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Quando As Plantas Atacam

IMG_20180921_55978Hoje de manhã, quando acordei, havia algo estranho na cama (!) Senti umas picadas na pele da minha mão, como se houvesse umas agulhas nos lençóis, Não fazia ideia o que é que estava a causar este fenómeno. Tentei ignorá-lo mas cada vez que tocava nos lençóis, levava mais ferroadas nos dedos e depois nos braços e nas costas até já não puder ignorá-las. Levantei-me e fui em busca da pinça da minha mulher. Havia centenas de espinhos pequeninos em todo o lado, nos dedos, nos braços,  nas palmas das mãos… Pareciam pêlos fininhos, picando a pele. Passei uns minutos com a pinça, a retirar espinho após espinho mas já agora, fico com algumas. Quando faço um punho com a mão esquerda, consigo sentir umas ferroadas, mesmo que não veja nada.

Quando a minha esposa acordou, perguntei-lhe se teve o mesmo problema mas ela respondeu que não. Voltei para o quarto e vi o culpado: havia um cacto numa prateleira por cima da cama. Durante a noite, o cacto derrubara-se e caíra da prateleira. Caíra na mesa e rebentara-se, espalhando espinhos em toda a parte. Embora eu tenha dores nos dedos o cacto sofreu um destino ainda pior. Coitadinho.

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Raul With It

One of the chapters in Reaccionário Com Dois Cês is an obituary for Raul Solnado, who I’d never heard of. He died in 2009 and was recognised as one of the greats of portuguese comedy. Here he is in front of an audience in the sixties or seventies, telling a rambling story of the war of 1908. Top quality R-rolling.

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A Corrida

No sábado passado, eu fiz uma corrida de dez quilómetros. Há dois anos costumava correr muito. Corria mais de* vinte quilómetros por semana. Até fiz umas maratonas. Mas hoje em dia, estou mais gordo e menos em forma. Por isso, custou muito para me preparar para este evento. Treinei três vezes por semana durante um mês, até consegui correr em volta do parque. O perímetro do parque tem um comprimento de 11 quilómetros e mais inclinações do que o percurso da corrida. Por isso, quando chegou o dia, senti-me forte o suficiente para correr numa velocidade relativamente alta sem recear que eu cansasse antes do final. Cruzei a linha de chegada dentro de uma hora e quarenta e oito segundos, que é longe do meu melhor desempenho pessoal de sempre, mas apesar disso, senti-me muito contente.

*=I wrote “mais do que” forgetting this recent post

 

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Vinte e Dois Minutos Atrasado, Gelo Preto em Norbiton

My attempt at explaining (in portuguese, mostly) the difference between the english words “late” and “delayed”

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Delayed

Delayed é o particípio passado do verbo “delay” (acho que o verbo mais perto em português é “adiar” ou possivelmente “atrasar”). Pode usa-se como adjectivo. Não se aplica nunca como adverbio
“I was delayed on my way to work”
“My train was delayed”
MAS NUNCA
“I arrived delayed”
Se alguma coisa é delayed, acontece mais tarde do que as minhas expectativas mas não necessariamente tarde de mais ou “mais tarde que permitido” digamos assim.

Late

Late pode ser um adjectivo ou um adverbio. Portanto, podemos dizer
“I am late” (adbjectivo) ou
“I arrived late” (adverbio)
Late implica que o evento aconteceu (ou a pessoa checgou) tarde de mais

Later

Embora Later é relacionado com “Late” e pode significar “ainda mais atrasado, é mais comum que quer dizer “depois”.

Exemplos

Há uma regra na minha empresa que empregados devem chegar antes de 09:00. Eu costumo de chegar as 08:00
Um dia, havia um pneu furado na minha bicicleta. Por isso, apanhei o autocarro e cheguei as 08:45. Disse “I was DELAYED on my way to work” porque cheguei mais tarde do que normal (I arrived LATER than usual”) mas não precisei de oferecer nenhum desculpa. I was DELAYED but I was NOT LATE because I still arrived before 09:00
Havia duas reuniões naquele dia.
Uma foi agendado para 09:30, mas o chefe mandou um email para mudar a hora para 10:00 porque tive uma telefonema muito importante.
Uma foi agendado para 14:00, mas comecei as 14:30 porque o chefe bebeu de mais durante a hora de almoço e esqueci-se do agendamento.
The first meeting was DELAYED because everyone agreed that it should start LATER than usual
The second meeting was also delayed, but we could say it started LATE because it should have happened at 14:00 but it started half an hour after that time due to the boss being drunk

Há outros significados de “late” também que são relacionados mas não se confundam com “delayed”
“The Late Twentieth Century” = os últimos anos do século XX
“My late father” = um modo muito respeitoso de dizer “O meu pai que está morto”

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Two Countries Separated By A Common Language

I was sent this video by my Brazilian language partner and its a pretty good illustration of the language barrier between the two sides of the atlantic. Note that the Portuguese guy (Caesar Mourão, one of the comedians on the line-up of the comedy festival I mentioned yesterday) understands the tourists because the Portuguese are so used to listening to Brazilian “Novelas” but they have no idea what he’s on about.

