Em quarto lugar, temos os Capitão Fausto, que vão tocar em Dalston em Maio. O cantor da banda é Tomás Wallenstein, que apareceu naquele vídeo dedicado a Sérgio Godinho. A banda toca música rock e o estilo dela mudou ao longo dos anos (este vídeo foi gravado há mais do que uma década) mas parece-me que os membros têm uma visão criativa que é original e que me chama a atenção apesar de não ser uma banda que adoro cem por cento (a voz do Wallenstein, por exemplo, não é exatamente esmagadora). Em vez de uma sala de concertos, este espetáculo decorre num pub. Acho irresistível a ideia de ver esta banda famosa num lugar tão íntimo.
Author: Colin Lusk
Coming Soon #3: Tiago Nacarato
Tiago Nacarato é um homem interessante. Que eu saiba, não é Brasileiro mas tem parentes de lá. Mas apesar de ser portuense… ora bem, basta ouvir o gajo. Soa-te portuense?
O cantautor* vai tocar em Abril no Jazz Café em conjunto com o violonista** nordestino Cainã Cavalcante no mesmo palco aconchegante onde assistimos ao espetáculo de Carolina Deslandes em 2024 e traz mais 2 tugas consigo: Raquel Martins, a guitarrista inovadora que apareceu com a Carolina Deslandes. e Mimi Froes, cujo nome parece necessitar um til mas realmente se escreve assim. Ela participou na segunda temporada da série “Factor X” mas nem sequer terminou no Top 3. Tem muita influencia do jazz e já colaborou com Rui Veloso. Acho a música dela mais divertida e mais ‘tuguesa do que a do Tiago! Seria mal educado ir vê-la mas sair antes de os artistas principais subirem ao palco?
* The spellcheck on my laptop doesn’t like this word, but it exists in Priberam. I stole it from the RTP profile. It’s obviously a portmanteau of cantor and autor. So, singer-songwriter, basically.
**This word threw me for a loop when I first saw it. Violonista = someone who plays the violão, which looks like it must be some sort of viola or double bass, but it’s not, it’s another name for a guitar – especially in Brazil
Coming Soon #2: David Carreira
Não confio em David Carreira. Tem ar de um ex-membro duma Boy Band. Fui ouvir umas canções dele no Youtube mas não me agarraram. Se te apetecer ouvir este homem, ele irá fazer as suas boybandices no Lighthouse Theatre daqui a duas semanas.
Coming Soon #1: Ana Moura
Além do humorista sobre o qual falei ontem, 2025 promete ser um ano cheio de música portuguesa aqui em Londres portanto decidi resumir as opções numa sequência de blogues. Hoje, viro-me para Ana Moura, uma das fadistas mais famosas nos dias que correm.
Já assistimos a um concerto dela no Barbican Centre em 2016. Aquele palco tem uma reputação de apresentar artistas muito prestigiados. É um sítio onde se encontra alta cultura e arte. Quando voltar à cidade, no dia 13 de Março, ela cantará no Electric Brixton, um espaço mais conhecido por música urbana. Não estou a criticá-la: aquele palco também é, à sua maneira, bastante prestigiado mas pergunto-me se isto representa um novo posicionamento no mundo musical: a sua apresentação é mais “pop” e mais palatável ao mercado internacional. Vê, por exemplo, a faixa mais recente dela, “Desliza“.
Dito isso, a senhora ainda sabe ser fadista, como podes ver neste vídeo!
Red Dawn 2025

I’m generally not a communism appreciator, but I am quite enjoying the fact that A Vida Portuguesa is selling some of its absolutely gorgeous products in New York’s Museum of Modern Art as part of a pop-up store, including “Cola a Revolução“, a collection of stickers including “Eu Sou Comunista, Porque Não Tu?” and “Unir o Povo. esmagar o Fascismo” among others. If you’re in New York, well, first of all, commiserations for your second period of Great Darkness, and secondly, you might be interested in their stuff which is (as I may have mentioned) beautiful, and in checking out the Portuguese Design Symposium at the Pratt Institute.
