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As Redes Sociais e a Democracia

As notícias da semana passada demonstraram, para quem ainda não soubesse, que há um problema muito grave que está a afligir os nossos sistemas democráticos. É um problema unicamente moderno, que surgiu nos primórdios da época das redes sociais e estava a crescer, ano após ano, enquanto todo a gente se tornava todos os anos viciado nestes sites.

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O modelo negocial duma rede social consiste em vender os dados pessoais dos utilizadores. De forma geral, assumimos que os clientes são agências publicitárias, e aceitamos que vermos anúncios em cada página é justo em troca de um serviço útil e gratuito. Mas agora fica claro que existem empresas que aproveitam este oceano de dados para influenciar a sociedade através do método de mostrar anúncios e notícias falsas, direccionadas a cada um dos eleitores. Isso ultrapassa o efeito das publicidades tradicionais porque pode manipular não só os medos e as esperanças específicas das pessoas mas também a percepção da realidade. O resultado: ainda menos diálogo, ainda mais polarização entre a direita e a esquerda, e uma diminuição da confiança na democracia. É muito, mas mesmo muito importante restabelecermos um diálogo entre iguais, sem influência das empresas, ou das forças desconhecidas que os usam.

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New Shirt

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Opinião – “A Hora Da Estrela” de Clarice Lispector

notebook_image_886683Não costumo ler livros brasileiros por causa das diferenças da gramática e vocabulário, mas tenho ouvido apenas boas coisas sobre essa escritora, e estamos no mês do dia internacional da mulher (os meus amigos do booktube chamam-no “Marco Feminino”) e por isso, pensei, “porque não ler alguma coisa diferente?”
O livro é fininho mas muito denso. A historia é contada por um narrador, ou um falso autor, que se chama “Rodrigo S M” e que se apresenta como um personagem no conto. O vocabulário não é difícil, mas há muita subtileza e filosofia, até ao ponto em que, as vezes, a historia parece menos importante do que os pensamentos do narrador sobre a problema de escrever livros. Enfim, o livro é um bom exemplo dum livro no qual “entendo as frases mas não compreendo os capítulos”, mesmo que não tenha nenhum capítulo!

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VVN

I came across this abbreviation in Português Empresarial. Nobody seemed to know what it meant but a Brazilian named Cynthia solved the mystery. It stands for ” volume de negócios” -ie, a company’s turnover. I don’t know why the second V is there. Maybe the person who invented it had a stutter (“gagueira” if you want to know – or “gaguejar” in the verb form)

More detail here.

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Podcast Latest

I tend to update every so often about the state of Portuguese language podcasts. Currently, Practice Portuguese seems to have entered another lull. Their podcasts are very infrequent and I have cancelled my subs because I don’t use the website much and it felt like I had given them enough money, but I might start it again if they seem to be doing more things I can use.

podcasts

Meanwhile, my current favourite, Portuguese with Carla has followed their example by using a subscription model. They’re going to start releasing shorter podcasts for the general public and the full thing only for Carla’s own personal students. Since her time is limited and she charges pretty high-end rates, I can’t imagine there will be many of those, so it’ll be a pretty limited listenership, I should think. The first series, with 50 episodes, is still available though and still well worth a listen, especially for newbies, since it is very slow and very gentle but doesn’t lack depth! I think they are expanding in other areas too, and they even have a range of t-shirts with portuguese phrases on them*.

Say it in Portuguese is still knocking out the occasinal episode but is fairly dormant and Portuguese Lab Podcast seems to be chugging along, although I must admit I haven’t really got to grips with it yet.

 

*Speaking of t-shirts, I am definitely having something off Cão Azul next birthday…

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O Vocabulário de Negócios

I’ve just put together a Memrise deck with vocabulary from Portugues Empresarial in case anyone’s interested in vocabulary related to business. I think I’d like to do more of these theme decks in future – maybe one for computing hardware and software, for example. It’s a bit more useful, I think, than the long lists of nouns and verbs I’ve done in the past.

Business portuguese

 

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Latest Monkey/Branch News

I came across another reference to monkeys and branches in Bruno Nogueira’s Mata Bicho podcast: “Cada macaco no seu galho”. It reminded me of the one I mentioned a few weeks back. I guess Portuguese speakers must really like monkeys because I can think of at least two other monkey-related expressoes: “Vai pentear macacos” and “macaquinhos na cabeça” (here). This new one means “Each monkey on his own branch” or, less literally “people should mind their own business”.

