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O Meu Ponto de Cruz

Notes towards a video 

Quem me segue no Instagram já sabe que fiz um projecto de “ponto de cruz”, ou seja, bordei de acordo com um padrão, para criar um desenho. Neste caso, o escudo da escola Hogwarts. É a minha primeira tentativa de fazer algo deste tipo. Já sei costurar um pouco, claro, para consertar roupas danificadas, mas nunca me sentei para fazer algo deste género por motivos recreativos. Há uma empresa cá em inglaterra, chamada Geek Stitch, que vende conjuntos com vários padrões: o Tardis, o Meu Vizinho Totoro, Pokemon, entre outros. Sem dúvida, há de haver outras empresas, mas Geek Stitch é a única que já conheço. Comprei este conjunto durante um festival de ficção cientifica no verão passado. Continha um bocado de tecido, algumas linhas de cor, uma agulha e o modelo. Passei muitas horas a bordar e foi muito relaxante. Além disso, deu-me a oportunidade de ouvir uns audiolivros! Comecei com o contorno e depois seguiram-se o corvo de Ravenclaw, o leão de Gryffindor, o texugo de Hufflepuff e a cobra de Slytherin, a famosa casa de nazis que tem autorização para existir na escola por qualquer razão que eu nunca irei entender. Depois, desenhei o H logo no meio.
Fiz alguns erros, claro, mas consegui corrigi-los por desfazendo alguns pontos e refazendo-os com mais cuidado. Enfim, o resultado é bonito. Fiquei muito orgulhoso! 

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A Resistência (Julián Fuks) Opinião


Costumo evitar livros brasileiros, porque estou a aprender português europeu mas recentemente ouvi falar deste livro, escrito por um grande critico do fascista Bolsonaro. O chefe de ficção duma livraria famosa aqui em Londres recomendou a edição inglês que saiu neste ano. Fiquei interessado. Lamento que não gostei tanto quanto esperava. O autor dá um retrato da sua vida familiar e tenta desemaranhar o enigma do seu irmão adoptado. Este retrato estende-se ao longo de 47 capítulos, cada um de duas ou três páginas. É fácil ler estes episódios sem grande esforço apesar da dificuldade do vocabulário. mas não realmente senti que as partes fusionaram-se a uma historia completa. O enredo passa-se na Argentina e no Brasil, e há um plano de fundo de violência e ditadura mas isso não tem muito efeito na narrativa, com exceção duma vez em que o autor compara o seu irmão incognoscível ao neto de uma mulher argentina que foi desaparecido.
Devo admitir que, como sempre, vejo “apenas um reflexo obscuro como num espelho” porque o nível de português é muito alto, e talvez eu cometa uma grande injustiça. O livro é bem premiado mas para mim, apesar de querer gostá-lo, senti pouco.

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A Papoula de Lembrança.

Ontem uma brasileira no metro fez-me uma pergunta. Por que é que há tantos ingleses a usar flores vermelhas de papel nas lapelas deles. Confesso que a minha resposta não foi muito nítida. Por isso, quero tentar novamente aqui. Se algum de vocês encontram-na (ela é baixa, de pele branca e cabelo curto e castanho. Conhecem-na, né?)

Durante a primeira guerra mundial, há cem anos, muitas pessoas faleceram. Foram baleados, esfaqueados, explodidos ou mortos de cólera ou qualquer outra causa. Depois, claro, todo o mundo queria lembrar o horror para evitar uma repetição. Portanto, designaram o Domingo mais próximo ao dia 11 de Novembro de cada ano (porque foi neste dia que a guerra terminou) como “Remembrance Sunday” (Domingo de Lembrança) e soldados feridos fizeram flores de papel, que assemelham-se às papoulas que cresceram nos campos de batalha na Bélgica e na França. Não tinham um preço mas o dinheiro que a gente doava ajudava os veteranos.

Desde aquela época, claro, o mundo esqueceu a lição muitas vezes e hoje em dia as papoulas são vendidas para apoiarem os veteranos das guerras mais recentes.