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Some Corrected Texts

As Nossas Escassas Reservas de Bondade

Acabo de defender um homem bengali que perguntou no r/Portugal se era* possível obter cidadania portuguesa, tenda um filho nascido em Portugal.

Havia outras pessoas a insultá-lo** de*** uma maneira pouca educada, portanto dei uma resposta mais animadora.

Mas depois constatei que o gajo era um troll e agora estou amargurado por ter desperdicido tanto esforço e tanta bondade com**** um idiota. Devia ter passado o tempo a fazer algo mais útil.

1969

Nasci em 1969. Nesse ano, os seres humanos pisaram a superfície da lua. Eu também queria ser astronauta mas acabei por ser consultor de informática que é a segunda melhor coisa*****.

*I wrote “fosse” but of course the question “can I obtain citizenship this way” is a question of fact, not a speculation, so it doesn’t take the subjunctive.

**I tried to be down with the kids by using the verb xingar, but it’s too Brazilian

***Surprising preposition use: of a way, not in a way.

****Another one: I wasted my effort with an idiot, not on an idiot.

*****Googling how to say “second best thing” I was told “melhor coisa seguinte” but this turns out to be wrong.

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A Febre dos Fenos

An account of recent afflictions with thanks to o_pragmatico for the correction. O Jacinto means hyacinth, by the way.

Hyacinth Bucket
The Other Hyacinth

A febre dos fenos é uma espécie de rinite provocada por pólen. Basicamente, é uma alergia. Antigamente não tinha tais problemas, até durante a Primavera,* mas recentemente fico cada vez mais um mártir… OK, estou a exagerar mas sinto uma coça no meu nariz de vez em quando, se o ar estiver cheia de pólen. Há 4 dias que estou com uma constipação**. Achava que era por causa dum vírus qualquer mas apercebi-me que os sintomas desaparecem quando estou na cama ou fora da casa e entendi que a origem da doença era o jacinto no vaso perto da televisão!

(two days later)

Ainda não deitei fora aquele jacinto. Gosto mais de flores do que respirar.

*I’m a bit slapdash in my use of commas, even in English, but I often get picked up on them in my Portuguese texts and I suspect this is something you’d be judged for in written portuguese, much more more than you would in English.

**This will never not be confusing to me but in case you don’t already know, constipação usually means a blocked nose in Portuguese. It can mean the other kind of constipation too of course but not usually.

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“Leiria”

Ouvi falar duma terra mítica, tipo Atlântida ou Tir Nan Og*, chamada “Leiria”. Assim como a Atlântida, esta localidade ficcional faz parte, segundo as lendas, de Portugal. Há quem acredite que a ilha de Atlântida ficava no meio do oceano Atlântico (daí o nome!) e que quando afundou, as montanhas mais altas do território permaneceram acima das ondas, formando os atuais Açores** (ou por outro lado, Madeira) mas no caso de Leiria, os adeptos da “Nova Idade” defendem que o território existia na atual Baía de Santarém. Infelizmente não existem provas nenhumas que dêem sustentação a esta hipótese, portanto ninguém acredita nela exceto uns teoristas de conspiração e uma mão cheia de cripto-geógrafos.

Leiria Não Existe
If you believe in Leiria then how do you explain this?

This is just a silly joke of course. There’s a meme that Leiria (a town and a region north of Lisbon) doesn’t exist. You can find plenty of examples if you Google “Leiria Não Existe”. Tbh, I haven’t the foggiest idea why this joke came about or why Leiria and not some other random town, but it just do happens that I’m reading a comic about Atlantis at the moment, in which the heroes find the lost continent while staying in the island of São Miguel, so it seemed fun to merge the two ideas like this.

Thanks to o_pragmatico for the correvtioms.

*WTF? I just looked this up and it’s being spelled Tir Na nÓg now. When did that happen? Must be a Scots Gaelic vs Irish Gaelic thing, I assume. I’d never seen it written that way before though. Meh, Van Morrison spells it my way so the rest of you are just wrong!