The Careto Kid
Já viste estes vídeos no Instagram?
Vejo-os sempre, ano após ano, e estou fascinado. Especificamente, estou fascinado pelas figuras pagãs, principalmente os “caretos”. De vez em quando, penso a mim mesmo “que tal fazer um blogue sobre isso” mas nunca cheguei a escrever. A única referencia a eles que tenho no blogue é aqui: “ I quite liked this video where she is surrounded by Caretos… wait, why don’t I have any posts about Caretos? I could have sworn I’d written about them a few months back but I can’t find it now. Oh well, add it to the to-do list.”
Mas acredita ou não, ainda está na lista de afazeres!
E ainda bem , porque acho que a minha interpretação teria sido uma caricatura. Felizmente, a grande amiga do blogue, Cristina do podcast Say It In Portuguese, já escreveu um texto que explica tuuuuuuuudo e ontem publicou uma atualização/sequela que explica aaaiiiindaaa maaaiiis do que tuuuuuudo! Vai lá ler o blogue dela e não percas tempo a ler as minhas parvoíces. Mas volta amanhã porque começa uma nova sequência de blogues sobre concertos portugueses em Londres. Combinado. Até amanhã.

(Tendo adiado tanto, acho que a única opção é viajar para portugal e assistir a uma destas festas e escrever sobre a experiência. No próximo ano em Podence???)
Mais Um Humorista Tuga em Londres
O humorista Salvador Martinha vai apresentar o seu espectáculo “Super Young Aura” em Londres em Abril. O comediante tem a honra de ser a maior personalidade portuguesa do canal Netflix. Não só foi estrela do primeiro programa português no canal – “Na Ponta da Língua” – mas também tem um papel na série Rabo de Peixe.
Estou muito entusiasmado por assistir ao espectáculo e espero não estar doente, como estava no dia do espectáculo anterior.

O Festival da Canção 2025
Não estou a prestar muito atenção ao festival da canção deste ano as já ouvi várias faixas. Tanto quanto sei, a canção que vai representer o país não foi escolhida mas a favorita é a “Tristeza” do Josh, um jovem que canta sozinha no palco. Tem uma voz incrível e cheia de emoção. E a sua aparência cabe na moldura de concorrentes no festival. Tem a cara, o bigode as unhas e o fato. Há sempre um jovem bem apresentado que canta letras comoventes, que termina em quinto lugar, que não é nada mal. Acho que o Josh vai ser um grande sucesso.
Pessoalmente, prefiro o “Calafrio” de Jéssica Pina. A música dela não é tão formulada, como se fosse criada num laboratório para fazer parte do festival, mas gosto dela: é divertida. E sim, ela realmente toca o trompete. Não está a fingir! É isso, acima de tudo que leva esta canção ao primeiro lugar na minha estimação. Quem pode recusar dar 10 pontos a quem sabe cantar e tocar o trompete? Eu não.
Manta Para Dois
O mundo está fodido, portanto vamos ouvir os Deolinda. Há anos que sou fã desta banda e nunca me farto de ouvir as suas músicas e sentir as emoções – neste caso a felicidade turbulenta do casal imperfeito que é o assunto da canção. Talvez, apesar de tudo, o mundo não esteja assim tão fodido.
