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Estes Dias – Bernardo Majer

Estes Dias de Bernardo Majer

Parece-me que não tenho paciência para livros portugueses nesta altura. Ando a ler BD. “Estes Dias” de Bernardo Majer é uma série de retratos de pessoas em transição sem enredos fortes. Em cada um, seguimos a vida do protagonista durante algum tempo e logo a história chega ao fim e começa a próxima. O “ritmo” do diálogo e a lentidão do enredo (na medida que existe) fizeram-me lembrar as BD do Jiro Taniguchi mas falta o foco (e a qualidade dos desenhos) de Taniguchi cujo génio fica nas delongas e no silêncio, que sublinham os pormenores da vida. Ah ah, porque é que estou a fazer esta comparação? Taniguchi é um gigante e quase ninguém chega aos calcanhares dele.  Mas ainda assim, este livro parece estar em busca daquel mesma atmosfera na introspeção das personagens, nas lacunas e nos momentos de reflexão na natureza à sua volta.

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A Rainha Está Morta*

Como já sabem, a nossa rainha faleceu ontem e, assim como a maioria de nós, estou triste e vou demorar um pouco para me acostumar ao “novo normal” porque a rainha era rainha desde antes do meu nascimento – e eu sou um velhote de merda.

She said I know you and you cannot sing

Mas não quero repetir coisas que estão espalhadas por todo o lado nas redes sociais. Há quem escute um álbum famoso dos The Smiths. Isso fez-me lembrar que, em 1986 (?) fui a um concerto dessa banda numa sala de concertos na minha terra. Abriram com “The Queen Is Dead” mas alguém atirou alguma coisa (um copo?) à cabeça de Morrissey (o cantor). Membros da organização levaram-no do palco. Os outros membros da banda saíram logo depois.

Muitas pessoas estavam a cantar “Hang the thrower” (“enforquem o lançador”)

Vinte minutos depois, quando a polícia tinha cercado o sítio, confirmou-se o fim do concerto.

Lembro-me de que o meu amigo estava triste naquele dia por causa da sua namorada ter deixado de ser a sua namorada. Tanto quanto eu sei, eu ainda eram um verdadeiro fã dos The Smiths que ainda não tinha tido uma namorada.

* Definite grey area in the ser/estar dilemma that plagues English learner. We’re usually told ser is for permanent, unchanging conditions and estar for a temporary state. And what could be more permanent than death? But no, it’s estar. Later on she “era rainha”. Why? Being dead is more permanent than being Queen. But it’s because being Queen is a definition of who she is. It’s a defining quality.

In fact you’d be more likely to say “a rainha morreu” but this is a translation of the album so…

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Cabelo cor-de-rosa

Troll

A minha filha foi ao cabeleireiro no fim de semana passado* para pintar o cabelo de cor-de-rosa. Não é uma cor muito forte. Não parece a pantera cor-de-rosa. Nada disso. Fica-lhe bem. Quando eu era jovem, as escolas não permitiam cabelo pintado de cores fora do normal (e não só para nós rapazes!) mas hoje em dia é mais aceitável e, para mim, isso não tem nada de mal.

*I hadn’t really noticed but it’s obvious when you think about it but the gender can work two ways with the weekend. Semana is femimine, but fim is masculine and so is the whole phrase “fim de semana”.

So It can be “o fim dA semana passadA” (the end of last week) or “o fim dE semana passadO” (last weekend)

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Pantomime Dane

I mentioned in yesterday’s post, my favourite “hack” for conversarion: tell them you’re Danish. If, like. Me, you’re pale and un-iberian-looking, you obviously can’t pass yourself off as a local, but you don’t want people to clock you’re an English speaker because then they’ll be unhelpfully helpful. So pretend to be Danish because nobody speaks Danish. Then you can swear you have no knowledge of other languages and they’ll just have to talk to you in Portuguese. Or run away. I definitely recommend having this trick up your sleeve for an emergency.

Hamlet

Anyway, when we were in France, my daughter, who is learning French at A-level, used the same trick and told them she was “danoise”. I was really proud of her putting herself out there and talking to people. She did really well.

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End of an Era

It’s a sad day for Britain. I’m touched to see so many people on Portugal paying tribute to our late monarch.

Hoje é um dia muito triste cá no Reino Unido. Fico emocionado pela  comovente reação de tantos portugueses à morte da nossa rainha.

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Imprensa Nacional Casa da Moeda*

Imprensa Nacional Casa da Moeda

Durante a nossa estadia em Coimbra, Deparámo-nos com** uma loja chamada Imprensa Nacional Casa da Moeda. Comprei um livro e falei com o empregado ao balcão. Era um dos melhores tipos de portugueses: os que não falam inglês com ingleses(1). Achei que a INCM era uma simples editora*** mas não é: foi formada por uma fusão da imprensa nacional (cuja função**** é imprimir documentos oficiais, formulários, leis e tal) e a casa da moeda, que cunha as moedas e as notas do estado. Também disse que a INCM se responsabiliza por preservar a língua portuguesa. A seleção de livros nas prateleiras era incrível, com títulos que desconhecia*****, e havia moedas comemorativas, com imagens da Ana Moura e do artista Vhils (Alexandre Farto) entre outros.