**Os Açores – the archipelago not As Açores (I was thinking ‘as ilhas’)

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The Mad(eira) Hatter

Thanks to Dani for the corrections on this short post about Barretes de Vilão

Barrete de Vilão
Barrete de Super-Vilão

Acabo de falar com a minha cunhada que voltou ontem da Madeira onde esteve durante alguns dias enquanto renovava o passaporte. Durante a sua estadia, disse ela, comprou um “barrete de vilão”. Já tinha ouvido falar de um chapéu madeirense chamado carapuça, mas isto era uma nova informação*. Pesquisei o nome e encontrei algumas fotos de uma espécie de gorro cinzento de lã grossa com dois apêndices que cobrem as orelhas (por isso são também conhecidos por ‘barretes de orelhas’) e uma borla no topo. A minha esposa riu-se “Boa sorte em traduzir ‘vilão’!” Mas não é assim tão difícil. A palavra quer dizer um pobre do campo. É cognata com uma antiga palavra inglesa – “villein” que também se refere a um camponês. Ao longo dos séculos, villein passou a ser ‘villain’ e adquiriu um significado mais ignóbil, como um criminoso** e daí falamos de super-villains. Tanto quanto sei, o Thanos não possui um barrete de vilão com jóias do infinito, tricotadas na borda.

*I wrote “uma nova peça de informação” but this is redundant,

**Not “criminal”. I wrote that but that’s basically an adjective… OK, it can be a noun but it doesn’t mean what criminal means in English.

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Texts

Here are a few corrected texts. Thanks very much to Dani Morgenstern and Chamador Tricolor for the corrections. There were lots but I’ve only highlighted the interesting ones and not just the ones where I was being an idiot.

Language Exchange

Entrei no subreddit “language exchange” e perguntei se havia alguém que quisesse fazer um intercâmbio linguístico. E havia! Já tivemos duas conversas. Estou muito entusiasmado com a oportunidade de falar português. Apesar de ser muito introvertido, é tudo muito descontraído* e espero que continuemos durante algum tempo.

*Informal. I used relaxado for relaxed but I think maybe that’s a different sort of relaxation.

Arrumação

Quando era estudante e os meus pais, ou os pais dos meus amigos faziam uma visita, costumava arrumar a casa para que eles não pensassem que eu era um javardola.

Agora que sou adulto, quando as amigas da minha filha vêm de visita, ainda arrumo a casa para que elas não achem que sou um javardola.

Mais Sopa

A adolescente que mora neste apartamento anda** obcecada com a culinária. Ontem, fez sopa de tomate*** para a amiga dela. Hoje está a fazer uma sopa com favas, batatas-doces e leite de coco. Estou muito contente porque não tenho de fazer o almoço. Finalmente este trabalho de ser pai está a dar frutos!

** for some reason I wrote “anda a ser obcecada”, but I was translating too literally from “continues to be obsessed”. Bad.

*** singular, not plural

Sotaque Madeirense

Quando falei com a minha cunhada no fim de semana passada, fiquei muito confuso porque ela andava a repetir que tinha saudades da sua juventude no patamar. Fiquei muito tempo a observá-la como um cãozinho a ver um truque de mágica. Finalmente percebi que foi só por causa do seu sotaque de madeirense. Tinha saudades de estar “perto do mar”

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Expressões Idiomáticas, Climáticas e Palavráticas com Preposições hum… Aleatoriaticas?

So here are a couple of videos from the same guy. They are quite sweary so if you have a portuguese relative within earshot, you might want to use headphones. I was interested in the prepositions more than the swearing and I’ll tell you why when you’ve watched them. In fact, the whole post is quite sweary, even the English bits. If you are a child, reading this, please ask your parents to hide your device until your eighteenth birthday and then carry on reading.

OK, ready? Good. Happy birthday, by the way.

As you can see, he’s pretty funny. In each case he’s giving versions of the same expression:

Não faz frio nem orvalho mas está a chover para caralho.

Não faz chuva nem orvalho mas está um frio do caralho

If you don’t already know, caralho is one of the rudest words in the language. But what’s going on with those prepositions just in front of each? Why is it para in the first instance and do in the second? I threw the question open to the floor.