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Andemos de Bicla

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Me and the teenager in pre-teenager days

Acabo de ler um artigo velho sobre o uso de bicicletas (ou seja “biclas” que é, se não me engano, uma palavra infantil que quer dizer a mesma coisa). O escritor utiliza o argumento de que andar de bicicleta a caminho da escola. é melhor para crianças Como muitas cidades, Braga tem ruas construídas para facilitar o movimento de carros exclusivamente e por isso, não é sempre seguro para ciclistas mais novos. O escritor aconselha-nos que não deve ser perigoso se os pais acompanhá-las à pé. Por este método, os nossos filhos aprendem habilidades de auto-conhecimento, consciência do ambiente, navegação e sentido de equilíbrio. Além disso, ficam mais saudáveis e evitam os efeitos mais graves do peso e da falta de exercícios. Sobretudo, o escritor espera que o governo autárquica veja estes ciclistinhas e façam mudanças ao sistema de trânsito na cidade para tornar tudo mais seguro e mais fácil para os viajantes mais vulneráveis.

Eis o artigo para quem tem interesse: Braga Ciclável

Thank you Marcio for the correcdtions!

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Chuckles Call to Chuckles Everywhere

I’ve found myself getting a bit more feminist lately. I have tended to be a bit dismissive of some claims of 21st-century feminism, to the point of wondering whether the word had outlived its usefulness, but have been energised lately by… well, it’s a long story. Suffice to say that having a daughter makes you want to punch more misogynists in the balls. I am all about the punching. I’m a regular Jean-Claude Van Dad.

Anyway, representation in comedy is not one of my main avenues of interest, but I was struck by this tweet earlier today, by Safaa Dib, who I know nothing about but seems to be a publisher and a candidate in a sort of left-green party called Partido Livre. She posted about the Festival de Humor, FamousFest 18. You can see why she was annoyed from the picture below. Literally not one single woman in the line-up. I know 6 of the names and 2 of those are not even comedians. Miquel Esteves Cardoso is a columnist and writer, and Filipe Melo is a producer and a graphic novelist. She doesn’t seem wildly impressed with some of the others either, judging by the comments.

If you click through to the thread, Guilherme Duarte, a comedian who uses the name Por Falar Noutra Coisa chips in and says a couple of women were invited but declined. Hm… well, fair enough up to a point… but then goes on to say (and this is less fair enough) that he didn’t want to have a quota system at the expense of quality (gasp… but wait, it gets worse…) that work was needed in the background to encourage women to try and be funny instead of making makeup tutorials. He salvages this mess of a tweet to some extent but not much. I was left with the impression that the scene is even more of a boy’s club than here.

Update 25/9/18 https://capitalmag.pt/2018/09/24/festival-menina-nao-bebe-whisky/

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À Noite, No Museu

Bolsonaro as a monkey in
I was going to put Bolsonaro’s face on Ben Stiller’s body but that seemed like it gave him too much credit, so….

É provável que vocês tenham ouvido a notícia da semana passada sobre o Museu Nacional no Rio de Janeiro, onde houve um incéndio catastrófico que destruiu a maior parte do seu espólio de vinte milhões de peças, que constituiu a maior colecção etnográfica e histórica na América do Sul.
Claro esta é uma a tragédia para o povo do Brasil e, ainda por cima, para o mundo em geral. Tantos tesouros sem preço e insubstituíveis deixam um buraco negro na memória da humanidade. Com certeza, existem lições que os gerentes dos museus do mundo devem retirar, sobre como cuidar dos seus conteúdos. Esperemos que as aprendam. Sobretudo, esperemos que os políticos que controlam os orçamentos dos museus proporcionam dinheiro suficiente para fazer as mudanças necessárias. Claro, para o Museu Nacional, é tarde de mais, e a lição seria “casa roubada, trancas na porta”.
Eu já li vários artigos sobre a situação no Brasil, e é interessante de ver como esta tragédia encaixa-se no debate político. Por um lado, há a questão de se o governo actual é culpável, até certo ponto, pela falta de segurança, e por outro lado, este museu continha um registro verdadeiro da diversidade e riqueza de historia brasileira que contradizia a narrativa da extrema-direita, e o seu líder, Jair Bolsonaro. Já que o registro está perdido, tornar-se-á mais fácil para autoritários afirmarem que Brasil é um país homogéneo, e os índios, negros, refugiados venezuelanos, e o resto da “escória do mundo” não se encaixam lá?