| Português | Inglês |
|---|---|
| Às vezes és bruto Rezingão, tosco, inculto Insensível, um ingrato, um ruim Rude e casmurro És teimoso como um burro Mas, no fundo, és perfeito para mim | Sometimes you’re crude Grumpy, coarse, ignorant Insensitive, an ingrate, a meanie Rude and pig-headed You’re stubborn as a mule But, deep down you’re perfect for me |
| Às vezes, também, eu tenho o meu feitio E sei que levo tudo à minha frente E por essas e por outras Quase que nem damos conta Das vezes que amuados No sofá refastelados Repartimos a manta sem incidentes | Sometimes, too, I have my ways And I know I don’t listen too anyone* And for those things and others We almost never notice The times we grumpily, On the sofa, all snug, Share the blanket without incident |
| Às vezes és parvo Gabarola, mal-criado É preciso muita pachorra para ti Cromo, chico-esperto Preguiçoso e incerto Mas, é certo, que és perfeito para mim | Sometimes you’re foolish Boastful, spoiled It takes a lot of patience to deal with you A nerd, a smartarse Lazy and uncertain But it’s certain that you’re perfect for me |
| Às vezes, também, sou curta de pavio E respondo sempre a tudo muito a quente E por essas e por outras Quase que nem damos conta Das vezes que amuados No sofá refastelados Repartimos a manta sem incidentes | Sometimes, too, I am short on temper And I reply to everything heatedly And for those things and others We almost never notice The times we grumpily, On the sofa, all snug, Share the blanket without incident |
| Às vezes, concedo Que admiro em segredo Tudo aquilo que não cantei sobre ti Mas o que em ti me fascina Dava uma outra cantiga Que teria umas três horas p’ra aí | Sometimes, I admit That I admire in secret All those things I haven’t sung about you But what fascinates me about you Would make another song That would be three hours long |
| Às vezes, também, sou dada ao desvario Mas vem e passa tudo no repente E por essas e por outras Quase que nem damos conta Das vezes que amuados No sofá refastelados Com os pés entrelaçados E narizes encostados Já os dois bem enrolados Brutalmente apaixonados Repartimos a manta sem incidentes | Sometimes, too, I am give to madness But he comes and it all passes suddenly And for those things and others We almost never notice The times we grumpily, On the sofa, all snug, With our feet intertwined And our noses touching And both of us rolled up Brutally in love Share the blanket without incident |
*I struggled to translate this – I sweep all before me? I barge everything out of my way? Levar tudo à (sua) frente is what a tractor or a bulldozer does, so the idea you get is of someone just charging through everything and not taking account of anyone else…. but it’s difficult to boil that down to the length of a lyric!
Hora H
“Hora H”… Antes de mais, pessoalmente, tenho o hábito de ler as letras em inglês “Hora aitch”. Se também fizeste isso quando leste o título, faz uma pausa e repete três vezes: “hora agá! hora agá! hora agá!”
Mas Hora H tem a sua origem em inglês. Costumamos falar do Dia D (“D-Day”), o dia mais importante no qual algo muito antecipado (e talvez perturbador) vai acontecer, como por exemplo o primeiro dia de um novo emprego, o lançamento do nosso primeiro livro, ou o nascimento de um filho.
A origem é bem conhecida: o Dia D foi o dia marcado para o desencadeamento da Operação Overlord, que deu início à invasão da Europa pelos aliados. Mas já sabias que também havia uma H-Hour (Hora H) durante aquele dia? Por incrível que pareça, eu com 55 anos não me lembro de ter ouvido falar da H-hour. Certamente não é uma expressão quotidiana em inglês, mas em português é muito comum ouvir consumidores a falar com entusiasmo da Hora H, na qual haverá descontos para todos.
Neste sentido, a frase é muito parecida com a nossa “happy hour”, mas também pode ser equivalente à nossa “zero hour” noutras ocasiões importantes na vida incluindo:
- Ele estava à espera da hora H para meter a cebola no tacho (=o momento certo)
- Ele estava confiante para falar em público mas na hora H, amarelou*” (=o momento da verdade)
E… Ora bem, basta dizer que, quando fiz a pesquisa no Insta para a imagem supra, havia montes de fotos que se referiram à hora H como um encontro sexual, estes encontros sendo geralmente muito antecipados pelos participantes, e menos assustadores do que um encalhamento numa praia francesa debaixo de fogo de centenas de metralhadoras**.
Tanto quanto me lembro, não ouvi este uso da expressão em Portugal. Pode ser um brasileirismo, não tenho certeza mas recomendo que tenhas cuidado.
*amarelou =turned yellow = chickened out. This is also a Brazilian usage I’m afraid, but the person who gave this example also confirmed that hora H is very commonly used to mean sexy-sexy time there. No portuguese users came forward to say whether or not they ever used it, so it’s still a mystery I’m afraid!
**Although if this is your thing, who am I to judge?