In both cases we’re using the bad word to emphasise how strongly we feel about the situation, but you lead into it with para when what you are emphasising is a verb. “Esta a chover para caralho”, “Os ovos andam caros para caralho”, for example.

On the other hand, if its a noun you’re emphasising, you lead in with do: “Está um frio do caralho”, “Cão do caralho passa toda a noite a ladrar”

Caralho!

It’s hard to draw a direct analogy to English swearing, not least because we wouldn’t even say “está um frio…” (“it’s a cold”). We’d treat frio as an adjective, not as a noun. But I’m sure you’ll be familiar with the fact that swear words are pretty flexible in how they’re used. So you could have ‘It’s cold as fuck” or “It’s raining like fuck” or “It’s a huge fucking storm”. Portuguese seems to have a rule about how the caralho is linked to the thing it’s referring to though so it seems to be one of those rare cases where portuguese is less complicated than English.

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Exercises (p60)

Trying the same as yesterday but this time I’m going to list all the verb/preposition combinations out before I start.

(While I was doing this, my sister-in-law, who is madeiran, came over and tried to do one of the questions in the opposite page. She couldn’t do them either, so I don’t feel so bad now)

The verbs to choose from today are

Agir

  • Agir contra = to act against
  • Agir por = to be motivated by
  • Agir segundo = to act in accordance with
  • Agir sobre = to act on something, produce an effect

Falar

  • Falar com =to speak with
  • Falar de = to make criticisms about
  • Falar sobre = to talk about, express opinions about
  • Falar em = to mention, refer to
  • Falar para = to speak on the telephone to someone in another location, to direct your speech toward
  • Falar perante = to speak on front of an audience
  • Falar por = to speak for someone, as a representative

Meter

  • Meter em = to put inside

Meter-se

  • Meter-se a = to dedicate oneself to, to roll up one’s sleeves and start doing something
  • Meter-se com = to direct one’s words at, to provoke, to challenge
  • Meter-se em = to dedicate oneself to something, to shut oneself in somewhere, to interfere in
  • Meter-se por = to go somewhere

Pensar

  • Pensar de = to have an opinion about
  • Pensar em = to reflect on something, to have an intention of
  • Pensar por = to do someone’s thinking for them
  • Pensar sobre = to think about, to have an opinion about

Saber

  • Saber a = to taste of
  • Saber de = to know about

Telefonar

  • Telefonar a = to phone someone
  • Telefonar de = to phone from somewhere
  • Telefonar para = to phone a place

Ter

  • Ter com = to have some relation with
  • (ir) Ter com = to meet with someone
  • Ter alguma coisa contra = to have something against
  • Ter de = to have to do something
  • Ter alguém por = to consider something (tenho-o por boa pessoa means you believe someone is a good person)
Grammar batman
Holy prepositions, Batman

This feels much easier than yesterday’s. The expressions aren’t so similar. Anyway, here we go with the questions.

  • A Isabel é de ideias fixas: há nove meses meteu-se a aprender russo e já fala muito bem ✔️
  • Estamos a pensar em fazer uma viagem à Índia, talvez em Setembro ✔️
  • Na cerimónia académica, o estudante mais velho falou pelos colegas de turma ✔️
  • O José queria ajudar o neto, mas não podia porque não sabia nada de informática ✔️
  • Vais ter com a Ulrike ao Chiado? É um sitio muito bom para passear ✔️
  • O professor de História é “um livro aberto”: consegue falar sobre todos os assuntos com facilidade. ✔️
  • Os meus vizinhos são escandalosos, andam sempre a se metem em complicações ✖️ meter-se em (meh, right verb, wrong tense)
  • A família do homem-bomba declarou que ele agia pelas suas convicções religiosas ✖️ agiu segundo
  • O que é que pensas deste primeiro ministro? Eu acho-o um competente.✔️
  • Tenho a Fernanda por uma pessoa leal e honesta. ✔️
  • A mãe telefonou para o consultório do médico, mas não conseguiu falar com ele. ✔️
  • As alunas chinesas queixam-se e dizem que os portugueses se metem constantemente com elas. Elas acham-nos muito atrevidos*. ✔️
  • O réu, acusado de homicídio, argumentou que agiu por legítima defesa e agiu sobre os interesses da família. ✖️ Agiu em/ agiu pelos
  • Pedro, tens de pensar seriamente no seu futuro, não podes continuar nessa indolência. ✔️
  • Mete o dinheiro no bolso porque podes perdê-lo ✔️
  • Tens de acabar o trabalho quanto antes, já estamos atrasados na entrega. ✔️ (the answer actually gives “temos” but I think this works if you imagine one person’s work holding up an entire project team..?)
  • Detestava ouvir falar de outros pessoas, sobretudo quando era crítica gratuita. ✔️
  • A que é que te sabem essas batatas fritas? Acho-as horríveis. ✔️
  • A nossa filha, no seu doutoramento, teve de falar perante uma audiência de mais de cem pessoas. ✔️
  • Tens de dar a tua opinião, não posso pensar por ti ✖️ falar por
  • É difícil provar que ele não agiu por má-fé. ✖️ Tenha agido de

