blah blah blah… ] from the sonorous temptation of a metaphor [… Something something…] Afterwards, it’s writing, the work of hands on the incandescent material of syllables [… Tum ti tum…] The poem is born, finally, from the illusion that there is something left that hasn’t been said [… Etc… ]

I couldn’t catch it all. But I got enough to know I wanted more but I couldn’t find it anywhere online or in any of his books.

Anyway, as you’ve probably gathered by now, it’s not called O Dia Mundial da Poesia at all; it’s called O Verso Alcançando o Infinito. So that explains why I couldn’t find it. Anyway, now I know what to plug into Google, I’ve found another recording of it here…

And if you need the lyrics (I wish I’d had access to then five years ago!) they’re here. Well, some of them are. Another one for my project to learn poetry, I think!

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Apresentação de Billy Pilgrim

Today’s exercise was to write about a literary character so I chose Billy Pilgrim from Slaughterhouse 5 which is one of my favourite books. I seem to have got a bit distracted and ended up talking about the book itself and it’s various controversies though. Why am I like this? Thanks to ThisCatIsConfused for taking time to correct such a long, rambling text. Only 3 mistakes apparently. Woo-hoo!

Billy Pilgrim é o protagonista dum livro chamado Matadouro Cinco de Kurt Vonnegut. O livro é um dos meus favoritos apesar de ter alguns hum… defeitos…
Após o primeiro capítulo, que serve como introdução, a história própriamente dita* comece com a seguinte frase:

Olha: Billy Pilgrim ficou descolado no tempo**

A vida de Billy não se desenrola linearmente assim como as nossas. A sequência fica interrompida por cortes na linha de tempo. Num momento está sentado numa cadeira em casa; no próximo, encontra-se no planeta Tralfamadore e, logo depois em Dresden em 1945 ao ver a devastação na qual 25,000 seres humanos perderam a vida.

O livro é uma mistura incrível de ficção científica e filosofia e factos verídicos. É engraçado mas é importante tambem. Sobretudo, é muito polémico. Havia muitas tentativas de proibi-lo de várias  bibliotecas americanas por causa da “obscenidade” dos conteúdos.
Mas há um problema mesmo muito pior. Já mencionei a figura de 25,000 mortos. É muito, não é? Mas o autor citou um número ainda mais alto: 135,000. Donde vem tal número? Vem dum livro de David Irving que é bem conhecido por minimizar o holocausto. É isso, o maior defeito do livro: O Vonnegut repetiu este número (e outros “factos” dados por Irving) sem intenção prejudicial, mas é irónico que um livro contra a guerra tornou-se um conduto poderoso de propaganda nazista. Há muitas pessoas que acreditam por resultado.

*=this is one of those expressions that I recognise when I see it but I never think to use in my own speech and writing. I’m trying to say “the story itself” (as opposed to the introduction) so I used própria but this is better. Propriamente dito/a.

**=isto a tradição minha da frase “Listen: Billy Pilgrim has come unstuck in time”. Acabo de ver a tradução profissional da Rosa Amorim que diz “Escutem: Billy Pilgrim tornou-se volúvel no tempo”.
Escutem é mais literal do que olha, claro. Mas acho que volúvel é menos literal… Pois. Estou a encolher os ombros… Espero que seja mais-ou-menos compreensível apesar disso…?

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Morte às Lesmas

Today’s text is back in the garden. Thanks to ThisCatIsConfused for the help with this one. Notes at the bottom.

Estou a pensar em comprar algo para acabar com as lesmas da minha horta porque andam a comer tudo. O tempo aqui em Londres permanece húmido, abafado* e nublado. Perfeito para os moluscos. E assim falecem as abóbaras e os feijões todos.
Mas existem produtos químicos nalgumas pelotas de lesma que podem prejudicar a saúde de outros animais no quintal, tal como ouriços e sapos. Portanto hoje de manhã passei uma meia hora a pesquisar outros métodos de controlar caracóis e lesmas sem assassinar os meus amigos de quatro patas.
Produtos baseados em Sulfato de Alumínio (tal como Fertosan) parecem eficientes** e existem um tipo de fita cola que provavelmente protegeria a estufa. Os outros métodos não me convenceram. Dúvido que um rasto de cascas de ovos moídas teria êxito***.

*=I originally wrote “morno” instead of abafado but morno is mainly used for food, not weather

**= I wrote efetivo which does exist and is in the right ballpark but the boundary between the meanings of effective and efficient is slightly different in Portuguese.

***=Seems better than my original wording “daria em êxito”