(1) estou a brincar: os portugueses que falam inglês são muito acolhedores e agradeço-lhes pelas suas reações simpáticas mas não deixa de ser uma chatice para nós que viajamos para lá praticar falar português. É por isso que dizia sempre que sou dinamarquês.

You can read more about a INCM here.

*I wrote this ages ago and made such a cock-up of it that I didn’t even spell the name right. The shame! The shame!

**I keep using this verb, deparar, wrong. I have a list now with all the things u get habitually wrong and this is on it!

***Adjective before noun is more emphatic.

****I used “cargo” for a duty or responsibility but that’s something a person has, not a company.

*****I like that there’s a whole verb that means “to not know about”

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Quarentugas

Quarentugas
Quarentugas de André Oliveira e Pedro Carvalho

Acabo de ler o “Quarentugas” que é uma coleção de histórias aos quadradinhos* que tiveram a sua origem no Instagram durante os primeiros meses da pandemia e que conta histórias de indivíduos e famílias em pleno isolamento durante os dias mais negros do nosso passado recente. Apesar do estilo da banda desenhada ser simplíssimo, tive a impressão de os escritores gostarem de palavras mais elegantes porque o nível de vocabulário é ligeiramente mais elevado do que normal.

As histórias são divertidas, ainda que às vezes o humor seja cru, e as ilustrações são bem executadas. Gosto muito e lamento que não tenha ouvido falar da conta antes. Teria sido uma boa diversão durante o ano 2020.

* Using Histórias aos Quadradinhos and Bandas Desenhadas in the same text is a bit odd. You’d usually stick to one or t’other. In Brazil, a BD is often referred to as an HQ apparently (Lord knows why – those two letters sound pretty clunky in Portuguese), but there it stands for Histórias em Quadrinhos (note the shand of spelling from “quadradinhos” (PT) to “quadrinhos” (BR) as well as the pronoun shift…. Banda Desenhada is definitely the better expression so it’s probably safest to ignore the other completely rather than remember the variants.

As usual, thanks to Dani for correcting this text.

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Linguistics

Hello! Well, I have been quiet for a few days after a long, long time of consistent language learning and consistent banging-on-about-it on here. We went to France and I had to squeeze my brain into French mode and its taken me a while to get back into the right frame of mind to get back to work on Portuguese. I’m actually still jointly reading the French translation of Six of Crows with my daughter so I’m going to be twin-track for a few weeks to come, but at least I’m starting the ball rolling again.

The Story of Human Language by John McWhorter

I’ve also just finished listening to this course about languistics, presented by John McWhorter who is an author and the host of the Lexicon Valley podcast as well as being an accomplished academic in his own right. He really brought the subject alive. I’ve been interested in the development of language for ages and enjoyed seeing how some of my pet theories, derived from learning Portuguese, French and Scots Gaelic, lined up with current ideas formed by people who actually know what they’re talking about. Portuguese is mentioned a few times, both in its relation to other romance languages and in its role as a source languages for creoles and pidgins in areas where Portugal’s empire spread its influence. Of course, knowing about linguistics doesn’t make you better at speaking another language but I feel like it adds an extra dimension to the experience and I’d definitely recommend it if it’s not something you’ve already tried. It’s on Audible’s free list, meaning if you’re a member you can just listen without spending precious, precious credits.

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O Limerick

I enjoyed this as a challenge. And let me pass along the challenge to you, gentle reader: can you write a Limerick in Portuguese? Whack it in the comments and show me what you’ve got. All entrants win a free subscription to Luso Premium. That’s like ordinary Luso except you are allowed to read it out loud to yourself in a Michael Caine voice.

Um Limerick é um poema humorístico com 5 linhas. A primeira, a segunda e a quinta linhas rimam umas com as outras e a quarta rima com a terceira. Desafiei-me escrever um Limerick em português. Desculpem – acho que contem asneiras…

Havia um jovem do Porto
Cujo pénis era bastante torto
Mijou de maneira errada
Salpicou a tomada
Por isso o homem é morto*

*Apparently “é um homem morto” sounds more natural but I liked the rhythm better like this so I’ve left it.

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Amor de Perdição

Really reading a lot of graphic novels and comics at the moment. I tried to listen to the audio of this a while ago but it’s much easier in this format! Thanks to Dani for the corrections.

Amor de Perdição

Decidi ler um clássico da literatura portuguesa, nomeadamente o Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, porque sou um intelectual, mas escolhi a versão banda desenhada porque ser intelectual é difícil. A história é uma tragédia de amor, parecida com o Romeu e Julieta. Dois jovens, membros de famílias rivais, apaixonam-se. O homem tem sangue quente – é igualmente raivoso e orgulhoso e mete-se em apuros a cada cinco minutos. Até mata um empregado do pai da rapariga, o que complica tudo ainda mais. Não quero dar spoilers mas não há um final feliz o desenlace é igual ao da peça de Shakespeare, mais ou menos. A banda desenhada conta a mesma história de um modo mais acessível e a arte é bastante boa.