Para quem quiser mais informações, eis os artigos que eu li antes de escrever este blog:
Museu Nacional Do Brasil. Um País À Procura De Si Perde O Arquivo Onde Podia Encontrar As Respostas.
Contra-Revolução Autoritária: Brasil Alerta Máximo
Lições a tirar da tragédia do Museu Nacional, no Rio de Janeiro

[Uncorrected] É mais de possível que fiz muitos erros factuais aqui. Confesso que o Brasil não é um país cuja politica anda sempre na frente dos meus pensamentos, e isso é apenas o que retirei de uns artigos que, talvez, eu mal entenda. Parece um assunto interessante mas estou a escrever exclusivamente para praticar e não para dar uma opinião considerada e baseada em evidencia. Se fizesse tal erros, ficaria interessado nas suas opiniões mas espero que não vou ofender ninguém!

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Apenas Tolos e Cavalos.

I came across a new phrase the other day “Chico Espertice”, which is the quality attributed to a Chico-Esperto. What’s that? Well, a Chico-Esperto is apparently an unscrupulous, opportunistic chancer who takes the piss at any opportunity. There’s an article about Chico-Espertice here in Visão, in the context of last year’s disastrous wildfires. A few people have been caught jumping the queue, submitting bogus forms and claiming compensation for outbuildings and holiday homes ahead of those who lost their main residence.

It seems like there’s a tendency to tut and turn a blind eye to this sort of sharp practice, seeing it as an unavoidable, and even endearing trait (if this seems weird, just remember some of our best-known sitcoms, notably “Only Fools and Horses” revolve around the british equivalent of the Chico-Esperto), but in this particular instance, it’s a harmful form of fraud and – she hints in the last paragraph – may involve the people who were meant to be acting as stewards for the funds, in which case it arguably goes beyond mere piss-taking and into actual corruption.

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Of Mais And Menos

I usually write “more […] than” as “mais […] do que” but I occasionally see it written as “mais de” or “mais que” so to straighten it out in my head here is a distillation of the relevant Ciberdúvidas pages. The same seems to apply for other comparatives – melhor, menor, pior etc.

Mais do que and Mais que are correct and interchangeable in the following scenarios

  1. When there is an adjective between the “mais” and the rest of the expression
    • Este livro é mais grande do que “O Senhor Dos Anéis”
    • Este livro é mais grande que “O Senhor Dos Anéis”
  2. When there is nothing between the parts and it goes straight on to a pronoun
    • Eu escrevo mais do que ele
    • Eu escrevo mais que ele
  3. When the expression is followed by a relative oration
    • Ela escreve mais do que aquilo que julga
    • Ela escreve mais que aquilo que julga

That third one is a bit hard to grasp. “I write more than (whatever amount) you think”, so it’s pointing back to a noun, where the noun is some amount…? This makes it different from the next example where it’s comparing two verbs: “I read more than I write”

Mais do que is the preferred option when

  1. The expression is immediately followed by a verb
    • Eu leio mais do que escrevo

Mais que is the preferred option when

  1. The expression is immediately followed by another adjective – ie, when you are making comparisons between two adjectives
    • Sou mais bonito que inteligente (“I am more good-looking than intelligent”)

Mais de is the preferred option when

  1. The expression is comparing to a straightforward number – which usually means it’s followed by an actual number rather than a reference to some other thing
    • Mais de 17 milhões de pessoas votaram pelo Brexit
    • Comprei mais de uma dezena de livros na livraria
    • Naquele supermercado trabalham mais de 100 pessoas

Conclusion:

  • Use “mais de” if you are saying it’s more than a specific number
  • Use “mais que” when you are comparing two characteristics of the same person/thing (which I guess will be a rare occurrence!)
  • Use “mais do que” as the go-to option when neither of the above applies, or when in doubt since it seems to be the most common.

References

Melhor do que/ Melhor que

Mais que

Mais de

And some extra wisdom about when to use “mais que” was extracted from an actual papery book called “Portuguese, An Essential Grammar” by Amélia P Hutchinson and Janet Lloyd