*nice word: cheeky

Well, that was much better but still left a lot to be desired…

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Exercises (p59)

I’ve been stalled in my textbook for quite a while. It’s quite hard to get through because the exercises are so samey. For example, at the moment I am working through a section in which you have to fill in blanks with verb/preposition combos. The section is 58 pages long with about 20 per page so I era thousand questions of the same type. This would be OK if they gave examples or pointers to teach you something before you embark on the exercise, but it really expects you to go and find the answers from some other source (in my case, the Guia Prático de Verbos com Preposições, which I definitely recommend even if I don’t recommend the textbook!)

It’s pretty exhausting and doesn’t make me feel motivated at all. I think I probably need to switch because ploughing through this isn’t yielding results.

Anyway, let’s have a go – I’m just going to straight up do my homework on here and mark it in real time.

Condizer com = dar com
  • Chegamos no Porto, de manhã, fomos do comboio das sete e regressamos ao fim da tarde ✖️ Vamos ao/Vamos no = We are going to Porto. In the morning, we’re going by train at 7.0p and return at the end of the afternoon. This is a bad fail. The tenses are all wrong, even. I think if I’d gone back and checked this one I’d have spotted it but I didn’t.
  • A cor das cortinas dá-se com as tonalidades usadas na decoração da sala ✖️ dá com =The colour of the curtains matches the tones used in the decoration of the room. I guessed “dar-se com”, which usually means “to get in with” would also mean match, but “dar com” is the right answer. It has a few different meanings but “condizer com” (to match) is one.
  • O autocarro 31 vai para a cidade universitária? ✖️ Passa pela = Bus number 31 goes through the University town?
  • O Pedro deu-se pela janela do comboio para admirar a paisagem. ✖️ Chegou-se à = Pedro went close to the train window to admire the countryside.
  • A Maria andava completamente obcecada por uma colega: lançou-se em si, constantemente, a pensar nele e não conseguia concentrar-se no trabalho. ✖️ Dava por =Maria was completely obsessed with a colleague: she was aware of him at all times, thinking about him and she couldn’t concentrate on work.
  • Emagrecia de dia para dia: os médicos passaram a pensar que fosse cancro. ✖️ Chegaram a = she was getting thinner day by day: the doctors had reached the point of thinking it was cancer.
  • A mãe quando o viu partir, de tão comovida, pôs-se a chorar. ✔️ Good lord, I’m on question (g) and this is my first right answer???
  • Como a Laura quase nunca sorri, muitas vezes passa por antipática. ✔️
  • Depois de muitos desgostos e desilusões, a Marta, deprimida, deu em alcoólica ✔️
  • Todas as cenas do filme não passaram dum manicómio ✖️ se passam num = All the scenes take place in a madhouse. This is a really good example of me getting it wrong because I got the wrong idea about what they were trying to say. I thought it was a bad film and every scene was like a madhouse.