It’s mentioned in a song here (#braziliandialectklaxon)

By the way, I always thought Mata Bicho meant something like “bug killer”, which it kinda does but it’s an expression that can mean a tip (in some places) or a little drink taken at breakfast time. So I guess “hair of the dog” then…?

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Quero Escrever um Blogue Mas a Minha Esposa Não me Deixa

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Uma das vantagens de trabalhar em casa é isto: é possível mudar as horas de trabalho se tiver vontade. Ontem, por exemplo, saí de casa na hora de almoço para assistir a um discurso da Diane Atkinson, uma escritora de não-ficção. O seu livro mais recente é “Rise Up Women” (Surjam, mulheres!). É um grande calhamaço que conta a história do movimento sufragista no Reino Unido, e as vidas das mulheres extraordinárias que fizeram parte da luta para os direitos das mulheres votarem.
O movimento começou numa maneira pacífica, mas tornou-se cada vez mais amargo quando os políticos masculinos recusaram a considerar a mudança. Mais mulheres ficaram presas e alguns grupos decidiram cometer actos de violência para mostrar a sua raiva contra o governo. Durante as suas sentenças, muitas vezes foram forçado a comer através dum tubo, enfiado dentro das suas gargantas. Hoje em dia, reconhecemos isto como uma forma de tortura.
f2a0cab5440b617690a80e4d625c345c.jpgAcompanhando o discurso, a escritora mostrou exemplos de fotografias tiradas pela polícia destas criminosas deploráveis, e desenhos satíricos nos jornais. Um tema muito forte neste género de piada foi um marido que se torna escravo na sua própria casa por culpa duma mulher Sufragista. Faz-me lembrar as queixas de certos homens de hoje que resmungam “o feminismo já foi longe demais!”

Thanks to Sofia, Mateus and André  for their help with corrections.
To be honest, I was quite surprised that there even was a different word for “Suffragette” and I’m not 100% sure it’s legit to translate it. In english there’s a difference between “Suffragists” and the more militant groups who became known (pejoratively) as Suffragettes and I tend to think if that name as fixed, like the name of a party of a band or a football team that would just be used in any other language without needing to be translated,  but since two out of the three people who corrected the text changed “Suffragette” to “Suffragista” I guess maybe I have the wrong end of the stick.
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Esses Romanos São Loucos

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No sábado passado, a minha mulher levou-me a assistir uma peça de teatro, nomeadamente “Julius Caesar” de William Shakespeare. Quando me disse, pensei que seria no Globe Theatre (Teatro de Globo), que é um teatro muito antigo à beira do Rio Tamisa, que não tem telhado nenhum. Porém, não foi no globo, mas sim no Bridge Theatre (Teatro de Ponta), perto da ponte Tower Bridge, um dos sítios mais conhecidos na cidade.
A peça foi muito bem feita. Os personagens vestiram-se de roupas modernas tal como fatos, uniformes militares e bonés vermelhos. Bonés vermelhos? Sim, como podem adivinhar, a realização da peça devia muito à iconografia da presidência estadunidense. Os atores foram ótimos, o que ajudou imenso, porque Shakespeare pode ser difícil as vezes por causa da língua antiga, mas até à minha filha que tem doze anos e não tem o mínimo conhecimento do enredo entendeu tudo.

notebook_image_883388O que mais me impressionou foi o palco. Porquê? Porque não havia só um palco estático. Após cada cena, empregados, vestidos de estilo militar, ou como agentes do serviço secreto entraram na multidão que rodeava o palco e gritaram “Afastem-se! Vamos!” para constranger os espectadores darem espaço, e então um novo palco surgiu, e a ação recomeçou mesmo ali. Por isso, esses bilhetes na área ao redor do palco são os mais baratos. Mas também são os melhores porque lá estávamos e sentimos como se fossemos cidadãos da “cidade eterna” a testemunhar o assassinato, a ouvir os discursos do Bruto e de Marco António, e a fazer parte da história verdadeira. Foi um dia maravilhoso.

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My Fin-dow Box

Today’s fish pun isn’t quite as good as yesterday’s, I know, and I promise this isn’t a new blog theme or anything, but I just wanted to share this new word I heard today: I mentioned the geraniums (gerânio) in my window box and it turns out the common name for them in Portugal is “Sardinheira”. Taking a line through other plant names: Pereira (pear tree), amendoeira (almond tree) cerejeira (cherry tree), bananeira (banana tree), framboeseira (raspberry bush) – and it seems to mean “Sardine Plant” which I like very much. It’s offishally the best word ever.