Oh god, I’m so lost…

  • Esse aparelho tão esquisito dá para quê? ✔️
  • Acho que há pouco comida, as sardinhas não chegam para tanta gente ✔️
  • Não posso ir a um café a meio de manhã ✖️ passar sem = I can’t do without a café at midmorning.
  • A Helena dá-se bem com todos os seus colegas de trabalho. Assim o ambiente é ótimo. ✔️
  • O cão-polícia lançou-se sobre ladrão e conseguiu dominá-lo ✔️

OK at this point I had some wine. Let’s see how my success rate changes

  • O Rui vai a frequentar concertos, desde que namora com aquela pianista ✖️ passou a = Rui started going to concerts ever since he started dating that pianist
  • Estamos fartos de tentar modos diferentes de resolver a equação matemática mas não conseguimos chegar à solução. ✖️ Dar com = We’re exhausted from trying different ways to resolve the maths equation but we can’t find a solution
  • A empregada pôs os pratos e os talheres sobre a mesa para o jantar dos patrões. ✔️
  • O deputado do partido “Os Verdes” foi ontem a Dublin, onde esteve dois dias e deu uma conferência. ✖️ Chegou de = The MP from the Green Party arrived yesterday from Dublin where he was for two days and gave a conference.
  • O António foi para Bruxelas com um contrato de trabalho de três anos. ✔️
  • Abriu a porta de repente e deu com o filho mais novo a fumar às escondidas. ✔️

Oof, pretty terrible. Maybe I need to keep ploughing on because I’m really not doing well with these! That’s what? 11/21? Even with a reference book to hand. Terrible!

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Mansplaining Pronouns to an Actual Linguist

A video drifted into my feed yesterday by someone I’d never heard of before and it looked interesting so I listened to it while I was getting ready to go out. The chap who made the video is a linguist and he decided to weigh in on the controversial topic of pronouns and how they are being used, mainly in English, mainly by younger people in relatively affluent communities. If you don’t know why pronouns are controversial, well, consider yourself lucky, but basically whether we refer to people as he or she or something else, and under what circumstances is currently occupying a lot of social media and traditional media output. Frankly I’m baffled, but middle-aged people being baffled by stuff the youngs are obsessed with isn’t exactly news, is it? 🤷🏼

Anyway, as weird as it is in English, it’s even weirder in languages like portuguese where gender-specific pronouns are ascribed not only to people but to pens, apples, books and the concept of liberty*.

I’ve written a few posts about pronoun shifts a while ago um… Now where did I leave those? I started with this one, and a few people said the pun on the word “neuter” was problematic but that doesn’t seem to have stopped me repeating the crime a few weeks later when I really expanded on the subject here and then for a little reprise here.

Anyway if that kind of thing is something that interests you, I can recommend the whole video: it’s full of thought-provoking stuff. On the other hand, if you’re not, no worries because I only wanted to focus on a few seconds in the middle anyway. So, let me at least tell you why I decided to contradict him despite the fact that he is an expert and I am not.

At around 8 minutes and 25-ish seconds, he is discussing instances of relatively new pronouns that have been drafted into languages, relatively late in their development and he says “Portuguese has the impersonal ‘a gente'”. Except he says it in a Brazilian accent so it’s more like “a Genchee”.

Why, Brazilians? Why?

Gente is a feminine, singular noun that refers to a group of people but it’s true that portuguese speakers do use “a gente” as a stand-in for a group of people in place of “we”. It makes the grammar simpler because you don’t have to wrap your tongue around the nós form of the verb, you can just conjugate it in the third person singular – “a gente fala…” in place of “nós falamos”. It sounds a bit odd to English speakers but it works. As far as I can tell, it’s much more common in Brazil but it does exist in Portugal too. Of course it’s very informal, but I think it’s wrong to say it’s a pronoun. Even though it’s playing a similar role in the sentence – filling in in place of what could be a list of names, you could say the same about other collective nouns. Take “The family” as in “The family are getting together for Christmas” which could easily have been “We are getting together for Christmas”. Or what about “guys” in situations like “It’s just the guys, together again” or “hello guys, and welcome to another video”. Definitely not pronouns, right, but they are really fulfilling the same role as “a gente”.

Using nouns as stand-ins for people happens in formal speech too. You will almost certainly have heard people addressing each other as “o senhor” or “a senhora” or even “o doutor” Again, these are behaving in a fairly pronoun-like way, but they’re both nouns. You’re just talking to the person in the third person. “How is the gentleman?” instead of “How are you?” It’s the same kind of thing.

I felt like I was being a but of a reply guy, challenging someone in their academic discipline. Luckily we are both dudes, so I can’t be accused of mansplaining but even so, it’s a bit… Well, let’s say “hubristic”.

The Results Are In, You Bastards

Mansplaining cat

So, I made a reddit poll to ask native speakers on r/português to tell me if I’m right in my thinking. To my huge annoyance, judging by the early results, ‘yes, it’s a pronoun” seems to be winning over “no, it’s just a noun”. It’s a pretty close result in Portugal but overwhelming in Brazil.

In my defence, democracy is overrated. But if that brilliant argument doesn’t convince you, the explanation someone gave is that although “gente” is a noun, “a gente” os technically known as “uma locução pronomial” with “the same value as the personal pronoun ‘nós'” só it’s not a pronoun per se, but it works like one. Meh, I can live with that form of words, I think.

Finally, a European speaker said he was taught never to use it as a pronoun because it was “extremamente errado” and whenever he used it his grandpa would say “A gente? Agente é da polícia!”

Preach it!


*Respectively: lady, lady, gentleman, lady, if you’re keeping score.

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Racismo Em Português

Racismo Em Português de Joana Gorjão Henriques
Racismo Em Português

Racismo em Português” é um livro e uma série televisiva criados por Joana Gorjão Henriques, uma jornalista que trabalha no jornal Público. Comprei-o pensando que fosse um documentário sobre o racismo em Portugal mas não é. A jornalista entrevistou várias pessoas – jornalistas, músicos, ativistas – em cada um dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa (“PALOP”). O objetivo do documentário é confrontar o racismo do Império português e os efeitos que permanecem nos países ex-coloniais nos dias de hoje. Estou ligeiramente desiludido porque queria saber mais sobre a realidade em Portugal em si, mas não importa muito porque este assunto é fascinante também. Não há narração durante o documentário. A jornalista deixou os entrevistados falarem sem os interromper. Foi interessante ouvir as opiniões deles sobre o seu ambiente, onde tantos edifícios ficam com o estilo do antigo poder colonial, e sobre as atitudes mentais que persistem ainda na vida cultural do povo.

Quanto ao livro, a narrativa é mais estruturada: a jornalista encaixa as palavras transcritas dos entrevistados num contexto que (segundo a sua própria introdução) retira muita inspiração do pós-modernismo que está muito na moda em círculos académicos nos Estados Unidos, que tem uma visão muito simplificada do percurso da história, e uma visão de racismo para com pessoas negras como o pecado original que explica todos os males dos nossos tempos. Isso ressoa em várias entrevistas também, mas parece-me que a jornalista amplifica-o ainda mais. Uma entrevistada fala de “micro-agressões” que faz pouco sentido em geral mas faz ainda menos numa sociedade onde brancos e mestiços de pele clara constituem uma minoria da população. No capítulo sobre a situação em Angola, ela fala de “privilégio branco” ainda que haja poucos brancos para serem privilegiados. Um mestiço (ou seja “produto da miscigenação” 😬) pergunta-se “Será que eu preferiria não existir, será que isso teria tirado algum peso, o não ter havido colonização [….] Então não dá para responder porque eu não estaria cá para responder e não há como comparar porque não há como voltar atrás”. Esta conversa marcou-me muito, tanto no livro quanto no documentário, porque a vida daquele homem é emblemática do estado em que nos encontramos no século XXI. Devemos escolher: ou nós focamos no passado ou no futuro. Ou responsabilizamos as pessoas claras por existirem e por serem ‘privilegiadas’ ou afastamo-nos da ideia de raça e trabalhamos para criar um mundo em que nos tratamos como se fôssemos iguais porque somos iguais mesmo, digam o que os racistas disserem.

The ruins of empire… And whether I’m referring to the image on the TV or the mess that surrounds it, I’ll leave it to you to decide.